Errante no campo da razão
10. A fabricação social das necessidades
Esta noção refere-se: (1) à natureza humana-os impulsos e
sentidos fundamentais do homem como alicerces da sua
racionalidade e experiência; e (2) à natureza externa o meio
existencial do homem, a “luta com a natureza” em que ele
forma a sua sociedade. Deve ser salientado desde o início que,
em ambas essas manifestações, a natureza é uma entidade
histórica; o homem encontra a natureza tal como é
transformada pela sociedade, sujeita a uma racionalidade
específica que se converteu, num grau cada vez maior, em
racionalidade tecnológica e instrumentista, subjugada às
exigências do capitalismo. E essa racionalidade acabou
influenciando também a - própria natureza do homem, agindo
contra seus impulsos primordiais55.
Cabe portanto o estabelecimento de uma critica à esta racionalidade extremamente voltada para a justificação de uma dominação e de uma opressão. Ela se realiza por intermédio: da ciência, da idéia de desenvolvimento, do cálculo econômico, que compara coisas
diferentes reduzindo-as a grandezas abstratas 56.
Esta racionalidade tecnológica é instrumento do capitalismo e se apresenta como um dos principais pilares fundadores desta sociedade que age de forma opressiva, devastadora, assassina e
suicida. Importante se faz reconhecê-la como criação histórica57 e combatê-la no seu calcanhar de Aquiles.
Quando a entendemos como um produto do processo histórico, percebe-se que ela não pode ser simplesmente reduzida a apenas um de seus aspectos, pois a própria racionalidade comporta necessariamente reflexões sobre si mesma. Este fato possibilita a elaboração de críticas e o desenvolvimento de condições que privilegiam a liberdade, a solidariedade e a vida. Abordarei com mais ênfase estes aspectos da racionalidade no item I do capítulo III.
A fabricação social das necessidades Na sociedade capitalista existe um processo histórico de fabricação social do indivíduo. Este, através de valores que lentamente lhe penetram, cria uma aliança com o sistema. É um vinculo de adesão, calcado em dois aspectos: o primeiro, diz respeito à uma relação de