Morra por Mim
Capítulo 20
GEORGIA EMBURRADA NÃO É UMA CENA NADA AGRADÁVEL. Em bora eu tivesse pedido desculpas um m ilhão de vezes, ela não estava falando com igo.
O clim a ficou m eio desconfortável em casa. Mam ie e Papy tentaram ignorar o fato de que havia algo errado, m as, no quinto dia depois de m eu crim e im perdoável, Papy m e puxou de lado.
— Por que não vem ao m eu escritório hoj e? — ele olhou de soslaio para a silhueta pensativa de Georgia e m e lançou um a expressão significativa, com o que dizendo Não posso falar aqui. — Faz m eses que você não aparece, e tenho m uita coisa nova no acervo que você não viu.
Depois da aula fui direto para a galeria de Papy . Era com o ir a um m useu. Sob a luz suave, estátuas antigas se alinhavam ao longo das paredes de am bos os lados, e vitrines de vidro exibiam artefatos de cerâm ica ou de m etais preciosos.
— Ma princesse — Papy exclam ou feliz ao m e ver, quebrando o silêncio opulento do recinto. Estrem eci. Aquele era o apelido carinhoso pelo qual m eu pai m e cham ava, e ninguém o havia usado desde sua m orte. — Você veio. Então, o que lhe parece novo aqui?
— Ele, para com eçar — respondi, apontando para um a estátua em tam anho natural de um j ovem de aparência atlética, dando um passo à frente, o braço estendido para baixo ao lado do corpo com o punho bem cerrado. Faltavam -lhe o outro braço e o nariz.
— Ah, m eu kouros — exclam ou Papy , indo até a estátua de m árm ore. — Século V a. C. Um verdadeiro tesouro. O governo grego não deixaria sequer que saísse do país atualm ente, m as eu o com prei de um colecionador suíço cuj a fam ília o adquiriu no século XIX. — Ele m e conduziu, e passam os por um relicário incrustado com j oias, em um a vitrine de vidro. — Hoj e em dia nunca se sabe o que se pode conseguir, com todas essas procedências duvidosas.
— E isso aqui, o que é? — perguntei, m e detendo diante de um grande vaso negro. Tinha a superfície decorada com cerca de um a dúzia de figuras hum anas em cor averm elhada, exibindo poses dram áticas. Dois grupos com arm aduras se encaravam , e no centro havia, diante de cada exército, um hom em nu de aparência feroz. Eles apontavam lanças um para o outro, num confronto. — Soldados nus. Interessante.
— Ah, essa ânfora. É uns cem anos m ais nova que o kouros. Ela m ostra a batalha de duas cidades, lideradas por seus numina.
— Seus o quê?
— Numina. Singular, numen. Um tipo de deus rom ano. Eram parte hum anos, parte deidades. Podiam ser feridos, m as não m ortos.
— E, por serem deuses, eles lutavam pelados? Não precisavam de arm adura? Parece que eram bem exibidos.
Papy deu um a risadinha.
Numina, pensei, e m urm urei baixinho:
— Soa com o numa.
— O que você disse? — exclam ou Papy , erguendo a cabeça subitam ente para m e encarar. Foi com o se tivesse levado um tapa.
— Eu disse que numina soa parecido com numa.
— Onde você ouviu essa palavra?
— Não sei... Na TV?
— Tenho sérias dúvidas quanto a isso.
— Não sei, Papy — disse eu, desviando os olhos e procurando algum a outra coisa na galeria que pudesse m e tirar daquela situação. — Devo ter lido em algum livro antigo.
— Hum ... — ele assentiu com a cabeça, aceitando de form a relutante m inha explicação e m antendo a expressão preocupada.
Claro que Papy devia ter ouvido falar de cada deus e m onstro arcaico que j á existiu. Eu teria de contar a Vincent que os revenants, ou ao m enos a facção m alvada dos revenants, não estavam tão “abaixo do radar” com o im aginavam .
— Então, obrigada pelo convite, Papy — disse eu, aliviada por m udar de assunto. — Mas você queria falar com igo sobre algo? Quer dizer, além de estátuas e vasos.
Papy deu um sorriso triste.
— Pedi que viesse para saber o que está acontecendo entre você e Georgia. É só um desentendim ento — ele olhou para o vaso — ou um a guerra aberta? Não que sej a da m inha conta. Só estou tentando descobrir quando vocês vão declarar trégua e restabelecer a paz em nosso lar. Se a coisa se prolongar, talvez eu tenha que partir com urgência em um a viagem de negócios inesperada.
— Desculpe, Papy . A culpa é toda m inha.
— Eu sei. Georgia m e contou que foi abandonada em um restaurante por você e alguns rapazes.
— É. Foi um a espécie de em ergência, e a gente precisou ir em bora.
— E vocês não tiveram tem po suficiente de levar Georgia j unto? — ele perguntou, cético.
— Não.
Papy m e deu o braço e m e conduziu com delicadeza de volta à entrada da loj a.
— Não parece o tipo de coisa que você faria, princesse. E não m e parece um a atitude m uito cavalheiresca da parte de seus am igos.
Sacudi a cabeça, concordando, m as não havia o que pudesse dizer em m inha defesa.
Chegam os à porta de entrada.
— Tenha cuidado com quem você escolhe para partilhar seu tem po, chérie. Nem todo m undo tem o coração tão generoso quanto o seu.
— Desculpe, Papy . Vou resolver tudo com Georgia agora m esm o — abracei-o e saí da loj a pouco ilum inada, piscando os olhos na luz do sol.
Depois de com prar um buquê de gérberas num a floricultura próxim a, voltei para casa, para um a últim a tentativa de fazer as pazes com m inha irm ã. Não sei se foram as flores, ou se ela j á estava pronta para m e perdoar e esquecer. Mas desta vez m eus pedidos de desculpa funcionaram .
Em vez de m e desencoraj ar de ver Vincent, as palavras de Papy m e deixaram ainda m ais ansiosa para reencontrá-lo. Tinham sido cinco longos dias, e, em bora planej ássem os nos ver no final de sem ana, e trocássem os torpedos e telefonem as todos os dias, aquilo pareceu um a eternidade. Depois de m inha m issão de pacificação com Georgia, apanhei o telefone para ligar para ele. Mas, antes que term inasse de digitar, vi seu nom e aparecer no visor, e m eu celular com eçou a tocar.
— Eu estava ligando para você — disse eu, rindo.
— Ah, claro — a voz aveludada soou, vinda do outro lado da linha.
— Am brose j á está bem ? — perguntei. A m eu pedido, ele vinha m e dando notícias sobre a recuperação do am igo. No dia seguinte ao ataque, a ferida da punhalada havia com eçado a se fechar, e Vincent m e garantiu que, com o sem pre, Am brose estaria novo em folha quando “despertasse”.
— Sim , Kate. Eu disse que estava tudo bem com ele.
— É, eu sei. Só que para m im ainda é difícil acreditar.
— Bom , pode vê-lo em pessoa se quiser vir nos visitar. Mas quer dar um a saída antes? Já que conseguim os lidar com Les Deux Magots sem que ninguém m orresse ou ficasse incapacitado, achei que poderia levar você de novo lá.
— Claro. Ainda tenho um as horas antes do j antar.
— Pego você em cinco m inutos?
— Perfeito.
Vincent j á estava esperando em sua Vespa quando saí do prédio.
— Você é rápido! — exclam ei, pegando o capacete que m e oferecia.
— Vou tom ar isso com o um elogio — ele respondeu.
Era o prim eiro dia frio de outubro. Estávam os sentados do lado de fora do café no bulevar Saint-Germ ain, sob um dos aquecedores altos, parecidos com um poste de luz, que brotam em todos os terraços de café assim que com eça a ficar frio dem ais ao ar livre. O calor que ele irradiava esquentava m eus om bros, enquanto o chocolate quente m e aquecia por dentro.
— Isto é que é chocolate — disse Vincent, despej ando em sua xícara a lava espessa do chocolate derretido e adicionando o leite espum oso aquecido no vapor que vinha em outro bule.
Ficam os olhando as pessoas que passavam , usando casacos, chapéus e luvas pela prim eira vez no ano.
Vincent se recostou na cadeira.
— Então, Kate, m inha cara... — ele com eçou. Ergui as sobrancelhas, e ele riu. — Tudo bem , só Kate, então. Dentro do espírito de franqueza que com binam os, pensei em m e oferecer para responder a um a pergunta sua.
— Que pergunta?
— Qualquer pergunta, desde que referente ao século XXI, não ao século XX.
Pensei por um instante. O que eu realm ente queria saber era quem ele tinha sido antes de m orrer. Da prim eira vez. Mas ele obviam ente não estava pronto para m e contar.
— Ok. Quando você m orreu pela últim a vez?
— Um ano atrás.
— Com o?
— Um salvam ento em um incêndio.
Fiz um a pausa, im aginando até onde ele m e deixaria ir.
— Dói?
— O que dói?
— Morrer. Quer dizer, suponho que a prim eira vez sej a com o qualquer outra m orte. Mas depois disso, quando você m orre para salvar alguém ... dói?
Vincent estudou m inha expressão com atenção antes de responder.
— Tanto quando doeria se você, com o hum ana, fosse atingida por um trem de m etrô. Ou asfixiada sob um a pilha de m adeiras em cham as.
Minha pele se arrepiou enquanto eu tentava assim ilar o fato de que algum as pessoas... ou revenants... o que fosse... sofriam a dor da m orte não um a única vez, m as repetidam ente. De vontade própria. Vincent percebeu m eu incôm odo e segurou m inha m ão. O toque m e acalm ou, m as não da form a sobrenatural.
— Então por que vocês fazem isso? É algum tipo de senso superdesenvolvido de dever cívico? Ou é algo com o pagar um a dívida com o universo que os tornou im ortais? Quer dizer, adm iro o fato de que vocês salvam as vidas das pessoas, m as, depois de alguns resgates, por que vocês não se deixam envelhecer, com o Jean-Baptiste, até m orrerem de velhice? — eu m e interrom pi. — E vocês morrem de velhice?
Ignorando a últim a pergunta, Vincent se aproxim ou de m im e falou com toda a franqueza, com o se fizesse um a confissão.
— Porque é com o um a com pulsão, Kate. É com o um a pressão que vai crescendo por dentro até ser necessário fazer algo para conseguir alívio. Razões “cívicas” ou “de dívida” não seriam suficientes para com pensar a dor e o sofrim ento. Vai contra nossa natureza não fazer isso.
— Então, com o Jean-Baptiste tem resistido por... quanto? Trinta anos direto?
— Quanto m ais antigo você é com o revenant, m ais fácil se torna resistir. E, m esm o tendo alguns séculos de existência, isso requer um autocontrole descom unal. Mas ele tem um m otivo m uito forte. Ele não só abriga nosso pequeno clã, m as apoia outros grupos de revenants pelo país. Não pode ficar m orrendo a torto e a direito e ainda dar conta de tanta responsabilidade.
— Certo — adm iti. — Tudo bem que você tem um a com pulsão por m orrer. Mas isso não explica por que, entre um a m orte e outra, você faz coisas com o m ergulhar no Sena durante um a tentativa de suicídio. Era evidente que você não ia m orrer daquilo.
— Tem razão. As ocasiões em que de fato m orrem os salvando alguém são raras. Um a vez por ano, duas no m áxim o. Em geral ficam os fazendo coisas do tipo evitar que garotas bonitas sej am esm agadas pelas pedras que caem de edifícios velhos.
— Que cavalheiro — brinquei. — Mas é exatam ente isso que quero dizer. O que você ganha com isso? Tam bém é um a com pulsão?
Vincent parecia pouco à vontade.
— Que foi? Essa é um a questão pertinente. Ainda estam os falando do século XXI — insisti, na defensiva.
— Sim , m as estam os indo bem além da pergunta original.
Enquanto ele exam inava m inha expressão teim osa, seu celular tocou.
— Ufa, salvo pelo gongo — exclam ou, piscando para m im enquanto atendia à cham ada. Ouvi um a voz aguda, aterrorizada, vindo do aparelho. — Jean-Baptiste está com você? Bom . Tente se acalm ar, Charlotte. Já vou para aí.
Vincent tirou a carteira e colocou um a quantia de dinheiro sobre a m esa.
— É um a em ergência de fam ília. Tenho que ir aj udar.
— Não posso ir com você?
Nós nos erguem os para partir.
— Não. Houve um acidente. A coisa pode ser um pouco... — ele se interrom peu, escolhendo as palavras — ... desagradável.
— Quem ?
— Charles.
— E Charlotte está lá com ele?
— Sim .
— Então eu quero ir. Ela parecia transtornada no telefone. Posso aj udá-la enquanto você cuida de... o que tiver que fazer.
Ele olhou para o céu, com o se esperasse algum a inspiração divina sobre com o m e explicar as coisas.
— Em geral não é assim que acontece. Com o eu disse, norm alm ente m orrem os por alguém um a vez, talvez duas, por ano. Foi um azar que Jules e Am brose tenham m orrido j usto quando a gente com eçou a sair.
Fom os até a scooter. Vincent tirou a corrente e colocou o capacete.
— Esta é a sua vida, certo? E você prom eteu não esconder coisas de m im . Talvez isso sej a algo que eu precise ver se quero saber o que significa de fato viver com revenants. — Um a vozinha dentro de m im estava dizendo para desistir, ir para casa e ficar longe dos problem as de “fam ília” de Vincent. Eu a ignorei.
Ele tocou com um dedo m inha m andíbula cerrada, cheia de determ inação.
— Kate, de verdade, não quero que venha com igo. Mas, se insiste, não vou im pedir. Eu tinha esperança de que ainda dem orasse para você ter de enfrentar o pior, m as você está certa. Não devo proteger você da realidade.
Colocando m eu capacete, m e acom odei na garupa da Vespa. Vincent deu partida e nos levou rum o ao rio. Passam os pela torre Eiffel e estacionam os em um pequeno parque diante da ponte Grenelle. Eu conhecia o lugar porque é até ali que chegam os barcos de turistas antes de darem m eia-volta e retornarem ao centro de Paris.
Um barco de turism o estava encostado à m argem do rio, e na frente dele um a m ultidão ansiosa era m antida distante por barreiras policiais. Duas am bulâncias e um carro de bom beiros estavam estacionados no gram ado j unto ao rio, as luzes girando.
Vincent encostou a scooter em um a árvore, sem se preocupar em prendê-la e, pegando-m e pela m ão, correu até a cerca para falar com o policial do outro lado.
— Sou da fam ília — disse ao hom em , que não se m oveu, m as olhou de form a inquisitiva para seu superior.
— Deixe-o passar. Ele é m eu sobrinho — soou um a voz fam iliar, e Jean-Baptiste atravessou um a horda de param édicos para em purrar a barreira de lado e nos deixar passar. Vincent envolvera o braço firm em ente ao redor de m inha cintura, deixando óbvio que eu ia j unto com ele.
Agora que tínham os a visão desim pedida, vi três corpos na beira do rio. Um deles estava bem longe dos outros. Era um garotinho, de cinco ou seis anos, e estava estendido em um a m aca, envolto em cobertores. Um a m ulher secava o cabelo m olhado dele com um a toalha, chorando em silêncio. Um instante depois, dois param édicos aj udaram o garotinho trêm ulo a se sentar, voltado de costas para as outras vítim as, interrogando-o e à m ulher. Era evidente que ele estava bem .
Ao contrário do corpo que j azia a vários m etros de distância. Era um a m enina, talvez da m esm a idade que o garoto. Sua cabeça estava em um a poça de sangue. Um a m ulher desesperada estava a seu lado, gritando de form a desconexa.
Ah, não, pensei. Não sei se consigo aguentar isso. Reuni toda m inha força para ficar calm a e não com eçar eu m esm a a chorar. Eu sabia que não poderia aj udar se com eçasse a m e descontrolar.
E, por fim , outros três m etros m ais além , estava um terceiro corpo, este de adulto. Não se podia saber se era um hom em ou um a m ulher porque o rosto estava banhado de sangue. Um cobertor de em ergência estava sobre o corpo, que j á não precisava m ais do calor que ele pudesse fornecer. Devem estar escondendo algo horrível, pensei, e então m eus olhos se fixaram na j ovem aj oelhada ao lado dele.
Ao contrário dos outros sobreviventes, Charlotte não estava histérica. Chorava desconsolada, m as sua linguagem corporal transm itia derrota, não choque. Tinha as m ãos sobre o cobertor, pressionando o corpo do irm ão com o se tentasse im pedir que saísse flutuando no ar. Ela ergueu os olhos quando Vincent disse seu nom e e, ao nos ver, ficou em pé.
— Vai ficar tudo bem , Charlotte — sussurrou Vincent assim que a am parou entre os braços. — Você sabe que vai.
— Eu sei — soluçou ela. — Mas isso não facilita...
— Shh — ele a interrom peu, abraçando-a com força contra si, antes de soltá-la e entregá-la com suavidade para m im . — Kate veio para ficar com você. Ela pode levá-la para casa de táxi se você quiser.
— Não — Charlotte sacudiu a cabeça, ao m esm o tem po estendendo a m ão para segurar a m inha, com o se fosse um a rede de segurança. — Vou esperar até que vocês o coloquem na am bulância.
Vincent se virou para m im . Você vai ficar bem?, disse só com os lábios, sem som . Fiz que sim , e ele nos deixou para ir até Jean-Baptiste. Os dois hom ens se aproxim aram de um a terceira am bulância que acabava de chegar. Am brose desceu do lado do passageiro, forte e saudável com o um m odelo num anúncio de academ ia.
Charlotte se deixara cair de volta ao chão e passava a m ão sobre o cobertor de Charles, parecendo querer aquecê-lo com a fricção.
— Olha, se não quiser falar sobre isso agora, tudo bem — eu disse a Charlotte, com suavidade. — Mas o que aconteceu?
Ela exalou o ar dos pulm ões, seu rosto abatido m e dando um a ideia de com o seria se aparentasse sua idade real. Ergueu a m ão trêm ula e apontou para o barco turístico vazio.
— O barco. Ele foi alugado para um a festinha de aniversário de criança. Charles e eu estávam os cam inhando, com Gaspard volant, e ele nos avisou antes que as duas crianças caíssem . Charles pulou e pegou o garoto logo depois que ele afundou. Nadou com ele até a m argem , e apliquei respiração boca a boca na criança. Então ele voltou para pegar a m enininha quando ela estava sendo puxada pelo m otor. Ele tentou pegá-la, m as a hélice atingiu-a prim eiro. E então o pegou.
Ela contou a história com voz abatida e, assim que term inou, voltou a chorar baixinho, seus om bros sacudindo de encontro a m eu braço. Senti as lágrim as brotarem em m eus olhos e m e belisquei com força. Mantenha o controle, pensei. Charlotte não precisa de você chorando junto com ela.
Olhei para o rio, de onde dois m ergulhadores da polícia em ergiam . O param édico que estava j unto com Am brose tam bém os viu e foi depressa até eles. Só quando ele estava a poucos m etros, e os m ergulhadores lhe estenderam algo, com ecei a entender o que estava acontecendo.
Charlotte sentiu m eu corpo ficar tenso e ergueu o olhar para os m ergulhadores.
— Ah, que bom . Eles encontraram — ela com entou, em tom m onótono, quando o param édico pegou o saco plástico, cheio de água ensanguentada.
Desta vez não pude conter as lágrim as, e através de um a névoa vi o que o saco continha. Meu corpo ficou paralisado e o ar fugiu de m eus pulm ões com o se eu tivesse levado um chute violento no estôm ago. No saco havia um braço hum ano.