Meu Único Amor

Cheryl Holt · Capítulo 9 de 31

Páginas do PDF

Meu Único Amor

Capítulo 8

 

– Adam St. Clair, marquês de Belmont, permita que lhe apresente… – George nem chegou a acabar a frase, pois olhou casualmente para St. Clair. Nunca até esse momento tinha testemunhado uma raiva tão intensa num homem. Conhecia St. Clair desde que eram estudantes e ele sempre tivera fama de ser uma pessoa fria que jamais mostrava as suas emoções. Naquele instante, dava a sensação de estar prestes a atingir algo… ou alguém.

– Aceito – murmurou Adam entre dentes.

– Ah… o quê? – retorquiu George, confuso.

Adam repetiu, pronunciando claramente as palavras:

– Disse que vou ficar com a casa e a mulher.

George olhou para Maggie que tremia como varas verdes e parecia prestes a fugir pelo meio da multidão. Sem lhe dar tempo a fazê-lo, St. Clair estendeu o braço e agarrou no dela acima do cotovelo. O movimento teve um ar de casualidade, mas George viu que ele lhe enterrou os dedos na carne.

– Mas… mas não discutimos as condições ou o preço ou…

– Qualquer preço que peça é aceitável – interrompeu-o Adam. – Apresente um contrato ao meu advogado logo de manhã. Terá um depósito bancário ao meio-dia.

– Mas não gostaria de saber… quero dizer… – Abanou a cabeça, totalmente perplexo. – Posso, pelo menos, apresentá-lo?

– Não há necessidade de apresentações. Há muito tempo que Miss Brown e eu somos amigos. Não é verdade, querida? – perguntou, apertando o braço dela com força.

– Oh, claro – conseguiu ela articular. – Os melhores amigos.

– Aí tem! – exclamou Adam com um aceno de cabeça a Wilburton. – A casa está vendida, bem como a mulher. Ambas deixaram de ser problema seu – prosseguiu, colocando Maggie mais perto de si com um rápido gesto de posse. – Agora, se me der licença, gostaria de começar a desfrutar dos benefícios da minha recente aquisição.

«Esta foi sem dúvida a pior noite de toda a minha vida», pensou Maggie. O facto de ver Adam, de pé, junto a George foi tão chocante e surpreendente que o momento não parecia real. Sentiu-se paralisada. Ouviu vagamente Adam dizer que estava a comprar a casa e a comprá-la, mas as palavras chegaram-lhe como se estivesse a ouvi-las através da água.

Se ele falava a sério, a sua casa estava a salvo. A sua vida encontrava-se segura – pelo menos, de momento – e a situação de Anne resolvida. Era isso mesmo o que esperara, não era?

Sim, mas não daquela maneira. Tornava-se impossível ignorar a raiva estampada no tom de voz ou nos olhos dele. Na verdade, nunca tinha visto ninguém tão furioso em toda a vida. A dor provocada pelos dedos masculinos enterrados no seu braço assemelhava-se a uma faca espetada, chamando-a à realidade.

– É muito bom voltar a vê-lo, Lorde Belmont – disse, acentuando propositadamente o facto de conhecer a sua verdadeira identidade. – Contudo, penso que haja um erro – acrescentou, sem desviar o rosto do seu olhar irado. – Já prometi a George que me encontraria com um amigo dele. Provavelmente é impossível acompanhá-lo.

– Não haverá necessidade de se encontrar com mais ninguém. Está tudo arranjado. Não é verdade? – inquiriu, fulminando Wilburton com o olhar, desafiando-o a discordar.

– Bem… sim… Suponho que… – George não tinha a mínima ideia do que fazer. Maggie fitava-o com um misto de terror e de raiva, mas St. Clair comunicava-lhe pura fúria e nada mais. A última coisa que desejava na vida seria discutir com o marquês.

«Maggie não podia agir pior», pensou subitamente. Aquela estúpida rapariga não compreenderia o golpe de sorte que a atingira? Além disso, a jovem e a casa eram uma grilheta de trabalhos forçados que tinha ao pescoço e nunca acreditara que se livraria delas tão rapidamente. Decidido a que apoiar St. Clair era a atitude certa a tomar, endireitou-se e pigarreou.

– Sim – pronunciou num tom firme. – Está tudo arranjado. Posso ser o primeiro a felicitar-te, Maggie? Conseguiste uma bela recompensa. – Ergueu os cantos da boca num arremedo de sorriso, mas não foi correspondido por nenhuma das partes. – Falarei com o seu advogado de manhã cedo, St. Clair.

– Faça isso – retorquiu Adam, voltando as costas sem uma palavra de despedida.

Tinha um braço à volta da cintura de Maggie e outro no seu pulso, sem lhe dar hipótese de fuga. Avançaram pelo meio da multidão na direção das escadas.

– Largue-me – disse ela, tentando soltar-se em vão.

– Pare com isso. Vamos embora.

– Não vou a nenhum lugar consigo – sibilou. Tinha apoiado os calcanhares no chão, tentando evitar que a puxasse, mas de nada serviu.

Adam estava mais irado do que alguma vez se sentira em toda a vida. Compreendia agora como e porque um homem podia ser levado a bater numa mulher. Nesse momento, o que mais desejava era dar-lhe uma cinturada. Só de pensar em todas as conversas inocentes e românticas, nas mentiras idiotas! Em como ela lhe suplicara que lhe desse o primeiro beijo, fosse o seu primeiro amante, e como recusara, tentando agir de uma forma nobre e contida.

Entretanto, vendera-se a Wilburton. Interrogou-se por instantes se o Georgezinho sabia como ela lhe pusera os cornos quando andara à solta por sua conta. Quantos homens tinha levado para a cama durante as suas curtas férias?

Com um duro puxão, viu-se encaixada ao lado dele. A rápida luta fez virar algumas cabeças, mas ele agarrava-a com tanto cuidado e uma tal frieza no rosto que ninguém pareceu notar que estavam a lutar no meio da pista de dança.

– Basta! – murmurou num tom severo ao ouvido dela. – A primeira coisa que vai aprender sobre mim é que nunca… repito: nunca!… fará uma cena quando estivermos em público. – Obrigou-a a dar meia volta de maneira a ficarem de frente. – Entendido?

Maggie apreendeu a fúria que lhe provocava um leve tremor, a raiva estampada no olhar. A última coisa que ela também desejava era fazer uma cena. Relaxou a postura, inspirou fundo e lentamente e deixou sair o ar.

– Sim. Entendido.

– Muito bem. Então, vamos embora? Diria que temos algumas questões a debater e uns preliminares a resolver. E, em seguida, faço tenção de explorar a minha nova propriedade durante o resto da noite.

Não restava qualquer dúvida quanto aos seus propósitos, mas Maggie lidaria com isso quando saíssem. Compondo uma expressão de um tédio displicente, acompanhou as longas passadas masculinas.

Quando transpuseram as portas do salão de baile e se dirigiram às escadas, ela viu-se frente a frente com o pai. Naquele breve encontro, verificou surpreendida que eram os dois muito parecidos. Teve também o prazer inesperado de ouvi-lo inspirar o ar com força e de ver como ergueu a sobrancelha, examinando-a antes de Adam a arrastar junto a ele sem mesmo um aceno de cabeça.

Apesar do barulho da multidão e da orquestra, ainda ouviu a voz de Penelope vinda de trás dela, no sítio onde a jovem se encontrava ao lado do duque.

– Pai, quem é essa mulher que está com o Adam?

– Não sei – respondeu ele, distraído –, mas tenciono descobrir.

A afirmação repercutiu-se na sua cabeça enquanto Adam a levava para o ar frio da noite.

A carruagem dele era magnífica, digna de um homem com a sua riqueza e posição, e tinha um cocheiro e quatro lacaios fardados. O interior cheirava a cabedal e os acessórios em bronze emitiam um brilho fulgurante. Tentando acalmar o bater desenfreado do coração, fitou-o pelo canto do olho. Parecia impossível que aquele homem encantador vestido com o traje escuro de cerimónia fosse o mesmo que tinha rido e gostado dela dois meses antes.

– Não entendo toda essa raiva contra mim – observou num tom calmo.

– Então, ou é estúpida, o que coloco de lado, ou extremamente ingénua, o que cheguei a acreditar, mas agora duvido seriamente.

– As aparências iludem.

– Ah, sim? Ia jurar que acabei de comprar os seus favores, o que a torna uma prostituta de luxo. Considerando esse facto, ainda tem a audácia de estar aí sentada a interrogar-me sobre o motivo da minha raiva? É incrível!

– Nós estávamos tão desesperadas.

– «Nós», quem?

– Anne e eu.

– Ah, sim, a indomável Miss Porter – comentou num tom rude. – Ela também é prostituta?

Maggie conseguia suportar quase tudo na vida, e já tinha uma boa dose de experiência nesse campo, mas não estava disposta a ficar sentada a ouvir insultos sobre a sua leal amiga.

– Não sou obrigada a aguentar isto. Vou sair.

Fez um movimento na direção da porta, pronta a saltar da carruagem em movimento, se assim fosse necessário para se livrar dele. Adam agiu com muito mais rapidez, agarrando-lhe no braço e atirando-a novamente para o banco.

– Sente-se! Já! – gritou.

Com um empurrão furioso, soltou o braço do dele e escapou-se para o canto mais afastado da carruagem, sentando-se o mais longe que conseguiu, o que nunca seria suficiente.

– O que sabe sobre isso? O que sabe sobre o que quer que seja? Não tem qualquer direito de fazer juízos a meu respeito.

– Não podias ter-me contado o que se passava?

– Contado o quê? Que estávamos prestes a ser expulsas da nossa casa? Que não tínhamos sítio para onde ir? Por favor, o que terias feito? – Ficou satisfeita ao ver que o calara. O silêncio prolongou-se, tornou-se incómodo e ela acrescentou: – Não fazes ideia do que é a vida para pessoas como nós, e portanto poupa-me às tuas atitudes virtuosas. Foste suficientemente rápido a pôr dinheiro na mesa para me comprares.

Adam não ouviu nem mais uma palavra dos seus protestos, optando em vez disso por se divertir a despi-la lentamente com os olhos. Ela era uma beleza, mais perfeita do que se recordava, a joia que imaginava que seria num salão de baile a abarrotar dos seus iguais, uma bonita embalagem à volta de um coração negro. Bem, poderia usá-la como o próximo homem e aliviar o desejo. Só de pensar no que se seguiria, em possuí-la dura e rapidamente, ficou excitado.

Embora parecesse muito calmo, recostado, com um braço pousado casualmente no assento, ardia por dentro, imaginando-a a abrir as pernas para George Wilburton.

– Então, qual foi o objetivo? – quis saber.

– Que objetivo? – retorquiu, erguendo a cabeça.

– O de fazeres de inocente comigo durante as tuas férias. Pensaste que seria mais fácil atrair-me para a tua cama dessa maneira? Ou achaste que ficaria mais excitado com a ideia de que teria uma virgem?

– Francamente… – Era inútil discutir. Em vez disso, virou-se e fez questão de olhar pela janela. – Nem sequer me vou dignar responder a essa barbaridade.

– Qual é o problema? Não consegues optar pela melhor das duas respostas? Jamais me passaria pela cabeça que uma mentirosa nata como tu precisasse de muito tempo para compor a história.

– Uma mentirosa como eu? Isso diz o roto ao nu, não é assim, Aston? Sei que Aston era o nome do teu pai, mas de onde vem Carrington?

– Uma atitude esperta a de responder às minhas perguntas com perguntas, tomar a ofensiva. – Recostou-se mais, enterrando as mãos no cabedal para se impedir de agarrá-la e sacudi-la. – Devo dizer que estou muito ansioso por te provar. Desde que partimos da praia que me arrependo de não o ter feito naquela noite. Agora, verei se a realidade se aproxima da fantasia.

– Se pensas que vou para a cama contigo quando estás aí sentado a insultar-me, à minha melhor amiga e à minha vida, esquece. Não vai acontecer.

Adam meteu a mão no bolso e consultou o relógio. Pouco passava da meia-noite. Poderia estar algumas horas com ela.

– Protesta o que quiseres – disse –, mas lembra-te de uma coisa: agora sou dono da tua casa. Quando chegarmos, servir-me-ás ou, caso contrário, farás as malas e irás para a rua. A escolha cabe-te totalmente. Pouco me importa qual será a decisão.

Tentou parecer indiferente, mas ardia por dentro, sem saber o que faria se ela recusasse. Não expulsaria um cão a meio da noite e muito menos uma mulher, mas sentiu que a ameaça se impunha. Ela precisava de compreender logo de início que seria ele, e não ela, a definir os limites do relacionamento.

– E se me opuser?

– Apenas servirá para me excitar ainda mais – retorquiu enquanto a sua raiva crescia lentamente e ateava a pulsação latejante entre as pernas. Tentou convencer-se de que a possuiria antes que a noite chegasse ao fim. O facto de poder ou não concluir a ameaça era uma outra questão.

Maggie respirou fundo.

– Eras capaz de possuir-me contra a minha vontade?

– Duvido que resistisses muito tempo. No fundo, há algum tempo que me desejaste na cama. A tua curiosidade está prestes a ser apaziguada.

Olhando novamente pela janela, Maggie reconheceu os edifícios por onde passavam. Era apenas uma questão de minutos antes que parassem em frente da casa dela. Dispunha de uns escassos minutos para tomar a decisão que mudaria a sua vida: entregar-se a Adam ou enfrentar a noite. Ele cumpriria sem dúvida a ameaça. No estado em que se encontrava era provavelmente capaz de tudo.

Inalou fundo e devagar e em seguida virou-se para o fitar.

– Não sou a mulher que achas que sou.

– Estavas ou não estavas a vender-te no baile, tentando encontrar a melhor situação de vida? Bem, minha querida, podes confiar nas minhas palavras. Conquistaste a cereja no topo do bolo. Não há melhor partido do que eu. Agora responde – prosseguiu, sacudindo um grão de poeira das calças –, com quantos homens já te deitaste? Vou desfrutar dos frutos apenas dos esforços de Wilburton ou houve vários que te ensinaram técnicas amorosas?

– Achas que me deitei com George? – Teria rido se a situação não fosse tão absurda.

– Ele diz que és excecional.

Maggie semicerrou os olhos como se tentasse focá-lo melhor, pois tornava-se difícil acreditar que estava diante do mesmo homem que julgava ter sido o seu primeiro amor.

– Continuo sem entender toda essa raiva contra mim. Não significo nada aos teus olhos. Porque te interessa o que fiz com a minha vida?

Adam cerrou os dentes, negando-se a analisar ao pormenor os motivos da sua irritação. A parte lógica do seu cérebro percebia que apenas poderia sentir aquela onda de emoções, caso gostasse verdadeiramente da jovem. Não podendo enfrentar a realidade, disfarçou a confusão de sentimentos com mais hostilidade.

– Não há nada que despreze mais do que uma mulher mentirosa. E não há ninguém que me tome por idiota e consiga levar a melhor. É melhor que te lembres disso durante a nossa relação. A propósito, ainda não respondeste à minha pergunta. Quantos mais existiram?

– Queres saber quantos amantes tive?

– Sim. Um, alguns ou muitos?

Se estivesse mais perto, tê-lo-ia esbofeteado. Dadas as circunstâncias, não havia forma de argumentar com o indivíduo. Revirando os olhos, um gesto que falhou a Adam na penumbra da carruagem, adotou um tom sarcástico:

– Oh, foram às dezenas. Tenho dificuldade em controlar-me no que se refere a homens.

Desconhecedora dos jogos do amor, ignorava como aquela declaração o perturbaria. O músculo contraído da face foi o único sinal da sua indignação.

– Vem cá – ordenou, estendendo uma das mãos.

– Não.

– Vem. – Não foi um grito mas quase, nos limites estreitos da carruagem. Agarrou-lhe no pulso e puxou-a através da curta distância que os separava, para que ficasse entre as suas pernas e equilibrada numa das coxas. Pondo a mão no membro avolumado, serviu-se da palma da mão para pressionar a dela a que o acariciasse num movimento de vaivém. – Tenho a certeza de que acharei que valeu a pena esperar.

Nesse momento, a carruagem parou com uma forte sacudidela. Maggie teria caído no chão se Adam não a agarrasse contra o corpo. Colocou-a de novo no banco da frente e depois foi o primeiro a sair quando o cocheiro abriu a porta. Depois de sussurrar algo ao indivíduo, aproximou-se e estendeu a mão a Maggie.

– Bem. Qual é a tua decisão?

Em casa ou na rua? A jovem desceu, perscrutando a escura avenida de cima a baixo. Naquele bairro não havia nenhum dos elegantes candeeiros de rua que pontilhavam zonas mais caras. As sombras pareciam negras e fantasmagóricas. De facto, não havia alternativa. Engoliu em seco e disse suavemente:

– Promete-me uma coisa.

– Não estás em posição de pedir o que quer que seja.

Os joelhos de Maggie cederam e quase desfaleceu, fazendo com que ele a agarrasse pela cintura. O brilho da lanterna da carruagem iluminou-a, tornando-a mais pequena e muito pálida. Tinha os olhos cheios de lágrimas. A raiva dele esvaiu-se um pouco. Ela era tão bonita e tão jovem e estava a tremer. Afastou os pensamentos, necessitando que a raiva incentivasse o próximo passo para o encontro.

– Por favor… Apenas peço que prometas não me magoar. Farei tudo o que quiseres. É só que… pareces tão enraivecido que me sinto amedrontada. Por favor, diz que não vais magoar-me.

Ele estremeceu. O cocheiro e os quatro lacaios deviam ter ouvido as palavras dela. O que diabo estava a pensar? Bater numa mulher não fazia parte dos seus princípios, por mais que fosse provocado.

– Contrariamente ao que pareces acreditar, não sou um animal.

– Juras que não vais magoar-me?

Deus do céu! Ela parecia uma criança indefesa. Sentiu-se contente por a noite ocultar o rubor que lhe subiu às faces quando jurou:

– Tens a minha palavra.

– De acordo, então – respondeu, hesitante. – Entremos.

Maggie destrancou a porta. Anne tinha apagado todos os candeeiros. Percorrendo o caminho familiar no meio da escuridão, deu a mão a Adam e conduziu-o pelas escadas. No topo, iam a atravessar a ombreira da porta quando Anne surgiu no corredor com uma vela a iluminar o caminho.

– Maggie, estás bem?

Adam saiu da sombra e respondeu antes de Maggie.

– Está tudo em ordem – disse.

– O que faz aqui?

– Ao que parece, minha senhora, comprei uma casa e uma prostituta. Tenciono desfrutar dos prazeres da última – elucidou, agarrando no braço de Maggie.

– Um momento. – Anne bloqueou o acesso ao quarto de Maggie, examinando ambos com um olhar desconfiado. Colocou um dedo sob o queixo de Maggie e ergueu-lhe o rosto, obrigando a jovem a fitá-la. – Diz-me que estás bem.

– Apenas um pouco nervosa – respondeu Maggie com um sorriso trémulo.

– Tens a certeza de que é isso o que desejas fazer?

– Sim – anuiu Maggie com uma súplica de compreensão no olhar. – Explicarei tudo amanhã.

– Explica agora – insistiu Anne.

Adam estendeu o braço e afastou Anne da ombreira da porta.

– Duvido que o assunto seja da sua conta.

– É da minha conta. Maggie é minha amiga e esta é a nossa casa.

– Não. Esta casa agora pertence-me e não tenho vontade de a sustentar, como farei com Maggie. Partirá de manhã.

Maggie engoliu em seco.

– Não, Adam. Por favor. Preciso que a Anne fique comigo. Não tem nenhum sítio para onde ir.

– Não implores por minha causa, Maggie – interferiu Anne com os olhos brilhantes de raiva. – Sobretudo a uma pessoa como ele. – Fitou Adam e acrescentou: – Não se atreva a magoá-la.

– Não é essa a minha intenção.

– Olhe bem para si! Está demasiado raivoso para contemplar a ideia de se lhe unir. Não haverá forma de fazê-lo sem lhe causar qualquer dano. – Fitou Maggie com uma expressão suplicante. – Não faças isso, Maggie. Vem para o meu quarto. Falaremos do assunto como planeámos e podes ir por diante com isso amanhã, se ainda o desejares.

Estendeu a mão e aguardou uma eternidade enquanto Maggie não desviava a cara, mas sem a agarrar.

– Não, não quero esperar – decidiu Maggie finalmente. – Tudo correrá bem, Anne. Verás.

– Oh, Maggie… – suspirou Anne.

Adam interpôs-se entre as duas.

– Boa noite, Miss Porter. – Empurrou Maggie para o quarto e foi atrás dela, fechando a porta e dando a volta à chave com um sonoro estalido. – Acende uma vela – disse. – Quero ser capaz de ver tudo.