Morra por Mim

Amy Plum · Capítulo 32 de 40

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Morra por Mim

Capítulo 32

 

NO DIA SEGUINTE, GEORGIA SAIU PARA A ESCOLA ANTES m esm o que eu chegasse à m esa do café. Por detrás de seu j ornal, Papy perguntou, com voz cansada:

— Vocês estão na Quarta Guerra Mundial agora, ou é a Quinta?

Eu não a vi no intervalo das aulas, e depois ela desapareceu. Minha irm ã estava m e evitando, e isso m e m agoava. Mas eu sabia que tinha feito a coisa certa ao alertá-la quanto a Lucien. Vincent tinha dito que talvez nada de m al acontecesse a ela. Mas, naquelas circunstâncias, “talvez” era, para m im , um a palavra grande dem ais.

Fui para a casa de Jean-Baptiste ao voltar da escola e m andei um torpedo para Vincent da rua, de m odo que os portões estavam se abrindo quando cheguei. Ele esperava por m im , com a m esm a expressão preocupada de quando nos despedim os na noite anterior.

— Algum a novidade? — perguntei enquanto íam os para seu quarto.

— Não.

Ele abriu a porta e ficou de lado educadam ente para m e deixar entrar prim eiro. Existem algumas vantagens em namorar um cara de outra era, pensei. Em bora eu sej a um a grande partidária da igualdade de gêneros, tenho o cavalheirism o em altíssim a conta.

— Estivem os fora toda a noite, procurando. É com o se todos os numa da cidade sim plesm ente tivessem desaparecido. Fom os a todos os bares e restaurantes que sabem os que têm ligação com eles, e só vim os funcionários hum anos. Nenhum sinal deles.

— Isso podia ter sido perigoso de verdade, não é?

Tentei im aginar o que aconteceria num confronto entre os revenants do bem e os do m al. Desm ortos saltando de um lado para o outro, com espadas, em m eio à clientela assustada.

— Se eles estivessem lá, podia ter sido perigoso. Mas com hum anos ao redor eles não ousariam nos atacar.

Pensei em Am brose sendo esfaqueado a poucos m etros de um a m ultidão de hum anos e suspeitei de que Vincent estivesse m inim izando o perigo, para m e poupar.

— Mas não acham os ninguém para interrogar. Eles não têm um a casa fixa com o nós. Assim , é im possível saber onde é a base deles.

— Com o Charlotte está encarando tudo?

— Nada bem . Ela saiu com os outros agora, para procurar.

— Por que você não foi com eles?

— Hoj e é a “grande noite”. E j á m e sinto fraco. Eu não seria de grande aj uda se de fato encontrássem os algo.

— Então quando com eça... essa história da dorm ência? — perguntei.

— Durante a noite — ele respondeu. — Na noite em que a dorm ência com eça, em geral eu fico vendo film es ou acum ulando calorias, porque não consigo fazer m ais nada.

Ele acenou com a m ão para a m esa de café, que estava posta com chá e um a infinidade de petit fours.

Olhei para ele, achando graça.

— Jeanne?

— Quem m ais? — ele respondeu com um a risada. — Toda vez que você nos visita, ela age com o se estivéssem os recebendo a realeza.

— E está m uita certa — retruquei, erguendo o queixo um pouco m ais, antes de m e atirar no sofá para atacar um a m inibom ba de chocolate. — Cadê a tevê?

— Ah, eu assisto em nossa sala de vídeo. Am brose é doido por film es, e convenceu Jean-Baptiste a construir nosso próprio cinem a aqui em casa. Está no porão, perto do ginásio.

— Ah, isso é algo que eu adoraria ver.

— Talvez eu tenha um ou dois dos seus film es favoritos esperando por você lá em baixo. Podem os até pedir um a pizza e j antar com estilo. Isto é um encontro?

— Um encontro de verdade! Aceito! — quase gritei. Tentando m oderar o entusiasm o, continuei: — Mas só porque você afirm a ser um a com panhia chata. Se não fosse isso, eu ficaria perfeitam ente bem aqui, olhando seus olhos durante a noite toda.

Vincent fez um a pausa, m e olhando desconfiado por um segundo, e então sorriu.

— Sarcasm o? — perguntou.

— Sim — respondi, rindo. — Você é bem rápido para um velhinho.

— Droga, e eu que achava que finalm ente havia encontrado um a verdadeira rom ântica — brincou, e então hesitou, um a expressão séria ocupando seu rosto. — Falando de com panhia chata, você se im porta se falarm os sobre o que fazer enquanto eu estiver adorm ecido?

— Vá em frente. — Fiquei im aginando o que estava por vir.

— Am anhã vou estar m orto de corpo e m ente. Prefiro que você não m e vej a enquanto sou incapaz de m e com unicar. Mas, a partir da m anhã de sexta-feira, m inha m ente vai estar desperta. Para que você não tenha a im pressão de que estou perseguindo você, tenho sua perm issão para aparecer e ver você... na form a volant?

— Esse deve ser o pedido m ais estranho que j á recebi — dei um a risada. — Não sei... você pode fazer algo para que eu saiba que está por perto? Com o escrever um a m ensagem de texto assom brada? Ou fazer m inha caneta se m exer?

— Não. Só se alguém que pode m e ouvir estiver com você, com o Charlotte ou Jules.

Pensando em m eu quarto bagunçado, ao qual eu esperava que ele não tivesse ido em segredo, enquanto flutuava por aí, perguntei:

— Você não estará “cam inhando” com alguém , de serviço?

Vincent sorriu, com pequenas linhas de fadiga sulcando os cantos de seus olhos.

— Bom , sim , se alguém estiver cam inhando, tam bém estarei. Mas eu gostaria de ver você enquanto estiver m orto.

— Então por que não venho para cá? Desse j eito, quem quer que estej a em casa pode “interpretar” para m im .

— Se você não se im porta, seria ótim o — concordou ele. Notei que estava se apoiando no sofá com um a das m ãos.

— Tudo bem , Vincent?

— Sim . Mas estou com eçando a m e sentir fraco. Nada m uito im portante. — Ele respirou fundo e sentou a m eu lado no sofá. — Então, am anhã não dá m esm o, m as vou adorar ver você na sexta.

— Feito. Venho na parte da m anhã. Com o am anhã é Ação de Graças nos Estados Unidos, vai ser feriado na escola am anhã e sexta. Vou trazer a lição de casa e faço aqui.

Pedim os pizza e, enquanto esperávam os que chegasse, nos acom odam os no sofá.

— Com o foi ontem à noite com Georgia? — ele quis saber.

Eu vinha evitando o assunto, com a esperança de não precisar contar a Vincent que havia falhado.

— Não estam os nos falando — adm iti.

— O que aconteceu?

— Não contei a ela que você conhecia Lucien. Eu tinha m edo de que ela pudesse dizer algo a ele. Só disse que você conhecia a reputação dele e por quais tipos de atividades crim inosas ele e os associados são conhecidos. Ela não acreditou, e quer que a gente não se m eta na vida dela.

— Você está chateada. — Ele m e envolveu em seus braços.

— Sim , estou. Não porque Georgia e eu estam os brigadas. Isso não é nada fora do com um . Estou chateada porque tem o por ela. Ela disse que eles estão se vendo só de vez em quando. Mas não posso deixar de m e preocupar.

— Você fez tudo o que podia. Não pode controlar sua irm ã. Tente não pensar nisso.

Mais fácil dizer do que fazer.

Depois que a pizza chegou, fom os lá para baixo, para a sala de vídeo, e nos instalam os em um grande sofá de couro surrado, para ver Bonequinha de Luxo, que Vincent pegou de um a enorm e coleção de film es. Sentados na sala escura, com endo fatias de pizza de cogum elos e parm esão, pela prim eira vez senti de fato que Vincent e eu estávam os fazendo algo que um casal de verdade, norm al, faria. Isto é, exceto pelo fato de eu ficar pensando no que ia acontecer com ele depois da m eia-noite.

Fui em bora por volta das nove. Ele insistiu em ir com igo até em casa, e percorrem os as ruas noturnas de Paris a passo de caracol. Ele parecia bem fraco, com o se de fato tivesse oitenta e sete anos. Era difícil de acreditar que era o m esm o suj eito que, poucos dias antes, estivera usando um a espada tão pesada quanto um sofá. Ao chegarm os a m inha porta, ele m e deu um beij o lento e suave, e se virou para ir em bora.

— Tom e cuidado — eu disse a ele, sem saber qual a regra de etiqueta para dizer tchau a alguém que vai passar m orto os três dias seguintes. Vincent piscou e m e soprou um beij o. Virou a esquina e se foi.