Meu Único Amor
Capítulo 14
– Então, pai, onde foi ele? – inquiriu Penelope num tom petulante.
– Devo ter um relatório em breve.
Harold Westmoreland, duque de Roswell, olhou para a filha do outro lado da secretária. Ela era uma jovenzinha bastante bonita, mas demasiado cheia para o seu gosto. Sempre tinha pendido para mulheres magras e esguias. No entanto, outros homens não pareciam importar-se com o peso dela. Devido ao dote e ao nome de família, Penelope era um partido fantástico. E uma pechincha incrível pela qual ele receberia dinheiro, terras, novas alianças. As hipóteses de enriquecimento através do contrato de casamento ultrapassavam o imaginário. Era uma pena que o único homem com que ambos desejavam que casasse parecesse não ter nenhuma consideração por ela.
– Como foi capaz de fugir daquela maneira a meio da minha festa? Nem sequer consegui dançar com ele! – Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro. – Foi o irmão dele que o convenceu a ir embora, não foi?
– Acredito que sim.
– Desgraçado! E aquele horrível primo dele?
– Vi os três a saírem juntos, sim.
– Como conseguiram entrar esses dois?
– Foram convidados, Penny.
– Oh! – exclamou desanimada, deixando-se cair na sua cadeira de uma forma pouco apropriada a uma dama. Era sempre esse o problema quando se convidavam várias centenas. Muitos indesejáveis recebiam convite. – Espera só até estar casada com o Adam. Vou fazer com que se arrependam mil vezes por isto.
– Bom – murmurou o pai –, é esse o âmago da questão, não é? Convencê-lo a casar contigo? Não planeies a tua vingança com demasiado cuidado. A este ritmo, jamais conseguirás apanhá-lo.
Penelope tentou medi-lo de alto a baixo com os olhos azuis gelados que eram um espelho dos dele. Como era habitual, o pai saiu vencedor. A personalidade dela não se lhe comparava e tal jamais aconteceria. Sem estar preparada para uma áspera troca de palavras, compôs um sorriso plácido.
– Já não sei o que fazer, pai. Jantamos com ele, senta-se ao meu lado no nosso camarote no teatro, danço com ele, andamos a cavalo e, tanto quanto sei, dedica-me a mesma estima que às outras mulheres que conhece.
– Porque achas que é assim? – inquiriu com sarcasmo.
Embora não estivesse disposto a ensinar truques femininos à filha, desejava que alguém o fizesse. A mulher possuía um número limitado dos mesmos para partilhar, caso contrário incumbi-la-ia dessa tarefa. A sua atual amante conhecia bastantes. Era uma pena que não pudesse apresentá-la à filha. Penelope beneficiaria sem dúvida de algumas sábias palavras.
– Estás a culpar-me, pai? – inquiriu, visivelmente chocada.
– Não foi minha intenção – respondeu com um encolher de ombros.
– Bom, mas foi o que me pareceu. Não sei o que esperas que faça. Na terça-feira à tarde fomos andar a cavalo. Conversámos, rimos, divertimo-nos. Julguei que o enfeitiçara totalmente.
Quando tinha regressado a casa, estava com uma dor de costas horrível por todos os movimentos que fizera a fim de levá-lo a reparar nos seios. Não resultara. Ele não baixara os olhos para o seu peito uma única vez.
– E?
– Ele levou Jane Cummings a andar a cavalo na quarta, Barbara Ferguson na quinta e Sarah Walters na sexta-feira.
Harold suspirou. Penny era a jovem inglesa perfeitamente criada e educada à espera de um marido, tal como dúzias de outras que esperavam casar nesse ano. Na opinião de Adam, era visível que a personalidade dela em nada diferia da das outras. Além disso, ele não tinha necessidade de aumentar a fortuna, nem precisava de uma aliança familiar, o que aparentemente tornava a sua captura uma tarefa impossível. Como era possível despertar o interesse de um homem que aparentemente não desejava nada?
– Quais são os teus planos para mudar a situação? – indagou.
– Não faço a mínima ideia. A temporada acabou e, por conseguinte, terei poucas oportunidades daqui em diante. A menos que me comprometa, o que recusas totalmente, não vejo como posso levá-lo a mudar de atitude em relação a mim.
Tratava-se de um tema que haviam discutido inúmeras vezes, sempre acaloradamente, e não lhe apetecia repetir a cena.
– Já te disse uma dúzia de vezes, Penelope, que duvido que Adam possa ser apanhado dessa forma. Também me parece que poderia recusar pedir-te em casamento se achasse que lhe tínhamos montado uma armadilha.
– É um cavalheiro. Não se atreveria!
– Não? – suspirou Harold. – Era estranho pensar que a sua própria filha, sangue do seu sangue, pudesse ser tão estupidamente ingénua. Por um breve momento, sentiu uma ponta de compaixão por Adam, sabendo por experiência o que era ficar amarrado para sempre dessa forma. – Confia em mim, Penny. Conheço os homens. Conheço o Adam. Se cometesses uma imprudência, ele ia rir-se nas nossas caras. Então, o que seria de ti?
– Oooh! Odeio-o! De alma e coração. – Soou uma pancada na porta da biblioteca e levantou-se, sabendo que o tempo concedido para a discussão chegara ao fim. – Ignoro quanto tempo vais permitir que ele me trate assim, pai. Está a fazer-nos de idiotas aos dois.
Deu meia volta, satisfeita com aquelas palavras de despedida. Acima de tudo, o duque detestava passar por idiota.
– Penelope! – A voz do pai fê-la parar e voltou-se para o enfrentar uma vez mais. – Leva isto contigo – disse, estendendo-lhe um envelope.
– O que é?
– É um convite dos St. Clair. Para uma festa em casa deles, em setembro.
A jovem quebrou o selo do envelope e perscrutou o conteúdo rapidamente.
– Vai prolongar-se por duas semanas. Sabes quantas pessoas foram convidadas?
– Falaram-me numa dúzia.
– Uma dúzia!? Serei uma entre doze? Como fui digna dessa honra?
– Penso que foi a mãe a elaborar a lista.
– Como é que esse velho morcego se atreveu a enfiar-me no meio de uma multidão? – Num acesso de raiva, rasgou o envelope, atirou-o para cima da secretária do pai e arrebitou o narizinho. – Bem, vou mostrar-lhe! Não vou.
– Vais sim. E serás tão encantadora como sempre. Sugiro que te dirijas à costureira para começares a planear o guarda-roupa. – Teve a satisfação de ver a filha corar. Por mais que vociferasse e rebelasse, não se oporia à sua vontade. Ninguém se atrevia a desafiá-lo quando dava uma ordem, sobretudo a sua teimosa e mimada filha. Ela teria de fazer o que fosse necessário para agradar a Adam St. Clair. – Agora, se me dás licença, tenho outro compromisso.
Despediu-a com um gesto da mão e ficou a observá-la a sair com um restolhar de saias. As solas macias dos chinelos pouparam-lhe o som dos passos furiosos enquanto se dirigia ao corredor. Pior para ela, se estava furiosa. Deixá-la-ia a ruminar a situação durante algum tempo. Talvez lhe ocorressem algumas ideias novas para pôr em prática na festa dos St. Clair.
Quando a filha saiu, entrou um dos seus assistentes.
– O que soube? – perguntou, quase sem dar tempo a que o indivíduo se instalasse na cadeira.
– Eles foram para um bordel. Um novo que abriu ontem à noite por…
– Sim, eu sei qual é – interrompeu o duque que recebera um convite, mas não tinha podido ir à inauguração por causa do maldito baile de Penny. – Porque foram lá?
– Bem, Vossa Senhoria… – hesitou o homem com uma cara de que o duque lhe fizera a pergunta mais idiota que alguma vez ouvira – … não tenho a certeza, mas sendo um bordel, diria que foram para desfrutar das senhoras.
– Eu sei, idiota. Mas porquê esse e não outro? O que fizeram enquanto estiveram lá? Por quanto tempo e com quem? – Tentava saber tudo sobre Adam, na esperança de descobrir alguma informação que obrigasse o indivíduo a tomar uma decisão. – Quanto tempo ficaram? Dê-me os pormenores, que é para isso que lhe pago.
– Sim, Vossa Senhoria. – Folheou um livrinho, examinando as páginas, e depois enfrentou o olhar avaliador do duque. – Bom, reservaram uma suíte privada e deviam passar lá a noite, mas surgiu uma espécie de briga.
– Briga? Entre eles?
– Não. Com outros dois convidados. Os pormenores foram silenciados, mas parece que os outros homens se preparavam para violar uma das prostitutas quando o marquês resolveu prestar-lhe auxílio.
– E depois?
– Os irmãos St. Clair, ajudados pelo seu primo, Charles Billington, levaram duas prostitutas para fora do bordel e partiram na companhia delas.
– A dona permitiu-lhes desfrutarem as raparigas fora das instalações?
– Não sei bem porque as levaram, mas os dois irmãos passaram a noite toda com as mulheres. Numa pequena casa nos arredores de Mayfair. Na verdade, o mais novo, James, ainda estava lá quando me vim embora para lhe apresentar o meu relatório.
– E o marquês?
– Saiu esta manhã, mas apenas perto do meio-dia.
– Elas deviam indubitavelmente ter valido a pena – murmurou o duque e o assistente limitou-se a encolher os ombros, sem possuir qualquer opinião. – Como se chamam?
– Quem?
– As duas mulheres!
– Ah… uma é Anne Porter – elucidou o assistente, revendo as anotações. O duque abanou a cabeça; nunca tinha ouvido falar da mulher e acenou ao homem para que continuasse. – A outra é uma tal Maggie Brown.
Harold endireitou-se na cadeira. Deus do céu, era ela. Tinha pensado isso mesmo quando a tinha visto com Adam no baile no mês anterior, mas não conseguira verificar a sua identidade. Apenas lhe havia chegado aos ouvidos que Adam tornara a beleza desconhecida sua amante. Ela era filha de Harold que o sabia sem precisar de ser informado. Nenhuma outra pessoa no mundo poderia parecer-se tanto com Rose.
– Onde disse que ficava a casa?
– Levaram-nas para um sítio em Mulberry. É uma casa pequena.
Bem, a informação confirmava tudo. Maggie era sua filha e continuava a viver na casa que ele comprara para Rose, vinte anos antes, embora tivesse ouvido dizer que se degradara desde então.
– Acho que o marquês a comprou recentemente – continuou o assistente –, mas há muito que as duas mulheres viviam lá. Segundo as declarações dos vizinhos, não parecem de forma alguma serem prostitutas, mas duas senhoras simpáticas e sossegadas. Portanto, ignoro o que estavam a fazer no bordel.
– Pode aguardar lá fora?
– Certamente, Vossa Senhoria.
– Vou escrever uma curta mensagem. Gostava que fosse entregá-la em meu nome e esperasse a resposta.
O homem saiu sem mais uma palavra e o duque recostou-se na cadeira, avaliando a situação, enquanto decidia o que escrever.
Mesmo depois de vinte anos, as memórias de Rose Brown não se tinham apagado. Desfrutara de muitas mulheres bonitas ao longo da vida, mas nenhuma que se lhe assemelhasse em aparência e estilo. Nenhuma com uma pele tão macia, uns seios fartos, a voz rouca e dotes sexuais. E aqueles olhos violeta! Tinha uma forma de andar e de falar que levava um homem a desejar metê-la na cama só de olhar para ela.
Aparentemente, a sua filha bastarda tornara-se prostituta, tal como a mãe. Embora o surpreendesse o boato de que o moralista Adam St. Clair arranjara uma amante, Harold conseguia imaginar como tal acontecera. Caso Maggie se parecesse com a mãe, o pobre Adam não tinha hipótese de fugir aos seus encantos.
Dado que Adam nunca tivera uma amante até então, devia haver uma razão especial para a escolha de Maggie. Talvez a sua ligação com a rapariga superasse a vulgar relação de homem e amante. Certamente valia a pena descobrir. Se assim fosse, tinha de haver uma maneira de usar a informação a seu favor. Rapidamente, pesando em mente as hipóteses e as formas de transformá-las em vantagens, Harold escreveu o convite.
Maggie desceu as escadas com um sorriso nos lábios. Adam tinha permanecido na cama com ela durante horas, antes de partir. Lento e suave, duro e violento. Pondo-a de frente, de costas, com as mãos, a boca, a sua virilidade. Ela embrenhara-se totalmente, aprendendo e partilhando, deliciando-se com as coisas maravilhosas que podiam fazer juntos.
Tinha os lábios gretados, a pele áspera e desgastada, as coxas cheias de nódoas negras e a zona entre as pernas dorida e avermelhada. Apesar de tudo isso, fora totalmente amada e nunca se sentira melhor. Curiosas explosões de energia percorriam-lhe as veias. O próprio ar à sua volta parecia diferente e carregado, como se pudesse apontar para um objeto e faíscas se lhe soltassem das pontas dos dedos.
Aquelas novas sensações de poder e de excitação eram tão intrigantes que quase chegou ao último degrau sem perceber que não estava sozinha. James ia a caminho da porta, mas ainda não saíra. Anne aninhava-se nos seus braços e ele beijava-a tão intensamente que o momento teria sido constrangedor para todos se os dois não parecessem tão felizes. Uma das criadas mantinha-se de pé com a capa dele sobre o ombro, tentando ignorar a cena.
James escolheu esse momento para fazer uma pausa. Olhou para Anne com ternura, segurando-lhe o rosto na palma da mão enquanto lhe acariciava os lábios húmidos com o polegar.
– Não quero ir embora. Já tenho saudades.
– Tens de ir. Se resistires, não tratarás das tuas incumbências.
– Suponho que estás certa.
– Quanto mais depressa fores, mais depressa podes voltar – assinalou Anne.
– Deus do céu! É verdade! – concordou, puxando-a para mais um abraço que a levantou do chão. Girou com ela em pequenos círculos, sem parar com a brincadeira ao avistar Maggie.
– Boa tarde – cumprimentou-a.
– Olá, James – sorriu Maggie, aproximando-se mais. Por fim, James voltou a pousar Anne no chão. Sem querer aparentemente perder contacto físico com ela até ao último momento, conservou uma mão possessiva à volta da sua cintura. – Ia perguntar se tinham apreciado a noite, mas pelos vistos acho que é desnecessário – acrescentou Maggie.
– Diria que tens razão – disse ele com uma piscadela de olho lasciva para Anne, o que lhe valeu uma cotovelada nas costelas.
Anne deu igualmente as boas-vindas a Maggie e depois ergueu o sobrolho na direção de James.
– James estava mesmo de saída.
A criada entendeu as palavras como uma deixa e abriu a porta.
– Eu vou… eu vou… – sorriu James, voltando a beijá-la lascivamente na boca. – Mas volto! – Quase a explodir de alegria, saiu rapidamente e subiu para a carruagem que o esperava.
Maggie pensou que parecia sentir-se exatamente como ela, como se o seu mundo se apresentasse de súbito pleno de promessas de coisas novas e maravilhosas. Entrou na sala e sentou-se calmamente no sofá enquanto Anne se mantinha de pé na ombreira da porta, observando a carruagem que levava James. Quando desapareceu de vista, a criada fechou a porta e Anne entrou na sala como que hipnotizada.
– Ufa! – Afastou o cabelo do pescoço e ergueu-o um momento, deixando-o cair casualmente sobre os ombros. – Aquele homem é…bom, é incrível – comentou a título de explicação.
Não conseguia acreditar no que acontecera entre eles durante a noite. A sua primeira vez com Stephen, que sempre havia considerado o primeiro e único amor da sua vida, tinha sido alegre e divertida mas sem dúvida entediante comparada com a que passara com James.
Aparentemente, sem se dar conta do que estava a fazer, esfregou repetidamente a mão entre os seios, como se lhe doesse o coração.
– Estás bem? – perguntou Maggie.
– O quê? – retorquiu Anne, imersa nos seus pensamentos. Ergueu o rosto e detetou o olhar preocupado de Maggie. – Oh, sim! Estou melhor que bem. E tu?
– Também diria isso mesmo. Adam tem-se mostrado muito apaixonado.
– E tu, o que sentes por ele?
– Bem, também diria que estou apaixonada. É tudo o que tu e a minha mãe me diziam que podia ser e um pouco mais.
– Que maravilha!
Anne sentou-se ao lado dela e Maggie reparou que a amiga tremia um pouco. Estendeu o braço e agarrou-lhe na mão.
– O que foi? – quis saber Maggie.
– Ele vai manter-me. Saiu agora para tratar de uma papelada e criar um fundo fiduciário para mim. Será meu e nunca mais poderá recuperá-lo, aconteça o que acontecer.
– Oh, Annie. Sinto-me tão feliz por ti – proferiu Maggie estendendo os braços e abraçando-a o mais fortemente que conseguiu.
– Sim, mas é mais do que o dinheiro. Só que ele é tão… tão… – Incapaz de encontrar as palavras certas, engoliu em seco, sufocando a emoção que a percorria. – Sinto-me tão feliz.
– Também eu!
Embora por um breve segundo, Maggie sentiu uma terrível picada de ciúme por James se preocupar tanto com Anne que se dispusera a fazer aquilo por ela. Maggie abafou o pensamento mal lhe ocorreu. Ficaria feliz por Anne; ficaria feliz por si própria. O que quer que Adam optasse por lhe dar no final, seria mais do que tivera no início.
– Como foi com Adam? – inquiriu Anne. – Ele não estava muito zangado contigo, pois não?
– Digamos que me daria um beijo de despedida igual – respondeu, apontando para o hall de entrada, onde James beijara tão apaixonadamente Anne aos olhos de todos – se tivesse um pouco mais do talento dramático de James.
Anne recostou-se no sofá duro, respirou fundo e expeliu o ar.
– Sinto-me como se estivesse a viver um sonho. Ou como se o mundo tivesse tombado de lado.
– Nem parece real, pois não?
– Não. Quer dizer, ontem não conseguia pura e simplesmente imaginar o que seria de nós. Agora, vinte e quatro horas depois tudo se compôs.
– Certamente não vou pensar demasiado no assunto, porque, se for um sonho, não quero acordar.
– Também eu não – concordou Anne.
Nesse momento, soou uma pancada na porta de entrada e Maggie, desacostumada de voltar a ter criadas, levantou-se para ir abrir, mas a criada chegou primeiro. O hall era suficientemente pequeno para permitir que ouvissem todas as palavras pronunciadas, mas a mulher deixou o indivíduo à porta e entrou na sala, transmitindo a mensagem como se vivessem numa mansão e não a tivessem ouvido.
Entregou um envelope a Maggie.
– É um mensageiro do duque de Roswell. Ele diz que aguarda uma resposta.
A mulher devia ter trabalhado muito tempo para o marquês, pois, obviamente, não estranhou nada receber uma mensagem de uma personalidade tão importante. Maggie não permitiu que visse como o momento era constrangedor para ela.
– Isto levará apenas um minuto. Pede-lhe que espere, sim?
A criada dirigiu-se à porta e ficou ao lado do mensageiro enquanto Maggie lia o texto.
Anne inclinou-se, tentando espreitar.
– O que diz? – sussurrou.
– Ele quer ver-me.
– Indica o motivo?
– Não e não consigo imaginar o que possa querer.
Maggie pensou nas inúmeras vezes ao longo dos anos em que circunstâncias terríveis haviam levado Rose a engolir o orgulho e a pedir-lhe ajuda. Nada de muito importante, apenas dinheiro para a renda ou para comida. Uma vez para medicamentos, quando Maggie apanhara uma gripe horrível. Rose escrevera-lhe por duas vezes quando estava às portas da morte, preocupada somente com o futuro de Maggie. Em todos esses anos nunca recebera uma resposta e muito menos auxílio.
– O que vais dizer-lhe? Precisas de um minuto a sós para refletir?
– Não. É fácil. – Maggie levantou-se e dirigiu-se à porta, fitando o mensageiro. – Não tenho resposta.
– O quê? – surpreendeu-se o indivíduo que perdeu o fôlego, mas logo se recompôs depois de engolir em seco. – Peço desculpa, miss – acrescentou em seguida, visivelmente nervoso e fazendo rodar o chapéu entre as mãos –, mas não posso regressar até junto de Sua Senhoria sem uma resposta.
– Então, pode dizer-lhe que é esta a minha resposta: nunca. Nunca me encontrarei com ele. Pode ainda dizer-lhe que considero o convite extremamente ofensivo e demasiado tardio.
Deixando-o de pé e com o chapéu na mão, fechou a porta. A criada ergueu as sobrancelhas quase até à linha do cabelo. Anne que conhecia perfeitamente os sentimentos de Maggie em relação ao pai quase não reagiu.
Maggie regressou ao salão e sorriu para quebrar o ambiente de tensão enquanto se dirigia a Anne:
– O que podemos fazer para nos divertirmos antes que Adam e James voltem para o jantar?