Meu Único Amor
Capítulo 15
Maggie recostou-se na cadeira e varreu com os olhos o restaurante a abarrotar. Como sempre, era uma experiência inebriante sair em público pelo braço de Adam. A própria personalidade do indivíduo e a posição que ocupava na alta sociedade tornava-os um espetáculo onde quer que fossem. Homens perscrutavam-lhe os seios, o cabelo, as nádegas, em busca de alguma pista sobre o tipo de favores que prodigalizava a Adam para ganhar e merecer as suas atenções. Mulheres sussurravam por trás dos leques, imaginando cheias de ciúmes as coisas deliciosamente horríveis que Maggie tinha feito para conquistar um lugar ao lado dele.
Adam treinara-a logo de início, dizendo-lhe como seria e o que devia fazer para aliviar o nervosismo e lidar mais facilmente com a situação. Maggie sempre aprendera sem problema e descobrira de imediato como manter a cabeça erguida e o chão firme sob os pés, mas por vezes era assustador. Como nesse momento em que sentia todos os olhares pousados nela, quando apenas entornara um pouco de vinho na frente.
Sem querer olhar para baixo, mas sabendo que devia fazê-lo, fixou os seios no preciso momento em que uma longa e fina linha de vinho tinto desaparecia no decote.
– Queres que resolva o problema? – ofereceu-se Adam.
Intimamente em sintonia com qualquer pormenor que lhe dissesse respeito, ele inclinou-se e passou a ponta da língua pelo lábio superior, sem deixar dúvidas sobre como gostaria de fazê-lo.
– És terrível – acusou Maggie, virando um pouco a cabeça e encontrando-o muito próximo dela.
Podia ver a dilatação das pupilas, as suaves manchas douradas em torno das íris, a curva das compridas pestanas. Mesmo passados dois meses, ainda lhe tirava o fôlego sempre que olhava para ele.
– Não consigo controlar-me – disse ele.
– Aproxima-te um pouco mais, sim? – sussurrou.
– Com todo o prazer – anuiu, mudando de posição e ela imitou-o.
– Assim. É melhor.
Um vaso com uma planta protegia-os do olhar direto de muitos e Maggie virou-se para que ele pudesse lamber a mancha furtivamente.
– Céus! Quem me dera ser o teu guardanapo! – gemeu Adam.
Maggie corou de imediato. Quase não se tinham visto durante a semana anterior e iriam para a cama assim que acabassem de comer.
– Deixa de me olhares assim.
– Assim como?
– Como se quisesses devorar-me.
– Quero devorar-te.
– Adam! – exclamou, sentindo as próprias orelhas afogueadas. – Estás a fazer-me corar.
– Adoro quando coras.
– Mas eu não – disse ela quando o seu hálito quente lhe fez cócegas na orelha, roçando o cabelo e dificultando o raciocínio. – É indecoroso. Toda a gente pensará que somos…
– Somos o quê? – perguntou, tentando parecer inocente. – Amantes?
Maggie corou ainda mais se possível e ele encurtou a distância que os separava. Embora se encontrassem num sítio público, a jovem tinha os seios encostados ao braço dele. Os seus olhos, enormes e redondos, a boca macia estava a centímetros. Adam necessitou de cada partícula de autocontrolo para não tocar nos lábios apetecíveis.
Descobrira que o desejo era algo interessante. Com a pessoa certa, aumentava em permanência. Independentemente de estarem separados ou do que fazia, não conseguia deixar de pensar nela e contava os minutos e as horas que faltavam para se lhe juntar na cama. Era só nisso que pensava e sentia-se um homem possuído. Se não a conhecesse bem, diria que lhe fizera magia. Estava enfeitiçado.
– Amantes… sim – concordou ternamente.
– Senti a tua falta. Ainda não podemos ir embora?
Maggie olhou para o lado oposto da mesa, onde Anne e James continuavam sentados, com as cabeças unidas, rindo como duas crianças. Enquanto as responsabilidades de Adam faziam com que apenas visitasse ocasionalmente a casa deles, James tornara-se uma presença constante na mesma. Isento da pressão causada pelas reuniões e pelos compromissos de Adam, James estava geralmente livre para dispor do seu tempo como quisesse. E era óbvio que queria passá-lo junto de Anne.
Maggie não se importava nada com isso. James tinha-se tornado um bom amigo e não conseguia imaginar o sossego que reinaria na casa se ele não a colorisse com a sua presença.
– Não, não podemos – respondeu num tom firme. – Seria indelicado sairmos antes de eles acabarem de comer.
Adam fitou nervosamente o irmão, e em seguida Anne, a quem nunca se afeiçoara muito. James encontrava-se totalmente apegado a ela, mas sempre fora assim. Nunca fazia nada pela metade e era típico da sua natureza ter-se metido de cabeça na relação. Nada havia de mal, pensou Adam, desde que o irmão não esquecesse os limites impostos por quem ele era e quem ela era.
– Eles nem vão reparar que nos fomos embora – insistiu.
– Reparo eu – disse Maggie suavemente, dando-lhe uma leve pancada no braço. – Acaba de beber o vinho e pensa… – sussurrou o resto – … no que faremos quando chegarmos a casa.
Adam ficou imediatamente duro como uma rocha. Só de ouvir aquela voz rouca, observar os movimentos dela, cheirar o perfume, fazia com que se sentisse novamente um garoto. Esticando-se um pouco, tentou aliviar a tensão das virilhas.
– Vais ser a causadora da minha morte, miúda. Tenho a certeza.
– Tentarei ser moderada contigo.
Quando James e Anne deram a refeição por terminada e se mostraram dispostos a ir embora, passara meia hora. Saíram todos juntos. James e Anne anunciaram a sua intenção de andar um pouco a pé e visitarem uma loja nova que abrira recentemente. Adam virou Maggie na direção da esquina onde a sua carruagem esperava, mas algo fê-lo parar. Todo o seu corpo enrijeceu e Maggie ergueu o rosto, interrogando-se sobre o motivo. Apenas viu uma mulher mais velha e elegante que se encaminhava na direção deles pelo braço de um homem jovem que se parecia o suficiente com ela para ser seu filho.
Maggie olhou de relance para Adam. O rosto dele era uma máscara gelada, tinha o corpo retesado e não duvidou que tremia de raiva.
– O que se passa? – inquiriu baixinho.
– Nada. Vamos.
Pegou-lhe no braço para a fazer avançar, mas a voz de James deteve-os.
– Grace? É você? Bem me pareceu.
James passou a correr junto deles, agarrou nas duas mãos da mulher e beijou-lhe a face.
– Jamie! Que bom voltar a ver-te.
Maggie observou a cena, examinando sub-repticiamente a mulher mais velha. Era alta e esbelta, com um sorriso amistoso e olhos azul-claros. Dava a sensação de que o cabelo havia sido loiro-palha, mas há muito que adquirira um tom prateado. Provavelmente, tinha sido bastante atraente quando era mais nova e continuava a ser.
A mulher retomou a palavra com uma voz calma e sedosa.
– James, este é Henry, o meu filho mais novo. Acho que nunca se conheceram. Ele acaba de chegar de Viena.
– É verdade. Foi para lá estudar música – lembrou-se James.
– Olá – cumprimentou o homem mais novo com um sorriso e estendendo a mão. – Fico feliz por finalmente te conhecer.
«Que estranho!», pensou Maggie. Mas com as suas compleições altas e esguias e o cabelo ruivo, Henry e James pareciam-se o suficiente para serem irmãos.
– E quem é essa? – indagou Grace, centrando a atenção em Anne.
– É a minha boa amiga Anne Porter.
Grace examinou-a de alto a baixo e os olhos frios pareceram assimilar todos os pormenores. Fixou o olhar em James e disse com um sorriso:
– Encantadora, James. Bastante bonita. Fico feliz por ti.
James deslocou-se para dar um beijo ao de leve na face de Anne e o movimento deu lugar a que Grace e Adam se vissem subitamente de frente um para o outro.
– Lorde Belmont – cumprimentou Grace num tom frio.
– Miss Stuart – correspondeu ele, colocando uma ênfase estranha e especial na palavra miss. – Vamos – disse, apertando firmemente o braço de Maggie.
– Adam… – protestou Maggie, quando ele deu um passo. Não estivera preparada para avançar e quase tropeçou. Ele não abrandou o passo, limitando-se a agarrá-la com mais força, conduzindo-a em torno do quarteto na direção da sua carruagem. Maggie ainda conseguiu dar um olhar de desculpa a Grace de passagem e murmurar: – Sinto muito.
– Não tem importância, querida – sussurrou Grace, conseguindo dar-lhe uma pequena palmada no ombro.
Que expressão era aquela nos seus olhos? Pena? Comiseração? Arrependimento?
Não houve tempo para tirar mais conclusões, pois tinham chegado à porta da carruagem. Adam quase a empurrou para o interior e juntou-se-lhe com uma pancada tão forte da porta que a fez saltar no assento. O bater raivoso do seu punho no tejadilho fez com que os cavalos arrancassem tão rapidamente que Maggie teve de se agarrar a uma correia a fim de não deslizar para o chão.
Não falaram durante a curta viagem de regresso a casa. Maggie enroscou-se no canto mais afastado, observando Adam pelo canto do olho. Ele assemelhava-se a um gato selvagem, prestes a atacar e a descarregar a sua raiva em algo – ou em alguém – e Maggie não queria ser a vítima. Era preferível aguardar até que a tempestade, fosse ela qual fosse, tivesse passado.
Chegados a casa, desceram da carruagem em silêncio e foram direitos ao quarto dela, onde Adam começou imediatamente a despir-se, amontoando a roupa numa pilha com gestos de raiva. Ergueu o rosto uma vez, notando que ela continuava toda vestida e de pé enquanto ele ficara apenas com as calças.
– Despe-te – ordenou num tom brusco.
– Como quiseres.
Ainda preocupada com a ideia de que pudesse atacá-la, caso dissesse as palavras erradas, movimentou-se cautelosa mas rapidamente, apressando-se a tirar os alfinetes do chapéu e em seguida do cabelo, deixando que os macios caracóis tombassem em cascata sobre os ombros.
Soou uma pancada na porta e Gail enfiou a cabeça.
– Sai! – gritou Adam sem dar tempo a que a criada perguntasse se precisavam de alguma coisa. Ela fechou a porta e afastou-se a correr.
– Realmente, Adam! – censurou Maggie. – Isso foi desnecessário. – Ele voltou-se e brindou-a com um olhar furioso, mas ela não vacilou. – Não sei porque estás tão irritado, mas não deixarei que grites com os criados.
– Falo-lhes como me apetecer.
Maggie achou que ele estava a agir como uma criança mimada e dirigiu-se-lhe com uma voz que deixava transparecer a sua indignação:
– Não, na minha casa, não falarás.
– Esqueces-te de uma coisa, Maggie. Esta é a minha casa, não a tua, e os criados trabalham para mim.
Adam não sabia o que o levara a dizer aquilo, pois considerava a casa como sendo de Maggie em todos os sentidos. Tão-pouco tinha o hábito de levantar a voz para as pessoas que o serviam. Apenas ficara perturbado depois de ver Grace Stuart.
– Que coisa horrível de me dizeres! – insurgiu-se Maggie. – Aquelas palavras tinham feito com que ela própria se sentisse uma criada. Fez um gesto na direção da porta: – Acho melhor que te vás embora.
– Não aceito ordens tuas.
– É pena, porque já não te quero aqui e aparentemente não tens bom senso suficiente para te ires embora de livre vontade. Sai!
– Não sairei até obter o que vim buscar.
Maggie quase estourou de uma raiva que superou repentinamente a dele:
– Achas que me deitaria contigo agora?
– Sei que o farás.
– É melhor que penses duas vezes. Mas que raio te passou pela cabeça?
– Não permitirei que uses esse tipo de linguagem na minha presença.
– Não sou tua mulher e falarei como diabo me apetecer.
Adicionou o segundo palavrão só para o enfurecer ainda mais, o que sem dúvida resultou.
– Tens razão. Não és minha mulher; és minha amante. Comprada e paga. Agora, tira a roupa!
– Sei que estás habituado a estalar os dedos e a ver toda a gente a obedecer aos teus desejos, mas temo não fazer parte desses lacaios que cumprem cegamente os teus desejos.
Com a maior calma possível virou-lhe as costas, sentou-se no banquinho do toucador e começou a escovar o cabelo. Sentia a presença dele nas suas costas, qual barril de pólvora prestes a explodir.
Adam estava louco de raiva. Desconhecia o motivo que o levava a discutir com Maggie; ela encontrava-se simplesmente ali e disponível e ele precisava desesperadamente de dar vazão a toda a raiva que o consumia. Pegando-lhe no pulso e arrancando-lhe a escova de cabelo da mão, disse:
– Vem.
Maggie soltou-se e pôs-se de pé, derrubando o banquinho.
– O que é que essa mulher, Grace Stuart, representa para ti?
Adam respirou fundo, nitidamente surpreendido por ouvir o nome da mulher nos lábios de Maggie.
– Não é da tua conta.
– Que coisa inimaginável! Encontramo-la na rua, ela cumprimenta com delicadeza e a sua mera presença transforma-te num lunático enfurecido. Diz-me o que te fez para que só de a veres fiques nesse estado.
– Ela não me fez nada.
Virou-se, surpreendido pela onda de tristeza que o invadiu, e parecia ter começado nos bicos dos pés para se espalhar de forma inquietante por todo o corpo, consciencializando-o de que se alojaria perto do coração.
Antes de ele se virar, Maggie apercebeu-se da expressão desesperada que o olhar transmitia.
– Não sou estúpida, Adam. Por favor, não me trates como se o fosse – pronunciou num tom mais suave.
– Nunca te achei estúpida – ripostou, sem se voltar para a enfrentar.
– Então, fala comigo – disse, transpondo o passo que os separava e pousando a mão no meio das costas dele. – Conta-me o que se passa para que entenda toda a tua irritação.
– Não estou irritado contigo.
– Foi a sensação que me deste.
Adam respirou fundo novamente e os ombros subiram e desceram movidos pela dor de qualquer luta mais profunda. Maggie sentiu vontade de o abraçar e oferecer-lhe conforto, mas não estava disposta. Só quando ele lhe explicasse o que se passava.
– Ao vê-la, lembrei-me… – Parou e levou a mão à testa, esfregando a fonte onde sentia o latejar que em breve se transformaria em enxaqueca. – Fez-me pensar em ti e no erro que cometo em estar contigo. Envergonho-me de mim e sinto-me furioso pelo meu fraco sentido ético. Não quis descarregar em ti – acrescentou com um suspiro.
Nada do que ele pudesse dizer a surpreenderia mais. Engoliu em seco quando ele se virou para enfrentá-la, desejando ter mais tempo para se recompor.
– Tens vergonha de mim?
– Não de ti. Apenas do que fazemos. É errado envolver-me contigo quando estou tão perto de casar, mas nunca fui capaz de controlar-me no que te diz respeito. Desejava-te e tinha de te possuir, mau grado as consequências. Bom, sei perfeitamente quais são as consequências, ou serão. – Ao dar-se conta da perturbação dela, estendeu a mão num gesto de súplica, esperando que a aceitasse. – Peço desculpa.
Maggie fitou a mão estendida, mas não lhe pegou. Em vez disso, levantou o rosto na sua direção.
– E essa Grace Stuart lembrou-te de como é vergonhoso estares comigo?
– Ela era amante do meu pai.
Deixou pender a mão e dirigiu-se à cama onde se afundou pesadamente no macio colchão de penas.
– E então?
– Ele sustentou-a durante a maior parte da minha vida. Ela destruiu a nossa família.
– Como assim?
– O meu pai não parava em casa. Odiava-me e odiava o James. Acima de tudo, odiava a minha mãe. Nos últimos anos da sua vida, nem sequer o víamos. Ele ostentava-a à nossa frente em todos os sítios. Mesmo depois da morte dele, a situação não mudou e sempre que a encontro, lembro-me do que ela fez.
– O que fez?
– Destruiu a nossa família.
– Ah sim? Presumo que o teu pai não teve nada a ver com o assunto?
– O que queres dizer?
– Bom, era ele que a mantinha. Duvido que o forçasse. Deve ter havido um motivo que o levou a concordar.
– Claro que houve! – explodiu Adam com um ar de desdém. – Ele dizia que a amava! Que era o amor da sua vida! Consegues imaginar a humilhação que a minha mãe sofreu ao ouvir isso? – Levantou-se ao mesmo tempo que as recordações ateavam a fornalha de raiva que ardia no seu íntimo. – Ele deu-lhe uma casa, uma fortuna, filhos…
– Ah… isso explica tudo. Henry é teu irmão. Achei que se parecia com o James.
– O filho dela não é meu irmão.
– Como lhe chamarias nesse caso?
– É um bastardo do meu pai. Nada mais. Por mais do nosso dinheiro que Miss Stuart gaste na sua educação em Viena para o polir um pouco, ele não será mais do que o filho ilegítimo de um nobre.
– Entendo. – Maggie respirou fundo, deixou sair o ar, e repetiu. Engoliu em seco duas vezes. A discussão aproximava-se de uma fronteira que não ousavam atravessar. O assunto tocava-lhe demasiado no coração. Dessa vez, foi ela a virar-lhe as costas. Dirigiu-se ao toucador, pegou na escova de cabelo que ele atirara para cima dele e percorreu distraidamente o cabo com o polegar. – Acho que deves ir embora, Adam.
– Parece-me boa ideia.
O silêncio no quarto tornou-se de repente insuportavelmente opressivo. Maggie sentiu dificuldade em respirar e, quando ele abriu a boca para voltar a falar, quase correu na sua direção para lhe tapar os lábios e impedir que as palavras se soltassem. Mas não o fez. Em vez disso, manteve-se rígida e em silêncio, aguardando.
– Como sabes – disse ele –, amanhã vou passar duas semanas ao campo. Penso que talvez quando voltar, devamos… quero dizer, talvez devamos tomar algumas medidas relativamente a ti.
– Sim, talvez tenhas razão. – As lágrimas que tinha retido afloraram à superfície. Pressionou as pálpebras com os dedos para impedir que lhe corressem pelas faces. Mal as controlou, virou-se para ele. – Sabes, eu própria sou uma bastarda. A mera filha ilegítima de um nobre e nunca serei mais do que isso.
Teve o prazer de ver Adam estremecer com o choque daquela revelação.
– Maggie… eu não sabia…
– Claro que não, mas estás certo. Somos uma classe desprezível e estou certa de que tem sido horrível para ti misturares-te com gente da minha laia. Ignorava os teus sentimentos em relação ao meu género de pessoa, caso contrário já te teria informado, poupando-te a toda a situação. – Ele deu um passo na sua direção, mas ela recuou. – Não me toques! Vai-te embora! – Voltou as costas e sentou-se novamente, começando a escovar o cabelo como se nada se tivesse passado.
Adam ficou consternado, interrogando-se como tudo chegara a um estado tão deplorável. Nunca desejara magoá-la, mas não estava disposto a pedir desculpa. Grace Stuart e os seus filhos bastardos tinham destruído a família de Adam. Existia sempre a hipótese de que Maggie fizesse o mesmo, caso não se controlasse e ao seu indomável desejo por ela.
Ele era um homem forte, sempre o tinha sido, e sabia como agir de forma adequada, independentemente de as suas atitudes contrariarem o bom senso.
– Como quiseres – suspirou. – Contacto-te quando voltar. Para me certificar de que tudo acabou de uma forma satisfatória.
Maggie encolheu os ombros, sentindo o peso do mundo sobre si.
– Não te incomodes por minha causa. Tenho a certeza de que achas que não sou digna disso.
Ouviu a porta a fechar-se suavemente nas suas costas e em seguida passos ao longo das escadas.