Ilha de Ar - Os Quatro Elementos, Volume 3
Preparação
Era bem cedo quando Lucca, Mainá e Tam ires term inaram o café da m anhã. O rapaz pegou o notebook de Suzane para entrar na internet, com o fazia todos os dias. Estava à procura de inform ações relevantes sobre Vitória e Conceição da Barra. O Espírito Santo era um estado do qual pouco conhecia e estava fascinado.
A índia deitou ao seu lado no sofá com o corpo dolorido pelo ritm o incansável im posto pelo treinam ento. O resto do grupo estava m ais cansado psicológica do que fisicam ente. Quase cochilava quando bateram à porta. Rem exeu-se no sofá sobressaltada. Tam ires não se ergueu para atender, j á sabia quem era.
– Pode entrar – pediu.
A porta se abriu rangendo e Alexandre entrou na sala. Mainá revirou os olhos e cobriu o rosto com a alm ofada. Só de olhar para o rapaz seu corpo se contraiu e seu gem ido saiu abafado, não o suficiente para que Lucca não ouvisse. O m oreno cum prim entou a todos. Cam inhou até a ruiva e lhe deu um beij o no rosto.
– Bom dia, Alê – cum prim entou sorrindo.
– Algum a novidade? – perguntou.
– Ainda não vim os Marcel. – Estou cheia de expectativa hoj e e doida para com eçar a m e m exer e m e sentir útil.
– Olha o que encontrei aqui! – interrom peu Lucca depois que leu o desespero nos pensam entos de Mainá quanto ao início do treinam ento do dia. – Acho que encontrei o tal parque que Marcel m encionou quando encontrou Nicolas.
Virando o notebook para o casal sentado no sofá m enor – não deixou de notar que as m ãos deles estavam entrelaçadas – Lucca m ostrou im agens do Parque Estadual de Itaúnas e da vila que deu nom e a ele na área territorial de Conceição da Barra.
– Uau! – exclam ou a ruiva. – É realm ente m uito bonito.
– Aqui diz que o parque é um a das Reservas de Biosfera da Mata Atlântica do país e foi tom bada com o Patrim ônio da Hum anidade pela UNESCO. Tam bém está inserido na região entre o Espírito Santo e Bahia considerada a Costa do Descobrim ento, tam bém tom bada pela m esm a entidade.
– Um a área de preservação – pensou em voz alta Alexandre. – Isso não parece fam iliar?
– Sim – respondeu o ruivo. – O Pantanal tam bém é.
– E o Parque Nacional do Iguaçu e suas m agníficas cataratas – acrescentou Tam ires.
– Com o não pensam os nessa conexão antes? – perguntou o pantaneiro.
– Era tão óbvio! – exclam ou o m oreno.
– Teria nos aj udado na busca – salientou a paranaense. – Poupando tem po e lim itando as opções.
– Talvez até tivéssem os encontrado Lucca e Nicolas m ais cedo – concluiu Alexandre.
O astral caiu na sala e todos ficaram pensativos com as alternativas apresentadas. Poderia ter sido diferente se essa descoberta tivesse acontecido há m ais tem po. Ninguém correria risco e provavelm ente teriam sido reunidos antes e hoj e Pedro Tosquini estaria vivo. Foi Lucca quem quebrou o silêncio.
– Bem , pessoal, nada de chorar sobre o leite derram ado, tudo bem ? – Lera os pensam entos ao seu redor. – Estou bem e Nicolas tam bém ficará, então voltem os ao presente.
– O que foi que perdi? – perguntou Marcel ao entrar na sala naquele m om ento tenso.
O loiro grandalhão carregava um a bandej a com o resto do que fora um café da m anhã a dois e vestia apenas um calção. A ruiva lhe contou as conclusões às quais chegaram depois da pesquisa de Lucca na internet. Ao fim do relato, não pareceu im pressionado com o os outros.
– Conclusão acertada, pessoal – disse indiferente e depois acrescentou. – Antes de m e arrum ar para ir ao proj eto TAMAR...
– Ah, falando nisso – interrom peu Lucca –, sabia que o parque Itaúnas tam bém tem um a unidade?
– Para falar a verdade, não – respondeu o loiro sério, insatisfeito com o corte.
– Tam bém descobri que tem vinte e três sítios arqueológicos! Será que dá tem po para dar um a espiadela quando estiverm os por lá?
– Duvido que tenham os tem po para turism o, Lucca – riu o loiro. – Bem , com o ia dizendo, Suzane viu que Nicolas e a pedra estão reunidos novam ente. Fiquei intrigado com isso e cheguei a pensar que fosse o m esm o caso de Lucca e Mainá, então aproveitei a ocasião e rastreei, inclusive para m e fam iliarizar com a energia da água-m arinha, quem sabe assim a localizo m ais facilm ente?
Tam ires escorregou para a ponta do sofá instigada pela ansiedade.
– Bem , percebi que ele estava em um quarto, com aquela m esm a m ulata do carnaval, e que ela usava um colar com a pedra com o pingente. Descobri que a história com a m oça é antiga e que ele lhe deu a gem a de presente. Eles estão tipo tendo um a recaída, relem brando os velhos tem pos. – Seu tom era sarcástico.
– E sentiu aquela força estranha de novo? – perguntou Alexandre.
– Na verdade, sim – respondeu rapidam ente. – Era sutil e im penetrável, com o da outra vez. Acho, inclusive, que é fraca. Bem , não sei se é essa a palavra certa, m as é difícil sintonizá-la ou m anter-m e conectado a ela. É com o um vídeo da internet que fica carregando aos poucos, com intervalos longos de tem po, e por fim você desiste de assistir.
– Você acha que não pode segui-la para descobrir de onde vem ?
– É m uito difícil m esm o, Alexandre, m as posso tentar m e dê um m inuto, por favor.
O silêncio ficou pesado enquanto Marcel fechava os olhos e procurava por Nicolas, que era m uito m ais fácil de encontrar. O rapaz dorm ia e por isso dem orou um pouco m ais para localizá-lo. Concentrou-se na pedra e depois de algum tem po, sentiu-a no peito da j ovem adorm ecida. Já a energia desconhecida... Abriu os olhos.
– Sum iu de novo. Não consigo entender.
– Marcel – falou Alexandre pensativo –, precisam os que tente. Talvez o pentagram a possa aj udar. Ainda não o usou?
O loiro grandalhão deu de om bros.
– Não vej o necessidade, m as prom eto que farei o m elhor que puder, ok?
Tam ires percebeu que o cunhado ficou ofendido.
– Marcel, não se ofenda, está bem ? Alê não está dizendo que é incom petente. Não viu o que aquele sím bolo está fazendo por nós? Pode te aj udar tam bém . Não custa nada tentar. Pela m issão. – Fez um a pausa e acrescentou. – Por Suzane.
– Está bem – concordou relutante o loiro. – Agora preciso ir. Até m ais tarde.
O grupo se entreolhou pensativo. Lucca conversou silenciosam ente com todos enquanto aguardavam que Marcel saísse de casa. Depois que o rapaz passou por eles com um aceno rápido, Tam ires foi a prim eira a falar.
– Não entendo por que é contra as m udanças. Afinal ele m esm o j á usou de artifícios m ágicos para aj udar Suzane.
– Ele não m e deu chance de ler seus pensam entos – acrescentou Lucca.
– Sei qual é o problem a – interveio Alexandre – Ele era o com andante dessa operação até chegarm os e nos m eterm os em seus achism os. Afinal, Suzane nem tem força para contradizê-lo e tam bém não acredito que tenha cabeça...
– Alexandre! – retrucou a ruiva na defesa da irm ã.
– Não foi bem o que quis dizer, desculpe – apressou-se em se explicar. – É que, pelo que percebi, ela é bastante sentim ental. Você sabe ser prática, m as Suzane é m ovida só pela em oção.
– Mas tam bém sou! – enfureceu-se a ruiva.
– Calm a, por favor, Tam ires – apaziguou. – Você não está entendendo a diferença. Deixe-m e explicar m elhor. As duas são preocupadas com os outros e m ovidas pelos sentim entos, m as você é m ais por um a em oção própria, entende? Você se enfurece e am a e é m ovida por isso. Suzane só se doa com os outros e se anula com pletam ente. Para ela, não im porta o que ela sente, só im porta o que os outros sentem .
– É, acho que você tem razão – concordou por fim Tam ires. – Chega de pensar e vam os com eçar a nos m exer porque o relato de Marcel m e deixou agitada.
Mainá gem eu alto dessa vez, esquecendo-se de controlar seu desconforto. Os três riram .
– Am or, sabe que não precisa se esforçar tanto – disse Lucca acariciando o rosto m oreno da índia. – Descanse hoj e.
Porém , a indígena se levantou contrariando a si própria e às palavras do m arido.
– De j eito nenhum – disse firm e. – Se vocês vão treinar, tam bém vou.
Alexandre se ergueu com seu sorriso deslum brante e bateu palm as.
– Então vam os, pessoal! – Estava anim ado. – Hora de correr! Trinta m inutos.
Estendeu a m ão e aj udou Tam ires a se levantar. A ruiva estava vestida com roupa de ginástica e tênis, que tirou antes de sair de casa por causa da areia fofa, o cabelo preso em um alto rabo de cavalo. O rapaz notou com o os m úsculos de suas pernas e braços estavam m ais definidos e seu abdôm en, com a baby look colada, estava com eçando a form ar gom os. Achou m uito sexy.
– Tam ires, você percebeu com o seu corpo está m udando?-perguntou deslum brado.
A ruiva se virou para ele constrangida e surpresa. Olhando nos olhos do m oreno alto, viu o desej o queim ando. Desviou o olhar antes de responder.
– Sim – e riu. – Estou ficando dura igual um a rocha.
– Isso é bom – continuou o rapaz. – Significa que está m ais resistente.
– Será? – j ogou a pergunta no ar e disparou a correr na frente de todo m undo.
Depois de m eia hora, Alexandre os reuniu, ainda na praia, m as próxim o à casa. Alongaram por alguns m inutos, suados e ofegantes pela corrida, m as aquecidos para com eçar, de fato, a parte m ais pesada daquele treinam ento severo.
– Em alerta, pessoal! – com eçou um novo Alexandre, rígido. –Vocês estão em perigo. Lem brem -se de usar seus seis sentidos e suas oito arm as. – Com a voz autoritária, ordenou. – Posição de base.
Paralelos, os três separaram as pernas levem ente flexionadas, a esquerda à frente com o apoio e ergueram os punhos cerrados sob os queixos, os braços flexionados, o direito m ais atrás do que o esquerdo. Alexandre passou por eles e deu um tapa em cada abdôm en. Mainá se desequilibrou e quase caiu.
– Contraiam esses m úsculos – com andou. – Pés fincados no chão. Mantenham o equilíbrio. Vam os treinar de novo o prim eiro golpe básico de muay thai. Serão quatro série se dez repetições. Socos jab e direto intercalados.
Os aprendizes lançaram o punho da m ão esquerda no rosto do oponente im aginário. Em seguida, a recolheram e lançaram a m ão direita na m esm a direção. Cadenciadam ente e j untos, os três gritavam ao executar o golpe.
– Golpeiem com força – estim ulava Alexandre enquanto contava as repetições. – Sintam os m úsculos se contraírem e despej em sua energia contra seu inim igo.
Ao final da série, Alexandre perm itiu que tom assem água e descansassem um pouco antes de partirem para a próxim a. Mainá aproveitou a pausa para m assagear os ainda m ais doloridos m úsculos de seus braços. Pensou com o que golpear o ar podia ser tão doloroso? Im aginou com o seria então atingir um a pessoa real e quase grunhiu.
– Nada de esfriar, pessoal! – retom ou a liderança Alexandre. – Vam os ao soco upper. Posição... – pausou para que todos se aprum assem novam ente – Agora.
Levando a m ão direita para trás, ainda flexionada – tinha a aparência de um gancho – os três lançaram com força o punho de baixo para cim a com o se golpeasse o queixo do adversário.
– Direita, esquerda – contava. – Movim entem o corpo, ergam o calcanhar ao golpear.
Para não perder a form a, o professor tam bém realizava os m ovim entos, porém suas séries eram m ais curtas j á que tinha que ficar de olho neles, anim á-los e ainda fazer a contagem .
– Muito bem – disse ao final. – Agora é a vez das cotoveladas direta e reversa, trocando os braços. Vam os!
Sim ultaneam ente, os três golpearam o ar com o cotovelo esquerdo para frente, com o se o chocasse contra a face do oponente. Com um giro rápido para trás, no sentido horário, m overam o cotovelo direito violentam ente j unto com um grito, com o se houvesse outro adversário tentando atacá-los pelas costas.
– Muito bom ! – exclam ou Alexandre ao final de m ais um a pausa para água. – Agora os chutes e as j oelhadas.
Anim ada, Tam ires dava pulinhos com o se realm ente estivesse em um a luta, m antendo os m úsculos aquecidos e o corpo em posição de base, em alerta. O m aior m otivo de sua em polgação era que am ava os próxim os exercícios. Suas pernas estavam m ais firm es e torneadas do que nunca.
– Chute frontal com a perna direita e circular com a esquerda, agora!
O grupo gritou ao esticar a perna direita para frente em um golpe firm e e equilibrado, o m ais alto que puderam alcançar com o se atingissem o pescoço ou o om bro do adversário.O golpe seguinte, com a perna esquerda, exigiu um m ovim ento circular do m em bro, com o se atingissem o oponente na lateral.
– Agora j oelhada direta com a direita e sem icircular com a esquerda. – berrou Alexandre a fim de anim á-los percebendo que estavam cansados.
Os alunos atenderam im ediatam ente ao com ando do professor. A prim eira j oelhada foi à frente, com o se atingissem o estôm ago ou o queixo do adversário. Com a outra perna, m overam o j oelho dobrado da esquerda para a direita com o se golpeassem a costela do oponente.
Ao final da série, todos estavam exaustos e suados. Sentaram -se na areia para descansar e tom ar água. O sol havia subido no céu e o clim a j á estava m ais quente.
– Parabéns, pessoal! – m otivou Alexandre. – Vocês estão indo m uito bem . Em tão pouco tem po, j á posso afirm ar que sabem o básico para se defender. Mas precisam os continuar treinando sem pre que puderm os para adquirir força e condicionam ento físico. Portanto, nada de esfriar! – Bateu palm as. – Levantando e correndo m ais m eia hora.
Tam ires se levantou com agilidade, porém Mainá teve que ser auxiliada por Lucca. O corpo inteiro doía. Movim entá-lo era torturante.
– Por que para m im é m ais difícil? – perguntou a índia em voz baixa.
– Tam bém acho puxado, m as não precisa se esforçar tanto, Mainá – retrucou Lucca. – Já está apta para se defender, caso sej a necessário, m as não perm itirei que ninguém se aproxim e de você. Posso defender a nós dois.
Tam ires se virou para o casal e se introm eteu.
– Concordo com Lucca, Mainá. Vai dar tudo certo e você não precisará lutar. E se algum a coisa errada acontecer, e alguém passar por nós, você j á saberá im obilizá-lo para que possa fugir.
– Fugir? – quase gritou a índia, m eio ofegante. – E deixar Lucca para trás? Vocês não estão falando sério!
Ignorando-os, com eçou a correr em um trote m eio indeciso. Am bos ficaram olhando a índia passar por Alexandre, ignorando-o. Deu duas passadas tortas e inseguras e caiu na areia. Todo m undo se apressou para alcançá-la. Ela estava desacordada.
– Mainá! – cham ou Lucca enquanto a tom ava nos braços e retirava os cabelos m olhados de seu rosto.
– Tom e! – disse Alexandre passando para o rapaz um a garrafa de água.
O pantaneiro a abriu agradecendo e espargiu algum as gotas no rosto lívido da índia. Ela acordou levando a m ão à cabeça.
– Estou tonta – m urm urou.
O m arido a aj udou a beber água até se sentir m elhor.
– Acho que você se exigiu m ais do que suportava – repreendeu Tam ires.
– É m elhor pegar m ais leve a partir de agora, Mainá – acrescentou Alexandre. – Que isso sirva de aviso para sua teim osia.
– Vou te levar ao m édico agora! – disse Lucca levantando a indígena nos braços.
– Não precisa-retrucou. – Estou bem .
– Não m e diga um a coisa dessas! – exclam ou nervoso. – Você acaba de desm aiar na m inha frente e não vou ficar sossegado enquanto um profissional m e disser o que você tem .
Preocupados, Tam ires e Alexandre acom panharam o casal que ia tão depressa que em pouco tem po alcançaram a casa.
– Ah é? – ainda teim ava a índia quando atravessaram a porta. – Pois sei o que tenho. – Lucca a colocou sobre o sofá correndo para o aparelho de telefone sem dar atenção ao que dizia. – Estou grávida.
Paralisado no m eio do m ovim ento, Lucca dem orou alguns segundos para se recuperar e se virar para a índia que sorria para ele.
– Você tem certeza? – conseguiu balbuciar ainda em choque.
– Sim – respondeu a índia arreganhando os dentes. – Estou atrasada há m ais de um a sem ana e sem pre fui m uito regulada.
– Ah, m eu Deus! – exclam ou se j ogando nos braços dela chorando.
– Parabéns! – em ocionou-se Tam ires. – Vou ser tia!
– Estou m uito feliz por vocês – disse Alexandre –,m as acho que é m elhor m esm o ligar para o m édico agora. Afinal, Mainá pegou pesado no treinam ento e não é m uito bom para um a grávida.
Preocupado, Lucca correu de volta para o telefone consultando ao m esm o tem po a agenda à procura do núm ero do m édico que sem pre atendia a fam ília Vieira.
– Não exagerem – riu a indígena. – Esqueceram de quem sou? Na m inha tribo as m ulheres grávidas m ontam cavalo. Estou acostum ada a exercícios puxados.
– Ok, Mainá – falou decidido o com panheiro. – Mas não estam os na sua aldeia. Você vai ao m édico sim , senhora!
Vencida, em burrou no sofá enquanto o m arido agendava a consulta. Acariciou a barriga feliz e depois que Lucca se aproxim ou dela novam ente, alisou seu rosto.
– A profecia está se cum prindo – m urm urou.
Tam ires foi para a cozinha fazer o alm oço e Alexandre a seguiu. Enquanto cortava os tem peros e os legum es, conversaram .
– Fiquei tão feliz com essa notícia, m as ao m esm o tem po preocupada. Vai ser im possível convencê-la a não ir conosco. Em seu estado seria duplam ente perigoso.
O rapaz balançou a cabeça concordando.
– É verdade, m as ela precisa pensar nessa criança. Não pode correr risco de m orte conosco – refletiu o m oreno. – Pelo m enos, se algo acontecer, ela terá consigo um sobrevivente, que poderá lutar m ais tarde.
A ruiva o encarou percebendo todas as em oções conflitantes que seu coração sofria. Largou os afazeres, se aproxim ou do rapaz sentado na cadeira da m esa e o abraçou. Um a lágrim a fugiu sorrateiram ente de seus olhos.
– Tam ires... – sussurrou.
Um a onda de am or e desej o foi despej ada sobre a ruiva, sufocando-a. Totalm ente envolvida por ela, a m oça sentiu a pele arrepiar quando o m oreno passou os lábios docem ente por seu pescoço, apertou-a com firm eza e a puxou para seu colo. Calor subiu por seu corpo até corar seu rosto.
Incapacitada de falar, Tam ires apenas sentiu o hálito fresco e agridoce de Alexandre acariciar-lhe a face a poucos centím etros. Seus pensam entos eram confusos. Por que não? Quanto tempo ainda nos resta? Que futuro poderei ter com Gustavo mais para frente? Fechou os olhos para não assistir ao beij o j á que não o im pediria.
Passos vindos da sala fê-la abrir os olhos e se levantar em um salto. Lucca entrou abraçado a Mainá, sorrindo e dizendo.
– Vam os preparar um a com ida especial para com em orar a chegada do nosso filho e alim entar bem essa m am ãe teim osa e linda.