Meu Único Amor

Cheryl Holt · Capítulo 31 de 31

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Meu Único Amor

Epílogo

 

Adam sentava-se atrás da secretária. Lá fora, estava um belo dia de julho e as rosas dos jardins atrás do seu escritório na mansão dos Belmont enchiam a divisão com o seu delicioso perfume. Havia muito trabalho a fazer, mas aparentemente não conseguia terminá-lo. Até ao momento só abrira duas das cartas – uma de James e outra de Harold Westmoreland – mas não conseguira concentrar-se o suficiente para ler as restantes.

Era um dia para recordar, não para trabalhar. Dois anos antes, Charles tinha sido atingido a tiro e eliminado enquanto protegia Maggie de uma bala assassina. No verão seguinte, ele e Maggie tinham-se casado numa cerimónia simples a que só assistiram algumas pessoas. James e Anne, a sua tia Vinnie, Grace Stuart e os seus filhos.

Sentia-se como sempre maravilhado pela velocidade com que as coisas podiam mudar para melhor. Ele e Maggie viviam uma felicidade maravilhosa. Rose desenvolvia-se rapidamente e qualquer dia teria um novo irmãozinho ou uma irmãzinha. A sua relação com James estava mais sólida do que nunca e a amizade com Anne tornara-se forte e inabalável. Grace Stuart tinha-o finalmente conquistado com a sua elegância e suave requinte e não conseguira evitar a crescente ligação que sentia com os filhos dela, que eram alegres, divertidos, adoráveis e muito parecidos com James em todos os aspetos.

Embora não tivesse feito as pazes com Penelope e não o esperasse, ele e Harold haviam conseguido encontrar uma placa de entendimento, aceitando o que acontecera. Harold chegou mesmo a fazer visitas ocasionais enquanto se esforçava a contragosto por estabelecer uma relação com Maggie. Era divertido observar os dois a andar às voltas, tentando encontrar uma forma de lidarem um com o outro.

Adam queria pensar que tinha contribuído um pouco para os unir, mas sabia que isso não era verdade. Tudo se devia ao bebé Rose. Harold vira a criança uma vez e apaixonara-se imediatamente pela miúda encantadora. Ninguém era imune, nem mesmo o nobre duque de Roswell.

Nesse momento, uns passinhos ecoaram no corredor e Rosie entrou, uma trouxinha de energia com dois anos. Sempre que a fitava, sentia uma tal onda de amor que os olhos se enchiam de lágrimas e o coração lhe doía por saber que ela era tão preciosa e era sua filha.

– Papá, papá – gritou a menina alegremente ao vê-lo. Correu na sua direção de braços erguidos e ele não conseguiu evitar o pensamento de que era a menina mais bonita de toda a Inglaterra. Com o cabelo loiro-palha aos caracóis, emoldurando o rosto angelical, as bochechas rosadas e os olhos violeta, parecia uma adorável boneca de porcelana.

– Olá, docinho – disse, levantando-a do chão e encostando-a ao peito. – Como está a minha linda Rosie esta manhã?

– Poni… – disse ela, olhando por cima do ombro dele e apontando lá para fora.

– Vamos a caminho dos estábulos – explicou a governanta e Adam assentiu com a cabeça.

A miúda adorava cavalos e, como tinha todos os empregados das cavalariças na palma da mão, ia passear todas as manhãs e os homens revezavam-se para a sentar em cima das éguas mais calmas.

– Onde está a tua mamã, miss? A dorminhoca continua deitada? – perguntou Adam, o que levou Rose a dar-lhe pequenas palmadas nas faces com as mãozinhas.

– Cama… cama… – disse a menina.

Depois continuou a tagarelice, que só Maggie parecia entender, até ter acabado qualquer história que estava a contar e contorceu-se no colo do pai para que a pusesse no chão, impaciente por ir lá para fora. Tão rapidamente como tinha aparecido, desapareceu através das portas e correu para o quintal, avançando a tal velocidade que a pobre governanta mal conseguiu acompanhá-la. Adam seguiu Rose até ao exterior e encostou-se à balaustrada, observando-a a afastar-se com um enorme sorriso estampado no rosto.

Mal a filha desapareceu da sua vista, pegou nas duas cartas que se encontravam na secretária e subiu ao andar de cima para ver se Maggie estava acordada. Ela estava a chegar ao final da gravidez e extremamente inchada por esse motivo. Embora se sentisse como uma baleia encalhada e pensasse que parecia uma, ele achava-a um espanto e a alegria que retirara por vê-la aumentar de volume ao longo dos meses nunca diminuiu. Aos olhos dele, Maggie ficava mais bonita a cada dia que passava.

Sabendo como ela se sentia cansada, espreitou para o quarto de casal, preparado para entrar nos bicos dos pés, mas Maggie já estava sentada, encostada confortavelmente às almofadas e a tomar o chocolate da manhã. Apresentava-se nua sob o lençol que lhe moldava os seios fartos e o estômago volumoso.

– Bom dia, preguiçosa – saudou ao deparar com o sorriso de boas-vindas.

– Também fingirias preguiça, caso não fosses capaz de virar-te de lado sem ajuda. – Parecendo totalmente esgotada com a sua situação, acrescentou: – Gostava de levantar-me, mas nem à beira da cama consigo chegar e portanto resolvi ficar deitada o dia inteiro.

Adam riu e foi sentar-se ao lado dela, beijando-a ternamente.

– Podia pensar em algumas coisas para te ajudar a passar o tempo.

Com os olhos a brilharem muito, Maggie perguntou:

– Onde está a Rose?

– Foi visitar os cavalos.

– Ooh, então temos pelo menos uma hora para nós. É melhor aproveitámo-la ao máximo, não achas?

Fez uma tentativa para se mexer e arranjar-lhe espaço ao lado dela, mas, no preciso momento em que o fez, Adam reparou que ela esfregava o fundo das costas.

Inclinou-se mais para diante e pôs-se a massajar o sítio onde Maggie tinha posto a mão.

– É aqui? – inquiriu.

– Sim.

– Estás com dores?

– Algumas.

– Achas que pode ser hoje o dia?

– Talvez – respondeu, descontraindo-se gradualmente, à medida que ele continuava a massajá-la.

– Nada de jogos de cama, sua diabinha insaciável – ralhou, dando-lhe uma palmada no traseiro, antes que ela se pusesse novamente de costas. Voltou a beijá-la apreciando a proximidade e o cheiro dela. – Tens medo?

– Não, se souber que estás por perto.

– Nunca sairei do teu lado, sabes isso.

– Sim, sei – concordou, achando que ele parecia mais encantador do que no dia em que o conhecera.

O amor e o cuidado familiar tinham-lhe suavizado as feições e agora as linhas do rosto eram causadas por sorrisos em vez de preocupações. Fora ela a conceder-lhe essa sensação de paz e de pertença que sempre lhe faltara na vida.

Adam dera-lhe muita coisa em troca: confiança, filhos, amizade, segurança. E Maggie nunca se cansava de ver o amor que sentia por ela a brilhar-lhe nos magníficos olhos negros. Havia algo de maravilhoso em ter toda aquela emoção centrada em si.

– O que tens aí? – indagou, reparando pela primeira vez nas cartas que ele tinha atirado para cima da cama quando entrara no quarto.

– Notícias – respondeu num tom misterioso.

– Se forem más, não me contes.

– São boas – disse ele com uma gargalhada. – Bom, pelo menos é o que acho. A Anne não pode vir já…

– Bem, isso não me parece uma boa notícia.

– Porque – continuou Adam, sem atender à interrupção e prolongando o momento – ela e o James vão ter um bebé.

Maggie soltou uma exclamação de alegria e de surpresa.

– Repete isso! Diz-me que é verdade!

– É, e ela anda com muitos enjoos. James não quer que ela viaje durante umas semanas até o pior ter passado.

– Que maravilha! – reagiu, enxugando algumas lágrimas de felicidade que lhe tinham caído pelas faces. – Sinto-me tão feliz por ambos.

– Também eu.

– E a outra carta?

– É do teu pai.

– Agora, sei que não estás a falar verdade. Tudo o que ele possa dizer não são decerto boas notícias.

– Nesse caso, chamemos-lhes notícias interessantes.

Fez uma pausa, esperando para lhe aumentar a curiosidade e deu resultado, pois por mais que ela repetisse que não se importava com Harold, aparentemente não se continha quando ele estava em causa.

– Do que se trata? – quis saber, impaciente.

– Penelope fugiu. Com um americano.

– Oh, céus… ainda bem para ela! – aplaudiu Maggie, desatando a rir com a volumosa barriga a tremer devido ao esforço. – A pobre rapariga ia no terceiro noivado. O primeiro noivo, Adam, abandonara-a. O segundo tinha morrido num acidente antes de vir da Jamaica para a conhecer. O terceiro… bom… – Aquele conde que o pai lhe arranjou tinha para aí uns sessenta anos.

– Sessenta e três – anuiu Adam.

– O pai deve estar fora de si.

– Mais do que isso. Vem até cá para uma visita prolongada. Diz que quer passar mais tempo junto da sua filha ajuizada.

– É bom saber que me aprecia mais – comentou sarcasticamente – embora só o tivesse conseguido por ele haver decidido que a Penny é louca. – Sentiu mais uma dor nas costas e esfregou-as distraidamente, pensando em todas as mudanças e em todas as boas-novas. – Importas-te de ir buscar o meu roupão? – perguntou. – Acho que vou tocar a campainha para me prepararem um banho. Se isto continuar, tenho de me despachar, antes que venha a sentir-me pior.

– Claro – anuiu Adam, dirigindo-se à cadeira que estava no outro lado do quarto e pegando no roupão pendurado na parte de trás. – Vou chamar Gail.

Quando se virou, uma brisa matinal entrava através dos reposteiros, banhando o quarto com uma estranha luz amarelada. Na cama, Maggie apresentava-se envolta num halo. Puxara o lençol para trás, revelando as curvas da gravidez. Tinha o cabelo encaracolado caído sobre os ombros e a mão pousada no ventre volumoso. O anel de ametista que lhe oferecera quando tinham ficado noivos – o anel que trouxera no bolso durante meses – reluzia em tonalidades roxas pelo quarto. Era a única coisa que ela estava a usar.

Maggie ergueu o rosto para o sítio onde Adam se conservava muito quieto e não foi capaz de dominar um ar assustado devido à expressão invulgar do seu rosto.

– O que se passa?

– É muito estranho, mas costumava sonhar com este mesmo momento – respondeu ele, aproximando-se e voltando a sentar-se em cima do colchão. – Quando estávamos separados… costumava sonhar contigo. Fechava os olhos e via-te assim, aqui no meu quarto em Belmont, grávida e cheia, com o sol da manhã colorindo a tua pele e tendo apenas esse anel. – Levou a mão dela aos lábios e beijou-a.

Baixou os olhos para o ventre de Maggie e prosseguiu:

– Inclinava-me e beijava-te aqui. – Acariciou-lhe o ventre, colando os lábios à pele quente. – E o bebé dava um pontapé contra a minha boca.

Os dois riram quando a criança, esperando com impaciência para sair, fez exatamente isso.

A mão dele continuava pousada no ventre dela e Maggie tapou-a com a sua e quis saber:

– Como acabava o teu sonho?

– Assim – disse ele – passeando o olhar pelo quarto e reparando que a luz amarela peculiar tinha desaparecido e tudo parecia ter voltado à realidade, com nós os dois juntos. Contudo, ficava sempre triste quando acabava.

– Porquê? – incitou ela meigamente.

– Porque sabia que se conseguisse alcançar esse momento na minha vida, seria feliz durante o resto dos meus dias, mas ignorava como fazer que acontecesse.

– No entanto, realizou-se em todos os aspetos – disse com um sorriso ante o brilho que os olhos dele emitiam. – Não é um sonho.

– É sim – insistiu ele. – É um sonho tornado realidade.

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Cheryl Holt

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