Errante no campo da razão
3. Princípios críticos do processo do conhecimento
científicos 9, mas seu processo de elaboração ocorre sob a rublica castradora da construção de caminhos alternativos. O fato é que Narciso acha feio, o que não é espelho.
Os lobos quando se rebelam contra o líder são expulsos da alcatéia levando consigo o vírus da rebeldia. Vagam em seguida, solitários e perigosamente por territórios alheios, suas existências constituem um risco para o espírito da alcatéia. Apresentam em si o estigma da insubmissão e da contestação, podendo “contaminar” outros. Por isso serão achincalhados onde forem, até que se submetam em vassalagem de outro líder, ou construam a sua própria alcatéia, sendo dela líder por sua vez. Ou até que por um ato inesperado contestem a própria estrutura hierárquica, destituindo o poder do Ícone; ou finalmente que morram tentando. Daí vem a expressão “é fácil chutar cachorro morto”, mas também covardia, pois suas presas não podem mais te ferir.
Princípios críticos do processo do conhecimento
Os princípios críticos do processo do conhecimento possibilitam o desvendamento de uma racionalidade instrumental que se propõe neutra e praticante de um olhar analítico, desvinculada dos valores culturais dos sujeitos observadores. O eu do autor contextualizado historicamente compõe a sua observação e criação, no entanto
parcial e relativa10 e 11.
Os valores pelos quais a sociedade burguesa imprime sua insígnia, estão associados ao sentido do caminho pré-estabelecido a ser percorrido. Assim, a referência de uma determinada racionalidade, toma-se uma finalidade superior a ser conquistada: cada passo dado nesta direção adquire valor positivo, pois seria uma etapa
galgada para a consecução do objetivo12.
Como para mim a História é o território da criação, o sentido a ser trilhado com a utilização da ciência e da técnica é construído por setores dirigentes de uma sociedade. São eles que se apresentam
como neutros e universais13. Em um primeiro momento de minha reflexão nota-se que os mesmos aparentam ter uma importante contribuição na subjugação do meio ambiente e do homem sobre o homem. Contudo, olhando mais profundamente percebe-se que são meros produtos históricos instrumentalizados por uma classe dominante. O papel da ideologia é ocultar este artifício utilizado para
se chegar a um fim determinado14.
A sociedade industrial tecnológica é um sistema de dominação. Seus membros, a partir do nível de cultura intelectual e material e defendendo interesses que lhes são específicos, elaboram e realizam a seleção de opções de organização da existência social.
As opções seleciona das vêm ao encontro majoritariamente aos objetivos dos setores dominantes, descartando alternativas que lhes seriam prejudiciais. Estes setores justificam suas atividades por intermédio de um plano único, emudecedor de outros e congregando as várias dimensões sociais sob o aspecto da
racionalidade tecnológica tomada política15.
As escolhas tecnológicas são primordialmente opções políticas, que atendem hegemonicamente interesses dos setores dirigentes, para a resolução de seus problemas, de aumentar a concentração de
poder e de renda 16 17 e 18 , , pela maximização da produtividade e do
capital, no enfrentamento da contestação dos trabalhadores 19, usufruindo intensivamente do meio ambiente.
Com o poder da gestão do capital nas mãos, a classe burguesa fornece condições materiais favoráveis para contemplar a realização de pesquisas que lhe interesse. Laboratórios, máquinas, equipamentos, mão-de-obra especializada serão utilizadas para seu próprio proveito, na divulgação, controle e aplicação dos resultados
alcançados20.