Meu Único Amor
Capítulo 5
Maggie batia com o pé ileso no chão ao ritmo da música. Um trio musical tocava num palco improvisado ao fundo do celeiro e, embora estivessem longe de serem os melhores de Inglaterra, conseguiam desdobrar-se em melodias. A multidão de dançarinos mostrava-se selvaticamente entusiasmada.
Ela queria participar, mas a maioria das danças era tão mexida que, com o ferimento enfaixado, não poderia acompanhar os outros participantes e ficaria frustrada com os movimentos das pessoas ao seu redor. Só lhe restava observar do seu lugar no banco.
Concluiu que o facto de ter crescido na cidade lhe limitara a experiência de vida, pois jamais imaginara um evento daquele género. Toda a vizinhança das redondezas da Tidewater Inn tinha sido convidada para a celebração de um casamento local na aldeia e, na verdade, parecia que ninguém faltara. Avós, crianças e gente de todas as idades divertiam-se, conversavam e comiam e também dançavam. Uma comprida mesa de bufê fora armada contra uma parede, cheia de alimentos cozidos e assados por mulheres locais.
Até então, Maggie tinha assistido a dois bailes na companhia da mãe e de George Wilburton. Embora se sentisse interessada pela novidade da ida a eventos do género, achara-os insípidos e monótonos. As conversas eram estritamente controladas, a interação entre os convidados arrogante e polida e as mulheres cruéis e venenosas com a sua coscuvilhice e insinuações.
Aquela festa era muito diferente. Todos se conheciam e não havia exigência de comportamentos ou de regras sociais entre amigos e vizinhos que se divertiam e conversavam à vontade. Observar tudo aquilo era muito agradável, mas, oh, como desejava pôr-se de pé e ocupar um lugar na fila de dançarinos. Nesse preciso momento, Anne e James rodopiaram por perto, rindo e sorrindo. Seguiu-se Aston com uma parceira gorda que o arrastara para dançar sem esperar por uma recusa. O que não daria para se juntar a eles.
Sempre que avistava Aston, ele parecia olhar diretamente para ela e para mais ninguém, como se fosse a única naquele local. Só de pensar que Aston Carrington podia ter desenvolvido um sentimento terno por ela, causava-lhe aquelas idiotas borboletas no estômago.
Apressou-se a respirar fundo, sufocando a euforia. Sempre realista, não era suficientemente idiota para pensar que existia algum tipo de futuro para eles. Dali a dois dias e meio, quando chegasse a altura do regresso a Londres, nunca mais o veria. Ele não se referira a mais tarde. Por qualquer motivo, não podia considerar um mais tarde com ela. Portanto, dispunha daqueles preciosos dias para passar na companhia dele e até agora haviam sido surpreendentes.
Compreendeu, finalmente, o calor do desejo. Entregar-se-ia a Aston sem hesitar caso ele lho pedisse, desfrutaria da sua atenção e do seu afeto sem pensar duas vezes em possíveis consequências. A premência de estar com ele em todos os sentidos era demasiado forte para ser negada e, pela primeira vez na vida, ficou contente por ter nascido mulher, por poder nutrir tal sentimento por um homem.
Adam contemplou-a através da multidão e ela era de longe a mulher mais bonita ali presente. Sentada com o seu simples vestido azul-claro e o cabelo apanhado em adoráveis cachos no cimo da cabeça, era a mulher mais espetacular que já tinha visto. Mesmo num salão de baile londrino, faria com que todas as cabeças se virassem.
O dia anterior fora o melhor da sua vida. Sentado com ela na praia, rindo e falando sobre as respetivas vidas e passados, tinha sido reconfortante. Nunca experimentara um dia assim. Não sabia que era possível desfrutar de um sentimento tão profundo de amizade com uma mulher. O seu único desgosto residia em não poder dizer-lhe quem era e isso significava que não podia revelar-lhe a verdade sobre muitas coisas. Como ansiava pela liberdade de se desafogar completamente! A ligação emocional entre ambos desafiava toda a lógica e sabia que ela compreenderia todas as pressões e forças que moldavam a sua vida e que essa compreensão poderia afastar o peso.
Como seria difícil quando se separassem dali a dois dias e meio. Não só lhe sentiria terrivelmente a falta, como o facto de a ter conhecido frustrara muitos dos seus planos para o futuro. Sempre achara que esse tipo de ligação com uma mulher era possível. Embora nunca o tivesse conhecido, acreditara que a amizade e plena confiança podiam aliar-se ao desejo e estabelecer o alicerce de um romance eterno.
Agora compreendia porque tinha evitado o matrimónio e fora incapaz de selecionar uma esposa: porque, no íntimo, aguardava o tipo de ligação que encontrara com Maggie, mas nunca encontrara com outra mulher. Que ironia do destino havê-la descoberto, compreender finalmente o que era aquilo que procurara tanto e saber que não podia tê-lo.
Uma ligação como a deles só acontecia uma vez na vida. Por mais mulheres que viesse a encontrar, jamais conheceria o elo emocional que descobrira com Maggie. O pensamento de voltar a Londres para retomar a busca fútil por uma noiva parecia-lhe mais desagradável do que nunca.
O casamento com Maggie estava posto de lado para um homem da sua posição. Ela era, afinal, filha de um comerciante. Desde que a sua ligação emocional com ela ultrapassara um intenso desejo físico, passou a querer torná-la sua amante. A jovem não tinha família a quem dar satisfações e uma relação com o marquês de Belmont só poderia beneficiá-la. Embora tivesse brincado um pouco com a ideia, sabia que não poderia fazê-lo, pois ela merecia melhor do que acabar como a concubina de um homem como ele.
A música terminou e ele acompanhou a sua idosa parceira de volta ao lugar, escapando-se a outros pedidos mais impetuosos para dançar enquanto traçava gradualmente o caminho de volta a Maggie. Acomodou-se ao lado dela, e como de todas as outras vezes que os seus corpos se tocavam ocasionalmente, quer se tratasse de coxas, ombros ou mãos, sentiu como se fosse atingido por um raio. Qualquer breve contacto acabava sempre por se refletir na sua virilha, causando um palpitar doloroso.
– Finalmente consegui escapar-me – disse.
Maggie ergueu a borda do xaile e abanou-lhe a face afogueada.
– Penso que se esqueceu de mencionar algo a seu respeito quando estávamos a conversar ontem.
– O quê? – inquiriu, cauteloso.
– É o homem de todas as senhoras. As avós do local não o largam com o olhar.
– Tenho de confessar que me desgastaram. Não consigo acompanhar-lhes o ritmo.
– Estão à espera do momento em que estiver repousado para poderem arrastá-lo de volta à pista.
– Bem podem tentar que não voltarei a fazê-lo. Fico aqui consigo. – Deslizou a mão até à dela, onde os dedos se escondiam sob as pregas da saia. – Posso repetir-lhe como está bonita esta noite?
– A sua companhia faz com que me sinta bonita.
– Está a divertir-se?
– Muito. Assisti a alguns bailes em Londres, mas ficaram muito longe deste.
A menção de Londres fê-lo contorcer-se. Qual seria a sensação de assistir a um baile e encontrá-la lá? O que acharia dele se percebesse que não era um trabalhador de Portsmouth? Abanou a cabeça para afastar o pensamento, recusando que recordações de Londres ou da sua vida lá interferissem nessa sua breve incursão na fantasia.
– Esta parece ser a melhor maneira de celebrar algo, não acha?
– Sim. Parecem todos tão felizes. – Anne e James rodopiaram novamente junto deles e Maggie suspirou. – Oh! Quem me dera poder dançar. É a única coisa capaz de tornar esta noite mais maravilhosa do que já é.
Nessa altura, os músicos iniciaram uma melodia diferente que ela nunca tinha ouvido. Era uma versão mais lenta da valsa, que estava na moda em todos os salões de dança londrinos. A noiva e o noivo avançaram até ao centro da sala, onde dançaram sós durante uns minutos no meio de aplausos e de risos. Em seguida, outros membros da família e amigos juntaram-se-lhes até a pista se encher novamente.
Adam virou-se para Maggie.
– Faria qualquer coisa para tornar a sua noite perfeita – disse, estendendo-lhe a mão. – Dance comigo.
– Como vamos conseguir?
– Deixe isso ao meu cuidado – respondeu, levantando-se e ajudando-a a pôr-se de pé.
Maggie não hesitou. Tratava-se da sua oportunidade não só de dançar, mas de apertar Aston contra o corpo, o que ansiara fazer toda a noite.
Dirigiram-se para trás do celeiro, junto às portas duplas, que tinham sido abertas para deixar entrar o ar fresco da noite, e a valsa em nada se assemelhava à dos elegantes salões de Londres, onde os parceiros giravam em círculos perfeitos ao tempo da música. Esta não era uma dança de precisão e havia pessoas de todas as idades e capacidades em torno deles. Ninguém lhes prestava atenção.
Ele inclinou-se e sussurrou-lhe ao ouvido:
– Coloque os braços a rodear-me o pescoço.
Maggie estendeu os braços e obedeceu ao mesmo tempo que sentia os dele à volta da cintura. Ele ergueu-a um pouco de forma a que os pés se levantassem um pouco do chão. As pontas dos dedos dela tocavam levemente nas suas. Ela atirou a cabeça para trás e fitou-o, gostando do sorriso que viu espelhado.
– O que pensará toda a gente?
– Não me importo.
– Então, também eu não – respondeu, brindando-o com um dos seus belos sorrisos, mostrando as covinhas do rosto. – Isto é perfeito.
– É mesmo.
Ela era uma coisinha tão pequena, leve e compacta. Enquanto a segurava de encontro ao corpo e a fitava, o resto da multidão desvaneceu-se e parecia que eram eles os únicos no local. Sentia cada centímetro do corpo feminino alongado de encontro à sua longa compleição. Estava pressionada contra ele desde os seios às coxas, e, porque não usava todos aqueles elegantes saiotes e outra roupa interior do gosto da maioria das jovens, pouco deixava à imaginação.
Tal como tinha acontecido na tarde em que a conhecera na praia, sentiu um desejo que ultrapassou a racionalidade. Desejava-a como nunca desejara outra mulher. Era preciso que ela se apercebesse da sua excitação e, por vergonhoso que fosse, não se importava. Queria mais do que tudo fletir as ancas, esperando aliviar um pouco da sua dor contra o V das coxas femininas.
Maggie achara que a noite não poderia tornar-se ainda mais fantástica, mas enganara-se. A pressão do largo tronco encostado firmemente ao dela fez com que os seios se avolumassem dolorosamente. Apresentavam-se cheios e doridos, os mamilos duros e eretos, e, embora ressaltassem contra a camisa dele, o calor que sentia não diminuiu.
Contorceu-se desenfreadamente para mais perto e sentiu o que sabia tratar-se do membro excitado dele contra o seu ventre. O facto de saber que ateava tamanho desejo elevou a sua excitação a um nível insuportável.
Por um momento inebriante, questionou-se se deveria oferecer-se-lhe. Dar a sua virgindade como presente, a fim de se lembrar para sempre que ele tinha sido o primeiro. A sua virtude não era algo que valorizasse ou guardasse para qualquer futuro marido sem nome, nem rosto. Como a mãe e Anne lhe haviam dito frequentemente, por vezes o homem certo podia surgir, mas nunca estaria disponível para casar. Era essa simplesmente a forma como o mundo delas funcionava. Não era preferível entregar-se a alguém como Aston que desejava com todo o seu ser?
Adam tentou afastar-se um pouco para quebrar o intenso contacto físico entre eles, mas, antes que conseguisse mudar de posição, Maggie rodeou-lhe os ombros com mais firmeza.
– Aperte-me mais – sussurrou.
Ele emitiu um gemido rouco e obedeceu, sussurrando por sua vez:
– Não sabe o que está a fazer-me.
– Sei perfeitamente. Não me largue.
– Não o farei.
Maggie encostou o rosto ao centro do peito masculino, pressionando o ouvido sobre o coração, onde podia escutar as batidas firmes. Fechou os olhos e aguentou enquanto Aston a fazia rodopiar lentamente em pequenos círculos ao ritmo da música. Os sons do celeiro baixaram e apagaram-se até nada mais haver para ouvir, excetuando a noite que os rodeava. Quer por acidente ou propósito, pouco lhe interessava, tinham saído a dançar do celeiro e atravessado o pátio.
A lua cheia desenhava-se no céu, brilhando tão intensamente que a propriedade parecia inundada pela luz do dia. Alguns candeeiros bem posicionados iluminavam o longo caminho até à estrada principal. Havia carruagens estacionadas dos dois lados, tanto quanto Maggie podia ver, e um par ocasional passou por perto ao entrar ou sair do celeiro. Contudo, na maior parte do tempo, viram-se sozinhos. Aston mudou-lhe cuidadosamente o peso do corpo para que o pé ileso tocasse em chão firme, mas ela equilibrou-se contra ele, adorando a desculpa para continuar próxima.
Quando Maggie ergueu o rosto e lhe sorriu, ele teve a certeza de detetar um brilho de profunda emoção nos seus olhos. Embora concordasse com James de que nem sempre era astuto quando se tratava de lidar com mulheres, conseguiu facilmente ler a mensagem. Talvez estivesse apaixonada por ele ou assim o julgasse; decerto seria típico de uma jovem como ela ter esse pensamento em relação a um homem mais velho que a inundara da atenção que ele lhe dera nos últimos dias.
A perceção de que se interessava por ele agradou-lhe, mas em simultâneo assustou-o. Estava feliz por saber que ela sentia o mesmo vínculo a atraí-los, por saber que experimentava algumas das incríveis sensações de que tudo estava certo. Contudo, também tinha medo de como ficaria magoada quando se separassem dali a uns dias. No tempo que passara ao seu lado, tivera indubitavelmente cuidado em não dar a impressão de que aquilo era mais do que um encontro de férias, mas ela era muito jovem. Havia boas hipóteses de que não entendesse.
A última coisa do mundo que desejava fazer era magoar alguém por quem sentia uma profunda consideração.
Incapaz de resistir, passou-lhe a mão pelo cabelo que parecia de um loiro-prata, sob o luar.
– Quer sentar-se comigo uns minutos? – perguntou.
– Gostaria muito.
Adam olhou em volta e avistou um banco em frente da propriedade vizinha. Embora grande parte do pátio estivesse iluminada, o banco encontrava-se imerso numa profunda escuridão. Poderiam apreciar um momento privado sem que ninguém os observasse.
– Que tal ali?
Caminharam juntos até ao banco, embora Adam lhe rodeasse a cintura com o braço e quase a transportasse. A anca e a perna dela mantinham-se contra ele e não conseguiu deixar de pensar em como parecia ajustar-se ao seu lado. O banco era pequeno e só havia espaço para se sentar ao lado dela com as coxas e joelhos de ambos tocando-se. Passou o braço por trás das suas costas e virou-se para ela.
– Achei que devíamos falar um momento.
– Não quero falar – retorquiu Maggie, divertida com o olhar de surpresa que ele lhe lançou. Refletira durante muito tempo e não estava disposta a permitir que toda a noite passasse sem que algo de maravilhoso acontecesse. – Sei que isto parece terrivelmente ousado da minha parte, mas nunca fui beijada antes e interrogava-me se… – Qualquer ponta de coragem que possuísse, abandonou-a… – Era fácil pensar em namoriscar com um homem, mas, na realidade, nunca o fizera e não sabia muito bem como concretizar o seu objetivo.
– Se o quê?
Mordeu o lábio inferior, fitando os seus belos olhos castanhos. Agora, ele estava tão perto que conseguia ver o brilho das luzes refletido neles. A sua respiração roçou-lhe as faces.
– Interrogava-me se me beijaria.
Todas as intenções dele quanto a uma conversa séria desapareceram. Que mal teria dar-lhe um beijo? Era o que ansiava por fazer desde que a vira pela primeira vez. Mexeu-se, tirou o braço das costas do banco e pousou-o nos ombros dela.
– Feche os olhos.
Mantendo-se sentada e muito quieta, ela obedeceu. Desejava com todas as fibras do seu ser estender os braços e abraçá-lo, mas já lhe havia flagrantemente pedido um beijo e, portanto, forçou-se a aguardar com paciência.
– Assim?
– Assim mesmo.
Adam inclinou-se para diante unindo a boca à dela. Os lábios da jovem eram macios e quentes e sabiam ao sumo de framboesa que tinham estado a beber. O toque simples e íntimo era tão encantador como imaginara. Afastou-se um pouco, não muito, para que o hálito quente pairasse sobre o seu rosto. Ante a quebra de contacto, ela abriu os olhos e as longas pestanas subiram lentamente e enquadraram os belos olhos cor de violeta.
Maggie julgou que o coração fosse explodir. Tocou os lábios com as pontas dos dedos, como se pudesse manter o gosto dele para sempre e depois estendeu a mão e pousou esses mesmos dedos contra o coração dele que pulsava com a mesma rapidez.
– Existe algo entre nós, não é verdade? – disse. – Também o sente.
Ele queria negá-lo, mas com ela a olhá-lo tão afetuosamente foi incapaz de mentir.
– É algo que nunca senti antes.
– É maravilhoso.
– Muito, mas Maggie… – A sua consciência estava a levar a melhor. Por mais que tentasse disfarçar o seu comportamento, brincava com ela e chegara a altura de colocar ponto final no jogo.
Contudo, ela não suportou escutar o que quer que ele se preparava para dizer. Elevou os dedos do coração dele até aos lábios, abafando a próxima frase.
– Não quero escutar palavras de cautela ou de arrependimento da sua boca – disse.
– Precisamos de falar.
– Sobre o quê?
– Sobre isto… – Esboçou um gesto entre ambos, incapaz de encontrar palavras que descrevessem adequadamente o que parecia atear-se sempre que estavam juntos. – O que quer que exista entre nós não pode ir por diante. Já tomei liberdades incríveis consigo e sinto-me um canalha. Não tem pais por perto que a orientem, o que me permitiu aproveitar-me completamente da situação.
– Não fez nada que eu não quisesse.
– Mas receio ter-lhe dado uma imagem errada.
– Em que aspeto?
– Posso dizer que está à espera de mais. Contudo, é impossível.
– Pedi-lhe algo mais?
– Não.
Surpreendentemente, ficou irritado ao dar-se conta de que ela não o fizera. Quando fora a última vez que uma mulher não lhe pedira nada?
– Então, porque está preocupado?
– Porque é jovem e inexperiente e receio acabar por magoá-la.
– Posso ser jovem e inexperiente, mas não sou estúpida – suspirou Maggie. – Soube imediatamente a partir do momento em que nos conhecemos que jamais poderia existir alguma coisa entre nós. Homens do seu tipo não caem dos céus na vida de mulheres como eu. Tenho consciência de que esta é a realidade e não um conto de fadas, mas só por não podermos cavalgar juntos para ver o pôr do Sol, não significa que deva negar o que sinto por si. Temos muita, muita sorte por nos conhecermos. Lembrar-me-ei com carinho de si durante todos os dias da minha vida.
– Oh, Maggie, minha doce jovem! – Afastou-se, retirando o braço que pusera à volta do seu ombro e inclinou-se para a frente, pousando os cotovelos nas coxas. Com o rosto apoiado nas mãos, vagueou o olhar pelo pátio, e através das luzes que saíam do celeiro, teve a certeza de avistar James e Anne a escaparem-se para a floresta para um encontro de amantes! Se pudesse fazer o mesmo com Maggie! – Deus do céu! Como odeio a minha vida! – murmurou mais para si próprio do que para ela.
A jovem pousou a palma da mão entre as suas omoplatas e começou a massajar em círculos pequenos e suaves.
– É casado?
– Não, mas em breve o serei – respondeu com um abanar da cabeça e fitando-a.
Era então esse o motivo.
– É por isso que se sente tão infeliz?
– O que a leva a pensar que sou infeliz?
– Não sei bem porquê, mas parece que sei muitas coisas a seu respeito. Não a ama?
Pensando em Penelope Westmoreland e noutras como ela, cheias de esquemas e fingimento, encolheu os ombros e depois virou-se para olhar Maggie de frente.
– Passei o tempo à espera de encontrar uma mulher que me fizesse sentir como você.
– E como é isso?
– Faz-me sentir forte, generoso e bom. Faz-me sentir que o seu mundo está completo só porque existo nele e sou a melhor coisa que lhe aconteceu.
– Acredito que é tudo isso. E muito mais – redarguiu Maggie, estendendo as duas mãos e entrelaçando os dedos nos dele. – Sabe, a minha mãe sempre disse que algumas pessoas estão destinadas a amarem-se uma à outra. Que os seus corações e a mente se movimentam num nível semelhante que não é partilhado por mais ninguém. Talvez seja o que aconteceu entre nós.
Antes, quando Adam a observara do lado oposto do celeiro a abarrotar, tinha pensado o mesmo, mas com as palavras a saírem da boca dela, recusou dar-lhes crédito. Para o fazer, era necessário que valorizasse a típica fantasia feminina do amor romântico, o que não acontecia. Significaria que ela era muito provavelmente a única companheira aceitável que encontraria na vida. Significaria também que a sua procura de uma companheira aceitável era inútil e o seu futuro ainda mais sombrio do que já parecia.
– A sua mãe deve ter sido bastante romântica.
– Em muitos aspetos, sim, mas também era realista. Herdei um pouco dessas duas facetas. É esse o motivo por que recuso sentir arrependimento, vergonha ou qualquer outra coisa à exceção de uma tremenda alegria por nos termos conhecido. – De uma forma acalorada, rodeou-lhe o pescoço com os braços e inclinou-se para diante de forma a apoiar totalmente os seios contra o seu peito. – Beije-me outra vez, por favor. Como se fosse a única vez que tivesse essa oportunidade.
Como poderia recusar? Com os seios fartos roçando no seu peito, e as coxas premidas contra as dele, o olhar radioso e com um brilho de súplica, o que mais havia a fazer? Toda a sua firme resolução desapareceu.
Dessa vez, quando baixou a boca ao encontro da dela, não houve hesitação da parte dela, nenhuma espera inocente, nem aceitação passiva. Dessa vez, correspondeu ao beijo com uma ferocidade igual à dele. Sentiu-se perdido.
Os seus lábios cobriram os dela, quentes e exigentes. Desejando mais e sem obter o suficiente, a sua língua implorou aceitação e ela recebeu-a, iniciando imediatamente um duelo entre ambas. Soou um rugido distante e ele percebeu que vinha da sua própria garganta. Chupou-lhe a língua, atraindo-a para mais fundo, enfiando-a e desenfiando-a, numa imitação do ritmo primitivo que desejava usar com o falo avolumado.
As mãos fortes percorreram o cabelo, a cintura, as ancas. Ela acabou por se sentar no colo dele, com as nádegas pequenas e redondas pressionadas contra a sua feroz virilidade e ele conseguiu finalmente encostar a virilha ao corpo feminino. Porém, não era suficiente. Precisava de se enterrar bem fundo.
Dedos ágeis moveram-se da anca, de volta ao pescoço, com o polegar sentindo a pulsação. Enrolado nos seus cabelos, inclinou-lhe as costas sobre o braço, ao mesmo tempo que abandonava a boca em oferta para mordiscá-la debaixo do queixo, pelo pescoço até ao peito. Roçou-lhe os seios através do tecido do vestido. Desejando mais e sem obter o bastante, deslizou uma das mãos por baixo do corpete onde o mamilo ereto se assemelhava a uma pedrinha na sua palma da mão.
Maggie estava certa de que tinha morrido e ido para o céu. Tudo o que ele fazia era tão arrebatador que quaisquer inibições que pudesse ter albergado haviam desaparecido por completo. Quando a mão dele deslizou sob o corpete para procurar e encontrar o seu mamilo, desejou soluçar de alívio por finalmente lhe tocar onde queria ser tocada. Tinha os seios inchados e latejantes e sabia que ele podia colocar a boca sobre eles e diminuir um pouco a sua agonia.
Com um movimento do pulso, ele desnudou um dos seios. Era tão belo como soubera que seria. O mamilo carnudo, redondo e cheio, implorava a sua atenção e fez uma pausa suficiente para erguer os olhos na direção dos dela.
– Deus do céu, Maggie! É tão bonita! – Baixando a boca, percorreu devagar a língua quente sobre ela e chupou-lhe o mamilo.
Abafando um grito de prazer, ela arqueou as costas, ofertando o máximo de si mesma que podia. Entrelaçou as mãos nos cabelos dele e puxou-o para mais perto, fazendo com que a chupasse ainda com mais avidez. Um pulsar desesperado ocupou lugar entre as pernas dela. Estava molhada, dorida e desejando muito mais dele do que isso.
Os lábios masculinos deixaram a sua marca e ela soltou um gemido, mas o grito de protesto foi abafado rapidamente quando ele percorreu o caminho de volta para lhe exigir a boca. As línguas desafiaram-se até ele se afastar, explorando-lhe os olhos, a testa, uma das faces, uma orelha, onde inalou profundamente o aroma a lilases do seu cabelo.
– Desejo-te, miúda. Desejo-te tanto.
– Então, possui-me. Sou tua. Leva-me daqui e ama-me como gostarias de fazê-lo. Para a floresta, o teu quarto ou a praia. Para qualquer lado. Basta dizeres a palavra e irei para onde pedires.
O desejo que ele sentia era mais forte do que tudo que alguma vez imaginara ser capaz de sentir por uma mulher, mas era um homem racional e, surpreendentemente, a parte racional do seu cérebro continuava a funcionar. Não podia simplesmente possuí-la. Apertando-a fortemente e com a respiração ofegante como se tivesse feito uma longa corrida, passou-lhe a mão pelos cabelos enquanto acalmava os impulsos prementes.
Desde o primeiro momento em que tinha olhado para ela, debatera-se com a ideia de possuí-la, achando que podia usá-la para uns dias de prazer, deleitar-se com a sua doce e confiante natureza e depois pô-la de lado quando chegasse a altura de regressar a Londres. Agora, com a oportunidade de intimidade física à sua frente, apercebeu-se da sua loucura. Tê-la, correspondia a feri-la e simplesmente não podia fazê-lo.
– Não posso, pequenina.
– Podes, sim. É algo que quero muito.
– Não sabes o que estás a pedir. Jamais passará de uma rápida diversão na floresta. Mereces muito mais do que isso.
– Deixemos de lado o que mereço. Só sei o que desejo. Quero que te deites ao meu lado e me mostres como pode ser.
– Não, Maggie. Achas que queres fazer isso agora, mas, mais tarde, ao perceberes tudo o que me deste, ias odiar-me.
Ela tinha na ponta da língua contar-lhe a verdade a seu respeito – que podia ser virgem mas conhecia bem as ligações entre homens e mulheres – mas já elaborara uma mentira tão intrincada sobre Rose e a vida de ambas, que dificilmente poderia mudar o relato naquela altura do relacionamento.
Em vez disso, pousou-lhe a mão na face.
– Jamais poderia odiar-te pelo que quer que fosse. Independentemente do que faças, sempre te amarei. Amo-te. De todo o coração.
Ele estremeceu com a declaração. Que caminho insensato pisara! Ela era pouco mais do que uma garota e cortejara-a indevidamente. Sentia-se envergonhado, pois sabia comportar-se e chegara a altura de tomar as rédeas de situação.
– É exatamente por isso que não podemos envolver-nos mais. Sou mais velho e experiente nessas matérias e vejo que o teu coração inocente te levou a acreditar que uma ligação emocional se desenvolveu entre nós.
– Não mintas, Aston. Podes não conseguir expressá-lo em voz alta, mas sei que sentes o mesmo que eu. Por qualquer motivo, partilhamos profundos sentimentos um pelo outro. Negá-los não vai torná-los menos reais.
– Errei ao deixar que isso começasse. Não permitirei que continue. – Sustendo um gemido de arrependimento, puxou-lhe o corpete de forma a tapar-lhe o seio. Sem confiar em si próprio para ficar sozinho com ela por mais tempo, levantou-a e colocou-se ao lado dela. – Voltemos ao celeiro – disse.
Maggie ergueu o rosto na sua direção, interrogando-se como era possível que ele mudasse do auge da paixão para aquele delicado e imponente cavalheiro. Ainda sentia o próprio corpo em chamas.
– Não estejas zangado comigo – pediu, dando-lhe a mão.
– Não estou zangado.
Esboçou o meio-sorriso que ela aguardara.
– Então, perdoa-me por agir de uma forma tão descarada.
– Não há nada a perdoar. Adorei cada minuto passado contigo. Só que na minha vida nunca posso ter as coisas que verdadeiramente desejo.
A voz dele emanava tamanha tristeza que ela não conseguiu resistir ao impulso de o consolar. Rodeou-lhe a cintura com os braços e abraçou-o fortemente.
– Vai correr tudo bem – disse. – Tenho a certeza.
Adam não respondeu. Abraçou-a por uns momentos e depois afastou-se.
– É melhor voltarmos para dentro.