Letramento Estético na EJA e na Educação do Campo
Apresentação
A Educação do Campo fez vinte anos em 2018 e tem sido no Brasil tema bastante problematizado. Embora tenha conquistado nos últimos anos avanços significativos por meio de políticas públicas como a constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação no. 9.394/96, a CONFINTEA1 2 , o PNE 2014-2024, a Política Nacional para a Educação do Campo no.
7.352/2010 e programas como PRONERA3 4 e o PROCAMPO, entre outros, vem passando por inúmeros desafios quanto ao acesso e à permanência do jovem e do adulto na universidade, na ampliação e qualificação da sua oferta na educação brasileira, na garantia e continuidade de educação a esses estudantes, além de um ensino que seja voltado efetivamente para a realidade e especificidades desse educando, que transforme tanto o aluno quanto o professor, pois entendo que a aula tem um caráter de intencionalidade e é uma ação prática que deve modificar tanto aluno quanto o professor. Porém, quando se trata da leitura e da escrita desses estudantes, os desafios se tornam ainda maiores.
Muitos não tiveram acesso a um ensino de qualidade e apropriado que atendesse suas reais necessidades de aprendizagem na escola. Pelo fato de a maioria ter interrompido seus estudos em determinados momentos de suas vidas para poder trabalhar no campo, lutar pela terra e cuidar da família, entre outros motivos, eles voltam à universidade para que possam, enfim, continuar os seus estudos, para que possam ter um diploma de ensino superior, tão almejado para a maioria deles e, enfim, trabalharem em escolas do campo.
A concepção de jovens e adultos que assumo nesta pesquisa é
aquela que se desenvolve e aprende ao longo da vida 5 por meio da interação social e apropriação da cultura, independente da idade, que traz consigo experiências de vida e que não são da Educação Básica, mas jovens e adultos que cursam o ensino superior, como é o caso desta investigação; querem ir à universidade porque eles querem aprender, querem construir uma nova realidade, talvez empregos melhores com um diploma de ensino superior. Em diferentes momentos de suas vidas, buscam fazer usos da leitura e da escrita no dia a dia para que possam assinar um documento, escrever uma receita, ler e compreender a bula de um remédio, entre tantos outros motivos que os trazem para a universidade. Contudo, nesse retorno a essa instituição, geralmente a encontram precarizada, com um ensino tradicional, sem infraestrutura adequada e materiais didáticos apropriados para o ensino que, somados a conteúdos e metodologias inadequadas, acabam prejudicando diretamente o desenvolvimento da leitura e da escrita do jovem e do adulto, impossibilitando-os de se inserirem numa sociedade cada vez mais excludente de seus direitos, mas também marcada por diferentes práticas letradas das quais os estudantes devem se apropriar e fazer uso para que possam tomar consciência da realidade e se tornarem participativos no meio social e cultural nos quais estão inseridos ou, pelo menos, deveriam estar presentes.
Consequentemente, isto pode ter afetado a sua aprendizagem no que concerne à leitura e escrita, o que é um dos graves problemas educacionais no Brasil desde há muito tempo. Diante disso, tenho a hipótese de que o jovem e o adulto da Educação do Campo compreendem a sua realidade a partir de signos visuais e da escrita das histórias em quadrinhos, que lhes permitem se humanizarem e transformarem a realidade da qual fazem parte e se constituem enquanto sujeitos históricos. Com essa afirmação, é possível dizer que essa linguagem promove o desenvolvimento da leitura e da escrita desse educando, pois a aprendizagem da escrita associada a símbolos, tanto em forma de desenhos quanto de letras e palavras, pode aprimorar e desenvolver as funções psicológicas do jovem e do adulto, levando-os a tomarem consciência da própria realidade.
Além disso, como professor de arte, trabalho com as histórias em quadrinhos há mais de dez anos em oficinas e cursos para adolescentes, jovens e adultos, com o objetivo de explorar as especificidades dessa linguagem nas produções textuais e não verbais dessas histórias, além de ressaltá-las, com base na literatura científica a respeito da defesa e importância da arte na educação, como relevante recurso pedagógico na sala de aula. Essas experiências me fizeram compreender que o conhecimento se dá pela interação do estudante com as outras pessoas e com a realidade que o cerca. Com essas produções os alunos tiveram uma facilidade maior para expressar os seus conhecimentos e imaginação, sendo essa última fundamental para o desenvolvimento da criatividade na perspectiva Histórico-Cultural, acerca da realidade e de diferentes experiências vividas por eles a partir da linguagem das histórias em quadrinhos, produzindo leituras significativas da realidade a sua volta. É importante assinalar que essas produções foram apresentadas por dois meios: pelos textos verbais (produção textual) e textos não verbais (desenhos) das histórias criadas por eles mesmos. Pelo fato de entender que tanto o texto escrito quanto a/o imagem/desenho são elementos fundamentais para a compreensão da história e produção de sentidos e significados, também foram trabalhadas essas histórias com os estudantes da Educação do Campo, sujeitos desta pesquisa.
Com essas experiências e vivências é que optei por trabalhar com as histórias em quadrinhos na Educação do Campo. Em adição a essa informação, sou professor de artes com formação na área das Artes Visuais e atuo como professor no curso de Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Artes e Música, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus Tocantinópolis. É preciso esclarecer que não há nas escolas rurais de Educação Básica a disciplina de “Educação do Campo”, por isso a necessidade desse tipo de curso ser por área do conhecimento.
Desenvolvi essa discussão com mais detalhes no capítulo 2 deste livro.
Outra questão motivadora que me guiou no desenvolvimento desta investigação é que a partir das leituras a respeito da arte com jovens e adultos realizadas no Mestrado em Educação, identifiquei que a produção científica sobre a arte no ensino básico é bastante profícua no âmbito acadêmico. Nessa pesquisa, investiguei como acontecem as práticas pedagógicas em artes numa turma de Educação de Jovens e Adultos. Dentre outros resultados, compreendi que a arte possibilita ao educando jovem e adulto ampliarem o seu conhecimento cultural e estético, a partir do contato com diferentes manifestações artísticas. Contudo, para que isso ocorra de forma plena, é necessária a mediação do professor em atividades que busquem desenvolver as funções psíquicas superiores dos estudantes, para que possam, enfim, avançar na aprendizagem.
Entretanto, ainda são recentes estudos e pesquisas relacionados ao ensino de arte com jovens e adultos na Educação do Campo, principalmente no que concerne à leitura e à escrita pelo viés da arte. Diante disso, penso que os resultados desta pesquisa possam ajudar a ampliar novas investigações sobre leitura, escrita e alfabetização, ao contribuir para a produção de conhecimento sobre esse tema.
Desde que ingressei na pesquisa do PIBIC6, ainda na graduação
do curso de Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas7, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no período de 2007 a 2010, entendo que a pesquisa acadêmica deve obedecer aos princípios éticos da investigação científica e não se referir apenas a descobrir algo novo, dominar metodologias ou buscar conhecimento, mas questionar a própria realidade e transformá-la, para que o indivíduo busque respostas e explicações que possam desvelar novas teorias, conceitos, além de soluções para problemas pertinentes na sociedade da qual ele faz parte. Nesse período, tive a oportunidade de me deparar com diferentes metodologias, teorias e conceitos acerca da pesquisa educacional, os quais me possibilitaram conhecer um pouco mais do universo acadêmico, importante para desenvolver o meu entendimento do mundo e da ciência, que foram amadurecendo na medida em que eu ampliava os estudos a partir do meu ingresso na Pós-Graduação.
Nesse sentido, ao ampliar os meus estudos acerca da pesquisa acadêmica com o meu ingresso no Mestrado em Educação, pela Universidade Federal de Mato Grosso, no período de 2012 a 2014, compreendi melhor questões que problematizavam os jovens e adultos e as artes na educação a partir de uma experiência in loco, além de ter publicado pesquisas sobre esses temas. Foi a partir desse momento que, inquieto com novas questões e problematizações acerca de jovens e adultos elencadas nesta pesquisa e surgidas logo após o mestrado, que me interessei em pesquisar esse tema no Doutorado em Educação, desta vez, com o objetivo de revelar um novo contexto de investigação: a Educação do Campo.
Meu ingresso no Programa de Doutorado em Educação da
UNESP8, campus de Marília, interior de São Paulo, foi marcante em minha vida, pois foi concomitante ao meu ingresso no ensino
superior 9 como professor efetivo. Anteriormente, exercia a função de professor de Arte contratado da rede estadual de ensino em Uberlândia, Minas Gerais. Após ingressar em ambos, pude realizar meu sonho de seguir a carreira acadêmica, embora esse momento fosse permeado por insegurança e preocupações acerca do meu futuro, muito devido à precarização que a educação brasileira, entre outros setores, vem sofrendo com a aprovação da PEC n. 55/2016, conhecida como a “PEC do Teto dos Gastos”, que congela os investimentos públicos durante 20 (vinte) anos, o que aumenta a precarização da educação, saúde, ciência, segurança entre outros setores fundamentais para o desenvolvimento do país.
As disciplinas as quais vivenciei enquanto estudante de Doutorado, bem como as revisões de literatura realizadas nessa etapa, me auxiliaram significativamente na escrita inicial da pesquisa. Nesse período, pude constatar que a arte ainda é objeto de constante estudo e pesquisa na universidade. Isso é um bom sinal, pois mostra que diversos campos que abrangem a sua área (Artes Visuais, Teatro, Música e Dança) estão, embora de forma ainda lenta, avançando na produção de conhecimento por meio de dissertações e teses produzidas no país, sem contar os inúmeros artigos sobre essa área publicados nos últimos anos, o que é importante para o desenvolvimento científico e cultural de uma nação. Ademais, eu me deparei com um leque de estudos acerca da teoria Histórico-Cultural, que me possibilitou ampliar o meu entendimento da realidade e do desenvolvimento humano, do ensino e da aprendizagem, e do conhecimento produzido na interação do indivíduo com o seu meio e com as pessoas, que foram fundamentais para que esta pesquisa tomasse forma.
Embora no início fosse necessário fazer algumas mudanças10 no projeto de pesquisa que, em meu entendimento, contribuíram muito para o seu amadurecimento, devido a minha participação no Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Educação em 2016 e nos encontros realizados com o meu professor orientador, e posteriormente na qualificação, eu me dei conta de que o conhecimento não é algo neutro, imutável, tampouco com verdades absolutas. Pelo contrário, está em constante transformação e desenvolvimento, o que me permitiu avançar na temática desta pesquisa, principalmente no que concerne aos estudos sobre leitura, escrita e história em quadrinhos com jovens e adultos camponeses.
A própria arte e a ciência, temas em diálogo com a pesquisa educacional e que trago neste livro, são bem parecidas do que se pode imaginar, pois ambas têm na criatividade, invenção e na curiosidade do pesquisador importantes elementos para se desenvolver uma pesquisa científica, ao buscar solucionar problemas que surgem antes, durante e depois de qualquer investigação.
O jovem e o adulto da Educação do Campo constroem conhecimento por diferentes meios e um deles é pela arte, pois, além de ser uma área do saber, portanto, conhecimento humano, a arte proporciona uma aprendizagem criativa, que leva o educando a desenvolver de forma plena suas ações mentais, a partir de uma atividade de estudo, fundamental para o desenvolvimento do pensamento. Por ser uma produção essencialmente humana, de contribuir para a produção de significados no processo de ensino e aprendizagem e de estar presente em diferentes momentos da vida, arte é importante para a educação, logo, necessária para a vida.
No entanto, é importante fazer um esclarecimento: o jovem e o adulto não são crianças! Não aprendam e nem pensam como crianças! Muito devido à bagagem de experiências de vida e saberes que trazem para a universidade, é de extrema relevância que o professor trabalhe com metodologias e conteúdos que sejam adequados à realidade do educando e que possam, nesse sentido, contribuir de forma plena para o aprendizado desses estudantes. Desse modo, trabalhar com o ensino desenvolvimental é uma forma de garantir uma educação mais problematizadora, contextualizada e desenvolvente no educando, pois possibilita a esses educandos maior autonomia e autocontrole nas tarefas que for realizar, algo que o ensino tradicional não consegue realizar plenamente.
A partir dessas considerações iniciais, apresento nesta pesquisa11 de doutorado uma investigação desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP, campus de Marília/SP. Os sujeitos pesquisados foram os alunos jovens e adultos do curso de Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Artes e
Música 12, da Universidade Federal do Tocantins, campus de Tocantinópolis. Apresenta como objetivo principal investigar como se desenvolve o letramento estético a partir de signos visuais e da escrita para compreender a realidade do jovem e do adulto da Educação do Campo. Este estudo se fundamenta na teoria Histórico-Cultural e tem como método o Experimento Didático-Formativo desenvolvido nas aulas da disciplina de História em Quadrinhos, do curso de Educação do Campo com habilitação em Artes e Música, da Universidade Federal do Tocantins, campus de Tocantinópolis.
O Experimento Didático-Formativo foi desenvolvido em 10 (dez) aulas da disciplina de História em Quadrinhos do curso de Educação do Campo, nas quais os estudantes produziram, em determinadas tarefas e ações propostas no experimento, os textos verbais e não verbais (desenhos). Os textos produzidos pelos alunos abrangem uma diversidade de temas. Dos 40 (quarenta) alunos matriculados na disciplina, 39 (trinta e nove) elaboraram esses textos. Desses, 18 (dezoito) são voltados para histórias imaginativas, 14 (quatorze) se referem ao cotidiano/experiência de vida, 4 (quatro) dizem respeito às histórias fantasiosas da imaginação; 1 (um) aborda a religião e 3 (três) histórias representam acontecimentos reais/verídicos.
Os instrumentos de registros de dados gerados no campo da pesquisa foram o diário de campo das observações realizadas durante o experimento, a gravação em vídeo das aulas experimentais e o áudio das entrevistas semiestruturadas e individuais realizadas com os estudantes ao longo do experimento, que durou cerca de 6 (seis) meses, além dos registros visuais das histórias em quadrinhos produzidos pelos alunos nesse experimento. Para as análises dos dados, o estudo seguiu a perspectiva do Materialismo Histórico e Dialético, pois entendo que a educação é uma prática social e política que produz contradições na sociedade. Nessa direção, as análises dos dados coletados nesta pesquisa só fazem sentido a partir da compreensão da totalidade do processo sócio-histórico no qual os sujeitos jovens e adultos camponeses estão inseridos.
É importante assinalar que os autores que trago nesta pesquisa, como Vigotski (1998, 2000, 2001, 2007, 2009, 2010), Davídov (1988, 1997), Davídov; Slobodchikov e Tsukerman, (2014), Puentes e Longarezi (2013), Puentes (2017), Aquino (2013, 2015, 2017), Caldart (2008, 2011a, 2011b, 2012), Molina (2015, 2017), Eisner (1989, 2005), Kleiman (1995, 2004, 2008, 2014), entre outros, discutidos ao longo das páginas deste trabalho a respeito da teoria Histórico-Cultural, Artes, Educação do Campo e Letramento, são os que me ajudaram, desde o início desta investigação, a compreender alguns conceitos e ideias que foram fundamentais para o amadurecimento da escrita desta pesquisa, bem como para a construção dos procedimentos metodológicos e desenvolvimento das análises dos resultados encontrados na pesquisa de campo. Portanto, foram importantes para a elaboração e desenvolvimento desta investigação e para a minha formação acadêmica.
Após essas primeiras considerações, apresento no primeiro
capítulo A Pesquisa em Ciências Humanas na Perspectiva
Histórico-Cultural, que se refere ao percurso metodológico da pesquisa realizada em consonância com as leituras feitas na perspectiva Histórico-Cultural. O meu objetivo foi desvelar como a pesquisa foi desenvolvida, os caminhos percorridos, as questões norteadoras da investigação, como os dados foram gerados, além da caracterização tanto do Experimento Didático-Formativo construído por mim e trabalhado com os estudantes jovens e adultos da Educação do Campo quanto de quem são esses sujeitos pesquisados e o local da investigação realizada. Este capítulo
apresenta os seguintes tópicos: 1.1 Percurso metodológico da
investigação; 1.2 O lócus da investigação: de onde falo; 1.3 A região
do Bico do Papagaio e a luta pela terra; 1.4 O jovem e o adulto da
Educação do Campo da Universidade Federal do Tocantins; 1.5 O
Experimento Didático-Formativo; 1.6 Pressupostos da Teoria
Histórico-Cultural para a pesquisa em Educação do Campo; 1.7 O
ensino desenvolvimental e a formação de conceitos; 1.8 A didática
desenvolvimental; 1.9 A atividade de estudo.
No capítulo 2, denominado de Educação do Campo no Brasil e a perspectiva de educação para todos ao longo da vida: desafios para a educação campesina, desenvolvo um panorama histórico acerca da Educação do Campo no Brasil e as Licenciaturas dessa área, importante para situar esta pesquisa no debate educacional. Ademais, trago uma discussão a respeito da perspectiva de educação para todos ao longo da vida, que me possibilitou ampliar o conceito de jovens e adultos para além da alfabetização, que busque ressaltar uma educação e aprendizagem por toda a vida, concepção essa defendida pelas CONFINTEA e adotada nesta investigação. Entendo que esse processo de formação e desenvolvimento ocorre não apenas na universidade, mas também no campo, território esse de vida, trabalho, mas também de conflitos e resistência. A partir disso, compreendo que as experiências que os estudantes trazem para a universidade contribuem para que eles possam desenvolver novas habilidades e formações psíquicas, fundamentais para o seu desenvolvimento
pleno. Os tópicos desse capítulo são: 2.1 Educação e aprendizagem
para todos ao longo da vida; 2.2 A Educação do Campo: concepção
e pressupostos históricos; 2.3 As Licenciaturas em Educação do
Campo - LEDOC.
Na sequência, apresento o capítulo3, de nome Leitura e Escrita: possibilidades de letramento estético com jovens e adultos via história em quadrinhos, que tem o intento de discutir algumas possibilidades de letramento estético na Educação do Campo pelo viés das histórias em quadrinhos. Além de debater algumas teorias acerca do letramento que entendo ser pertinente trazer para esta pesquisa e que foram fundamentais para me ajudar a caracterizar o letramento estético, discuto também as histórias em quadrinhos enquanto linguagem para a compreensão da realidade dos educandos jovens e adultos camponeses. Esse capítulo está
dividido nos seguintes tópicos: 3.1 Contribuições de estudos de
letramentos; 3.2 O letramento autônomo e o letramento dominante;
3.3 Novos estudos de letramento; 3.4 As histórias em quadrinhos
como linguagem para a compreensão da realidade; 3.5 As histórias
em quadrinhos e o ensino.
Posteriormente, trago no capítulo 4 intitulado Arte e Estética na educação: uma dimensão epistemológica algumas teorias da arte e da estética na literatura científica que foram importantes para ampliar o conceito dessas duas categorias na Educação, ao considerar a tríade arte-leitura-escrita como fundamentais para o desenvolvimento da leitura e da escrita a partir de signos verbais e visuais das histórias em quadrinhos. Esse capítulo é constituído
pelos seguintes tópicos: 4.1 Dimensões da arte na educação; 4.2 A
arte na Educação do Campo; 4.3 Concepções e sentidos da
estética; 4.4 A estética sociológica marxista; 4.5 A estética na
formação de professores.
As análises dos dados são apresentadas no capítulo 5 denominado Práticas Pedagógicas em arte na Educação do
Campo e no capítulo 6 intitulado O discurso dos jovens e adultos da Educação do Campo a partir das histórias em quadrinhos produzidas, respectivamente. Meu objetivo aqui foi descrever, analisar e interpretar os resultados do Experimento Didático-Formativo desenvolvido com os estudantes da Educação do Campo, bem como as histórias em quadrinhos produzidas por eles e as observações e entrevistas realizadas com esses estudantes na
pesquisa. As categorias de análises do capítulo 5 são: 5.1 As aulas
de histórias em quadrinhos durante o Experimento Didático-
Formativo; 5.2 Os textos das histórias produzidas pelos jovens e
adultos camponeses; 5.3 A linguagem visual das histórias em
quadrinhos. Respectivamente, as do capítulo 6 são: 6.1 A arte e
estética na Educação do Campo; 6.2 A relação entre concreto e
abstrato na concepção do jovem e do adulto da Educação do
Campo; 6.2.1 A concepção de Educação do Campo; 6.3 A
concepção de leitura e escrita; 6.4 A concepção de histórias em
quadrinhos; 6.5 A leitura do estudante camponês jovem e adulto; 6.6
A escrita do estudante camponês jovem e adulto; 6.7 O
desenvolvimento da leitura do estudante camponês jovem e adulto;
6.8 O desenvolvimento da escrita do estudante camponês jovem e
adulto.
Nas conclusões, procuro responder o problema desta investigação, além de apresentar os principais resultados desta pesquisa de doutoramento, bem como alguns indicativos para que outros estudos a respeito dessa temática possam ampliar o campo de investigação a respeito da produção de conhecimento sobre a Educação do Campo, Artes e Letramento na pesquisa educacional brasileira.
Nesse sentido, busco revelar nesta pesquisa que é possível, a partir das histórias em quadrinhos, desenvolver o letramento estético a partir de signos visuais e da escrita para compreender a realidade do jovem e do adulto da Educação do Campo por meio de uma atividade de estudo que possibilite a eles desenvolver as suas funções psíquicas superiores; portanto, avançar na aprendizagem e na tomada de consciência, a partir do momento que esses estudantes se envolvem com a arte. Esse papel formativo e desenvolvimental tem na teoria Histórico-Cultural o principal diálogo para as reflexões, argumentações e análises construídas nesta pesquisa.
A minha tese é a de que as histórias em quadrinhos, enquanto uma forma mais ampla de letramento, por se constituírem de signos escritos e visuais a partir de uma sequência de imagens, contribuem para a consolidação e melhoria dos processos de leitura e escrita de educandos jovens e adultos da Educação do Campo. Com efeito, o letramento estético pode ajudar esse estudante, ou mesmo, um analfabeto, a compreender um texto que, apenas constituído por letras e palavras, seria para ele praticamente impossível de entendê-lo.
É nesse caminho traçado, porém, em movimento, que procuro caracterizar e revelar a importância do letramento estético para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores do jovem e do adulto da Educação do Campo, revelado nos capítulos que compõem este livro.