Letramento Estético na EJA e na Educação do Campo
Considerações finais
Os estudos de Vigotski a respeito das funções psicológicas superiores revelaram que essas se desenvolvem na interação do indivíduo com as outras pessoas do seu meio, tendo nos signos verbais e visuais papel fundamental nesse processo. Porém, para chegar a essa tese, se baseou nos princípios e métodos do materialismo histórico e dialético, que o ajudou a avançar e a caracterizar o desenvolvimento dessas formações, importante para entender o desenvolvimento histórico e social humano.
Relembro essa afirmação já mencionada ao longo desta pesquisa, para dizer que busquei incorporar novas reflexões sobre as ideias originais de Vigotski aqui apresentadas, em consonância com a perspectiva teórica Histórico-Cultural, pois entendo que na pesquisa científica não se deve considerar que as ideias e os questionamentos que movem o mundo e, portanto, a realidade da Educação do Campo, são esgotadas. Entendo, sim, que o conhecimento não é neutro, mas que merece ser constantemente questionado e ampliado.
Com essas palavras, quero ressaltar que a Educação do Campo não foi tomada nesta pesquisa de doutorado como objeto de análise isolada, pois a compreendo como um movimento educacional que, além de lutar por uma educação igualitária e efetiva para a sua população, é humanizadora e emancipadora, na medida em que considera a materialidade da vida do camponês em seu contexto de relação social e de produção. Assim, o campo é um lugar que se produz não apenas trabalho, alimentos e educação, mas arte também, sendo essa última, um meio para superar a hegemonia capitalista que descaracteriza o povo camponês.
A pesquisa realizada demonstrou que a arte tem importante papel na maneira de representar a realidade e na formação da consciência dos sujeitos da Educação do Campo, pois sendo conhecimento e criação humana, a arte eleva de forma qualitativa a aprendizagem do jovem e do adulto camponês, ao lhe proporcionar mais autonomia, autocontrole e criticidade nas atividades que exercem no campo e em sua vida, bem como na produção de questionamentos e inferências sobre as tarefas realizadas e na revelação das contradições e mazelas que assolam o campesinato brasileiro. Digo isso, pois conseguiram, a partir da atividade de estudo realizada, fazer correções nos textos verbais e visuais criados por eles, e relatar por meio de signos visuais como são as condições de vida no campo, o que evidencia que avançaram na aprendizagem e tomaram consciência dessa realidade.
Ademais, a arte amplia o conhecimento cultural e estético desse educando, fundamental para enriquecer o seu aprendizado e desenvolver a sua imaginação. A arte transforma tanto o homem quanto a natureza, pois a arte humaniza. Possibilita ao camponês fomentar críticas da realidade a sua volta, ao levá-lo a construir sentidos e significados dessa realidade, tendo no objeto artístico a sua representação.
Por meio das histórias em quadrinhos esses educandos desenvolveram a sua percepção estética e registraram os seus conhecimentos sobre o campo brasileiro, ao negarem a aparência da realidade bastante comum nos livros didáticos, nas revistas de histórias em quadrinhos comercializadas e nos discursos do poder público que “desconhecem” a sua essência, ao mostrar uma realidade que não é a do campo, mas da cidade. Diante disso, a arte mostrou com competência que o campesinato apresenta e revela informações pouco conhecidas da maioria das pessoas.
Os jovens e adultos da Educação do Campo vêm de um histórico escolar de práticas pedagógicas tradicionais, impostas pela classe dominante, ao “inculcarem” neles o que é tido como certo e errado. Consequentemente, isso nega os seus saberes e conhecimentos que construíram ao longo de suas vidas. Por não compreenderem esse tipo de ensino, acabam saindo da escola e da universidade. Muitos são pobres, negros, assentados, sem moradia fixa, trabalhadores do campo, muitos com apenas o ensino fundamental (com exceção daqueles que conseguiram, por muita luta, entrar na universidade) e com uma escolarização precária. Por isso entendo ser importante superar essa hegemonia dominante no ensino da maioria das escolas brasileiras de Educação Básica para que as aulas sejam mais desenvolventes e próximas da realidade e interesses desse educando.
Entendo que o fato do jovem e do adulto do campo frequentar a universidade não é suficiente para resolver problemas como, por exemplo, a sua permanência nela. Além das bolsas de estudos que eles recebiam para mantê-los no tempo universidade, moradia estudantil para ficarem nesse tempo educativo e a presença de um restaurante universitário no campus para que tenham melhores condições de se alimentarem, é preciso uma reforma mais ampla nas metodologias utilizadas para que o ensino seja mais desenvolvente e adequado ao quilombola, assentado da Reforma Agrária, ao indígena, aos ribeirinhos e tantos outros sujeitos camponeses que lutam para entrar, permanecer e formar numa universidade pública.
Não é novidade que o Brasil é um dos países que mais distribuem de forma desigual a sua renda, visto que as elites é que são as detentoras de boa parte desse dinheiro. Digo isso, pois essa situação implica diretamente as políticas públicas que financiam a educação brasileira, em especial, as voltadas para o campo, como o PRONERA, o PROCAMPO e o PRONACAMPO, pois, se não recebem recursos, ficam inexequíveis, o que afeta consideravelmente a qualidade do ensino.
Além disso, pude constatar ainda nas histórias e entrevistas analisadas que muitos desses estudantes se sentem excluídos, por não conseguirem se fazer presentes na sociedade que, em vem de incluí-los, os nega. Muitos desses alunos são rejeitados em escolas urbanas e, quando chegam à universidade, se sentem “peixe fora d’água”. Essas situações, infelizmente, contribuem para que eles desistam da graduação, pois o jovem e o adulto camponeses acabam preferindo ajudar o pai na roça a estudar. Essa realidade precisa mudar.
Com a constatação construída nas conversas analisadas durante o experimento, entendi que seria um grande desafio para eles e para eu desenvolver as aulas experimentais que não fossem na perspectiva tradicional, tão enraizada em suas histórias de vida. Devido a isso, “bebi” da fonte de muitos autores da teoria Histórico-Cultural que me ajudaram muito na elaboração, execução e análise do experimento. Esse cuidado foi importante, pois romper com o discurso persuasivo e dominante frequente no ensino tradicional do tipo “ouvir, ler e escrever o que é certo, e não o que você pensa” me mostrou que é possível revelar a esse educando que a realidade que ele vivenciou na escola ou na universidade é, na verdade, muitas vezes fictícia, que em nada mostra a essência aos seus olhos.
Diante desse cenário, entendi ser necessário, ao longo do experimento, questioná-los a respeito de suas necessidades e interesses de aprendizagem, deixando claro que o pensamento teórico era importante para que pudessem compreender melhor a realidade deles e transformá-la, uma vez que a realidade entendida aqui não é apenas social, mas é histórica, pois é produzida nas relações sociais construídas entre eles no campo. Esse processo, no entanto, é significativo para os povos camponeses, por desenvolverem conhecimento nesse meio.
Nesse sentido, as análises feitas mostraram que o desenvolvimento da percepção estética dos jovens e adultos da Educação do Campo foi fruto da internalização da linguagem visual das histórias em quadrinhos e na formação de conceitos, pois conseguiram explicar, argumentar e a resolver as tarefas de estudo (uns com certa facilidade, outros nem tanto) elencadas ao longo do experimento, materializadas de duas maneiras: pelo texto verbal e por meio de desenhos. Quero dizer que a educação voltada ao campo na maioria desses livros e revistas não é uma Educação do Campo, pois não mostra às especificidades, a cultura, as questões agrárias e a luta pela terra tão características do seu povo. Ou seja, a realidade revelada nesses impressos não é verdadeira, pois não faz sentido ensinar a criança, o jovem e o adulto conteúdos da cidade que não dialogam com a sua realidade.
Em consonância com essas considerações, está evidente que a política e a economia vigentes no Brasil e que influenciam diretamente o campo brasileiro precisam ser revisadas e reformuladas, pois impossibilitam que a diversidade cultural se fortaleça nesse âmbito. Nesse cenário, a tônica do capitalismo é propor políticas de seu interesse, com a justificativa de fazer ajustes econômicos para recuperar o crescimento do país, como a aprovação da PEC n. 55 de 2016 que paralisa os investimentos por 20 (vinte) anos nas áreas da educação, ciência, segurança entre outros setores. Na verdade, a realidade que se mostra é bem diferente, pois as taxas de juros aumentaram, assim como as desigualdades sociais, o que culminou no crescimento do desemprego e na baixa qualidade do ensino ofertado na Educação Básica e no Ensino Superior no Brasil.
Os dados mostraram ainda que o jovem e o adulto da Educação do Campo não tiveram culpa em não aprender durante os seus processos de escolarização, pois é o Estado que não ofereceu condições adequadas (escolas, infraestrutura, currículo e metodologias desenvolventes) para que esse sujeito aprendesse. A própria sociedade capitalista distorce a realidade, ao mostrar que a educação brasileira melhorou nisso e naquilo, subiu em estatísticas nacionais, mas, na essência, não revela que se esse camponês chega à universidade sem conseguir interpretar um texto ou fazer um cálculo simples de matemática, ou seja, sai da escola sem conseguir aprender efetivamente e, isso, muito devido a um ensino tradicional que prefere mandar ele ler alguma coisa, a perguntar o que ele vê ou está escrito nessa coisa.
O indígena, o quilombola, o ribeirinho, o assentado, os atingidos por barragens, o agricultor familiar, o extrativista, entre outros que vivem e produzem as suas condições materiais de sobrevivência no campo, vão para a universidade não porque eles sejam obrigados, mas porque têm interesse e necessidade de aprender e por isso eles aprendem aquilo que é interessante para eles. Acessar e frequentar a universidade é estudar num lugar que foi negado historicamente para eles. É enfrentar uma realidade que os exclui, com o objetivo de superá-la.
Essas são algumas das contradições que determinam e reproduzem as opressões da classe dominante contra a classe trabalhadora do campo. Logo, lutar por um projeto de educação que seja efetivamente voltado à população camponesa é uma forma de criar novas condições materiais de vida do homem e da mulher do campo que, historicamente, vivem em condições de exploração e submissão, como muitos jovens e adultos revelaram nesta pesquisa. Com efeito, pensar que tanto a escola quanto a universidade são espaços de intensas contradições, identificá-las é essencial para transformar a realidade daquele camponês que frequenta essas instituições. É por isso que as abstrações realizadas por eles no Experimento Didático-Formativo foram importantes, uma vez que conseguiram captar informações que, até então, eram desconhecidas da sua realidade.
A Educação do Campo é mais que um movimento educacional, é uma ciência que luta contra a hegemonia tradicional da educação e contra as investidas do capitalismo que a vê como mercadoria. Com esse pensamento, essa educação deve promover nos estudantes o pensamento teórico, para que consigam compreender o campo e transformá-lo. Com isso, terão condições de entender que o cavalo que eles andam é um transporte, que a enxada usada na lavoura é um instrumento de trabalho, que os alimentos produzidos por eles seguem um ciclo para germinarem, que a matemática aprendida na escola pode ajudá-los na medição de quantos hectares plantaram, que o contato com as artes na universidade pode auxiliá-los a entender que os artesanatos e as músicas produzidas em suas comunidades são manifestações artísticas. Enfim, é importante que o camponês se reconheça como sujeito tão importante quanto aquele cidadão que mora na cidade e que a roça é também o seu emprego.
Quero assinalar ainda que por trás das histórias produzidas, me deparei com uma realidade, até então, desconhecida por mim. Não imaginava que o sujeito camponês fosse um indivíduo tão rico em sua cultura, conhecimento e experiências de vida, que me fez conhecer um pouco mais o campo como território de vida e de intensas disputas entre ele e a propriedade privada, o que acaba gerando tensões e conflitos nesse contexto.
Durante o Experimento Didático-Formativo pude observar que os jovens e adultos produziram textos e desenhos interessantes das histórias em quadrinhos que elaboraram nesse experimento. Embora tenham apresentado algumas dificuldades no que concerne ao desenho, conseguiram prosseguir e finalizar o trabalho com significativas histórias que os colocam como importantes autores das obras criadas. Ficou claro, ainda, que essas histórias melhoraram o seu vocabulário, pelo fato de terem se apropriado e desenvolvido signos visuais que os ajudaram a construírem as suas histórias e, a partir delas, representar o campo brasileiro.
As histórias produzidas apresentaram temas diversos, que vão desde os relacionados à realidade vivida pelo educando, até aqueles frutos da imaginação. Independente da escolha do tema, as histórias relataram diferentes experiências de vida e de conhecimento do jovem e do adulto camponeses que, por meio da arte, conseguiram expressar as suas ideias, sentimentos, anseios, angústias, críticas e criatividade que dialogaram com o mundo a sua volta. Além disso, puderam desenvolver textos verbais e não verbais (desenhos) a partir de suas experiências e imaginações, que colaboraram para que pudessem desenvolver as suas capacidades psicológicas superiores, fundamentais para o avanço da aprendizagem.
As concepções dos alunos relatadas nas entrevistas realizadas com eles demonstraram que, embora tenham uma bagagem significativa de vivências que lhes possibilitou a descrêverem interessantes concepções sobre leitura, escrita, Educação do Campo e histórias em quadrinhos, podem ainda ampliá-las e desenvolvê-las a partir da ascensão do abstrato ao concreto, para que possam desenvolver plenamente a sua aprendizagem e, consequentemente, avançarem no conhecimento. Assim, penso que a atividade de estudo realizada, neste caso, as histórias em quadrinhos, levou os estudantes a compreender que a leitura de imagens comunica de forma mais objetiva uma mensagem ao indivíduo do que uma leitura feita apenas por palavras e isso ficou evidente em seus relatos. Com efeito, a arte é fundamental tanto para a escrita quanto para a leitura.
No entanto, o desenvolvimento das histórias influenciou os processos de leitura e escrita dos jovens e adultos, uma vez que puderam conhecer, ampliar e fazer uso social e cultural da arte no processo de apropriação de signos visuais. Desse modo, principalmente para aqueles que têm pouco ou quase nenhum contato com as diferentes práticas letradas, as histórias criadas por eles possibilitaram-lhes se inserirem ainda mais na cultura visual, tornando-os mais participativos e críticos da realidade da qual fazem parte.
Os jovens e adultos da Educação do Campo são indivíduos letrados e, isso, não dá para negar. Muitos são trabalhadores do campo que se deparam com inúmeras situações que justificam essa afirmação: bulas de remédios, marcas de alimentos, legislação ambiental e na própria universidade, ao se depararem com um universo de signos nessa instituição. Contudo, há nos conteúdos curriculares trabalhados nessa instituição uma possibilidade de melhorar a sua leitura e escrita, tendo na arte, uma forma interessante de ampliarem o seu universo letrado.
Não posso deixar de mencionar aqui que esses educandos querem continuar os seus estudos na universidade, pois lutam por um diploma universitário para atuarem nas escolas do campo. Querem ingressar numa pós-graduação, isto é, querem lutar por seu direito a educação pública e de qualidade.
Garantir educação e acesso ao ensino superior para a população camponesa em uma região do norte do Tocantins que apresenta elevada desigualdade social, como a do Bico do Papagaio, região marcada historicamente por conflitos no campo, com mais de 130 (cento e trinta) assentamentos da Reforma Agrária, mais de 40 (quarenta) comunidades quilombolas e inúmeras reservas indígenas da etnia Apinayé (MOLINA, 2018), é extremamente desafiador, emancipador e revolucionário.
As Licenciaturas em Educação do Campo (LEDOC) são importantes e necessitam continuar o seu trabalho de formação de diversos camponeses, pois, com elas, esses sujeitos têm acesso ao ensino superior e se formam para atuarem nas escolas localizadas no campo, que tanto precisam de professores formados. Além de eles exercerem efetivamente o seu direito à educação que tanto foi negada a eles ao longo da história da educação brasileira, “pressionam” ainda mais o poder público a cumprir, na prática, a LDB n°. 9.394/96, o PNE (2014-2024), as Diretrizes Nacionais da Educação do Campo e o PRONACAMPO, ao reforçarem o compromisso político com a população camponesa, na luta pela Reforma Agrária e contra o fechamento das escolas do campo.
É importante assinalar ainda que o direito universal à educação, expresso nos documentos oficiais, precisa ser concretizado, pois não dá mais para ficar apenas na teoria. A esse respeito, cabe ao Estado universalizar esse direito por meio de políticas públicas e, por fim, implementá-las a toda a população e acompanhar se, realmente, funcionam, isto é, verificar se a criança, o jovem e o adulto camponês aprendem efetivamente. Na Educação do Campo é preciso lutar para que essas políticas não fiquem apenas no papel e nos dados estatísticos e, naquelas já vigentes, que sejam revisadas e continuadas, pois são fundamentais para atender as diferentes necessidades da população brasileira, principalmente as localizadas no território rural.
Com a investigação realizada no doutorado, compreendi que a estética se refere não apenas a uma obra fisicamente bem feita, mas a um objeto ou pensamento que tem mais que um valor artístico, isto é, que ofereça uma harmonia e equilíbrio em suas formas, portanto, uma qualidade estética. Nesse âmbito, corrigir ou amenizar problemas que aparecem na leitura e na escrita, buscando melhorá-las, é uma forma de pensar numa possibilidade de multiletramentos, na qual o letramento estético configura aspecto essencial.
Ao enfatizar nesta pesquisa que o pensamento teórico ocorre por meio da ascensão do abstrato ao concreto, é possível afirmar, portanto, que esse movimento dialético é compreendido na totalidade a que pertence o jovem e o adulto da Educação do Campo.
Nesse sentido, entendo que é importante o jovem e o adulto passar pelo letramento estético, pois é preciso considerar que a relação entre texto e imagens não implica a mesma forma de dizer a mesma coisa, isto é, o texto parece significar mais quando acompanhado da imagem. A recíproca também parece verdadeira, ou seja, as imagens também significam mais quando acompanhadas do escrito.
Na sociedade brasileira em transformação, na qual atores sociais outrora desconsiderados passam a exigir vez e voz, a leitura e a escrita, influenciadas pela noção ampliada de letramento, assumem papéis fundamentais de excepcional valor agregado para a formação e tomada de consciência. Mais do que decodificar é necessário interpretar e tomar decisão; para além do texto é preciso compreender o contexto, o que possibilita a compreensão do real, a ação colaborativa e solidária e a busca organizada de solução dos problemas que se apresentam no cotidiano.
Com isso, esta pesquisa de doutorado permite concluir que o termo letramento aponta para um conjunto de práticas sociais no contexto da cultura escrita nos quais os sujeitos podem se engajar. Em minha compreensão, o letramento estético é um bem cultural a que crianças, jovens e adultos têm inalienável direito, e a escola e a universidade têm o dever de atentar para o desenvolvimento de uma proposta didática voltada à aproximação do leitor com o texto, uma vez que educar é mais do que escolarizar ou alfabetizar; não é apenas decifrar o código linguístico. Diante disso, considero que não se pode mais adiar a perspectiva da ciência em geral, da arte e da cultura como componentes de letramento com jovens e adultos da Educação do Campo.
A rigor, este estudo traz consequências para a organização do trabalho de produção de textos na Educação do Campo, em particular, e na educação em geral, porquanto na escola tradicional normalmente prevalece a escrita, não se ensinando, em geral, a combinar diferentes recursos semióticos para produção de sentidos de aprendizagem e constituição de significados. Destaco, também, a importância do letramento estético para a tomada de consciência acerca da realidade na qual o sujeito se insere e para a compreensão do papel da atividade criadora para a constituição da personalidade humana.
Por fim, esta pesquisa revelou um homem do campo que não se conhecia: de ler e escrever com competência por meio da arte.