Ilha de Ar - Os Quatro Elementos, Volume 3
Água-Marinha
ÁG UA-MARINHA
Despertei com uma sensação tão boa e agradável que demorei um tempo para me lembrar o que havia acontecido na madrugada anterior. O sol estava alto no céu muito claro. Um raio dançou no rosto da mulher adormecida ao meu lado.
Apoiei minha cabeça na mão direita e contemplei a beleza da mulata. O cabelo desgrenhado, o rosto sereno, a boca relaxada em um semisorriso sonhador. As pálpebras cerradas me impediam de ver a doçura de seus olhos.
Sobre seu corpo nu, entre os seios firmes, a água-marinha repousava. Desejei tocá-la, acariciá-la, e, incapaz de me conter, estiquei a mão livre e a rocei o mais leve que pude para não incomodar sua portadora. Seu tom azul era hipnotizante. Sentia tantas coisas boas olhando para ela – ou melhor, apenas estando perto dela – e não entendia por quê. Felicidade preenchia meu peito e o inflava com satisfação. O restante de meu corpo era açoitado por um bem-estar constante e tranquilizador. Como se a pedra tornasse tudo à sua volta puro e entusiasta. Minha mente e meu estado de espírito estavam claros e serenos.
A noite anterior fora tão aprazível que repassei cada minuto. Inclusive o sermão que Lara me dera, praticamente um ultimato. Sorri com a lembrança e senti orgulho por ela saber exatamente o que queria e ter coragem de confessar.
Quando a vira se afastar, furiosa, tivera apenas um segundo para decidir, porém sabia que não podia deixá-la ir. Não naquele momento nem daquele jeito. E mesmo agora, depois de perceber o que fizera por impulso, não estava arrependido.
Pela primeira vez em muito tempo, conversei com Lara durante horas. Da porta da boate fomos para um restaurante e passamos momentos deleitosos em companhia um do outro. Esse tempo que passamos juntos preencheu os longos anos no qual ficamos praticamente sem contato. E vi que, além de um rosto bonito e de um corpo perfeito, Lara era uma mulher generosa, sincera e extrovertida.
Ao mesmo tempo, não me sentia um estranho ao seu lado. Era como se os quinze anos que se passaram não existissem. Estávamos melhores, pensei, mais maduros e realizados e, portanto, esse encontro tinha um novo significado.
Do futuro não sabia, porém a ideia de ficar com ela, nesse momento, era muito tentadora. E estava feliz por não ter fugido de mim dessa vez. Senti vergonha ao perceber que o culpado de sua insegurança era eu mesmo.
Não sabia explicar direito essa necessidade que tinha dela, porém não me questionei quanto a isso. Não havia razão na emoção. Bastava continuar vivendo e curtindo o tempo ao seu lado. Não seria difícil, muito menos um sacrifício, tê-la em meus braços, conversar e compartilhar, criar um vínculo e um relacionamento. Essa ideia me tocou como uma carícia.
Mentalmente, agradeci de novo a Deus por não ter feito nenhuma promessa a Lara em nossos encontros, apesar de constatar que eles foram arremedos dela sem que tivesse essa intenção. Agira muito errado com aquela moça, até porque sabia que, o que havia entre nós, era especial. Sempre soube que nossos encontros eram diferentes dos demais.
Lembrei-me dos olhos dourados de Lara dançando em minha frente como ouro. Seu sorriso espontâneo me convidando para um beijo. Aquela mulher exercia uma atração sobre mim que não compreendia e não podia mensurar. E também não queria. Meu estado de espírito estava muito leve para que algo pudesse alterá-lo. Era sábado e não teria novas preocupações até a próxima segunda-feira.
Na noite passada, ela provara sua força sobre mim. Lá estava eu de novo apertando-a em meus braços e saciando meu desejo. Como estava de carona, fomos ao meu apartamento com o carro dela. Deixamos nossos amigos para trás e desaparecemos na noite. Não fazia ideia de que h o ra s Giovani chegara em casa, e se chegara. Após amá-la com urgência, adormecera profundamente.
Lara dormia tão serena que podia garantir que também estava feliz. Talvez tendo lindos sonhos. Era bom admirá-la na placidez do sono. Não desejei incomodá-la. Retirei meus dedos com cuidado da pedra em seu colo e me levantei da cama. Primeiro fui ao banheiro e quando saí, dei outra conferida para vê-la ainda adormecida sem nem ter mudado de posição.
Quando passava pelo corredor, dei uma espiada no quarto do meu amigo e percebi que estava vazio. Suas coisas exatamente como no dia anterior. Ele deixara o apartamento só para mim. Agradeci sorrindo. Fui para a cozinha e preparei um café da manhã para dois bem ao meu estilo, mesmo sem ter certeza de que ela era adepta à alimentação rica e saudável. Fiz o mínimo de ruídos possível, porém, ao me virar, dei de cara com Lara apoiada ao batente da porta, me observando e sorrindo.
– Eu te acordei? – perguntei com o susto.
– Não – respondeu caminhando até mim –, mas devia.
Ao me alcançar enlaçou minha cintura e me debrucei sobre seu rosto e a beijei.
– Você estava dormindo tão tranquila que não quis atrapalhar.
– Nossa, fazia tempo que não dormia tão bem – me soltou e beliscou um pedaço de pão da bandeja que eu segurava. – Mas a essa hora já era para estar em Conceição da Barra.
Coloquei a bandeja sobre a mesa e me sentei. Lara me acompanhou.
– Você podia pelo menos tomar o café comigo– pedi. – Não é sempre que tenho esse privilégio.
– Você devia ter preparado o almoço – riu a mulata enquanto examinava a bandeja. –
Mas vou aceitar porque estou faminta.
Observei a moça escolher com alguma relutância suas preferências entre as opções que apresentei. Percebi que ela tentou segurar uma careta.
– Você é adepto ao naturismo? – perguntou.
– Não – ri. – Não ando por aí pelado, nem sou vegetariano, mas escolho uma alimentação mais saudável e pratico esporte, tanto ao ar livre quanto em academia.
Lara mordeu um pedaço de pão antes de falar novamente.
– Por que você não virou modelo? – questionou.
– Modelo? – espantei-me. – Não é o tipo de carreira que escolheria.
– Não é vaidoso suficiente? – provocou.
Eu a encarei desconfiado, tentando decifrar suas verdadeiras intenções com aquelas palavras.
– Vaidoso, sim, sou e assumo – respondi e vi o sorriso no rosto dela crescer. – Porém nunca me dedicaria a uma carreira que taxa as pessoas apenas como um rosto bonito e um corpo perfeito e que suga toda a sua juventude e beleza até descartá-las na maturidade.
– Pensei que gostasse de uma carreira fácil. Você não é consultor?
– E acha fácil? – respondi com tom de espanto. – Acha que eu conquistei prestígio entre os homens de negócio por ser bonito? Não. Foi muito difícil conquistar a confiança de homens desconfiados por natureza. E ainda é. Toda vez que atendo um cliente novo a primeira coisa que preciso é mostrar para ele que meu trabalho é sério.
– Desculpe, não queria ofendê-lo – envergonhou-se. – Só é complicado te compreender. Porém, devo admitir que estou impressionada com suas palavras. Você não é só uma casca.
– Obrigado pela parte que me toca – retruquei brincalhão. – Mas fico sinceramente feliz que também tenha conseguido te convencer que sou profissional.
– E você vive só disso?
– Graças a Deus dá para manter a vida que meu pai me deu. Ainda assim, tenho as ações da siderúrgica, mas não mexo nesse dinheiro há anos.
– Sua mãe deve ter muito orgulho de você.
Ergui meus olhos da comida e a encarei novamente.
– Quem me dera. Também não falo com ela há muito tempo. Segunda tenho uma reunião mensal na empresa e já estou prevendo o clima pesado.
– Acho que você devia procurá-la – aconselhou-me.
– Para quê?-retruquei. – Para ela fingir que não existo? Não, obrigado. – Mudei o foco do assunto. – Você tem mesmo que ir para Conceição da Barra e aproveitar que seus pais e avós estão vivos e te amam.
– Por que você não vem comigo? – perguntou com um sorriso maravilhoso.
– Adoraria, mas hoje toco.
– E o que vai fazer até a noite?
Vi a curiosidade acendendo e correndo dentro dela. Não havia tentativa de me controlar, só de saber mais sobre mim. E me senti muito mais vaidoso do que se ela tivesse me dito o quanto me achava lindo.
– Academia, correr, nadar, talvez velejar ou escalar uma montanha. Quem sabe? – e dei de ombros. – Tenho muitas opções.
– Você gosta mesmo desse contato com a natureza – sorriu.
– É verdade – respondi. – Ajuda muito a mente se o corpo está são. E o que você gosta de fazer para se distrair?
– Faço y oga e pilates depois do expediente quase todo dia – respondeu. – Também corro pela manhã antes de trabalhar. Sou muito agitada e essas atividades me ajudam muito.
Lara me contou sobre seu trabalho, sua família e sua vida particular. Fiquei impressionado como sua dedicação a tudo o que verdadeiramente importava. Valorizava o esforço da família em estudá-la e a tratava muito bem. Tinha uma relação muito boa com os pais e os avós, inclusive com o irmão caçula. Também alimentava as amizades e desprendia tempo para as novas.
Não teve muitos relacionamentos amorosos por ser sensível aos que gostavam dela. Era entusiasmada, atraente e dinâmica, porém gostava de desafios sentimentais e acabava atraindo romances passageiros. Porém, era uma pessoa admirável por sua forte influência, magnanimidade, confiança e espontaneidade.
Assim como eu, era uma intelectual e a troca entre nós se tornou nosso ponto forte. Ela se expressava tão bem, de forma soberana e autoconfiante, apesar de muitas vezes se mostrar voluntariosa.
Nesses momentos ria dela, por ter um espírito mais livre, e ela acabava dando ouvidos à sua generosidade. Sua passionalidade também era envolvente e mostrava que veio ao mundo para viver intensamente e fazer a diferença.
Fiquei arrasado quando tive que me despedir dela. Foi bastante difícil dizer até logo. Eu a segurei nos meus braços o máximo que pude para guardar seu cheiro, seu gosto e seu calor.
Ao contrário do que imaginava, Lara não pediu para que ligasse para ela. Eu me senti ansioso. Queria, mas no fim não fiz a promessa com medo de não cumpri-la. Seus olhos suplicaram silenciosamente para que não fosse uma separação.
Apenas sorri de volta da melhor forma que pude já que meu coração estava apertado. Ainda não entendia por quê. Que necessidade era aquela que nunca me assaltara antes?
Quando a porta do carro se fechou, a última coisa que vi foi a água-marinha brilhando com intensidade no decote de Lara. Porém, antes que eu pudesse chamá-la para confirmar, arrancou o carro com pressa.
Eu me senti desolado, porém duas vezes mais que o comum.
***
Mal entrou em casa e Marcel foi bom bardeado pelas inform ações da m anhã tum ultuada do grupo. Deu os parabéns a Lucca e Mainá e foi cobrado por Tam ires e Alexandre sobre a prom essa que fizera m ais cedo. Garantiu que não havia se esquecido e que a cum priria m ais tarde.
Alm oçou com Suzane depois foi até a sala ver o que acontecia. A índia e o m arido haviam saído para a consulta m édica e o casal de cunhados queria continuar o treinam ento de muay thai na praia, porém em um lugar m ais protegido do sol. Estavam dando um tem po para a digestão antes de partirem .
Tam ires falou sobre sua evolução no treinam ento físico e estava m otivada para aprender m ais. Alexandre lhe m ostrou novos golpes com im agens que encontrou na internet e a m oça se m ostrou bastante avessa a alguns por serem m ortais. Porém , o m oreno insistia que devia aprender tudo para o caso de necessidade.
Marcel achava aquilo tudo tão inútil. Com os dons que eles tinham , para quê lutar? Talvez para ele fosse m ais necessário do que para ela, m as ele poderia sentir o perigo com antecedência, então tam bém não achava de grande valia. Saiu da sala direto para o quintal da casa onde avistou o enorm e pentagram a.
Até aquele sím bolo achava exagero de Alexandre, porém havia prom etido tentar, apesar de não acreditar que daria em algum a coisa. Pulou as pedras para não dem ovê-las e foi para o centro do signo. Sentou-se no chão e fechou os olhos, buscando com sua m ente a j á conhecida energia de Nicolas.
Um a linha azul ficou clara diante de seus olhos cerrados. Captou seu rastro com o se fosse um cheiro, leve e esfum açado. Em segundos percorreu os m ilhares de quilôm etros até Vitória, atravessando a cidade e parando defronte a baía.
O am biente lhe era fam iliar, provavelm ente o quarto ou o apartam ento de Nicolas, pela intensa concentração da energia azul. Os obj etos estavam im pregnados por ela, com o um a extensão do rapaz. Podia até identificá-los com facilidade e teve que dar o braço a torcer ao pentagram a.
Percebeu com o seu dom ficou aguçado e intenso. E não podia se dar ao luxo de dizer que havia evoluído naturalm ente porque pela m anhã tivera dificuldades e desde então era a prim eira vez que tentava a conexão com Nicolas, sem nem ao m enos acreditar no poder que o sím bolo prom etia.
Não se desviou de seu obj etivo e teve m ais esperança de seguir a desconhecida força que o cercava. Procurou com cuidado por ela. Por ser m ais sutil e quase im perceptível, não deixaria um rastro fresco ou forte, por m enor que fosse o tem po entre sua passagem e a procura por ela.
Dem orou poucos m inutos para encontrar algum vestígio, m ais fraco que o norm al. Isso lhe indicava nitidam ente que não estava m ais ali. Havia vários pontos no apartam ento. Conseguiu, com grande esforço, segui-la, porém desapareceu m etros adiante, tornando im possível saber para onde fora.
Quando estava rastreando, sua própria energia se desvencilhava de seu corpo e seguia o rastro das outras com o se as reconhecesse e por elas fosse atraído. Portanto, não podia saber m ais além do que fosse dito quando estava por perto. Vigiava com o um espectro: invisível e consciente.
Voltou para o apartam ento onde Nicolas conversava com o m elhor am igo Giovani. Ouviu que ele falou sobre um a m ulher. Pareceu que era a m esm a de outro dia. Soube pelo pouco que falaram sobre esse assunto que ela esteve no apartam ento, porém havia ido em bora.
Quando falaram em Conceição da Barra, teve um estalo. Talvez pudesse encontrar algum a coisa por lá, j á que sentira a energia pela prim eira vez naquela cidade. Tem eu que fosse um guardião negro com o poder de se locom over a grandes distâncias com facilidade, com o ele m esm o podia, apesar de não fazê-lo fisicam ente.
E se pudesse vigiar Nicolas tam bém a quilôm etros, poderia estar em perigo agora m esm o. Porém , se aquela energia estivesse ali, saberia. Rem exeu-se dentro do pentagram a e focalizou seus pensam entos naquela cidade litorânea no norte do estado.
Em um estalar de dedos estava no parque, onde a energia da natureza de Itaúnas o puxava com facilidade. Procurou pela estranha força que sentira outro dia. Precisou de m uita concentração para sentir um fiapo dela. Som ente depois de vários m inutos, conseguiu encontrar seu rastro.
Era tão sutil que o traj eto foi m uito m ais lento do que deveria. Por várias vezes, quase perdeu o fio que o guiava por aquela terra que não conhecia. Dem orou m uito tem po para percorrer os quase trinta quilôm etros da vila até a cidade e se sentiu m eio burro por não ter ido direto para lá.
Porém , não foi levado para os bairros e sim para um sítio nos arredores onde havia um cafezal. Inclusive sua posição geográfica era favorecida pela proxim idade com a estrada que levava para o distrito de Itaúnas. Ali a energia ficava um pouco m ais forte, m as ainda exigia concentração.
Não encontrou a fonte da energia, apenas a sentia perto. Outras duas tam bém foram percebidas e isso o deixou inquieto. Manteve os sentidos atentos para detectar onde estava e quem se encontrava ali.
Ouviu quando um a voz grave e envelhecida cum prim entou com em oção.
– Lara! – exclam ou com a voz fraca e m asculina. – Minha neta querida.
Interessou-se im ediatam ente ao saber que estava na casa da tal m ulher que estivera com Nicolas.
– Olá, vovô – a voz da m oça era suave e carinhosa. – Com o o senhor está?
– Vou indo, m inha filha. Fico m elhor quando a velha carcam ana m e deixa em paz.
– Hein? – resm ungou um a voz fem inina e rouca quase aos gritos. – Esse velho resm ungão está falando m al de m im , m inha netinha?
– Netinha? – retorquiu o velho. – Além de surda você é cega, Teresa? Nossa neta tem trinta anos. É um a m ulher linda e bem -sucedida.
– Vovó, estou bem aqui – ouviu Lara dizer. – Com o a senhora está? Espero que estej a tom ando seus rem édios. Mam ãe disse que se recusou esta sem ana.
– Para quê rem édio, m inha filha? – retrucou a idosa. – Conserta um a coisa e estraga outra.
Lara riu.
– Onde está Lorenzo? – perguntou em seguida.
– Trabalhando – respondeu o senhor. – Aquele trabalha igual um cavalo e ganha um a m iséria. Não sei por que ele não foi para Vitória com o você.
– E m am ãe e papai? – perguntou novam ente.
– Sua m ãe foi aj udar seu pai no cafezal – respondeu o idoso enquanto ouvia a senhora resm ungar palavras inaudíveis. – Venha cá, m inha neta, quero ver o que é isso brilhando em seu pescoço.
– É um colar, vovô – respondeu Lara. – O senhor não se lem bra dele? Ganhei quando tinha quinze anos.
– É m esm o, m inha filha? – perguntou. – Parece diferente.
– Não, vovô. É o m esm o colar – retrucou Lara.
– Você acha, Lara, que sou cego com o essa carcam ana? – xingou. – Estou vendo que está diferente e você tam bém devia ver.
– Ah, estou cheia desse velho gagá falando baboseiras – disse a avó de m au hum or. – Vou para a cozinha ver se m eu bolo está pronto.
– Depois eu que sou gagá – riu o avô. – Você acha que ela ainda tem condições de cozinhar sem colocar fogo na cozinha?
– Vovô! – repreendeu Lara.
– Deixe-a ir, m inha filha. Preciso m esm o falar com você. Faz um tem po que estou esperando a oportunidade e acho que chegou a hora.
– O que é, vovô? – perguntou ela.
– Sabe, m inha filha, tem um a pedra que foi perdida há m uitos anos. Ela é m ística e m uito poderosa e diz a lenda que ela vai se m anifestar novam ente quando o alinham ento perfeito dos planetas acontecer.
– Com o o senhor sabe disso?
– Você não assiste televisão, m inha filha? – retrucou.– O tal astrônom o que descobriu esse alinham ento disse que vai acontecer m ês que vem e foi assassinado por seu assistente antes que pudesse explicar que ligação havia entre o evento e a pedra.
– Não entendo – disse Lara. – Por que o senhor ligou esse evento ao m eu colar? O senhor acha que a água-m arinha é a pedra perdida?
– Shhhhh! – resm ungou o senhor. – Fale baixo. Precisam os estar atentos, m inha filha. Ele – disse dando entonação diferente ao pronom e – está à espreita. Não vê o que aconteceu com aquele que fez a descoberta e ia contá-la ao m undo para que a profecia se cum prisse?
– Que profecia? – perguntou Lara.
– Você não prestou atenção em nada que eu disse, Lara? – reclam ou o idoso. – O alinham ento, o encontro da chave e a abertura do portal.
– Agora que não estou entendendo m ais nada m esm o, vovô – riu Lara.
– Não ria, filha – disse seriam ente. – O destino da natureza está nesse evento e você precisa proteger os quatro elem entos.
– Quem ? – espantou-se Lara.
Antes que pudesse responder, a senhora voltou para perto deles arrastando os pés e resm ungando.
– Com eram todo m eu bolo! – praticam ente chorava. – Nem esperaram esfriar e devoraram tudo. Tom ara que quem fez isso tenha um a dor de barriga.
– Larga de ser louca, sua velha carcam ana! – desviou-se do assunto. – Você não fez bolo nenhum . Você está sentindo cheiro de bolo por acaso?
– Foi você, Francisco, quem com eu? – insistiu a idosa. – Você fez de propósito para poder dizer que sou gagá, seu velho egoísta.
Marcel perm itiu que sua energia, tão atônita quanto ele m esm o, perm anecesse m ais um tem po naquele sítio a fim de ver se a conversa continuaria. Não aconteceu. Lara não tocou no assunto de novo e o velho pareceu se esquecer totalm ente dele. Já sabia há algum tem po que Lara estava com a pedra e isso não foi surpresa.
Mas o que m ais lhe intrigava eram as palavras do idoso sobre a profecia e o alinham ento. Ele teria inventado tudo com sua m ente caduca e cheia de teorias da conspiração? E as três energias que sentia perto, poderia ser o inim igo espreitando a pedra antes m esm o de que ela cum prisse seu papel por Nicolas?
Abriu os olhos e estava de novo ao quintal de casa sentado no centro do pentagram a. Levantou-se correndo disposto a dividir a inform ação com os outros, principalm ente com Alexandre que, talvez, pudesse elucidar o ocorrido. Esqueceu-se de Nicolas e só pensava na pedra. Ela corria real perigo.