Morra por Mim

Amy Plum · Capítulo 24 de 40

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Morra por Mim

Capítulo 23

 

EM VEZ DE MELHORAR, NA SEMANA SEGUINTE ME SENTI pior, e na sexta-feira um desespero surdo com eçou a m e envolver, quando percebi que tinha pela frente um final de sem ana inteiro sem previsão de qualquer atividade que funcionasse com o distração.

Na hora do alm oço, liguei o celular para ver os torpedos diários enviados por Georgia.

Já viu a roupa de você-sabe-quem?

Odeio cálculo.

Vou sair esta noite, quer vir?

Hesitei, e então m e forcei a responder.

Onde?

Ela respondeu na hora.

Encontro você depois da aula.

Às quatro, Georgia esperava por m im no portão, com um a expressão de total incredulidade.

— Fala sério, Katie-Bean... Você vai m esm o sair com igo esta noite?

— Depende — retruquei em tom alegre, tentando não trair o desespero que sentia. — Aonde você vai?

— Tem um a balada num a casa noturna alternativa. O dono é muito am igo m eu — ela deu um sorriso m alicioso. Minha irm ã, a paqueradora inveterada. — Sério, é um lugar bem transado, em um labirinto de antigas adegas que fica debaixo de uns prédios perto de Oberkam pf. Está sem pre lotado de m úsicos e artistas; você vai am ar.

Eu não estava nada a fim de um a balada, m as era tudo o que tinha para o final de sem ana. Na verdade, para o m ês, se eu quisesse ser realista.

— Eu topo. A que horas você vai?

— Mais ou m enos às nove.

Tom am os o ônibus até a cidade e então fizem os a baldeação para o m etrô. Ao chegarm os a nossa rua, eu disse a Georgia:

— Não estou a fim de ir para casa ainda. Acho que vou dar um a volta. Não vá sair sem m im .

— Vou escolher sua roupa — disse ela, sorrindo, e subiu a rua.

Fui na outra direção e passei pelo agitado bulevar Saint-Germ ain para vaguear pelas ruazinhas tortas na vizinhança do rio.

Num a esquina m ovim entada havia um café com um grande terraço, aonde m inha avó costum ava m e levar quando eu era criança, para com er a deliciosa tarte tartin, um a torta assada de m açã servida de cabeça para baixo com um a cobertura caram elizada. O café se cham ava La Palette — um a referência à paleta de um artista, dos tem pos em que o local era frequentado por pintores e escultores. Era longe dem ais de casa para que eu o adotasse com o m eu café habitual, m as valia totalm ente a pena para um a visita ocasional.

Um vento frio soprava pelas ruas, e o terraço norm alm ente cheio de gente estava quase vazio. Passei pela porta de entrada e penetrei no interior aquecido e com um arom a delicioso de café. Um garçom m e viu e fez um gesto indicando um a m esa vazia, em um nicho quase escondido detrás da porta da frente. Perfeito. Anonim ato era exatam ente o que eu desej ava.

Sentei, guardei debaixo da m esa a sacola de livros e passei a observar a clientela do café enquanto esperava que o garçom voltasse. Um grupo de estudantes cantava ruidosam ente a um canto. Várias m esas de executivos com drinques pousados em cim a de seus papéis. Um a m ulher m uito bonita, com seus vinte e m uitos, sentada sozinha.

Dirigi m inha atenção para esta últim a. Um a cabeleira densa, de um loiro quase branco, caía-lhe pelos om bros. Maçãs do rosto salientes e olhos de um azul m uito claro davam -lhe um a aparência ligeiram ente escandinava.

Um hom em se aproxim ou dela, de costas para m im , vindo do balcão do café. Sentou-se diante da m ulher, pegou a xícara dele, que estava sobre a m esa j unto com a dela, e tom ou todo o café num único gole rápido. Então estendeu a m ão para segurar a dela, delicadam ente pousada sobre a toalha.

Ele disse algo à m ulher, e o olhar dela se desviou para a m esa. Vi um a lágrim a escorrer pela face adorável, e a m ão do hom em se ergueu de form a autom ática para lim pá-la. Ele aj eitou um a m echa do cabelo platinado atrás da orelha dela, num m ovim ento que reconheci.

E, com um a percepção repentina, m eu coração parou. Um arrepio gelado m e percorreu; quando estendi a m ão para pegar a sacola, derrubei o saleiro de vidro, que se espatifou no chão com estardalhaço. Os olhos da m ulher se cravaram em m im e ela disse algo para seu acom panhante.

Ele se virou em m inha direção e ficou paralisado, um a expressão de angústia distorcendo seu belo rosto. Meus instintos não tinham se enganado. Era Vincent.

Bem naquela hora o garçom se m aterializou à m inha frente, com um a vassoura e um a pá de lixo.

— Desculpe — consegui pronunciar. Recolhi m eu casaco da cadeira onde o pusera e passei pelo garçom , m e precipitando para fora do café.

Corri todo o cam inho até em casa, m eu rosto tão insensível que parecia ter sido inj etado com novocaína. Fui eu que o larguei, não o contrário, lem brei a m im m esm a. Por que ele não procuraria outra pessoa?

Ocorreu-m e a ideia de que talvez ele tivesse m entido sobre não ter se interessado por ninguém desde seu rom ance j uvenil. Talvez ele estivesse o tem po todo com a bela loira. Mas m eu coração partido m e dizia que eu estava errada. Vincent não teria m entido para m im . E nem Charlotte, quando disse que eu era a prim eira garota por quem Vincent tinha se apaixonado desde que se tornara um revenant.

Infelizm ente, reconhecer que ele não tinha nenhum a culpa, e que tinha sido eu quem se afastou, não fazia a dor em m eu peito doer m enos.

Quando cheguei em casa, fui direto para o quarto de Georgia e abri a porta com tudo, sem bater.

— Vam os — eu disse a ela, sem fôlego. Ela sorriu e ergueu para m im um vestido curto de renda.