Errante no campo da razão
8. Contrapontos da entropia ao tempo da produção
Este ritmo é uma exigência de um sistema no qual deve ocorrer uma
seleção nas espécies vegetais 48 e animais de modo a privilegiar aquela de mais rápido crescimento e engorda para o corte.
Tentando-se conquistar o tempo de produção natural 49 e 50, gerando uma destruição no ecossistema e em decorrência possibilitando uma catástrofe famélica pela exaustão dos
alimentos 51.
O tempo para o capitalismo é algo uniforme, arimetizado, que vê o
progresso como crescimento ilimitado de conquista da natureza52. Esta orientação definidora do que seja avançado e atrasado pode se modificar radicalmente, ao se refletir mais profundamente.
Ao ser visualizado sob o aspecto da economia e da tecnologia do capitalismo, o tempo, enquanto progresso histórico, pressupõe uma utilização voraz da biomassa energética, mas quando se entende que na mesma proporção desta aceleração existe uma intensa degradação entrópica e biológica, tem-se uma referência totalmente oposta, pois quanto mais rapidamente se degrada a biomassa
energética, menos tempo existirá para sobreviver53.
Esta é a referência temporal da termodinâmica, o sentido de
passagem do tempo pelo aumento da dispersão de energia 54. Assim é que ao se aumentar a velocidade de transformação da natureza em bens econômicos, regredimos mais na possibilidade de continuação da vida.
Raciocinando sobre a racionalidade
O que está em causa é a necessidade de uma reflexão que consiga contemplar esta problemática:
O que é que está envolvido na libertação da natureza como
veículo da libertação do homem?