Meu Único Amor
Capítulo 9
Com mãos trémulas, Maggie conseguiu acender a vela que estava junto à cama. Procurando e encontrando a coragem que ameaçava faltar-lhe, virou-se para o encarar, resolvida a passar a noite sem quebrar a dignidade. Ela poderia fazer isso!
– Estou a fazer isto mais pela Anne do que por mim – disse-lhe. – Não suportaria o pensamento de imaginá-la sozinha nas ruas. Por favor, promete que não a obrigarás a ir embora.
Adam encolheu os ombros.
– Então, convence-me a deixá-la ficar.
– Muito bem.
Provavelmente, Maggie sabia mais sobre a arte de amar do que qualquer virgem do reino. Rose e Anne nunca tinham defendido a teoria de que uma jovem devesse ser ingénua sobre o que acontecia no quarto de dormir. Como resultado, Maggie crescera a ouvir conversas francas e recebera explicações sobre os vários atos sexuais praticados de todas as maneiras. Ainda assim, embora soubesse o que uma mulher fazia com as mãos, a boca e o corpo, e o que o homem fazia com o dele, tudo não passava de teoria. Não estava muito segura de como colocá-la em prática, mas tinha a certeza de poder resolver este primeiro encontro com alguma habilidade.
Ele tinha de apreciar o momento. Tinha mesmo!
De manhã, se jogasse os trunfos certos, teria a casa segura e as finanças organizadas. Havia boas hipóteses de que Adam viesse a sustentá-la mais tarde, depois de o caso ter acabado, sobretudo se existissem crianças. Não havia espaço na sua mente jovem para acreditar que ele a abandonaria se criassem um filho juntos. Recusava dar crédito à ideia de que ele poderia agir como o pai agira em relação à sua mãe.
Determinada, resolveu dar-lhe o coração e a sua paixão por inteiro, fazer tudo o que pedisse, ser tudo o que desejasse. Não duvidava que ele acabaria por compreender que, independentemente do motivo que o levara a fechar aquele negócio, se tratava de um bom e benéfico acordo. De manhã, ele estaria calmo, saciado e feliz. E o mundo dela estaria a salvo.
Adam conservava-se de pé no lado oposto do quartinho, examinando-a em silêncio. Maggie transpôs os poucos passos que os separavam e pousou as palmas das mãos no seu peito. O coração batia firme e com força quando começou a acariciar-lhe a pele sob as lapelas do casaco que lhe tirou dos ombros, fazendo-o deslizar pelos braços, atirando-o para a cadeira. Ele levou os dedos ao laço, mas ela impediu-o.
– Deixa-me fazer isso.
Começou a despi-lo lentamente. Centímetro a centímetro, o peito ficou exposto. Ela pousou as palmas das mãos no estômago liso e foi explorando o peito. Apresentava-se coberto de um espesso tapete de pelos escuros, suave e encaracolado, e ela massajou-o repetidamente.
Quando a camisa de Adam caiu no chão, apercebeu-se de que era a primeira vez que via o peito de um homem e tinha a certeza de que contemplava um exemplar magnífico. Os ombros eram largos e a cintura estreita. Os pelos que se encontravam espalhados no cimo estreitavam-se num V para em seguida desaparecerem numa linha por dentro das calças. Os olhos dela seguiram impulsivamente o traçado. A excitação dele tornou-se logo visível. Incapaz de resistir à sedução do corpo masculino, inclinou-se e encostou o rosto ao peito dele, absorvendo profundamente o cheiro da pele quente. Iniciou um movimento de vaivém com a face enquanto as mãos se ocupavam da parte inferior, acariciando o duro inchaço entre as pernas, como ele lhe tinha mostrado na carruagem.
Até então, ele não se mexera nem pronunciara uma palavra e a jovem ignorava se estava a dar-lhe prazer. Não conseguiu resistir a passar a língua sobre o pequeno e duro mamilo. Obteve como recompensa um gemido saído bem do fundo da garganta. Encorajada, beliscou-o ao de leve e depois premiu os lábios e chupou-o.
Adam tentara permanecer calado e aguentar com estoicismo. Tencionara ficar por uma relação sexual desprendida e isenta de emoção com o único objetivo de obter satisfação. Pensara que desejava um acoplamento com moldes definidos logo de início, para que ela soubesse que se uniriam fisicamente, mas de nenhuma outra maneira. Mas quando sentiu os lábios de Maggie no mamilo e os dedos longos e esguios se movimentaram entre as suas pernas, deixou de conseguir manter a defesa.
A raiva que o consumira durante a última hora atingiu o rubro e transformou-se em puro desejo. De repente, sentiu-se arrebatado e não havia nada no mundo inteiro que desejasse mais do que aquela mulher. O lento e cuidadoso início a que ela se dedicara tinha mudado tudo. Assemelhando-se a um animal selvagem, saltou para cima dela, tomando as rédeas.
Tapou-lhe a boca com um beijo violento e exigente que a deixou sem tempo para pensar ou planear. Apenas para reagir. Ele limitou-se a roubá-lo e depois continuou. Enfiou a língua mais e mais, reclamando-a e querendo resposta. Maggie acedeu com uma entrega selvagem, enquanto as mãos dele mergulhavam no seu cabelo, espalhando alfinetes de dama com algumas ferozes sacudidelas. As madeiras desfizeram-se sobre os ombros, chegando à cintura e Adam gemeu enquanto lhe percorria o cabelo sedoso com os dedos. Servindo-se dele como alavanca, enrolou algum em torno do punho e puxou-lhe a cabeça para trás, buscando maior acesso.
Depois de lhe expor o pescoço, iniciou um caminho ao longo do peito, até aos seios. Não denotou qualquer delicadeza ao rasgar o tecido. Sem conseguir senti-la com a proximidade desejada, deixou pender uma das mãos até às nádegas para encostar o monte dela à sua virilidade, ao mesmo tempo que enfiava a outra no decote do vestido, encontrando o seu mamilo duro e excitado.
Puxou o corpete para baixo e um dos seios ficou exposto. Sem lambidelas delicadas nem chupões suaves, assaltou-o violentamente, enfiando o bico na boca, beliscando-o com os dentes. Maggie torcia-se de encontro ao seu corpo, numa procura mais próxima do prazer e em simultâneo afastando-se. A luta dela só contribuiu para o excitar mais e beijou o caminho de volta até à boca dela.
– Preciso sentir-te contra mim.
– Sim, tudo o que quiseres.
Tinham brincado à beira da fogueira durante o curto encontro na praia, mas agora ele oferecia-lhe muito mais e ela estava pronta. O seu corpo de dezanove anos encontrava-se preparado para o que acontecesse.
Obrigando-a a dar meia volta, começou a desapertar os botões e os ganchos que lhe cobriam as costas, mas os dedos tremiam-lhe tanto que não conseguiu. Cada vez mais frustrado, agarrou na seda com as duas mãos e rasgou-a ao meio. O vestido tombou-lhe dos ombros e deslizou até ao chão.
– O meu vestido… – sussurrou num tom triste, mas ele interrompeu-a, virando-a para que ficasse de frente.
– Vou comprar-te outros mil – retorquiu, cobrindo-lhe novamente os lábios com os dele, sem qualquer oportunidade para discussão ou queixa.
Com mãos experientes, debateu-se com fitas e alças, até ela ficar diante dele num círculo de osso, renda, seda e cetim. Encontrava-se somente tapada com uma fina combinação e ele descolou os lábios o tempo suficiente para admirar os contornos eróticos do corpo escondido por baixo. Nunca tinha visto uma combinação semelhante, toda em renda. Era transparente nos lugares certos. Conseguia ver o rosa dos mamilos, a sombra do umbigo, o montículo dos pelos da gruta.
A roupa íntima cobria o corpo de um anjo. Os seios tinham o tamanho exato para encher as mãos de um homem, sem serem demasiado grandes ou demasiado pequenos. A cintura era estreita, as ancas curvas e as longas e esbeltas pernas não tardariam a rodear-lhe a cintura. Com os lábios inchados pelos seus beijos e as faces coradas pelo bater do coração, ela era a encarnação do desejo. Representava o sonho de qualquer homem e pertencia-lhe para fazer o que quisesse.
Ele voltou a enrolar a mão no cabelo de Maggie e puxou-lhe a cabeça para trás, forçando-a a erguer o rosto.
– Desaperta-me as calças.
Tentando controlar o tremor dos dedos, ocupou-se cuidadosamente da parte da frente. Ele aguardou impaciente até a braguilha estar aberta e as calças se alargarem nos quadris. Pegando-lhe na mão, guiou-a para o interior e colocou-a exatamente onde queria – à volta do seu volumoso membro. Ela acariciou-o hesitante e ficou surpreendida quando o encontrou duro e suave ao mesmo tempo, como veludo sobre aço.
– Com mais força – disse ele e, quando Maggie continuou sem o satisfazer, colocou os dedos sobre os dela, mostrando como queria. – Assim.
A jovem não tardou a ajustar-se ao ritmo que ele desejava e as suas carícias foram premiadas com mais um gemido de prazer que a tornou mais ousada. Enquanto a mão prosseguia o seu bailado erótico, roçou a face contra o tapete de pelo encaracolado do peito. Ronronando como uma gata, ela respirou fundo, adorando o seu cheiro a suor e almíscar, que a tentava e excitava.
– Dá-me prazer – ordenou Adam, forçando-a a ajoelhar-se com uma leve pressão sobre os ombros. Ela hesitou e ele tornou-se mais explícito. – Recebe-me na boca. Quero sentir-te assim.
Maggie não se dispôs a protestar. Estava decidida a fazer o que lhe agradasse. Fechando os olhos e esperando que tudo corresse pelo melhor, aproximou a boca, roçou suavemente a língua pela ponta do membro e foi recompensada quando ele contraiu os músculos do estômago. Sugou-o e a realidade em nada se pareceu com o que imaginara. Ele tinha um sabor maravilhoso, quente e salgado.
A sua masculinidade reagiu como um ser vivo, sensível e pulsante a tudo o que ela fazia, mas tudo acabou quase antes de começar, quando Adam se afastou repentinamente, pressionando-lhe a face contra o estômago. A respiração saía-lhe em golfadas, as pernas e as nádegas apresentavam a rigidez do granito. Ela tentou conduzi-lo de volta, mas ele deu-lhe uma palmada na mão.
Não conseguia acreditar na rapidez com que ela o levara à beira do orgasmo. Usando todo o autocontrolo para evitar vir-se ali e nesse instante, sibilou:
– Para!
– O que é? – perguntou Maggie, sem compreender que quase fizera com que ele se viesse.
Em vez de responder, levantou-a do chão e atirou-a para cima da cama, agarrando na orla da combinação e tirando-lha por cima da cabeça, desnudando as coxas, as ancas, o ventre, os seios.
Parando um momento a apreciar a vista, examinou-a do cimo da cabeça às pontas dos pés. O olhar emanava paixão, o rubor espelhava-se nas faces, a respiração saía-lhe arquejante e a sua masculinidade latejava de excitação.
– Estou bastante satisfeito contigo – conseguiu articular, depois do que inclinou a cabeça e se pôs a chupar-lhe o seio.
Enquanto ele se posicionava em cima dela, Maggie ficou fascinada com aquela primeira vez em que um homem a pressionava numa cama. Não era pesado e o toque do corpo masculino era excitante e exótico. Os pelos do peito roçavam-lhe o ventre; o tecido áspero das calças arranhava-lhe a pele nua. Os braços fortes envolvendo-lhe firmemente as costas, davam-lhe um acesso mais fácil aos seios e ele apreciou os dois, chupando-os e beliscando os mamilos, passando de um para o outro. O movimento dos lábios e dedos masculinos despertaram uma sensação dolorosa no culminar do ventre.
A dor era idêntica à que sentiu nos seios. Agradável, mas terrível. Lutou contra ela tão ferozmente quanto avançou na sua direção. Adam enfiou o joelho entre as suas coxas. Retirou uma das mãos do seio, fê-la deslizar pelo ventre e depois apertou-lhe o tufo do sexo e enfiou dois dedos no interior da gruta. A jovem nunca fora tocada daquela maneira e o movimento provocou-lhe estranheza e bem-estar.
Ao mesmo tempo que a acariciava com os dedos, o polegar encontrou o pequeno botão situado no centro da sua feminilidade. Maggie conhecia o local e também que muitos homens o desconheciam. Ou se o conheciam, não o usavam para dar prazer a uma mulher. Ele titilou-o uma vez e outra a seguir. Ela comparou a sensação a ver-se estilhaçada num milhão de pedaços de vidro espalhados pelos céus.
À distância, ouviu o grito de uma voz que reconheceu como pertencendo-lhe. A próxima sensação terrestre foi o rugido de uma gargalhada rouca soltada pelo homem cujas mãos a tinham atormentado tão requintadamente.
– Estás tão pronta para mim – disse Adam, erguendo a cabeça para a fitar. – Observa como te encho pela primeira vez.
Sem qualquer outro preliminar, aninhou-se entre as coxas dela, apartando-lhe os joelhos. Levantou-lhe as nádegas, roçou uma vez a fenda, mais outra, e em seguida mergulhou até ao fundo.
Maggie sabia que sentiria dor. Esperava-a e preparara-se para ela, mas não o suficiente. Gritando de agonia, arqueou todo o corpo.
Adam arregalou os olhos, chocado. Uma virgem!
– Mas que raio…
– Dói – conseguiu ela articular, tentando respirar fundo.
– Com mil diabos! – praguejou. – Ao detetar a aflição que ela sentia, desejou minorá-la. – Tenta descontrair – sussurrou, consciente de que tal coisa seria impossível.
Invadido por uma repentina ternura por ela que não queria sentir, quis desenfiar-se, mas não conseguiu. Nunca se sentira tão excitado e nunca desflorara uma virgem. A noção de que havia sido o primeiro, aliada à sensação escorregadia do sangue virginal e da contração dos músculos em torno do seu sexo, fizeram-no perder o controlo. Um instinto primitivo apoderou-se de todo o seu ser e seria incapaz de se conter ainda que um pelotão de soldados invadisse o quarto de espadas desembainhadas, ordenando-lhe que parasse.
Todo o seu corpo ficou tenso ao arremeter uma vez mais com um movimento das ancas. Repetidamente. À quarta penetração, a sua semente inundou-a e abateu-se exausto ao lado dela.
Maggie acordou com um pequeno gemido. Sentia dores em todo o corpo, sobretudo entre as pernas, o que lhe recordou com impressionante clareza o que acontecera entre ela e Adam na noite anterior. Cautelosamente, abriu um olho, em seguida o outro, esperando que ele tivesse ido embora, mas ao mesmo tempo desejando que continuasse ali. Mexendo-se para o lado, despertou totalmente ao vê-lo sentado descontraidamente numa cadeira ao lado da cama. Vestido dos pés à cabeça, parecia prestes a ir embora, o que era uma hipótese assustadora.
Teria ficado insatisfeito? Ainda sentiria raiva? A noite passada de nada servira?
Uma carroça fez-se ouvir na rua e, com um rápido olhar para a janela, avistou os primeiros raios do amanhecer.
A dor que sentia entre as pernas era insuportável e sentou-se cuidadosamente, tentando não se encolher. Percebendo que a roupa da cama lhe dava pela cintura, puxou-a, tapando os seios e não dando pelo esgar que ele fez ante aquela sua tentativa de modéstia.
– Ainda bem que acordaste, pois tenho de pôr-me a caminho.
– Cl… claro – anuiu no tom mais calmo que conseguiu.
Tinha os lábios gretados e secos dos beijos dele e teve de humedecê-los antes de poder falar. A voz masculina ecoou sonoramente no pequeno quarto e ele parecia indiferente e rígido. Não sabia muito bem que comportamento deviam adotar, depois do que acontecera umas horas antes, mas achava que supostamente não deveria ser aquele. Sentiu um aperto no coração.
– Quero discutir os termos do nosso acordo antes de partir – começou por dizer – para que tenhas noção de como será. Também enviarei uma cópia por escrito. Dessa forma, não haverá quaisquer surpresas ou desentendimentos.
– Seria útil – anuiu, esforçando-se por parecer serena, interrogando-se em simultâneo como podia ele estar ali sentado e impassível, quando o seu ser tremia, abrasado de emoção, e lhe doíam todos os ossos do corpo.
– Apenas fornecerás favores sexuais a mim e a mais ninguém. Em troca, providenciarei todas as tuas necessidades. Esperarei que me sirvas três vezes por semana. O número de noites pode aumentar ou diminuir no futuro; terei de ver como tudo progride. – Estava decidido a mantê-la à distância, mas valia a pena considerar a ideia de possuí-la todas as noites. – Por enquanto, três noites devem bastar. Numa dessas noites, desfrutaremos de uma saída antes de nos entregarmos a relações íntimas.
– O que significa isso?
– Significa que te acompanharei ao teatro, a jantar ou a qualquer outro tipo de entretenimento que considere apropriado para assistirmos. Encarregar-me-ei de todas as despesas de roupa e pessoais. Na próxima sexta-feira, gostaria que fizesses uma lista das lojas que pretendes frequentar e abrirei contas. Espero que consultes uma determinada modista cujo estilo me agrada. Ela ajudará a garantir que te vestes de uma forma apropriada.
– Que generosidade essa!
Baixou os olhos, magoada por tudo estar a transformar-se numa proposta de negócio, pois embora não passasse disso, o seu jovem coração convencera-a de que seria algo mais.
– Dei uma vista de olhos por aí enquanto esperava que acordasses. Se vais ser minha companheira, precisarás do conforto adequado. Esta casa não serve, nem tão pouco a vizinhança. Darei ordens à minha assistente para que encontre um sítio melhor. Serás informada quando tudo estiver preparado.
– Mas… mas eu sempre vivi aqui.
– Não é aceitável.
– Não preciso de mais nada. Não quero mais nada.
– Não é aceitável – repetiu ele, dando o assunto por encerrado.
Maggie fitou-o à luz pálida do amanhecer. Tinha as faces obscurecidas pela barba da manhã e o cabelo desgrenhado do sono. Parecia mal-humorado e adorável, excetuando a calma gelada do olhar. O que quer que tivesse de humano encontrava-se bem oculto. Sem querer contrariá-lo, mentiu:
– Aceitarei tudo.
– Mais duas coisas – disse, apontando o indicador. – Primeiro, a nossa ligação só durará até me casar, o que acontecerá em qualquer altura do próximo ano. Assim, a nossa relação apenas se prolongará por doze meses. Precisas de pensar no futuro.
– Então, já há uma escolha, não é verdade? – perguntou com um sorriso forçado.
– Não, mas estou prestes a fazê-lo.
– Entendo – reagiu Maggie com um aperto no coração.
A jovem tinha sido completamente instruída sobre a mecânica do amor, mas não estava de forma alguma preparada para o tumulto emocional que ele causaria. Não havia simplesmente uma maneira de alguém explicar até que ponto o ato sexual era uma coisa pessoal. O facto de ter recebido Adam dentro dela era mais íntimo, mais invasivo do que se esperaria. Não conseguia imaginá-lo a fazer o mesmo com outra mulher, nem a considerar a situação tão casual a ponto de falar em casar com outra, quase em simultâneo. O seu mundo deslocara-se do eixo durante a noite e ele parecia pouco afetado com isso.
– O que me acontecerá quando casares?
– Terás simplesmente de fechar outro acordo, o que não deverá ser um problema. Depois de acabar contigo, haverá imensos homens dispostos a ocupar o meu lugar.
O homem era incrível! Frio como pedra e insensível como um pedaço de carvão. Ela não significava nada para ele. Não era nada para ele. O que fizera na noite anterior não tinha tido qualquer tipo de impacto.
– E qual é a segunda coisa?
– Não engravidarás. Se o fizeres, expulso-te no próprio dia em que souber. Não reivindicarei a criança, não te sustentarei nem a ela, e, mais importante, não deixarei que envergonhes a minha mulher ou a minha mãe com o teu bastardo.
– Também seria teu filho – observou num ímpeto.
– Não. Os meus filhos nascerão da minha mulher.
Nunca tinha ouvido palavras tão cruéis. Eram um insulto contra ela, a mãe e qualquer filho que pudesse conceber acidentalmente.
– E se já aconteceu ontem à noite? – balbuciou com um nó na garganta.
– Peço desculpa pela minha falta de controlo. Esperava ser mais cuidadoso. Contudo, não te preocupes. É raro um bebé ser criado num único acoplamento.
– Espero que seja assim – disse ela sem muita confiança.
– Entretanto, não quero ver-me privado do meu prazer, e, portanto, há uma mulher que pretendo apresentar-te. Ela irá ensinar-te diversos métodos de prevenção.
– Como quiseres – anuiu em vez de mencionar que fora criada por uma cortesã profissional e estava a viver com ela. Tinham-na ensinado bem, mas permanecia a realidade de que nenhum método era cem por cento seguro. Maggie tinha o coração despedaçado e só desejava que ele se fosse embora. – Mais alguma coisa?
– Por enquanto não. Esta noite estou ocupado, mas passarei amanhã à noite por volta das oito para que possamos continuar a familiarizar-nos. – Inclinou-se, beijou-a na testa e acrescentou com um sussurro rouco: – Estou ansioso por isso.
Abandonou silenciosamente o quarto e fechou a porta atrás de si.
Maggie deslizou para baixo dos cobertores e desfez-se em lágrimas.