Errante no campo da razão
CAPITULO I Prolegômenos Inevitáveis
Se o homem e a história são tratados como coisa ou conjunto
de coisas, o futuro será invariavelmente o prolongamento do
passado e do presente, seja por generalização, seja por
analogia, uma vez que se pressupõe que o homem, tratado
como coisa, é como tal incapaz de ruptura com o passado ou
de criação inédita, em suma, de novidade imprevisível
Roger Garaudy
Apresentação
Este trabalho visa apresentar uma reflexão sobre as relações
da História enquanto conhecimento e a crise ambiental,
problemática complexa que ocorre na sociedade
contemporânea abrangendo o planeta como um todo.
Situo-me na denominada sociedade contemporânea, entendendo a carga de ambigüidade que esta denominação possui enquanto determinação temporal subjetiva contida na designação da expressão do nosso tempo.
Tal designação sugere a continuidade imutável de uma situação histórica estabelecida através do tempo, pois o seu efeito indica que mesmo tendo sido transcorridos milhares de anos e a sociedade se alterado, a denominação contemporâneo continuará a ter validade para os seres existentes, pois estará refletindo o tempo de suas existências. Desta forma, não estará auxiliando a identificar as distinções entre os momentos históricos no tempo e suas composições por diferentes sociedades.
Considerando todos esses fatores que alertam quanto a indistinção dos eventos, posiciono-me definindo um momento e uma sociedade especifica. Neste caso fixo como parâmetro central do estudo o período que parte de 1987 e vai até 1991, devido ao material de pesquisa de que disponho, ou seja, os Estudos de Impacto Ambiental e seus respectivos Relatórios de Impacto Ambiental, elaborados e analisados em um processo que se tomou obrigatório e se instalou na sociedade brasileira, ou pelo menos no Estado de São Paulo.
No decorrer deste trabalho irei situar os EIAs-RIMAs adequadamente, por enquanto estou apenas buscando balizar-me no tempo, sem no entanto restringir-me inflexivelmente a este período, já que ele traz em seu bojo os desdobramentos de todo um processo histórico.
Poderia acrescentar a designação de sociedade contemporânea, adjetivos que melhor qualificassem o período abordado, como: nuclear, espacial, telemática, e outros similares. Estes, representam características de um domínio instrumental tecnológico, produzido por um aparato científico imerso em uma sociedade que realiza intensa e maciça produção e consumo dos recursos naturais que constituem o meio ambiente.
Neste mesmo instante em que existe uma ativa produção industrial, emerge em escala planetária destruições do meio ambiente. Estas degradações são propaladas como configurando uma crise ambiental. Esta crise é reconhecida como oriunda das seguintes circunstâncias exemplares: do aquecimento da atmosfera por gases decorrentes da queima de combustíveis fósseis, da destruição nesta mesma atmosfera da camada de ozônio pela emissão do gás CFC (clorofluorcarbono), componente de equipamentos que se utilizam dele para funcionar, da poluição dos oceanos por descargas de resíduos tóxicos, da extinção em massa da biodiversidade, devido a utilização inadequada da mesma.
Por tudo isso, situo inicialmente o eixo desta problemática nas formas pelas quais os homens estabelecem suas relações entre si e com o meio ambiente, pretendendo atingir a raiz principal da