Meu Único Amor

Cheryl Holt · Capítulo 30 de 31

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Meu Único Amor

Capítulo 29

 

 

Adam despertou com o som de passos e de sussurros ao longo das escadas. Ao abrir lentamente os olhos, levou um momento a situar-se e a recordar que se encontrava na sala da frente da casa de Maggie. Um resquício da luz do amanhecer começava a filtrar-se através das janelas. Estava enroscado no pequeno sofá e o corpo enorme pendia desconfortável dos lados. Alguém tivera a boa ideia de tapá-lo com um cobertor. A cabeça tombara-lhe de lado e tinha um torcicolo no pescoço. Gemendo, esfregou o local dorido e endireitou-se.

Os passos aproximavam-se na sua direção. Verificou satisfeito que lá em cima reinava a calma. Estaria tudo acabado?

Após os desentendimentos e as discussões na sua mansão na tarde anterior, desfrutara de um longo jantar privado com James no seu quarto de hotel. Sorriu só de pensar em como fora maravilhoso voltar a sentar-se e a conversar com o irmão. Com a sua habitual perspicácia e o bom humor, James afastara qualquer culpa persistente que ele ainda guardasse pela forma como tratara a mãe de ambos e Penny Westmoreland.

Como James havia causticamente assinalado, Lucretia fora sempre infeliz e sempre o seria – independentemente de como Adam vivesse a sua vida ou com quem casasse. Quanto a Penny, dificilmente lhe faltariam pretendentes. Com um pouco de sorte, depois de ter passado tempo suficiente, ela perceberia a sorte que tivera em escapar a casar-se com um membro da família St. Clair. E se Harold tivesse um pico de bom senso, encontrar-lhe-ia alguém mais adequado em termos de idade e de temperamento.

Adam tinha sentido profundamente cada dia da ausência de oito meses que James fizera na sua vida e estava decidido a compensar toda a mágoa que o seu comportamento causara. Já dera ordens ao pessoal que preparasse os antigos aposentos de James para que ele e Anne pudessem ficar lá antes de partirem para a Cornualha, embora James tivesse resolvido esperar um dia antes de ocupá-los, dando a Lucretia uma oportunidade de abandonar a casa.

Sabendo até que ponto James tinha valorizado Grace Stuart, Adam jurara ser delicado com ela e até propusera conhecer os filhos – os seus meios-irmãos e a meia-irmã. James insistira que Adam nunca viria a lamentar tornar-se amigo deles. Embora Adam tivesse as suas dúvidas, guardou-as para si próprio, tencionando encarar os encontros com uma mente aberta. Estava decidido a tornar-se um homem melhor.

Adam tinha deixado James no hotel e regressara a casa de Maggie. Embora as mulheres continuassem a tentar enxotá-lo, insistindo em que não deveria estar presente, a ideia de regressar à sua desagradável mansão isenta de afeto era insuportável. Sentia-se incapaz de ficar mais tempo longe de Maggie e queria estar por perto caso ela precisasse dele.

Alguém abriu a porta da sala e invadiu-o um momento de pânico ao perceber que não tinha ouvido choro de bebé durante a noite. O parto correra bem? Maggie e o bebé estavam bem?

Nesse momento, Anne entrou na sala em bicos de pés, espreitando para ver se ele estava acordado. Arregalou os olhos de susto e pôs-se em pé de um salto.

– Já acabou?

– Já – respondeu Anne, sorrindo.

Tinha a roupa amarrotada e um ar cansado, mas parecia eufórica.

– Maggie? O bebé? Não ouvi nada…

– Os dois estão bem e a descansar – disse ela.

Os joelhos cederam-lhe repentinamente e deixou-se cair no sofá.

– Estou tão feliz…

– Ela gostava de vê-lo – informou Anne com uma leve risada. – Se estiver de acordo.

Adam sacudiu a cabeça como se saísse de uma longa e profunda hibernação. Os últimos dias tinham sido tão emocionalmente desgastantes que não estava certo de possuir energia suficiente para mais agitação febril.

– Estou tão esgotado que me sinto como se eu próprio tivesse dado à luz.

– Encare isso como um ensaio – aconselhou ela. – Imagino que vocês os dois passarão por isto muitas mais vezes no futuro e da próxima vez estará muito melhor preparado.

Havia uma pergunta naquela afirmação e Adam ergueu o rosto e contemplou os olhos cor de esmeralda, pensando em como ela era bonita e na sorte que James tivera em fazer aquela ótima escolha. Desejoso de acalmar quaisquer receios de Anne sobre as suas intenções, prometeu:

– Sim, imagino que a Maggie e eu passaremos por isso muitas mais vezes.

Um olhar de alívio estampou-se no seu rosto encantador e perguntou:

– Então, vai ficar?

– Casarei com ela, se me aceitar.

– Imagino que o aceitará, se souber jogar as cartas certas.

– Assim espero. Quero finalmente fazer o que é certo.

– Bem – começou e depois acrescentou: – Sabe que ela nunca deixou de amá-lo. Durante todo este tempo… nunca o fez.

– Obrigado por me contar – disse Adam. – Vou manter isso em mente quando estiver a desgastá-la.

Seguiu-se um momento de silêncio constrangedor que Anne rompeu:

– Por onde andará o meu voluntarioso marido?

– De regresso ao vosso hotel, mas pedi-lhe que os dois se mudassem para a nossa casa em Mayfair. Ainda hoje, se estiver de acordo.

– Tem a certeza?

– Mais do que alguma vez na minha vida. – Levantou-se e estendeu a mão. – Anne… eu… – Era difícil pronunciar as palavras, mas recusou engoli-las. Aquele era um novo dia da sua vida, um dia de mudanças e de novos começos. – Lamento tudo o que aconteceu. Desculpe as coisas que disse e fiz…

– Ora! – exclamou Anne, afastando com um gesto todo o seu desconforto e as desculpas. – Não se preocupe com isso agora. Deitámos tudo para trás das costas.

Adam estendeu a mão através do espaço que os separava e agarrou-lhe na mão.

– Sinto-me muito feliz por James a ter encontrado.

– E eu porque o encontrei – respondeu, ao mesmo tempo que os olhos se lhe enchiam de lágrimas devidas ao dia e à noite carregados de emoções. – Agora, vá até lá acima. A sua família espera-o.

– Gosto do som da palavra – disse, soltando-lhe a mão e deixando que o momento sentimental se esvaísse. – Que planos têm para a manhã?

– Eu vou para o hotel dormir umas horas e depois prometi à Maggie que voltava para lhe fazer companhia. Entretanto, pode ocupar-se disso?

– Com todo o gosto.

Pegou-lhe no braço e acompanhou-a à porta, onde uma criada a esperava com a capa. Enquanto a ajudava a subir para o coche estacionado junto ao alpendre, ficou encantado quando ela se virou e lhe deu um beijo na face.

– Ainda há esperança para si, St. Clair – disse, permitindo que o seu comportamento atrevido viesse novamente à tona.

– Há mesmo, não é verdade? – sorriu, sentindo-se leve, feliz e despreocupado.

A carruagem começou a afastar-se pelo rodado e lembrou-se de perguntar:

– A propósito… é uma menina ou um menino?

– A Maggie está à espera para lhe dizer… – respondeu de longe e ele ficou a acenar até ela desaparecer ao dobrar da esquina.

 

Maggie mexeu-se inquieta no meio das almofadas. Estava exausta, cansada e dorida, mas, ao mesmo tempo, cheia de energia. Era impossível dormir. Tinha tantas coisas em que pensar e para decidir, tantas mudanças com que lidar de imediato e em simultâneo. A primeira e a mais importante consistia em saber onde ia viver nos próximos meses. Não descansaria até a questão estar resolvida.

Não podia voltar para a casa que tinha partilhado com Charles. Passar pelo sítio onde ele morrera, sempre que entrasse ou saísse da casa, estava fora de causa. Viver com Lavinia também não era uma opção. Embora gostasse muito da mulher mais velha, a ideia de aceitar a sua caridade, quando Maggie não passara de uma impostora na vida de Charles, era impensável. E errada.

O que fazer?

Esperava que Adam a deixasse ficar ali, na sua antiga casa – pelo menos até o assunto da herança de Charles ficar resolvido. Depois, quando ela e o bebé se mudassem, teria fundos para arranjar outro local.

Durante a noite interminável, enquanto entrara em trabalho de parto tão ferozmente, Anne tinha-lhe dito inúmeras vezes que Adam se encontrava no andar de baixo. O facto de saber que ele estava perto dera-lhe conforto ao longo dos esforços para ter o bebé. Decerto que ele cuidaria dela, talvez um pedacinho, dado que se havia dado ao trabalho de trazê-la para casa e em seguida de aguardar junto dela até ao final.

Apesar do que lhe fizera, Maggie esperava que ele ainda mantivesse a memória da ligação que dantes haviam partilhado. Talvez a recordação o encorajasse a aceder ao seu pequeno pedido de ajuda.

Anne tinha prometido que enviaria Adam diretamente, mas parecia que ela se fora embora há muito tempo. A espera debilitara os nervos já fragilizados de Maggie.

– Porque está ele a demorar tanto tempo? – perguntou a Gail que espreitava da janela para a rua.

– Está a despedir-se de Mistress Anne.

– Não estão a discutir, pois não?

– Não. Na verdade, ele acabou de beijá-la na face.

– Graças a Deus! – exclamou Maggie.

A última coisa de que precisava era que ele discutisse com Anne e se exaltasse. Ele e Anne precisavam de descobrir um terreno de entendimento onde pudessem lidar um com o outro de uma forma civilizada. Precisavam muito disso.

– Ah!... – exclamou Gail. – Ela foi-se embora. Ele vem aí.

Ouviram-lhe de imediato os passos na escada. O coração de Maggie batia com força. Ele não podia recusar! Não podia mesmo!

Com um rápido olhar em redor do quarto, concluiu que tudo estava pronto. Todos os vestígios do parto haviam desaparecido. Ela tomara banho e vestira uma camisa de noite lavada de algodão. Baixou os olhos, sorriu maravilhada para o bebé adormecido nos seus braços e sussurrou:

– Como podia ele não te amar?

– Está preparada? – murmurou Gail quando Adam chegou ao topo da escada.

– Sim – respondeu Maggie assentindo com a cabeça e Gail dirigiu-se à porta, abrindo-a no momento em que ele bateu ao de leve.

– Posso entrar? – perguntou.

Gail fez-lhe uma rápida vénia.

– Mistress Maggie está à sua espera.

Com toda a delicadeza, deu a volta por trás dele e fechou a porta, abandonando-os àquele momento de privacidade.

Nos últimos meses, Maggie tinha ensaiado mil vezes aquela cena. O que diria. Como o diria. As explicações que daria. As desculpas que apresentaria. O perdão que pediria. Contudo, ao fitá-lo, sentada no meio da cama onde haviam partilhado tantas maravilhosas intimidades, todas as palavras que tinha prontas, desapareceram-lhe da mente. Apenas conseguiu olhá-lo e sorrir, maravilhada pelo facto de a simples presença dele conseguir reparar algo no seu coração partido.

– Olá – articulou finalmente.

– Olá – correspondeu.

Adam ficou de pé, sem pronunciar palavra, tentando recordar-se do discurso que preparara cuidadosamente, das desculpas que tencionara apresentar, das juras de amor e proteção que desejava oferecer, mas não foi capaz de pensar numa única coisa. Apenas conseguiu ficar a contemplar maravilhado a figura de Maggie com o seu filho nos braços.

O belo cabelo de Maggie tinha sido lavado e escovado e pendia numa cascata encaracolada sobre os ombros e as costas. As faces apresentavam um rosado saudável e o rosto ainda estava arredondado e cheio devido ao peso extra que havia transportado, os seios fartos e abundantes. Os maravilhosos olhos violeta fitavam-no com um brilho de amor e de carinho e o último tijolo da sua barreira de defesa caiu como se nunca tivesse existido.

Pensou que ela se assemelhava a uma celestial e angelical Madonna, tão bonita que lhe doía o coração só de olhar para ela. Fez um gesto na direção da borda da cama.

– Posso?

– Sim – respondeu ela com um sorriso e acariciando o lugar ao lado dela com a mão que tinha livre.

Ele aproximou-se cautelosamente e sentou-se, espreitando o pequeno rosto escondido pelo cobertor macio.

– É um menino ou uma menina?

– Uma menina – respondeu Maggie com orgulho.

– Que maravilha! – Estendeu um dedo e tocou ao de leve na borda do tecido à volta do rosto do bebé, com medo de avançar mais. – Já decidiste que nome vais dar-lhe?

– Charles e eu tínhamos pensado dar-lhe o nome das nossas mães. Rose Lavinia.

– Lindo! – murmurou. – É um nome adorável. – Inclinou-se um pouco mais para ver melhor. – Olá, bela Rose.

– Gostavas de lhe pegar? – perguntou Maggie, rindo com a expressão aterrorizada que ele deixou transparecer. – Não vais magoá-la.

– Tens a certeza?

– Sim. Ela é muito mais resistente do que parece.

– Tal como a mãe – retorquiu Adam. Nunca tinha pegado num bebé e decerto jamais pensara ser-lhe dada a oportunidade de pegar nessa criança especial.

As mãos tremiam-lhe quando estendeu os braços e Maggie depositou o leve montinho ao seu cuidado. Rose aninhou-se imediatamente contra o seu peito, como se soubesse que pertencia ali e a mais nenhum lugar e Adam não estava preparado para a surpreendente onda de emoção que o invadiu.

A filha deles. A sua filha. Os olhos encheram-se-lhe de lágrimas e forçou-se a engoli-las.

– Posso vê-la? – perguntou, indicando a mantinha firmemente enrolada e Maggie apartou as dobras para que ele pudesse ver como a menina era bonita com o seu imaculado vestido branco. – É tão pequenina – comentou, inspecionando os pés, as mãos e as perninhas – e tão perfeita.

– É, não é? – concordou Maggie, que pensara exatamente o mesmo durante as duas últimas horas, sempre que a espreitava.

Adam passou a mão pelo sedoso cabelinho loiro que cobria a pequena cabeça de Rose e a carícia fez com que o bebé abrisse os olhos sonolentos.

– Oh, sua raposinha matreira! – sussurrou espantado, apertando-a ternamente e com mais força de encontro ao peito. – Vê só que bonita és! – Já estava a imaginar os pretendentes a fazer fila, aguardando a sua vez.

Ergueu o rosto para Maggie com o olhar cheio de admiração e alegria e descobriu que ela chorava copiosamente, com lágrimas enormes e silenciosas a escorrerem-lhe pelas faces.

– O que se passa, pequenina?

– Julguei que nunca a verias – respondeu, mal sendo capaz de falar devido à vaga de emoção que a invadira ao ver Adam a pegar na filha de ambos. – Sinto-me tão feliz que tenhas…

– Também eu – disse, puxando-a para ele, enquanto as lágrimas lhe caíam sem cessar.

Quando se sentou na borda da cama, embalando-a e à filha, dispôs de muito tempo para refletir em como a vida era estranha. No facto de ter conhecido aquela adorável jovem, tê-la amado tão ferozmente para depois a perder por causa da sua personalidade rígida e inflexível. No facto de os dois haverem concebido aquela criança preciosa e também que fora necessária a morte do bondoso Charles para os reunir e levá-lo a compreender como vivera de uma forma idiota.

– Oh, Adam… – disse ela finalmente quando recuperou o controlo suficiente para falar. – Desculpa o meu estado…

– Não peças desculpa – disse, beijando-a na testa. – Passaste momentos difíceis e o nascimento de Rose é um acontecimento milagroso. Tens todo o direito a uma demonstração emocional.

– Gostas mesmo dela? – inquiriu Maggie com a esperança a brotar-lhe no coração.

– Como podia não gostar? – respondeu, baixando os olhos para a bonita criança que dormia tão calmamente nos seus braços.

– Então, posso pedir-te um favor? Não para mim, mas para a Rose?

– Podes pedir o que quiseres, querida Maggie, que desde já está concedido.

– Podemos ficar aqui? Não por muito tempo – apressou-se a acrescentar com receio de que a ideia lhe desagradasse. – Só até descobrir o estado das finanças de Charles e poder decidir para onde iremos a seguir. Prometo que não te incomodaremos. Quase não darás pela nossa presença.

– Claro que podem ficar aqui. O tempo que quiserem.

– Obrigada. Aliviaste-me muito – disse, baixando os olhos ao confessar: – Tenho andado tão preocupada nos últimos dias sobre o que nos ia acontecer. Odeio ter medo do futuro.

– Sei que tens e juro-te que não voltarás a ter motivo para te preocupares. A partir de agora tenciono cuidar bem de vocês as duas.

– Oh… Não queria que pensasses… quer dizer… – Corou de embaraço. – Nunca esperaria que tomasses conta de nós, embora fosse uma grande ajuda se pudesses ajudar-me a ficar a par dos negócios de Charles. Não faço ideia do que nos resta para sobrevivermos e ignoro como posso descobrir.

Adam suspeitava que provavelmente havia muito pouca coisa. Charles tinha sido um mestre no malabarismo de fundos e o que ele devia e o que sobrava para pagar as contas ninguém sabia. Maggie não fazia obviamente ideia das fraquezas de Charles e não estava disposto a desiludi-la, sobretudo quando a resposta não importava.

Sorriu, consciente de como ela podia ser teimosa. Nunca se considerara um homem eloquente e queria dizer as coisas certas para a convencer em relação ao seu futuro. Pegando-lhe na mão, inquiriu:

– Posso dizer-te uma coisa?

– Claro – acedeu hesitante e um pouco assustada pela expressão séria do rosto dele. Caso se tratasse de más notícias sobre a herança de Charles, achava que não conseguiria aguentar.

– Quando te conheci, era um homem diferente. Arrogante e orgulhoso, determinado e muito seguro de mim.

Maggie sorriu ao lembrar-se de como ele podia ser arrogante.

– Lembro-me.

– Um dia, quando estávamos a discutir, agora nem sequer me recordo sobre o quê, disseste que podia mudar se quisesse, mas não acreditei em ti.

– Também me lembro disso.

Maggie sorriu novamente, interrogando-se sobre onde a conversa os levaria.

– Bem, descobri que tinhas razão. Posso mudar e mudei. – Moveu-se para mais perto dela. – Quero ser feliz. É tudo o que quero e é tudo o que me interessa. E, por fim, descobri o que me dará satisfação para sempre.

– O que é? – perguntou ela.

Ela não fazia obviamente qualquer ideia do significado das palavras e ele soltou uma gargalhada ante o seu olhar consternado.

– És tu.

– Eu? – retorquiu ofegante, totalmente apanhada de surpresa.

– Sim. Tu e o bebé Rose. Se as duas partilhassem as vossas vidas comigo, tornar-me-iam o homem mais feliz do reino.

– O que estás a dizer? – perguntou Maggie, tremendo e receosa de ser otimista.

– Estou a dizer que te amo. Sempre te amei desde a primeira vez que te avistei quando estavas a dançar na areia da praia e cortaste o pé. Durante todos estes meses, nunca deixei de te amar um único instante. – Os olhos procuraram os dela, ansiando qualquer indício de uma emoção correspondida. – Amo-te, Maggie. Casas comigo?

– Oh, Adam… – exclamou, quase incapaz de respirar. Aquela era a resposta a todas as suas preces, mas não podia concordar. O próprio Adam dissera: aqueles haviam sido uns dias emocionalmente difíceis; ele não estava a pensar claramente ou nunca lhe faria tal proposta. – Não poderia – respondeu, angustiada com a ideia de ter de rejeitá-lo. – Simplesmente não poderia.

– Porquê?

– Por um lado, é demasiado cedo… com a morte de Charles há apenas uns dias…

– Concordo. Ambos estaremos de luto, por conseguinte teríamos de encontrar-nos em segredo. Poderia passar algum tempo aqui contigo e com a Rose e ninguém saberia. Seria muito discreto. Daqui a cerca de seis meses, quando o luto começar a abrandar, podíamos ser vistos ocasionalmente. Depois de passado um ano, casaríamos numa cerimónia discreta. – Antecipando a chegada de mais um protesto, acrescentou: – Um ano é um longo tempo de espera, mas, no final, o prémio valerá definitivamente a pena. Ter-te-ei e à Rose ao meu lado.

– Mas e a tua mãe?

– Não me interessa o que ela pensa. Já a mandei para o campo. Deixará de viver comigo.

– E a Penelope?

– Já falei com ela e com o teu pai. Rompi o noivado ontem.

– Então, acabou – concluiu ela baixinho, aliviada por saber que esse grande desgosto nunca aconteceria.

– Antes do mais, nunca devia ter-me metido nisso. Não foi justo para a Penny. Quando descobri sobre ti e o Charles, fiquei tão… – Fez uma pausa e passou uma das mãos pelos olhos cansados. Era inútil reavivar todas as antigas mágoas que haviam causado um ao outro. – Penny e eu fazíamos um par horrível, logo desde o início, e rompi o noivado tanto por ela como por mim. Disse ao teu pai que encontrasse alguém que cuidasse dela.

– Achas que ele o fará?

– Não sei o que ele fará. Entretanto, sou livre para passar o resto da minha vida como me apetecer. E escolho vivê-la contigo. Qual é a tua resposta?

– Não sei, Adam – respondeu, sentindo-se terrivelmente desconcertada. Tudo se processava tão rapidamente. Esperara alguma ajuda, talvez um sítio para ficar, talvez um pouco de ajuda financeira. Nada de tão monumental lhe atravessara a mente. – O que diriam as pessoas, se casássemos?

– O que interessa o que as pessoas diriam? – Agarrou-a pelos ombros e sacudiu-a ao de leve. – Anima-te, rapariga. És filha do duque de Roswell e da bonita mulher Rose Brown. Mostra alguma coragem!

– Estás a tornar tudo tão difícil!

– Como assim?

– Estás a pedir-me que tome decisões importantíssimas, sem ter oportunidade de refletir sobre elas. Sinto-me tão cansada… tão confusa…

– Eu sei, eu sei… – concordou ele, recuando. Fora arrastado por uma necessidade desesperada de que ela respondesse que sim e o seu fervor arrebatava-os. – Desculpa estar a pressionar-te desta maneira. Por agora, só preciso que me respondas a uma pergunta.

– Qual?

– Uma vez disseste que me amavas. Ainda me amas?

Como podia ele imaginar que não?

– Sim – respondeu. – Amo-te com todas as minhas forças e sempre te amarei até ao meu último dia de vida.

Adam sorriu e deu-lhe uma leve palmada na mão.

– É só isso que preciso por agora. Não te preocupes com o resto. Temos muito tempo para fazer os nossos planos. – Voltou a beijá-la na testa e, inclinando-se, beijou também Rose. – E, agora, acho que chegou a altura de vocês as duas descansarem. A Anne ficará furiosa se, quando voltar, te encontrar cansada.

Só de ouvir falar de descanso, ela começou a bocejar. Queria continuar a falar, mas sentiu-se de repente demasiado cansada para prosseguir. Saber que ele a amava, que sempre a amara, tirara-lhe um peso enorme de cima dos ombros. Toda a culpa, preocupação e medo que a invadira nos últimos dias afastou-se como o baixar da maré. Pela primeira vez desde há muito tempo, sentiu-se contente e, quando Adam lhe aconchegou a roupa, com Rose aninhada ao lado dela, não conseguiu suster um sorriso à medida que os olhos se fechavam gradualmente.

Quase a adormecer, perguntou:

– Ficas um pouco aqui connosco?

– Não desejaria estar noutro lugar – respondeu ele meigamente.