Morra por Mim

Amy Plum · Capítulo 29 de 40

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Morra por Mim

Capítulo 28

 

BEM... O QUE EU podia dizer?

Eu disse:

— Sim .

Capítulo 29

 

FICAMOS SENTADOS NO CHÃO, ABRAÇADOS, OLHANDO o fogo.

— Está com fom e? — Vincent perguntou.

— Puxa, estou — confessei, surpresa. Fazia um as três sem anas que não tinha m uito apetite.

Enquanto ele ia até a cozinha, liguei para m inha avó.

— Mam ie, você se im portaria se eu não j antasse em casa? Vou com er fora.

— Pelo tom de sua voz, eu estaria correta em supor que isso tem a ver com um certo rapaz?

— Sim , estou na casa de Vincent.

— Bom , fico feliz por você. Espero que você possa resolver tudo e se reunir a nós de novo na terra dos vivos.

Estrem eci. Se ela ao m enos soubesse.

— Tem os m uito que conversar, talvez eu chegue tarde.

— Não se preocupe, querida Katy a. Mas lem bre-se de que você tem aula am anhã.

— Sem problem as, Mam ie.

Minha avó fez um a pausa tão longa que achei que tivesse desligado.

— Mam ie?

— Katy a — ela disse lentam ente, com o se estivesse pensando. Então, com voz decidida, prosseguiu. — Querida, esqueça o que acabo de dizer. Creio que é m elhor esclarecer as coisas do que insistir em um a boa noite de sono. Vincent vive com os pais?

— Vive com a fam ília.

— Ótim o. Bom , se você decidir passar a noite aí, ligue-m e, assim não fico preocupada.

— O quê? — exclam ei.

— Se for necessário faltar am anhã, não tem problem a. Você tem m inha perm issão para dorm ir na casa da fam ília dele... em sua própria cam a, claro.

— Não vai acontecer nada entre nós — com ecei a protestar.

— Eu sei — eu podia ouvir seu sorriso através da linha. — Você tem quase dezessete, m as em sua cabeça é m ais velha do que isso. Confio em você, Kate. Só resolva tudo e não se preocupe em voltar para casa por m inha causa.

— É bem ... m oderno de sua parte, Mam ie — com entei, paralisada de espanto.

— Gosto de pensar que consigo acom panhar os tem pos — ela brincou, e então disse, de form a intensa: — Viva, Katy a. Sej a feliz. Corra riscos. Divirta-se. — E desligou o telefone.

Minha avó acaba de me autorizar a passar a noite na casa de meu namorado. Isso merece o título de esquisitice do dia, decidi. Mais do que a promessa de Vincent de não morrer por mim.

Vincent voltou com um a bandej a enorm e de com ida.

— Jeanne m ais um a vez não nos deixa na m ão.

Ele colocou a bandej a na m esa. Estava lotada com frios fatiados, saucissons, queij os, baguetes e cinco ou seis tipos diferentes de azeitonas. Havia água m ineral, suco e um bule de chá. Frutas exóticas estavam em pilhadas em um a tigela, e dim inutos macarons de várias cores form avam um a pirâm ide em um prato de bolo com pé.

Coloquei na boca um a bolinha de queij o de cabra fresco e logo em seguida um a fatia de tom ate seco em óleo.

— Me sinto m im ada — exclam ei, extasiada, apoiando a cabeça no om bro de Vincent. Era tão bom poder tocá-lo, depois de três sem anas abraçando só o travesseiro.

— Ótim o. É exatam ente com o quero que se sinta. O único m odo de pedir desculpas por essa situação fora do com um é com pensar você de um m odo fora do com um .

— Vincent, j á é incrível estar aqui com você. Não preciso de m ais nada.

— Isso verem os — disse ele, sorrindo.

Enquanto com íam os, algo que Jean-Baptiste disse naquele dia m e veio à m ente.

— Vincent, o que aconteceu com Charles?

Ele ficou em silêncio um instante.

— O que Jean-Baptiste lhe contou?

— Que Charles atirou um a faca no quadro dele e depois fugiu.

— É. Bom , esse foi o fim da história. Com eçou com o acidente de barco, e só foi piorando.

— O que aconteceu?

— Um dia depois do resgate, quando a m ente dele acordou, Charles fez com que Charlotte o aj udasse a encontrar a m ãe da m enina que m orreu. Ele com eçou a segui-la, na form a volant, dom inado pela culpa de não ter salvado a criança. Depois de reanim ar, dois dias depois, ele com eçou a perseguir a m ulher. Deixou presentes na porta dela. Levou flores ao velório. Até assistiu ao enterro.

— Bem sinistro.

— Charlotte ficou preocupada e contou tudo a Jean-Baptiste. Ele cham ou Charles e o proibiu de ver a m ulher. Até sugeriu m andar os gêm eos para um a das casas que tem no sul, para distanciar Charles da situação até que ele conseguisse pensar m elhor. Foi quando Charles surtou. Ele ficou fora de controle, vociferando contra a inj ustiça daquilo tudo. Gritava que não queria ser um revenant por toda a eternidade, tendo que se sacrificar por gente que nem conhecia e se exilar quando tentava se envolver com a vida delas. Ele culpou Jean-Baptiste por alim entá-lo e cuidar dele depois que despertou, e por não deixá-lo m orrer “com o era a intenção da natureza” depois que foi fuzilado. Foi aí que atirou a faca.

— Pelo m enos não a atirou contra Jean-Baptiste!

— Foi com o se tivesse atirado, pela form a com o m agoou JB. Então ele foi em bora da casa, e Charlotte quase teve um colapso nervoso. — Vincent fez um a pausa. — Com certeza vai voltar assim que se acalm ar.

— O com portam ento dele j á parecia agressivo antes m esm o do acidente de barco.

— É. Ele sem pre teve o pensam ento m ais existencialista entre todos nós. Não que eu não tenha pensado m uito sobre nosso propósito aqui. Ele só teve m ais dificuldade em aceitar tudo.

Isso explicaria muita coisa, pensei, sentindo um pouco de pena de Charles.

— Quando ele foi em bora?

— Faz dois dias.

— Foi quando eu o vi. Sexta-feira à noite, um pouco depois da m eia-noite.

— É o que Jean-Baptiste disse. Então... você foi para a balada sem m im ? — ele m e deu um sorriso de provocação. Notei que tentava m elhorar o clim a, m udando de assunto.

— Tentei afogar as m ágoas dançando.

— Funcionou?

— Não.

— Talvez tivesse funcionado se eu estivesse com você — ele disse, todo convencido. — Será que devíam os sair para dançar um a noite dessas?

— Não sei. Nunca vi um m orto dançando. Acha que consegue acom panhar o m eu ritm o? — brinquei.

Em resposta, Vincent m e agarrou pelos om bros, chegou j unto e apertou os lábios contra os m eus.

Meus sentidos de im ediato se concentraram naqueles poucos m ilím etros de nossas peles que se tocavam . E então ele se afastou, deixando m eu coração batendo na garganta, com o se o beij o o tivesse arrancado do peito.

— Isso é um sim ? — arfei.

— Senti sua falta — disse ele, e repetiu a dose.

— É tarde. Você precisa voltar para casa — disse Vincent quando j á havíam os passado um par de horas deitados no sofá, abraçados, colocando em dia todos os pequenos eventos da m inha rotina.

— Na verdade, tenho um a autorização especial de Mam ie para passar esta noite aqui na casa de sua fam ília, caso precise de tem po para fazer as pazes com você — senti um sorriso travesso se espalhando por m eu rosto.

— O quê? — por sua cara de surpresa, parecia que agora era eu quem tinha contado algo chocante, e não ele, com o de costum e. — Sua avó está do m eu lado? Será que os prodígios nunca term inam ?

— Não sei se é bem do seu lado; eu diria que é m ais do meu. Ou talvez do dela. Ela não quer que eu sej a consum ida pelo sofrim ento debaixo do teto dela.

Vincent riu.

— Bom , a gente não vai querer abusar da confiança de Mam ie. Você pode dorm ir na m inha cam a. Eu não preciso dela, de qualquer m odo — ele piscou para m im . — Qualquer coisa para passar m ais tem po com ma belle Kate.

Eu m e derreti toda por dentro.

Enquanto ele se ocupava em reavivar o fogo, levantei-m e e vagueei pelo quarto, olhando suas coisas para ter m ais pistas sobre quem de fato era aquele suj eito m isterioso. Quando cheguei à m esa de cabeceira, fiquei paralisada. Havia um vasinho com flores onde m inha foto estivera.

— Dei sua foto para Charlotte — disse Vincent, vindo por trás de m im . — Era difícil dem ais para m im ver sua foto dia após dia, quando eu sabia que não podia ver você em pessoa.

Toquei em seu braço para ele perceber que eu não estava chateada.

— Eu lhe dou outra. Aquela não era tão boa assim .

— Boa ideia — ele exclam ou. Tirou um a câm era da m esa de cabeceira e ergueu-a com o um troféu.

— Agora? — fiz um a careta, im aginando se eu parecia tão cansada com o m e sentia.

— Por que não?

Parando a m eu lado, passou o braço ao redor de m eu om bro e segurou a câm era diante de nós.

— Fique im óvel. É m elhor sem flash — instruiu, e apertou o botão de disparo. Então virou a câm era para que pudéssem os ver a foto.

Meu coração estava em m inha boca quando olhei a im agem de m im m esm a ao lado desse cara que parecia um deus. Os olhos dele estavam sem icerrados, e, na luz suave do quarto, as olheiras sob eles na verdade o faziam parecer m ais belo do que nunca, m as com um toque som brio.

E eu... Bem , eu resplandecia. Junto dele, eu parecia estar onde de fato deveria estar. E m e sentia assim .

Ficam os conversando, sentados na cam a de Vincent, até tarde. Por fim m eus olhos com eçaram a se fechar sozinhos, e ele perguntou se eu queria dorm ir.

— Não quero, m as acho que preciso. É um a pena que sua insônia de revenant não possa m e contagiar. — Sorri, contendo um bocej o.

Ele tirou de um a gaveta um a cam iseta de um tom verde-azulado claro e j ogou-a para m im .

— Para com binar com seus olhos.

Revirei os olhos com um com entário tão m eloso, m as curti secretam ente que ele soubesse exatam ente a cor de m eus olhos. A cam iseta era grande o suficiente para chegar ao m eio de m inhas coxas.

— Perfeita — aprovei, e, ao erguer os olhos, vi que Vincent estava virado para a parede.

— Vai em frente — disse ele, com voz brincalhona.

— O que você está fazendo? — perguntei, rindo.

— Se eu for forçado a ver Kate Mercier ficar só de calcinha em m eu próprio quarto, receio que não possa responder por m eus atos diante de Mam ie. — A rouquidão da voz dele m e fez desej ar, apenas por um segundo, que ele fosse adiante com a am eaça.

Vestindo a cam iseta, inform ei:

— Ok, estou decente.

Ele se virou e m e olhou, assobiando baixinho.

— Você está m ais do que decente. Está praticam ente com estível!

— Achei que os revenants não com iam carne hum ana — gracej ei, enrubescendo a despeito de m im m esm a.

— Mas eu não disse que nunca cedem os quando pressionados além da conta — Vincent devolveu.

Im aginando se todos nossos diálogos seriam sem pre tão esquisitos, sacudi a cabeça, sorrindo, e procurei m eu celular na sacola. Mandei um torpedo para Georgia, pedindo-lhe para avisar, na escola, que eu ia ficar em casa “por m otivos pessoais” e que levaria um bilhete de m inha avó na terça-feira.

E logo depois, sentada na cam a com as costas apoiadas na parede e a cabeça no om bro de Vincent, adorm eci.

Quando acordei, de m anhã, estava sob os cobertores, a cabeça sobre um travesseiro de plum as ultram acio. Vincent tinha saído, m as havia um bilhete na m esa.

Alguém já lhe disse que você é linda quando dorme? A vontade de acordar você para dizer isso era tão grande que preferi sair em vez de me arriscar a provocar sua fúria por falta de sono. Jeanne vai preparar o café da manhã para você na cozinha.

Vesti as roupas do dia anterior e percorri o corredor, sonolenta, rum o à cozinha. Quando Jeanne m e viu entrando, deu um grito e correu até m im , tom ando m inha cabeça entre suas m ãos gorduchas e plantando um beij o enorm e de cada lado de m eu rosto.

— Ah, m inha pequena Kate. É tão bom ter você de volta. Fiquei tão feliz quando Vincent m e contou que você viria aqui ontem à noite. E ele tom ou café da m anhã hoj e! Parecia que ele estava em greve de fom e, m as era a tristeza por ter perdido você... — ela se interrom peu, cobrindo a boca com a m ão. — Eu aqui falando e falando, e você acaba de acordar. Sente-se, sente-se. Vou lhe servir algo. Café ou chá?

— Café — respondi, lisonj eada com tanta atenção.

Jeanne e eu conversam os enquanto eu com ia. Ela quis saber tudo sobre m inha fam ília, de onde eu era, e com o era viver em Nova York. Perm aneci ali um pouco, depois de term inar de com er, m as eu não via a hora de encontrar Vincent.

Jeanne percebeu. Recolhendo m inha xícara e m eu prato vazios, ela m e m andou em bora da cozinha.

— Tenho certeza de que você não planej a passar o dia aqui com igo. Vá procurar Vincent. Ele está se exercitando no ginásio.

— Onde é? — indaguei, curiosa por um lado da vida de Vincent que eu ainda não conhecia.

— Com o sou tonta, fico pensando que j á conhece a casa, m as você esteve aqui tão poucas vezes. Fica no porão. A porta da esquerda ao sair da cozinha.

Eu os ouvi antes de vê-los. O som de aço contra aço. As respirações pesadas, grunhidos e exclam ações. Parecia a trilha sonora de efeitos especiais para um film e de artes m arciais sendo tocada a todo volum e em um a câm ara de eco. Term inei de descer a escada e olhei ao redor, espantada.

O aposento se estendia por todo o com prim ento da casa. O teto de pedra estava curvado em um a abóbada. Janelas pequeninas alinhavam -se no alto da parede, em toda sua extensão, no que devia ser o nível do chão lá fora. Raios de sol entravam em ângulo no am biente, transform ando as partículas rodopiantes de poeira em estranhas colunas de fum aça.

As paredes estavam revestidas com arm as e arm aduras, de todos os tipos, desde balestras, escudos e espadas m edievais a m achados de batalha e lanças. No m eio havia, ainda, espadas contem porâneas e um a grande variedade de rifles de caça e velhas arm as m ilitares.

No m eio da sala, Vincent brandia um a espada pesada, de em punhadura dupla, atacando outro hom em , cuj o cabelo preto estava am arrado em um rabo de cavalo. Este defendeu-se, erguendo sua própria lâm ina, de aparência tem ível, para desviar o golpe. A velocidade e a força deles era algo assom broso.

Vincent usava calças largas de caratê, m as estava descalço e sem cam isa. Ao m anej ar a espada, seus m úsculos abdom inais duros com o rocha e seus peitorais am plos ondulavam à m edida que ele erguia e abaixava a arm a. Seus m úsculos eram bem delineados, m as não sarados com o os de Am brose. O corpo dele era perfeito.

Depois de alguns m inutos de espionagem declarada, entrei no aposento, e o outro hom em olhou para m im e acenou com a cabeça.

— Kate! — disse Vincent, correndo até onde eu estava. Ele tom ou m eu rosto entre as m ãos e m e deu um selinho suado nos lábios. — Bom dia, mon ange. Gaspard e eu estávam os só treinando. Term inam os daqui a uns m inutos.

— Gaspard! — exclam ei. — Eu nem o reconheci.

Com seu cabelo rebelde afastado do rosto, ele parecia quase... norm al. E, na intensidade da luta, havia perdido toda sua falta de j eito e hesitação.

— Não deixe que a aparência norm al de poeta louco de Gaspard engane você — declarou Vincent, lendo m inha m ente. — Ele passou os últim os cento e cinquenta anos estudando arm am entos, e não se im porta em servir com o instrutor de artes m arciais para nós que som os m ais j ovens.

Gaspard guardou a espada na bainha. Aproxim ou-se e, com um a m esura, disse:

— Mademoiselle Kate. Devo dizer que é um prazer vê-la aqui de novo. — Agora que não em punhava a espada, havia perdido os m ovim entos suaves, voltando a ser o suj eito nervoso de antes. — Quero dizer... dadas as circunstâncias... isto é, com Vincent estando tão inconsolável...

— Se você parar por aí... — interrom pi, rindo — ... ainda posso tom ar com o um elogio.

— Sim , sim . Claro — ele deu um sorriso inquieto e indicou com a cabeça a espada de Vincent, que estava no chão. — Quer tentar, Kate?

— Você tem seguro de vida? — gracej ei. — Porque eu seria bem capaz de m atar a nós três se m e pusessem na m ão um a lâm ina m ortal.

— É m elhor você tirar o suéter — sugeriu Vincent.

Meio envergonhada, eu o tirei, revelando apenas um a cam iseta regata por baixo. Ele assobiou em apreciação.

— Para com isso — sussurrei, enrubescendo.

Gaspard ergueu a espada, e sua face ficou calm a. Com um m ovim ento suave do queixo ele sinalizou que m e adiantasse. Vincent se pôs detrás de m im , suas m ãos sobre as m inhas, que seguravam o punho da arm a.

A espada parecia ter sido roubada do cenário de Excalibur, um a daquelas lâm inas trem endam ente pesadas que a gente vê os cavaleiros de arm aduras erguendo com dificuldade. O punho tinha form a de cruz, com o cabo longo o suficiente para acom odar um a m ão acim a da outra e ainda sobrar m uito espaço. Juntos, Vincent e eu erguem os do chão a espada. Então ele soltou, e ela despencou.

— Caram ba, quanto pesa esta coisa?

Vincent riu.

— Nós treinam os com as espadas m ais pesadas, assim , quando usam os um a arm a m enor e m ais m anobrável, é com o segurar um a plum a. Agora tente este — ele m e ofereceu um espadim m enor que tirou da parede.

— Ok, este eu consigo usar — falei, testando seu peso em m inha m ão.

Gaspard estava em pé, a postos, e avancei com Vincent atrás de m im , os braços ao redor dos m eus. Sentindo seu torso nu pressionando com firm eza m inhas costas e a pele quente roçando m eus braços, por um segundo esqueci o que estava fazendo, e a lâm ina baixou, apontando para o chão. Forçando-m e a prestar atenção, m e endireitei. Concentre-se, pensei. Eu queria ter pelo m enos um a chance m ínim a de evitar a hum ilhação com pleta.

Eles m e m ostraram alguns m ovim entos tradicionais de esgrim a, em câm era lenta, e então passaram para m ovim entos m ais dinâm icos, de ataque ao estilo das artes m arciais. Depois de cinco m inutos, eu j á estava sem fôlego. Envergonhada, agradeci a Gaspard, sugerindo que seria m elhor eu m e sentar e só assistir ao resto da sessão, com eçando do zero em outra hora.

Tom ando a espada de m inha m ão, Vincent abraçou m inha cintura de form a bem -hum orada e m e soltou. Pela m eia hora seguinte, observei-os enquanto m udavam de um a arm a para outra, am bos exibindo com todas elas um a m aestria assom brosa.

Finalm ente ouvi passos na escada, e Am brose entrou na sala.

— Então, Gaspard, j á acabou de brincar com o fracote? Está pronto para um hom em de verdade? — provocou, e então abriu um sorriso enorm e ao m e ver.

— Katie-lou, quem diria! Então a gente não conseguiu apavorar você para sem pre?

Eu sorri e sacudi a cabeça.

— Infelizm ente não. Parece que vão ter que m e aguentar.

Ele m e abraçou e então se afastou um passo para m e olhar com carinho.

— Por m im tudo bem . Sem pre é bom ter um colírio para os olhos por aqui.

Conviver com aquele bando de caras ia ser bom para m inha autoestim a, pensei, estivessem eles tecnicam ente vivos ou não.

— Ok, afaste-se, Am brose. Você pode ser m aior do que eu, m as tenho um a espada — exclam ou Vincent.

— Ah, sério? — divertiu-se Am brose. Erguendo um a das m ãos, tirou da parede um m achado de batalha tão alto quanto ele. — Vam os ver o que você tem , Rom eu.

E, com isso, eles deram início a um a luta a três, que superou qualquer coisa que eu tivesse visto no cinem a, e sem nenhum efeito especial de Holly wood.

Por fim Vincent pediu tem po.

— Não que eu não pudesse lutar com você o dia inteiro, Am brose, m as tenho um encontro, e é falta de educação fazer um a dam a esperar.

— Conveniente, isso, bem quando você estava com eçando a se cansar — riu Am brose. Voltando a lutar com o professor, ele passou para um ritm o m ais lento.

Vincent apanhou um a toalha em um a cadeira e lim pou o suor da face.

— Chuveiro. Vou levar só um m inuto.

Ele foi até um canto da sala e entrou em um cubículo de m adeira do tam anho de um a sauna, com um chuveiro enorm e aparecendo na parte de cim a, aberta.

Am brose e Gaspard continuaram o treino, o m ais velho parecendo que poderia continuar aquilo por horas sem descansar. Fiquei olhando, fascinada, quando eles pararam e com eçaram a treinar o que pareciam m ovim entos de pé, em algum estilo de esgrim a, enquanto Gaspard dava instruções.

Antes de segurar aquela espada, eu nunca tinha im aginado com o eram difíceis as artes m arciais. Os film es faziam parecer tão fáceis, com aquelas subidas em paredes e as lutas acrobáticas com espadas. Mas ali, com a transpiração e os grunhidos, e a força em pregada em cada m ovim ento, eu percebia estar diante de um a perícia realm ente de tirar o fôlego. Aqueles hom ens eram letais.

O ruído do chuveiro cessou, e Vincent saiu apenas com um a toalha enrolada na cintura. Ele parecia um deus saído direto de um quadro da Renascença, a pele m orena retesada sobre o torso m usculoso e o cabelo preto caindo ondulado. Era com o se eu estivesse em um sonho. Então aquele sonho veio direto até m im e m e pegou pela m ão.

— Vam os subir? — perguntou.

Fiz que sim com a cabeça, incapaz de falar.