Errante no campo da razão

Jozimar Paes de Almeida · Capítulo 16 de 36

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Errante no campo da razão

10. A fabricação social das necessidades

Esta noção refere-se: (1) à natureza humana-os impulsos e

sentidos fundamentais do homem como alicerces da sua

racionalidade e experiência; e (2) à natureza externa o meio

existencial do homem, a “luta com a natureza” em que ele

forma a sua sociedade. Deve ser salientado desde o início que,

em ambas essas manifestações, a natureza é uma entidade

histórica; o homem encontra a natureza tal como é

transformada pela sociedade, sujeita a uma racionalidade

específica que se converteu, num grau cada vez maior, em

racionalidade tecnológica e instrumentista, subjugada às

exigências do capitalismo. E essa racionalidade acabou

influenciando também a - própria natureza do homem, agindo

contra seus impulsos primordiais55.

Cabe portanto o estabelecimento de uma critica à esta racionalidade extremamente voltada para a justificação de uma dominação e de uma opressão. Ela se realiza por intermédio: da ciência, da idéia de desenvolvimento, do cálculo econômico, que compara coisas

diferentes reduzindo-as a grandezas abstratas 56.

Esta racionalidade tecnológica é instrumento do capitalismo e se apresenta como um dos principais pilares fundadores desta sociedade que age de forma opressiva, devastadora, assassina e

suicida. Importante se faz reconhecê-la como criação histórica57 e combatê-la no seu calcanhar de Aquiles.

Quando a entendemos como um produto do processo histórico, percebe-se que ela não pode ser simplesmente reduzida a apenas um de seus aspectos, pois a própria racionalidade comporta necessariamente reflexões sobre si mesma. Este fato possibilita a elaboração de críticas e o desenvolvimento de condições que privilegiam a liberdade, a solidariedade e a vida. Abordarei com mais ênfase estes aspectos da racionalidade no item I do capítulo III.

 

A fabricação social das necessidades Na sociedade capitalista existe um processo histórico de fabricação social do indivíduo. Este, através de valores que lentamente lhe penetram, cria uma aliança com o sistema. É um vinculo de adesão, calcado em dois aspectos: o primeiro, diz respeito à uma relação de