Meu Único Amor
Capítulo 1
Maggie Brown perscrutou o salão de chá a abarrotar em busca de George. Da sua mesinha a um canto, não conseguia ver a porta de entrada do estabelecimento e era, portanto, incapaz de ter a certeza se ele entrara ou não. Conhecendo-o como conhecia, tinha a certeza de que ele varreria a multidão com um olhar casual e, se não a avistasse imediatamente, sairia logo em seguida, usando a sua ausência como a desculpa perfeita para a visitar mais tarde.
Ainda estremecia ao pensar na última vez que ele a tinha visitado. Duas semanas antes, aparecera já a noite ia adiantada quando ela e Anne se preparavam para recolher aos seus aposentos. Embriagado e grosseiro, exigira o direito de se lhe juntar na cama, dizendo que chegara a altura de ser recompensado por conceder a Maggie e Anne o privilégio de viverem sem pagar na pequena casa de que era proprietário. Somente a presença de Anne, firme e insistindo para que se fosse embora imediatamente, tinha salvado Maggie nessa noite. Podia não ter tanta sorte uma segunda vez.
Era esperar demasiado pensar que ele solicitara aquele encontro por ter finalmente arranjado coragem para se desculpar pela sua abominável conduta. Poderia viver até uma idade avançada antes que qualquer desculpa saísse dos seus lábios franzidos. Aquele tipo de indivíduo nunca responderia pelo seu comportamento, por mais desprezível que fosse. Não, ele queria falar-lhe sobre uma questão totalmente diferente e decerto não seria coisa boa.
Desde aquela noite horrível, aguardavam a retaliação que constituía uma certeza. George era previsível e a facada no seu ego, bem como na sua virilidade, não seria facilmente perdoada ou esquecida. George não era pessoa para ignorar o facto de que lhe tinha oferecido a oportunidade de pagar a renda deitando-se de costas e ela tivera a audácia de recusar.
Ele encarava indubitavelmente a proposta de uma ligação sexual como uma bênção para Maggie. Afinal, ela não passava da filha de uma cortesã recentemente falecida. Por que razão não agarraria a oportunidade de ser sua amante, como a mãe, Rose, fizera? Maggie estremeceu ante essa ideia. Nunca na vida se ligaria a um homem como George Wilburton. Nem que lhe custasse até à última gota do seu senso comum e recursos, encontraria uma forma de levar uma vida diferente da de Rose.
Rose Brown, que Deus a tivesse em paz, fora amante de vários indivíduos durante a sua curta vida, tal como a sua querida amiga, Anne Porter. Desde muito cedo que ambas haviam protagonizado o papel de mulheres por conta, devido a infortúnios familiares.
Na juventude, poucos atributos tinham além da beleza e dos corpos para singrarem na vida. Um misto de origem, educação e pura sorte colocara-as acima da posição de vulgares prostitutas. Em vez de clientes diários, tinham mantido, de uma forma mais respeitável, ligações com diversos indivíduos que se ocupavam das suas necessidades financeiras em troca de favores sexuais regulares e monogâmicos. Tratava-se de uma existência precária, carregada de incertezas e fortunas oscilantes, e, por conseguinte, passavam cada dia de cada ano a interrogarem-se sobre o que aconteceria, caso os homens das suas vidas se cansassem delas e as mandassem embora.
Maggie tinha crescido na pequena casa que julgara pertencer à mãe, observando as chegadas e partidas de diversos homens na vida de Rose, enquanto ela passava de um nobre para o outro como um animal de raça. A sua beleza e encanto tinham-na tornado uma lenda, mas haviam começado a decair quando se aproximara dos quarenta anos, sem nunca encontrar o que ansiosamente desejava: uma pensão vitalícia de um dos amantes que lhe proporcionasse uma velhice descansada. Em vez disso, vira-se reduzida a ser sustentada por indivíduos como George.
George era um homem rude e avarento que inspecionava e se queixava de cada cêntimo gasto por Rose. Um homem tão falho de capacidades na cama que Maggie tinha ouvido frequentemente Rose e Anne trocarem segredinhos e risadas quando ele se ia embora. Mesmo assim, fora útil nos últimos anos.
As suas atenções permitiram-lhes continuar a viver na casa onde Maggie crescera. Tiveram um teto a abrigá-las e comida no estômago durante os três anos em que Rose servira George. Anne também conseguira ficar com elas, portanto, não tivera de procurar um novo amante quando o último morrera num acidente. Logo que Rose adoeceu, George podia tê-las posto na rua, mas não o fizera. Haviam ficado com uma casa durante todos os terríveis meses até ela acabar por morrer.
Contudo, agora o que seria delas? Maggie estava receosa de saber.
Nesse preciso momento, avistou George a atravessar a sala. Soergueu-se na cadeira e acenou para lhe chamar a atenção. Ele era um homem magro e ossudo, dolorosamente vulgar, e Maggie não conseguia impedir-se de perguntar o que a mãe tinha visto nele.
George avançou pelo estabelecimento a abarrotar, murmurando desculpas ocasionais, sempre que esbarrava numa mesa pelo caminho. A jovem reparou que ele deixara crescer as patilhas desde a última vez que o vira, permitindo que avançassem pelas faces, talvez para disfarçar a rápida queda de cabelo. Infelizmente, o acréscimo de pelos tivera o efeito contrário. Parecia mais careca do que nunca.
A roupa e as joias de George, bem como a carruagem que estacionara rudemente diante do salão de chá, testemunhavam o facto de que era um cavalheiro com algumas posses. O próprio dono dirigiu-se apressadamente à mesa e afastou uma cadeira, batendo palmas e ordenando às empregadas que trouxessem mais chá e mais biscoitos. O que quer que George quisesse, receberia.
– Olá, George – cumprimentou Maggie. Há muito que tinham desistido de quaisquer tentativas de formalidade. Era difícil manter cortesias adequadas quando ele passara três anos a entrar e a sair do quarto de Rose sempre que queria.
– Obrigado por teres aparecido prontamente, Magdalina.
Maggie sentiu que ele a despia com o olhar. Tinha uma maneira especial de o fazer, observando-a do cimo da cabeça aos seios e novamente no sentido contrário. Uma vez que isso acontecia sempre que estavam juntos, há muito que deixara de se preocupar com o insulto. A sua parecença com a bonita mãe era inacreditável em quase todos os sentidos e fazia com que cabeças masculinas se virassem frequentemente na direção dela, demorando muito mais tempo do que o adequado. Estava habituada à ousada avaliação e nunca desviava o olhar quando a fixavam.
Nem alta nem baixa, com a altura exata para deter o olhar de um homem, o corpo dela era esbelto e com curvas nos lugares certos. Tinha uns seios e umas ancas macios e fartos, ressaltados pela cintura fina. O cabelo castanho-claro descia em ondas compridas e exuberantes, realçadas por madeixas douradas e ruivas. Os caracóis emolduravam delicadamente o rosto em forma de coração, acentuando as faces lisas e rosadas, os lábios proeminentes. Os olhos detinham uma exótica tonalidade azul fazendo com que as pessoas – mas sobretudo os homens – olhassem duas vezes com a esperança de detetar algo nas profundezas insondáveis. O tom mudava com a cor da roupa e nesse dia parecia violeta, acentuado pelo escuro das suas vestes de luto.
Quando ele continuou a observá-la, corou um pouco, irritada que a tratasse com uma tal falta de respeito num lugar público. Recusando facilitar-lhe a atitude desviando o olhar, fixou-o até perceber que havia mais do que uma mera avaliação sexual na expressão dele. Temendo que Anne estivesse certa, de que ele se preparava para ajustar contas com as duas, sentiu um pequeno estremecimento de medo a percorrer-lhe a espinha.
Tentou esboçar um sorriso, enquanto avaliava mentalmente as possibilidades seguintes e disse:
– Fiquei surpreendida ao receber a sua mensagem. Espero não lhe ter desagradado com as despesas familiares. Esforcei-me por ser frugal.
– Não te chamei por causa das contas. Deixaram de me interessar.
Maggie estendeu a mão para o guardanapo e tentou abster-se de rolar ansiosamente a ponta entre os dedos. Se George não estava preocupado com dinheiro, algo de terrível ia acontecer.
– O que se passa, então? Se me permite a ousadia de perguntar?
– Decidi voltar a casar.
Maggie susteve a respiração, aguardando enquanto ele devorava um prato de biscoitos e depois o estendia à criada para repetir a dose. A rapariga afastou-se a correr e Maggie não aguentou o suspense.
– E?
– Vou vender a casa.
Maggie soltou uma exclamação abafada. Embora Rose nunca tivesse sido dona da casa, ela fora comprada em primeira mão pelo pai de Maggie, o duque de Roswell, quando Rose fora amante dele vinte anos antes. Rose tinha engravidado de Maggie e o duque destroçara-lhe o coração ao largá-la a um amigo por esse motivo. A casa mudara de proprietário, mas a mãe continuou a viver lá.
Por seis vezes, ao longo dos dezanove anos de Maggie, Rose conseguira usar a sua beleza e capacidades sexuais para atrair um novo protetor. Sempre que um cavalheiro desistia dela, limitava-se a vender a propriedade ao seguinte. Maggie nunca tinha vivido noutro lugar, nem imaginava que alguém fosse tão cruel a ponto de expulsá-la de lá.
– Vai vender a minha casa?
– Temo bem que sim. A minha noiva é uma mulher astuta e não duvido que ficaria muito desagradada caso ficasse a par de que te sustento.
– Mas não é verdade… nós não somos… – balbuciou ao mesmo tempo que toda a cor lhe afluía ao rosto. Dado ter crescido numa casa com duas cortesãs, estava habituada a uma conversa sexual sem rodeios, mas não tinha experiência de falar dessas coisas com um homem.
– Duvido que a minha noiva perceba a diferença.
A jovem riu, esperando aligeirar a situação, mas falhou em toda a linha. O medo que a voz espelhava era demasiado visível.
– Tenciona pôr-me na rua?
– Precisamos de te encontrar um alojamento.
Maggie respirou mais aliviada. Se ele estava disposto a encontrar-lhe outro lugar, talvez o final não fosse assim tão mau. Acima de tudo, queria ser capaz de impedir que Anne voltasse a servir outro cavalheiro.
– Não preciso de muito – declarou. – Tenho a certeza de que nem sequer dará pelo custo de uma casa tão pequena.
George fixou-a, sem primeiro entender o que ela queria dizer, e em seguida percebendo que ela interpretara as suas intenções de uma forma totalmente errada.
– Desculpa. Não me fiz compreender. Precisarás de arranjar outro local. Decerto ficaria muito feliz em prestar ajuda. Como um favor à tua mãe, claro.
– Claro – repetiu Maggie baixinho, interrogando-se sobre o tipo de ajuda que ele teria em mente. Sabia que deveria haver mais do que aquilo. Tratava-se sem dúvida de outro estratagema para levá-la para a cama dele, algo que tinha jurado que nunca aconteceria. – O que devo fazer para que mude de ideias?
– Nada me fará mudar de ideias.
Maggie notou pela primeira vez a firmeza da resolução. Ele pretendia mesmo expulsá-la da casa. Os olhos encheram-se-lhe de lágrimas.
– Prometeu à minha mãe, no seu leito de morte, devo acrescentar, que me deixaria ficar. Ela só morreu há seis semanas. Jurou-lhe e ela quase não arrefeceu na cova.
– Não quis afligi-la mais nesse momento e, quando fiz a promessa, falava a sério – retorquiu com um encolher de ombros. – Não era na verdade minha intenção expulsar-te da casa. Contudo, a situação mudou. Vou casar e não me parece muito honesto da minha parte usar fundos da minha mulher para sustentar a filha da minha amante. – Desviou o olhar, brincou com a comida no prato, e em seguida olhou para trás, visivelmente embaraçado. – Além disso, tive um pequeno infortúnio. Até casar, posso usar o dinheiro extra da venda da propriedade.
– Essa propriedade, como tão jovialmente se lhe refere, é o único lar que conheci.
Maggie queria mostrar-se furiosa, mas não conseguia. Afinal, George deixara-as ficar muito tempo depois de a doença de Rose a impedir de funcionar como sua amante.
– Quanto tempo tenho? – conseguiu perguntar.
– Vou dar-te três meses.
– Mas não possuo dinheiro, nem aptidões. Nunca tive um emprego. O que espera que faça?
– Podes casar, suponho.
– Em três meses?
Ambos sabiam que não havia perspetivas no seu horizonte e era altamente improvável que ela conseguisse encontrar um homem que quisesse desposá-la em tão pouco tempo.
– O que querias que fizesse, Maggie?
– Deixe-me ficar na minha casa. Dê-me uma oportunidade para assentar os pés na terra. Ainda estou a sofrer tanto com o choque da morte da minha mãe que não consegui recuperar-me.
– Compreendo que estejas a sofrer, mas já expliquei porque não posso continuar a ajudar – reagiu George, mexendo-se desconfortavelmente na cadeira. – Tive uma ideia – acrescentou –, mas duvido que a consideres aceitável.
– Fale.
– Pensei que podia apresentar-te a alguns dos meus amigos. Como sabes, sou um homem bem relacionado. Talvez pudéssemos… pudéssemos… – Engoliu em seco e a maçã de adão ressaltou visivelmente quando pôs a sugestão em cima da mesa. – Podemos encontrar alguém que comprasse a casa com o mesmo acordo que fiz com a tua mãe.
No início, Maggie não compreendeu o significado das palavras. Mas quando se fez luz na sua mente, corou de raiva.
– Está a sugerir vender-me, como fez com a minha mãe? Seu crápula desavergonhado! – Quase se expressou num grito e foram várias as cabeças que se voltaram na direção deles. Baixou a voz e inclinou-se sobre a pequena mesa. – Depois de todas as promessas que lhe fez de que cuidaria de mim!
– Que outras opções te restam? Tu própria disseste que não possuis aptidões. Precisas de refletir no que tens de negociável. Tanto quanto posso ver, há apenas uma coisa.
George avaliou-a casualmente, pensando sem dúvida em quão rapidamente um dos seus amigos a agarraria e lamentando o facto de não ser o único a desfrutar os segredos que ela tinha para oferecer.
Com o coração destroçado, Maggie baixou os olhos. Embora tivesse passado anos a fio a dizer a si própria que nunca cairia na armadilha que havia capturado a mãe, nesse momento encontrava-se perigosamente perto da beira do precipício. Se não encontrasse um protetor, um tutor, o que seria dela e de Anne? Odiando as palavras que sabia ter de pronunciar, continuou a fitar a mesa, mexendo na toalha.
– No caso de concordar, e não estou a dizer que o farei, lembre-se, como trataríamos do assunto?
– É bastante simples. Diria a alguns cavalheiros que estás disponível. Faria as apresentações. Se algum se mostrasse interessado, vocês os dois chegariam a um acordo pessoal. Eu negociaria as condições sobre a casa. O facto de seres tão bonita e ainda virgem tornar-te-ia muito procurada.
Maggie fez uma careta devido ao prazo. Parecia um animal prestes a ser levado para o matadouro.
– Não sei. Preciso de pensar.
– Claro, mas não demores muito.
A jovem levantou-se e olhou em volta com uma expressão ausente.
– Desculpe, mas não estou a sentir-me muito bem. Tenho de ir embora.
– Três meses, Maggie. Três meses é o tempo que te resta.
A voz de George desvaneceu-se enquanto ela se afastava desnorteada pelo meio da clientela. Lá fora, procurou uma carruagem, mas depois desistiu da ideia. Com o desespero bem à espreita, a última coisa de que precisava era desperdiçar algumas moedas numa carruagem alugada para o breve percurso até casa. Em vez disso, foi a pé, interrogando-se sobre como alguém que tinha acabado de completar dezanove anos podia sentir-se tão velho.
Os últimos dois anos da sua vida deveriam ter sido passados a celebrar a aproximação da idade adulta. A mãe imaginara-a uma jovem educada, planeara uma viagem ao continente, festas e convívio social, apresentações a jovens. E ainda um bom e sólido casamento com alguém generoso e de confiança. Nada disso acontecera. Em vez disso, tinha passado o tempo a cuidar de Rose, à medida que a sua saúde ia ficando mais fragilizada.
Agora, George esperava que com um simples estalar de dedos, ela mudasse de objetivo; que, por magia, estivesse pronta a retomar a sua vida anterior. Como poderia concretizar-se tamanho retorno?
– Homens… – murmurou enquanto chegava ao alpendre e subia os três degraus que a separavam da entrada. – Todos uns imbecis.
Empurrou a porta e entrou na salinha da frente. A casa tinha sete divisões no total, espalhadas por três pisos. Era pequena e simples, mas um lar.
– És tu, Maggie? – perguntou Anne do topo das escadas.
– Sim, Anne.
Maggie olhou para cima e avistou Anne que descia esplendorosamente, com passo de rainha. O simples vestido preto acentuava as curvas redondas e lascivas do seu magnífico corpo. O cabelo ruivo, o verde dos olhos, tornaram-se mais exuberantes ao serem banhados por um raio de sol do entardecer. Aos trinta anos era mais bonita do que nunca.
– Bom. O que queria ele? – quis saber.
Não sendo dada a jogar com as palavras, Anne ia sempre direita ao âmago da questão. Num mundo onde as pessoas raras vezes diziam o que lhes ia na mente, ela podia ser assustadoramente franca. Começou a descer as escadas enquanto Maggie demorava a pendurar a capa e o chapéu. Como poderia dizer à bela e maravilhosa Anne, que fora a sua boa amiga e companheira por tantos anos, o que ia acontecer?
– Sentamo-nos?
– Más notícias, não é verdade?
– Muito más.
– Então, venham elas! – insistiu Anne enquanto se sentavam lado a lado no pequeno sofá. – O que se passa?
– Ele vai casar-se.
– Há alguém que queira mesmo casar com aquele idiota chapado? É óbvio que a pobre mulher nunca se deitou com ele debaixo dos cobertores antes de tomar a decisão. Espero que saiba no que se vai meter.
Maggie conseguiu soltar uma risada.
– E vai vender esta casa. Temos três meses para decidir o que fazer.
– Bom. Acho que é um aviso justo. O que nos aconselha?
– Sugeriu que eu deixasse passar o meu nome à roda de amigos. Achou que poderia encontrar-me um cavalheiro com facilidade.
– O crápula!
Anne passou a mão pela testa num gesto cansado. De alguma forma, sempre soubera que aquele final chegaria. Devia ter entrado em ação mal perceberam que Rose estava doente. Agora, poderia estar ligada a alguém e teriam para onde ir. Não se importava de aceitar outro homem, se isso significasse impedir que Maggie tivesse de fazê-lo. Infelizmente não era fácil encontrar um protetor. Uma mulher precisava de referências de outros cavalheiros ou de amigas que espalhassem palavra e ela perdera muitos contactos ao longo dos últimos anos. Seria mesmo muito difícil encontrar um homem adequado em tão pouco tempo.
Com a mente num turbilhão, perguntou a Maggie:
– Já pensaste em voltar a contactar o teu pai?
Rose tinha-lhe escrito quando ficara doente e se tornou claro que não recuperaria, mas o duque não se tinha dado ao trabalho de responder.
– Se ele nem sequer reagiu ao último pedido da minha mãe, não imagino que pudesse ser mais bem-sucedida. Pelo menos, ele conhecia-a e supostamente amou-a. Eu nunca conheci o homem.
– Mas tu és filha dele. Talvez devesses tentar novamente.
– Sabes que isso não passa de uma fantasia, Anne – retorquiu Maggie calmamente.
– Sim, acho que é – concordou com um suspiro e dirigiu-se à lareira vazia, fixando-a sem se voltar até ter conseguido esboçar um sorriso luminoso. – Então, temos de aproveitar o tempo o melhor possível. O que gostarias de fazer?
– Não sei. Preciso de pensar.
– Bem. Acho que devíamos ir de férias, como tínhamos planeado.
– Não acredito que estejas a falar a sério! Com todos estes problemas sobre as nossas cabeças?
– É o melhor plano que me vem à cabeça. Além disso, já pagámos as passagens e o aluguer do nosso quarto na estalagem. Duvido que consigamos recuperar o dinheiro. A tranquilidade e a paz fora da cidade podem ajudar-nos a ver tudo com mais clareza. Sabes tão bem como eu que a tua mãe desejaria que fôssemos. Era o seu lugar favorito em todo o mundo.
– Talvez tenhas razão.
– Claro que tenho – disse Anne ao mesmo tempo que se colocava atrás do sofá e massajava os ombros tensos de Maggie. – Só ficaremos fora alguns dias.
– Se, ao menos…
Contudo, não concluiu o pensamento. Se, ao menos, as coisas na sua vida tivessem assumido um curso diferente. Percorrera aquela estrada tantas vezes nos últimos meses e nunca fora dar a um lugar aprazível.
– Se ao menos, o quê?
– Nada.
Anne deu a volta até à frente do sofá e abraçou Maggie com força.
– Resolveremos tudo, as duas. Iremos de férias e deitaremos fora essas horríveis roupas de luto. Vamos comer, dormir, aspirar a brisa do mar, e regressaremos a casa descansadas e prontas para enfrentar este mundo de uma figa.
Era impossível resistir ao entusiasmo de Anne e Maggie concordou com ela, tentando parecer confiante.
– Estou pronta, se também estiveres.
– Vai correr tudo bem, Maggie – garantiu Anne com um sorriso. – Tenho a certeza. Faremos com que dê tudo certo.