Ilha de Ar - Os Quatro Elementos, Volume 3

Josy Stoque · Capítulo 6 de 31

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Ilha de Ar - Os Quatro Elementos, Volume 3

Ideia

 

Acordei péssimo naquela quinta-feira. Pior do que no dia anterior, cinzento e torturante. Eu me sentia culpado. Havia estragado a minha noite e a de Michele também. Levantei depressa da cama dessa vez, a fim de me mover e esquecer o desastre daquelas horas longas e maçantes. Pelo menos hoje teria um dia movimentado com reuniões e eventos.

Precisava pensar em uma forma de me desculpar com minha amiga pela grosseria que cometera. As palavras que dissera me vinham à mente o tempo todo. Eu me sentia um canalha, coisa que não era de verdade.

Enquanto saía do condomínio para minha corrida do dia, repassei na mente os acontecimentos anteriores e me torturei mais uma vez com as lembranças de Lara e, em seguida, Michele.

Quando cheguei à casa de minha amiga no início da noite de ontem, não estava em um bom estado de espírito. Inutilmente, tentara esconder minha perturbação. O que mais me atormentara era a ideia fixa de ir ao encontro de Lara, como se algo me guiasse até ela. Sentia que era o que devia fazer, mas lutava violentamente contra.

Dividido e fora de controle, travava essa luta interna. Nunca emoções tão conflitantes me assaltaram dessa forma, sem que conseguisse erradicá-las instantaneamente. Tinha muito medo de onde aquilo me levaria. Não estava acostumado a me deixar levar pelas emoções e não seria naquela noite que cairia nessa armadilha.

O meu temperamento leve e alto-astral desapareceu em um de meus instantes contraditórios. Até minha cordialidade marcante estava alterada por uma secura objetiva e sem humor. Meu lado reservado viera à tona.

Vira a confusão na face de Michele. Durante toda a noite tentara me animar, me monopolizar e me agradar. Eu mal percebera. Ela já me vira em muitos momentos taciturno, mas não tão calado. Não soubera lidar com a situação.

Acreditava que, em algum momento, me deixaria sozinho com minha loucura interna e se divertiria. Mas, por fim, sua insistência em tentar me comovera e confundira. E, sem perceber o que fazia, a beijei.

Durante aquele momento breve e infame, minha mente se atormentara com uma lembrança muito mais forte e intensa. O sabor e o calor de Lara e mesmo não sendo o mesmo, demorei tempo demais para interrompê-lo.

Um misto de frustração e nojo me envolveu quando a afastei. Seus olhos, deslumbrados com a violência de meu falso desejo, brilharam. Naquele segundo, tomei a pior decisão da noite.

– Vamos para um lugar mais reservado – dissera enquanto a puxava pela mão.

Insano, quisera fazer um teste. Talvez, ultrapassando todos os limites, encontraria de novo a paz de outrora. Fizera com que Michele entrasse no carona do meu carro e a agarrei novamente, entrando por cima dela.

Sua resposta foi imediata e positiva. Fervi e acreditei que, ao final, daria certo. Afastei Michele novamente e assumi a direção do automóvel. Costurei pelas ruas feito um maluco direto para meu apartamento. Percebi que a mulher ao meu lado se agarrara ao painel e à porta com força.

Já no prédio, sem perder tempo, a puxei para fora do carro e, entre um amasso e outro, chegamos ao apartamento. Estava escuro e silencioso o que facilitara a falta de cautela que tive até ali.

Tinha urgência em me libertar daquela obsessão. Só não lembrara que já havia tentado esse método e fora malsucedido. Talvez porque não conseguia pensar naquele momento.

Estive particularmente bruto. Muitas vezes percebera o espanto na mistura de expressões dela. Porém, ele logo era substituído por prazer e satisfação. Sem me preocupar, continuei concentrado em controlar meus pensamentos.

Ao final, Michele se aconchegara ao meu corpo, envolvendo meu tórax com um braço. Enquanto ela suspirava, alegre, me sentia um trapo velho. Sujo, rasgado e maltratado.

O que pensei? Pior do que usar a jovem em meus braços, sabotei a mim mesmo. Não era um sacrifício, já que era gata e sabia que ela se sentia atraída por mim, mas fora um monstro egoísta. Revoltado comigo mesmo e me sentindo horrível enquanto ela estava em minha cama, a afastei meio grosseiro, apanhando as roupas espalhadas pelo chão.

– Vou tomar um banho – disse enquanto me dirigia à porta e acrescentei antes de fechá-la. – Tem um número de uma companhia de táxi ao lado do telefone.

Fora um monstro, grosso e estúpido. Porém, estava hiper-insensível. Perdera todo o tato e não tinha cabeça para organizar uma frase educada. Só queria e precisava ficar sozinho imediatamente.

Esforço vão. Sentia tanta raiva de mim mesmo que desejara socar a parede até quebrar a mão. Lamentava por mim e por ela. Não entendia o que estava acontecendo comigo.

Ser aberto demais a tudo e a todos não era saudável, agora via. O sofrimento poderia ser muito maior. Eu me sentia perdido e sem rumo, preso a uma linha tênue que me puxava constantemente e com minha resistência, se partiria.

Quando saí do chuveiro, não havia vestígio de Michele no apartamento. Envergonhado, pensei em ligar para ela na mesma hora, porém, sem saber o que dizer, abandonei a ideia.

As horas seguintes foram longas e insones. Pensar não estava ajudando, mas minha mente não desligava. Acabara adormecendo pela exaustão. Dormira profundamente por um tempo curto demais até que o despertador tocou.

De volta a minha rotina de mais um dia, esperava que a corrida e o mergulho trouxessem esperança e solução para meu problema. Na verdade, confiava que as ocupações do dia, no mínimo, fossem suficientes para me colocar de volta ao eixo.

De que forma conseguiria trabalhar naquele estado mental? Precisava de minha lucidez de volta. Ansioso por isso, procurei outro ponto da cidade, o mais alto, para minha corrida matinal. Quanto mais perto das nuvens, melhor.

Eram vários quarteirões até ele, mas tinha tempo e motivação. A pé, aquecendo os músculos de minhas pernas, cruzei os bairros do Horto, Consolação, Nazaré, Jucutuquara e Fradinhos onde, enfim, alcancei o Parque Estadual da Fonte Grande.

Comecei a corrida na entrada por uma trilha que me levava direto ao morro que dava nome ao parque. Seu relevo acidentado dificultava meu progresso, mas a visão dos vales e pontões eram animadores e deslumbrantes.

Localizado no maciço central da ilha, contrastava com a agitação da metrópole e era a última área contígua de grande porte com vegetação característica da Mata Atlântica. Nas encostas, bicas e fontes naturais jorravam.

Ao redor dos quase vinte e dois mil metros quadrados de mata, também havia animais nativos como répteis, invertebrados, pequenos mamíferos e aves, que poderia ser observados em seu habitat natural.

Corria e o vento realizava, a cada passo, a clareza que tanto almejei. Sentindo o resultado com rapidez, acelerei o ritmo e fiquei satisfeito ao perceber que senti pouca dificuldade para subir a trilha íngreme.

A mata formava o corredor e lá no topo avistei as torres de telecomunicação que eram pontos de referência em toda a ilha: do porto, da praia ou de outros bairros. Continuei subindo mais motivado. Chegar ao mirante natural mais alto daquele morro, com mais de trezentos metros de altura, foi uma dádiva divina. Proporcionava uma visão privilegiada e múltipla de todas as belezas únicas da capital.

Aspirei fundo trazendo o ar puro e leve para meus pulmões que queimavam pela corrida forçada. Ainda assim, estava pouco ofegante e muito mais concentrado no que via do que no que sentia. Havia uma paz tão doce lá em cima. Um silêncio sob o sopro do vento. Podia viver ali, sem que nada me incomodasse. Pensei que poderia me desintegrar e virar fumaça, me dissolver às partículas de ar.

Contemplei o invisível, o céu, as nuvens empurradas pelo vento, o mar recortado pelas ilhas, os morros apontando aqui e ali entre o verde e o cinza da ilha, as pontes e as cidades vizinhas.

Amava Vitória. Adotara a cidade como minha terra natal desde o primeiro dia em que pisei naquele recanto brasileiro. Por mais que viajasse e conhecesse vários lugares, tanto do Brasil quanto do mundo, sempre desejava voltar para casa. Não haveria lugar ou motivo que me tirasse dali. Viveria meus dias altos e baixos, minha velhice e minha morte e seria enterrado ao lado do meu pai, o único homem que amei.

Não me preocupava com o futuro. Acreditava que ele estava traçado a partir de minhas decisões e escolhas do presente e o vivia intensamente, mas não era difícil perceber onde pararia.

Minha vida caminhava para a estabilidade. Era bem-sucedido em minha carreira de consultor executivo, tinha minha liberdade e herança, e não ficaria desamparado caso algo desse errado – o que não era o caso.

Tinha muitas certezas. Algo raro, porém completamente verdadeiro em mim. Não havia motivo nenhum para me preocupar com o futuro e ainda assim, conhecia uma única razão para acreditar na desestruturação total de tudo que construí.

Lara e a loucura que essa atração provocava em mim. Queria seguir por um caminho e ela me puxava para outro. Estava muito difícil lutar, mas insistiria enquanto acreditasse que tinha forças para isso. Permaneci um tempo longo e revigorante no mirante sobre o morro. Porém, tinha horário marcado com um cliente e não poderia prolongar mais meu momento reflexão.

Desci caminhando a fim de estender os efeitos positivos que causou em mim. Olhava ao redor, observando os detalhes da paisagem natural. Também amava a natureza. Na adolescência, passara pela preocupação com o meio ambiente, porém essa ideia nunca se apagou em mim e era esse um dos motivos pelo qual amava Vitória e ainda voltava para Conceição da Barra, apesar das lembranças tristes.

Sabia que podia fazer mais do que apenas contemplar. Então, dividia meu tempo livre engajado em projetos de preservação ambiental. Chegara a frequentar faculdades voltadas para isso, porém não dera certo. Percebi que poderia usar meu próprio trabalho para concretizar novos projetos ou conseguir patrocínio para outros que só precisavam de apoio financeiro para prosseguir.

Conferi o relógio e vi que o tempo passara mais depressa do que previra. Chegaria atrasado se voltasse a pé. Apressei o passo e cruzei a entrada do parque, atravessando as ruas com rapidez e cuidado à procura de um táxi. Ainda bem que não demorou muito para encontrar um desocupado. Dei o endereço e pedi pressa ao motorista. O carro partiu em seguida, percorrendo o trajeto mais curto.

Meu pensamento estava leve e despreocupado. Procurei mantê-lo assim, vazio, para que fosse preenchido somente pelos tópicos da reunião de logo mais. Assisti pelos vidros do automóvel a cidade passar a nossa volta.

Chegando ao condomínio, paguei o táxi, entrei direto para a recepção e chamei o elevador. Olhei o relógio novamente para constatar que teria menos tempo do que desejava para me arrumar.

No apartamento, fui direto para o chuveiro tomar uma ducha rápida. Somente quando estava debaixo da água que me lembrei de que não havia mergulhado no mar. Sorri sozinho e pensei: mais um ritual quebrado.

Não importava. Essas coisas eram pequenas demais para serem negativas na minha vida. Só não podia mesmo parar de correr porque isso, já estava provado, me fazia muito bem.

Saí do banho e resolvi me vestir com o estilo esporte fino, mais arrojado e jovem. Uma tradução da imagem que gostaria de passar de mim mesmo naquele dia e do meu próprio estado de espírito.

Olhei o resultado no espelho e fiquei satisfeitíssimo com minha camisa moderna, calça social e meu sapato descolado. Como eventualidade, peguei uma pasta de couro com bloco de papel, caneta e porta-cartões de visita e parti novamente em meu carro.

***

O ponto de encontro não ficava longe do condom ínio. Era um a churrascaria e por m elhor que fosse sua localização, não era um lugar exatam ente propício para reuniões de negócios. Havia m uito barulho de conversas descontraídas e som am biente.

O rapaz encontrou um hom em de m eia idade, m agro e desconfiado, o aguardando em um a m esa bem no centro. Estavam adiantados. Não haveria m uita privacidade ali, apesar do cliente parecer bem reservado e preocupado.

– Senhor Fábio Vitti? Sou Nicolas Bertoldi – cum prim entou o rapaz.

– Prazer – retribuiu o cliente. – Obrigado por vir.

Nicolas se sentou visivelm ente desconfortável, tanto com a atitude receosa do cliente quanto com o local escolhido para a reunião.

– Vou ser sincero com o senhor – com eçou a falar Fábio –, não estou m uito à vontade com esse encontro e espero que m e com preenda e m e perdoe. Sou proprietário de um a agência de publicidade que atende as indústrias Pagotto. Estou desesperado e o senhor Giovani m e indicou sua consultoria. – O hom em fez um a pausa enquanto um a expressão desconsolada preenchia seu rosto de rugas fundas. – Não com preendi m uito bem com o funciona seu trabalho, senhor Bertoldi, porém estou sem saída e essa é m inha últim a esperança.

Sorrindo, Nicolas voltou a ter controle sobre a situação e se acom odou m elhor na cadeira antes de responder.

– Tudo bem , senhor Vitti, j á estou acostum ado. A prim eira reunião com um cliente novo sem pre apresenta essa particularidade. Meu trabalho é m uito discreto e faço pouca propaganda sobre ele e por isso a m aioria dos em presários não entende m eus processos. Im agino que para o senhor sej a um pouco pior, j á que é um profissional das ideias.

O hom em do outro lado da m esa ainda não estava totalm ente tranquilo, porém seu rosto passou do vincado ao consternado.

– Só aceitei a sugestão do j ovem Pagotto devido a essa palavrinha m ágica cham ada descrição – acrescentou o publicitário. – E conto com sua com preensão quanto a isso, inclusive por esse m otivo escolhi este lugar.

– Entendo e realm ente concordo que aqui não sej a um lugar que em presários frequentem em busca de soluções para seus negócios.

– Isso m esm o, m eu j ovem – respondeu m ais aliviado. – Bem , vam os ao m eu caso então. Entre as contas de m inha agência, tenho um hiperm ercado, um dos nossos m elhores clientes. Se não se im porta, gostaria de preservar a identidade dessa em presa. Giovani m e disse que não seria necessário entrar em m uitos detalhes sobre ele durante nossa reunião. Apenas que lhe dissesse a ideia que tenho em m ente.

– Sem problem as – respondeu o rapaz am istoso. – Prossiga, por favor.

Apesar do frescor do lugar, o hom em de m eia idade transpirava.

– Esse cliente, no entanto, está infeliz porque todas as ideias originais que a rede teve, a concorrência copiou. Não existe m ais diferencial nesse m ercado a não ser a qualidade e o m enor preço, que j á estão m ais do que batidos. Portanto, esse cliente exigiu que criássem os um a ideia inovadora, que batesse as dem ais e fizesse o hiperm ercado entrar no top of mind do setor.

O hom em retirou do bolso da calça um lenço com o qual enxugou o suor que escorria pela face vincada.

– Depois de recusar várias ideias que nossa equipe form ulou e aceitar outras que não deram certo, o cliente deu um ultim ato. Um a últim a chance. Se a próxim a não der certo, ou se ele não aprovar, perderem os a conta. Tenho um a últim a ideia, que pode ser a salvação da agência, porém precisava ter certeza de que dará certo antes de apresentá-la. É aí que o senhor entra.

Nicolas bebeu tranquilam ente um gole de seu copo antes de falar.

– Certo, senhor Vitti. Com preendo a im portância dessa conta para o senhor. Então, m e fale sobre sua ideia para que possa lhe dizer o que desej a saber.

Encabulado, o publicitário suspirou. Estava a ponto de desistir e correr. Essa situação desesperadora o havia levado a um a reunião ridícula com aquele j ovem . E, no entanto, não tinha escolha. Precisava pelo m enos tentar, m esm o que aquilo não desse em nada.

– Pensei em um a ala infantil, preparada com brinquedos e m onitores, para que os pais possam fazer suas com pras com tranquilidade enquanto os filhos estão distraídos e bem cuidados. Essa ideia é bastante prática quando se pensa em crianças.

Nicolas estava paralisado. Seu olhar procurava algum a coisa ao seu redor, distraído e preocupado. Um arrepio lhe passou pela espinha.

– Senhor Bertoldi? – cham ou Fábio.

O rapaz olhou de volta para seu interlocutor, desculpando-se.

– O senhor sentiu isso? – perguntou em seguida.

– O quê? – perguntou Vitti.

– Um vento frio e repentino – o publicitário pareceu duvidar do que dizia m ais do que antes, acrescentou. – Deve ter sido algum a j anela aberta.

– Ou o ar condicionado – corrigiu Fábio.

Nicolas olhou para o aparelho industrial que estava m uito distante e virado para outro lado. Seu sopro não chegava diretam ente nele e nem haveria com o pela sua posição. Resolveu ignorar o ocorrido por enquanto e responder ao cliente.

– Sobre a sua ideia, senhor Vitti, não é ruim , porém apresenta um problem a. As grandes redes de hiperm ercados possuem loj as em shopping centers que j á são centros de lazer. Portanto, sua ideia não atenderia cem por cento da rede.

– Sim , m as pode dar certo? – retrucou o publicitário. – Ou o senhor teria um a sugestão para m e fazer?

– Bem , daria certo em parte, com o disse – replicou Nicolas. – Mas você corre o risco de perder a conta pela desigualdade entre as loj as. Acredito que deva ser um a ideia universal, aplicável em toda a rede, e que vá além de conforto, que sej a conceitual. Talvez algo que tente m udar o m undo. Se o senhor m e perm ite, tenho um a ideia que daria certo a curto e longo prazo.

– Sou todo ouvidos – rendeu-se Fábio Vitti deixando a tensão escapar de seu corpo surrado.

– Sei que o tem a pode parecer batido, porém é o assunto do futuro e seu cliente vai querer estar entre as em presas de vanguarda. Os hiperm ercados não com praram a ideia de preservação am biental. Sei que vendem produtos orgânicos e sacolas ecológicas, porém não fazem nada para dar o exem plo e conscientizar seus clientes da im portância de participar desta iniciativa. – Debruçou-se sobre a m esa, em polgado com o fluxo de ideias que j orrava de sua m ente. – Sugiro um selo verde que destacaria e indicaria de form a clara e obj etiva ao consum idor o produto ecologicam ente correto e sua im portância para o futuro do nosso m undo.

– E um a ala exclusiva para esses produtos, o que acha? – interrom peu Fábio.

– Não, dessa form a você lim itaria a inform ação som ente para aqueles que se interessam pelo assunto. A ideia é infiltrar o conceito entre os produtos, diferenciando-os pelo selo, e assim cham ando a atenção de pessoas despreocupadas com o assunto. Por exem plo, na área das bebidas, o hiperm ercado destacaria os produtos com em balagem retornável. Na de alim entos orgânicos, a im portância para o reaproveitam ento e a econom ia no consum o. Na de lim peza, os sacos de lixo.

– Mas os sacos de lixo são plásticos! – contestou Fábio.

– Sim , porém são de decom posição rápida e isso os faria deixar o hábito de usar as sacolas fornecidas pelo hiperm ercado para a coleta do lixo dom éstico. E, no caixa, os em pacotadores devem oferecer a sacola retornável ou caixas de papelão para levarem suas com pras para casa. A em presa estaria inserindo essa ideia na m ente de seus clientes de form a constante. Assim , ela surtiria efeito e, consequentem ente, m udaria a im agem da em presa perante a concorrência.

Quando term inou de falar, um a brisa agradável acariciou seu rosto. Procurou outra vez o foco do vento, porém não encontrou nada. Concluiu que alguém deveria ter passado rápido e m ovido o ar próxim o dele. Focando novam ente em seu cliente, estava satisfeito com a m udança operada em sua aparência. Parecia m uito m ais receptivo. Com isso e m ais um instinto interno, Nicolas tinha certeza de que essa era um a ideia que daria m uito certo.

– Bem , não vou negar que fiquei im pressionado – falou, afinal, o publicitário. – Você falou com eloquência sobre m inha própria ideia e ainda por cim a foi capaz de m e dar um a ótim a sugestão.

– Quero que saiba, senhor, que não é porque dei essa ideia que ela vai dar certo e a outra não. Porém , com o sabia que a sua não estava com pleta, essa ideia m e veio à m ente, do m esm o m odo com o tom ei consciência sobre o futuro de sua ideia. E com o m e perm itiu, a sugeri. E posso afirm ar, com segurança, que essa será um a ideia que dará certo. Porém , se tiver outra a partir dela, ou com pletam ente diferente, estou aberto para ouvi-la e aj udá-lo no que for preciso.

O hom em finalm ente sorriu para o j ovem . Um leque de pés de galinha se desenhou ao redor de seus olhos. Seus dentes a m ostra eram am arelados, o que fez Nicolas pensar que deveria ser estressado e fum ante, m as estava m uito m ais tranquilo agora. Sabia que conquistaria sua confiança.

– Agradeço, m eu j ovem – respondeu Vitti. – Giovani não exagerou em nada quando m e falou sobre você. Acredito que sua orientação realm ente será m uito útil para m im e para m eu cliente. Por isso, vou seguir seu conselho e lhe garanto que não hesitarei m ais em procurá-lo antes de form ular um a cam panha im portante. Agora, que tal alm oçarm os que estou fam into?