Ilha de Ar - Os Quatro Elementos, Volume 3
Treinamento
Que dia! E ainda estava longe de term inar. Depois de ouvir o recado de Lucca, Tam ires atravessou o espaço até a casa com passos rápidos, seguida por Alexandre que lhe segurava a m ão firm e. Mainá e Lucca os acom panharam logo atrás. Antes que alcançassem a residência, a ruiva falou.
– Lucca, m e desculpe por antes.
– Tudo bem – retrucou. – Eu e m inhas ideias práticas que não deviam sair de m inha cabeça. Perdoe-m e você. Não tive a intenção de m agoá-la.
Sorriram um para o outro tim idam ente. Eram íntim os e ao m esm o tem po desconhecidos, portanto era difícil tom ar certas atitudes. Ao m esm o tem po em que a ruiva o considerava parte da fam ília, ainda não aceitava as críticas a que o parentesco lhe dava direito.
Por sua vez, o irm ão tentava com preender sua explosão, j á que entrara no grupo há pouco e só conhecia Gustavo pelo que lhe havia contado. Estava sinceram ente arrependido de sua opinião precipitada e ofensiva. Esperava que, assim que descobrissem essa força estranha, soubessem a verdade.
Depois de ouvirem sobre a etapa de Nicolas, pairou um silêncio pensativo na sala. Marcel narrara a cena que Suzane vira da reunião do capixaba com um cliente em Vitória. O grupo absorvia à narrativa. Tam ires foi a prim eira a quebrar o silêncio.
– Não entendi direito com o funciona essa consultoria de Nicolas.
– Parece que ele usa algum dom sobrenatural para dizer se um a ideia é boa ou não – pensou em voz alta Alexandre.
– Mas com o? – retrucou Lucca. – Ele trabalha com isso tem po suficiente para ter prestígio, m as os dons se m anifestam som ente quando a pedra acende.
– Não, apenas com você e Tam ires foi assim – esclareceu o loiro. – Acho que o dom de Nicolas é m ais instintivo, com o o de Suzane, o de vocês é m ais m ental.
Os ruivos se entreolharam e tiveram m ais um a conversa silenciosa. Ao final, am bos suspiraram . Não pareciam ter chegado a algum consenso. Marcel bufou. Odiava aqueles diálogos. Mainá apertou a m ão do com panheiro. O m oreno contem plou o rosto preocupado da m ulher que am ava.
– O que vam os fazer agora? – perguntou por fim a índia em voz alta, aflita com o silêncio em volta.
– Vam os fazer as m alas e viaj ar para Vitória – respondeu prontam ente Tam ires. – Aliás, tem os que decidir quem vai. Bem , eu e Alexandre som os im prescindíveis ao lado de Marcel, j á que provam os nosso valor na busca por Lucca. Já vocês dois – e olhou para o novo casal do grupo – acredito que poderiam continuar aproveitando a lua-de-m el. Não há necessidade de que todos se arrisquem – sorriu tim idam ente.
– De j eito nenhum – discordou o pantaneiro. – Quero aj udar tam bém . Vou enlouquecer se continuar parado aqui, ainda m ais sabendo que vocês podem estar correndo perigo.
– Ei, calm a, pessoal – interrom peu o loiro. – Ainda não sei se devem os ir. A situação lá no Espírito Santo ainda é m uito vaga.
– Pode ser perigoso continuarm os esperando – apressou-se em argum entar a ruiva. – Essa situação é m uito grave e não quero chegar atrasada novam ente.
O loiro fez um a careta, vincando a testa em irritação e desaprovação. Tam ires procurou apoio ao redor. Lucca e Mainá lhe expressaram seus sentim entos de concordância silenciosos. A ruiva ficou intrigada quando percebeu a hesitação do m oreno.
– Alexandre? – sussurrou.
Sua voz trem ulou levem ente, entre a raiva e o desespero. Ela sabia que o voto dele colocaria a questão em em pate, j á que a índia não contava. Seguiria Lucca para onde ele fosse. Eles eram um pacote único. Tam bém sabia que o m oreno ficaria ao seu lado, m as se não concordasse, tentaria m udar sua opinião.
– Não tenho certeza – respondeu por fim e antes que a ruiva abrisse a boca para protestar, se explicou. – E m inha dúvida é exatam ente pelo m esm o m otivo que você acha que devem os partir agora.
Conseguiu a atenção com pleta e interessada dela que aliviou sua expressão e, sem entender e cheia de curiosidade, estava disposta a ouvi-lo.
– Ainda não conhecem os essa energia e, portanto, não sabem os sua força. Pode ser m aior que nós todos j untos. Tenho m edo, Tam ires, que precisem os lutar de verdade. Não com o aconteceu em Corum bá onde só despistam os os inim igos de Lucca – seu olhar era preocupado. – E tem o que não estej am os preparados.
Em polgado com as ideias que lhe assaltavam a m ente, Alexandre se rem exeu no sofá. Olhava fixo para Tam ires porque sabia que era a m ais preocupada e se a convencesse, o restante seria autom aticam ente levado para o m esm o cam inho.
– Sinto que poderíam os ter feito m ais do que vigiar, com o Marcel propõe. Mas essa é a função dele. A nossa é m uito m ais ativa e sei que você gostaria de poder fazer m ais. Sinto por não ter tido essa ideia antes. Fiquei inquieto por um tem po, principalm ente depois que te prom eti que pensaria em algum a coisa.
Tam ires se m exeu im paciente, porém atenciosa. Adm irava o cunhado por saber se expressar, porém estava ansiosa para saber onde sua ideia os levaria.
– Mas foi som ente depois de um a conversa entre você e Lucca que, finalm ente, soube o que fazer.– A ruiva olhou para o irm ão que deu de om bros. – Foi durante o carnaval. Não falei antes porque fiz um a encom enda pela internet e esperava que ela chegasse para com eçarm os os trabalhos. Recebi hoj e cedo.
Alexandre se levantou e foi para a sala de j antar. Voltou com um a caixa de sedex na m ão. Ainda calado, a abriu e tirou dela dois pacotes pequenos transparentes. Deu um para Tam ires e o outro para Lucca.
Os dois, deslum brados, abriram os saquinhos com cuidado. Eram dois anéis, presos em um a espum a escura. O do ruivo era prateado e largo, com um a pedra negra retangular sobressalente. Alexandre não precisava lhe dizer que gem a era aquela.
– Ônix! – exclam ou o rapaz m aravilhado ao sentir a harm onia, a estabilidade e a alegria que a pedra lhe provocava.
Tam ires analisava o seu, alheia às palavras do irm ão. O arco de ouro branco era fino e delicado, trabalhado ao redor da gota lilás que brilhava. A m oça sentiu paz, calm a e harm onia provocadas pela j oia.
– Am etista! – sussurrou. – Estava com tanta saudade.
A ruiva o encaixou no dedo anular da m ão direita – na esquerda, ainda m antinha a aliança de casam ento – e o contato só fez salientar as sensações agradáveis da pedra em seu espírito. Lucca im itou seu gesto autom aticam ente, tam bém absorto e concentrado no m ovim ento. Am bos pareciam enfeitiçados e encantados.
– Com prei um anel de ônix para dar a... – interrom peu-se o ruivo.
– Sim , foi essa história que m e inspirou – salvou-o o m oreno. – Sei que não é a original, m as a pedra é a m esm a e essas vão aj udar durante nosso treinam ento e nas próxim as ações. Porém quando chegar form os abrir o portal, elas não substituirão as chaves. Ainda terem os que encontrá-las.
– Você disse treinam ento? – perguntou Tam ires voltando-se para o cunhado.
Sorriu satisfeito ao perceber o nítido interesse e calm a da ruiva.
– Sim , essa é a segunda parte de m inha ideia – respondeu. – Vocês nasceram com um dom especial que pode ser potencializado com treino e algum conhecim ento de m agia. Bem , não sou um expert, m as conheço alguns truques que podem aj udá-los.
– Com o assim potencializar nossos poderes? – questionou Lucca. – Você fala sobre os elem entos?
– Exatam ente – confirm ou.– Tive o privilégio de vê-los j untos em ação e percebi que vocês controlam os elem entos, m as não os criam e, pelo pouco que sei, é com pletam ente possível. Acredito que, m esm o com pouco tem po, é provável que consigam alcançar esse obj etivo. Será m uito útil tam bém em nossa m issão.
Tam ires e Lucca se entreolharam , alegres e esperançosos.
– Com certeza é um a boa ideia – contestou a ruiva.
– Concordo. – acrescentou o rapaz ruivo.
Marcel se pôs de pé em um pulo.
– Obrigado, Alexandre, por deixá-los ocupados enquanto Suzane e eu vigiam os.
O m oreno piscou para o loiro e o viu sair da sala direto para o quarto.
– Quando com eçam os? – perguntou anim ada Tam ires ignorando o cunhado.
– Agora m esm o – sorriu Alexandre pegando a m ão da ruiva e levantando-a.
Foram para os fundos da casa direto para o grande quintal m urado. Era bem capinado, com várias árvores espalhadas ao redor. No centro, havia um a grande clareira. Pegou um a ferram enta de j ardinagem e disse.
– Junte o m áxim o de pedras que conseguirem enquanto faço o desenho.
Lucca e Mainá aj udaram Tam ires a j untar pedras em um balde. O solo rochoso do arquipélago facilitava a tarefa que cum priram em pouco tem po. Quando voltaram para perto de Alexandre, perceberam que o tal desenho estava pronto e bem m arcado na gram a baixa.
O m oreno pegou as pedras e as alinhou por cim a da m arca, o que evidenciou ainda m ais o form ato do círculo perfeito ao redor de um a estrela de cinco pontas desenhada com traço ininterrupto. Um a apontava para cim a e as outras para os lados, olhando do ponto de vista de onde ele estava.
– Conheço esse desenho – sussurrou Tam ires.
– É o pentagram a – explicou Alexandre. – Tem m uitos significados. Antigam ente, o círculo representava a lua e a estrela de laço infinito, a verdade e a perfeição. Tam bém era usado com o sím bolo da ordem e do conhecim ento. O que é certo é seu m isticism o, associado à m agia e aos m istérios. Oferece dose de energia extra, m agia e poder. Outras interpretações dizem que o círculo representa o universo e a estrela o hom em que dom ina a m atéria da seguinte form a.
Debruçou-se e desenhou acim a da ponta superior um círculo perfeito onde quatro traços o fatiaram em oito partes iguais cruzando-se exatam ente no centro.
– Esta ponta representa o espírito ou a m ente hum ana. É a quinta essência dos quatro elem entos. Este seria o quinto elem ento que controla e detém os dem ais. É aqui – e apontou para a própria cabeça – que a m agia acontece. Som ente com a m ente poderem os criar, guiar e realizar ritos m ágicos. Este é o m aior m istério das coisas ocultas.
Foi para a ponta seguinte no sentido horário e desenhou sobre ela um triângulo com a ponta virada para baixo.
– Esta representa o elem ento água. Corresponde às forças da m obilidade e da adaptabilidade. – Passou para a ponta debaixo, seguindo o m esm o sentido e desenhou um triângulo com a ponta virada para cim a. – Este você conhece, Tam ires.
– Fogo – respondeu a m oça virando o braço o olhando a m arca no m esm o form ato perto da dobra interna de seu cotovelo.
– Representa a energia, a vontade e o poder das m udanças e transform ações. É a força da ativação e da agilidade. – Alexandre se aproxim ou da ponta seguinte e desenhou um triângulo virado para baixo com um traço cortando-o ao m eio e perguntou. – Lucca?
– Terra – respondeu o ruivo. Mainá se aproxim ou e acariciou suas contas, próxim o ao om bro direito, no ponto onde a m arca havia aparecido com aquele m esm o sím bolo há apenas algum as sem anas.
– Esta sim boliza os m istérios, o lado invisível da vida, a força da fertilização e do crescim ento. – Cam inhou para a que faltava e desenhou um triângulo com a ponta para cim a cortado ao m eio por um a linha. – E ar que corresponde à inteligência, ao poder do saber e a força da com unicação e da criatividade. O m ístico que detém o conhecim ento sobre os quatro elem entos usa o pentagram a com o sím bolo de dom ínio e controle sobre eles.
– Incrível! – m urm urou o ruivo.
– Já posso sentir um a energia diferenciada – com partilhou a ruiva.
– Vocês são seres m ísticos por natureza – disse o m oreno. – Nasceram com um corpo e um potencial altam ente relacionado à m agia. Porém , a m ente de vocês não foi preparada para controlá-la. É isso que pretendo ensinar.
– Com o assim não controlam os? – retrucou ofendida. – Uso esse poder a hora que quiser.
– Então m e explique com o você o sente e o ativa.
– Bem , é m ais um a sensação física que deixo fluir ou retenho.
– Lucca? – perguntou Alexandre.
– É igual para m im . É um a força física. Por m ais que possa ativar e desativar no m om ento que quiser, ainda assim apenas a seguro ou prendo.
– É sobre isso que estou dizendo – continuou explicando. – Vocês nasceram com a energia m ística, são m ágicos em essência, m as usam m uito pouco do que poderiam dessa dádiva. É com o falei antes. A m agia não é física, é psíquica. Se vocês aprenderem a construí-la em suas m entes, poderão fazer qualquer coisa.
– Que tipo de coisa? – perguntou desconfiada.
– Criar fogo onde não existe foco nem com bustível. – Vendo o espanto no rosto dos seus interlocutores, continuou rindo. – Tudo é feito de m atéria. Nós, esta gram a, as pedras, os obj etos, os elem entos. Na verdade, os quatro são a representação do que existe em nosso planeta. A m atéria é energia construída de form a a criar tudo o que existe, certo?– Concordaram . – A m agia nada m ais é do que controlar essa energia ao seu bel prazer. Você pode, com a força e a energia de sua m ente canalizada nesse obj etivo, reconstruir qualquer coisa ou criar algo novo.
– Essa é a prim eira lição, professor? – brincou a ruiva estarrecida.
Alexandre a olhou com um sorriso satisfeito pelo título que recebera.
– É a única.
– Então, é só isso? – perguntou frustrado o pantaneiro.
O rapaz m oreno voltou-se para o ruivo com um sorriso divertido no rosto.
– Só isso? – Brincou com a expressão do rapaz e perguntou. – Quer tentar?
Dividido entre o desafio e a vergonha, Lucca ficou parado por um tem po decidindo o que deveria fazer. Vendo seu em baraço, Alexandre deu m ais um a instrução.
– Vá para o centro do pentagram a, esvazie sua m ente de pré-conceitos e do que existe. Pense e canalize sua energia na m atéria que desej a m odificar ou criar.
O ruivo cam inhou até o centro da estrela. Observou que o cruzam ento da linha infinita que a desenhava no interior do círculo form ava um pentagram a, que dava origem ao nom e daquele signo. Desviou seus pensam entos perdido. Com o deveria com eçar? Inspirou fundo e fechou os olhos, tentando se concentrar em lim par a m ente. Porém estava com plicado não pensar e principalm ente não se autocriticar pela petulância. Depois de alguns m inutos, abriu os olhos e suspirou.
– Sinto m uito, m as isso não é possível! – gesticulou o pantaneiro se m ovendo para fora do sím bolo tom ando cuidado para não chutar as pedras.
Alexandre deu um passo na direção do sím bolo e parou próxim o, sem avançar sobre o desenho.
– Você disse que é im possível, Lucca? – perguntou o m oreno.
Eles se voltaram para olhá-lo enquanto m ovia sua m ão no ar com calm a e, depois de um suspiro, a desceu novam ente. Dem oraram um pouco para entender o que ele estava fazendo e então perceberam que, do balde ainda cheio de pedras recolhidas, um a delas se sobressaía, flutuando no ar. Espantada, Tam ires olhou para a m ão de Alexandre e viu quando ele a fechou com força, com o se esm agasse algo. A pedra se estilhaçou em m ilhares de fragm entos. Protegeram os olhos para que não os ferissem . O m oreno caiu prostrado sobre o chão, arfando com violência.
– Alexandre! – exclam ou Tam ires correndo em sua direção. – Você se m achucou?
– Estou destreinado – ofegou sorrindo. – Faz m uito tem po que não faço isso.
– Você tam bém pode controlar os elem entos? – estranhou Lucca.
– É isso que estou tentando falar para vocês – respondeu Alexandre erguendo-se com o apoio da ruiva. – Qualquer pessoa, que detenha algum tipo de m agia, pode. Por isso que é tão im portante que potencializem seus poderes, porque, no final, vai ganhar quem tiver m aior força, não o m elhor dom .
– Com preendido, professor – disse Tam ires séria. – Então explique m elhor com o foi que você fez aquilo.
– Tive algum as aulas de m agia, há m uito tem po. É com o andar de bicicleta, depois que a gente aprende, nunca m ais esquece, m esm o que não use m ais.
– Então tam bém posso aprender? – perguntou Mainá, quieta até então.
– Com certeza! – exclam ou Alexandre em polgado.
– De j eito nenhum ! – apavorou-se e falou ao m esm o tem po Lucca.
Silenciosam ente, Mainá encarou seu am ado com os olhos derretidos doces e delicados. O rosto de Lucca foi caindo, torturado, com as palavras silenciosas que ela lhe dizia. Por fim , sem dizer nada, o ruivo se j ogou nos braços da índia com lágrim as nos olhos. Depois de apertá-la forte, a beij ou e balbuciou.
– Eu am o você.
Tam ires observou a conversa m uda do casal lendo os sentim entos tum ultuados que ela provocou neles. Por fim , ela tam bém estava chorando em ocionada. Alexandre se aproxim ou e a tom ou nos braços, sem perguntar. Im aginava o que a indígena estaria dizendo a Lucca. Seria a m esm a coisa que diria a ruiva.
Depois que a com oção passou, Tam ires foi a seguinte a tentar. Ela m oveu m uitas pedras, m as sabia que ainda estava fazendo errado. Estava usando a força física, não a m ente. Queria com eçar pelas coisas m ais sim ples para depois tentar reinventar a m atéria. Queria dom inar o conceito antes de tentar ir m ais além .
Lucca e Mainá se j untaram a Tam ires no centro do pentagram a. O rapaz seguiu o conselho da ruiva e com eçou pelo m ais básico. Am bos erraram m uito enquanto tentavam a tarde toda. A índia não conseguira nenhum progresso, m as não estava pensando em desistir tão rápido.
Alexandre observava e instruía, repetindo a única lição que precisavam para conseguir fazer m agia. Ainda estava com dor de cabeça e com eçava a pensar que tam bém precisava praticar m ais a fim de desenvolver seu conhecim ento. Fez outras tentativas pequenas, porém o esforço era grande dem ais.
Ao final do dia, quando o sol se pôs, os quatro entraram na casa exaustos e contentes. A ruiva sugeriu um m ergulho no m ar para revigorar as energias antes do j antar.
– Vam os ver quem chega por últim o? – perguntou Tam ires disparando a correr porta afora.
Aceitando a brincadeira, Alexandre a perseguiu agarrando-a quando seus pés j á tocavam as prim eiras ondas do m ar. Am bos caíram na areia úm ida pelo recuo e avanço da água e rolaram com o choque abraçados.
– Você está bem ? – perguntou preocupado.
A ruiva ria descontraída e não precisava de resposta para a pergunta desnecessária do rapaz.
– Quem ganhou? – questionou ainda rindo. – Acho que chegam os j untos.
Alexandre acariciou a cabeça de Tam ires sorrindo de volta com suas palavras ingênuas. Seus cabelos verm elhos dançavam com o algas m arinhas ao sabor do m ar. Seu corpo queim ava com a proxim idade e o encaixe perfeito sob o seu. Então soube o que devia e o que faria sem sequer tentar se frear.
Enquanto Alexandre se debruçava ao encontro dos lábios de Tam ires, a ruiva sentia seu coração bater forte e descom passado. Estava presa sob ele, incapaz de se m over ou de im pedi-lo. Há m uito que seu corpo e seu coração pediam por aquele m om ento. Ainda assim , m uitas dúvidas persistiam .
Nesse m om ento, Lucca entrou na água com Mainá no colo. Provavelm ente a índia perdera a corrida. Distraído, Alexandre deu tem po para que a ruiva escapasse, pulou algum as ondas e depois m ergulhou. O sol se escondia no horizonte.