Errante no campo da razão
2. Parábola do lobo
Cumpre desmistificar este processo de racionalidade na ciência moderna, que ao dominar a natureza considerada inerte, gratuita e
útil, também se domina o homem pelo trabalho e pela maquinaria 6. Este processo esmaga e transforma o homem em mercadoria nas engrenagens ritmadas pela velocidade do capital, saqueando-o de suas possibilidades autônomas de existência, transformando-o em um autômato na vida.
A instrumentalização desses elementos constituidores do sistema produtivo da sociedade industrial, abrange substancialmente a sociedade capitalista, mas contaminando também a dita sociedade socialista, por esta última se vincular à lógica do trabalho e ao êxito
da razão e da máquina 7.
E obrigação do historiador desmistificar este processo pela critica, para que com a compreensão da intriga a falsidade não se estabeleça. Sua estratégia de entendimento está visceralmente
ligada ao olhar sobre o mundo e sobre os povos estrangeiros8.
Parábola do lobo
Levo no alforje um prisma singular, transparente, de geometria irregular, mutante, meu instrumento de Orientação. Nunca ele me indica a certeza, e a cada momento que o utilizo mostra-me uma transformação constante do mundo no qual estou, é uma permanência da inconstância, a cada instante vivido. E de fugazes encontros com outros andarilhos, o prisma se transforma apresentando-me através dele outras dimensões do mundo.
O olhar é o instrumento prismático, decodificador cultural e individual de leitura do mundo e de seus eventos, sua ação e os elementos interpretados ou visualizados serão analisados, julgados e sentenciados nas catedrais da ciência.
Em cerimônias rituais ouvem-se vozes na atmosfera elocubrando fórmulas mágicas, exigindo submissão e integração deste olhar a um conjunto de métodos sujeito às mesmas regras, proferidos por um corpo de sacerdotes que se protege e se diferencia pelo exercício do mesmo. O que não representa que deixaram de ser