Morra por Mim
Capítulo 40
— Olé! — GRITOU PAPY QUANDO A ROLHA PARTIU DA garrafa com o um tiro, dando um susto em todos nós, e a seguir serviu o cham panhe com cuidado, em nossas longas taças flute, enquanto saudávam os.
Ele ergueu sua taça em um brinde, e copiam os seu gesto.
— Quero desej ar um feliz aniversário de dezessete anos a m inha princesa, Kate. À esperança de que este sej a um ano m ágico para você!
— Bravo! Isso m esm o! — entoou Mam ie, encostando sua taça na m inha. Ela suspirou: — Ah, voltar aos dezessete. Era m inha idade quando conheci seu avô. Mas dem orou m ais de um ano para ele prestar atenção em m im — disse, rom ântica.
— Era tudo parte de m eu plano — devolveu ele, piscando para m im . — De qualquer m odo, eu com pensei o tem po perdido, não foi?
Mam ie concordou e lhe deu um beij o afetuoso antes de brindar com ele. Inclinei-m e para diante para brindar com Papy e então m e virei para Georgia, que segurava a taça na m ão esquerda, um a vez que a direita ainda estava engessada.
— Feliz aniversário, Katie-Bean — disse ela, sorrindo com carinho para m im , e então baixou os olhos para a m esa, com o se estivesse constrangida.
Georgia não voltara a ser a m esm a desde “o acidente”, com o m eus avós o cham aram . Meus ferim entos podiam ficar ocultos debaixo das roupas de inverno, m as Georgia teve que explicar o gesso na m ão.
Ela disse que havia entrado no m eio de um a briga na casa noturna e tinha sido derrubada e pisoteada. Papy e Mam ie ficaram tão horrorizados que a proibiram de ir a barzinhos e casas noturnas. Curiosam ente, ela pareceu nem ligar, e agora passava as noites de form a m ais tranquila, indo a j antares ou ao cinem a com uns poucos am igos. Desde aquela noite, ela abdicara dos hom ens, j urando com veem ência que não iria m ais confiar em seus instintos, m as eu sabia que não ia durar m uito tem po.
Ela viera a m eu quarto algum as vezes, tarde da noite, m e acordando para chorar em m eu om bro ou para que eu a distraísse de seus pesadelos frequentes. Ela queria saber tudo sobre os revenants. E eu contei. Não m e im portava a ordem de Jean-Baptiste, pois eu sabia que podia confiar nela. Agora que não havia m ais segredos entre nós, Georgia m e tratava com um respeito inédito e agia com o se Vincent fosse o m áxim o.
— A um ano feliz para nós duas — sorri para ela, e então m e virei para Vincent, que esperava sua vez.
Ele viera naquela noite usando um smoking preto vintage, e quase desm aiei quando abri a porta.
— Hã, será que esqueci de lhe dizer que j usto hoj e m inha fam ília não ia se vestir a rigor para o j antar? — disse eu, m inha ironia anulada pelo fato de que eu estava deslum brada com sua aparência.
Ele parecia um galã de cinem a das antigas, o cabelo preto penteado para trás ressaltando suas feições esculturais. Ele apenas m e deu um sorriso m isterioso e se recusou a responder.
Agora nossas taças se tocavam , e ele m e deu um selinho inocente nos lábios antes de dizer:
— Feliz aniversário, Kate.
Seus olhos brilhavam , m aliciosos, enquanto ele m e fitava daquele j eito que sem pre m e derretia, com o se eu fosse com estível e ele m al pudesse se controlar para dar um a m ordida.
— É m elhor vocês irem andando, crianças — disse Mam ie, por fim .
— Ir aonde? — perguntei, confusa.
— Obrigado por m anterem em segredo m eus planos de aniversário — disse Vincent a m inha fam ília. Então, virando-se para m im , disse: — Você vai precisar disto aqui, prim eiro.
Ele puxou um a grande caixa branca de sob a m esa. Corando, desam arrei o laço e abri o pacote. Bem acom odado entre cam adas de papel fino havia um tecido de seda azul-escuro com um bordado em estilo asiático, florzinhas e trepadeiras prateadas e verm elhas.
— O que é isso? — exclam ei.
— Tire para ver! — disse Mam ie.
Tirei o tecido e ergui-o para ver. Era um vestido m aravilhoso, sem m angas, longo, com cintura im pério e tiras para am arrar atrás do pescoço. Quase o deixei cair, de tão m aravilhoso.
— Ah, Vincent, nunca tive nada tão lindo. Obrigada! — beij ei-o no rosto. — Mas quando vou ter oportunidade de usá-lo? — disse eu, colocando o vestido com cuidado de volta na caixa.
Ele deu um sorriso enorm e.
— Bom , hoj e, para com eçar. Vá se trocar. Georgia m e disse seu núm ero, então deve servir.
O sorrisinho presunçoso de Georgia reapareceu em seu rosto. Era bom vê-la com o era antes, m esm o que por um m ero instante.
— Vou com você — ela disse, e fom os as duas para m eu quarto.
— Quando ele lhe perguntou isso? — interroguei-a enquanto tirava a roupa e colocava o vestido, pela cabeça.
Georgia abotoou as costas do vestido e am arrou as tiras num nó na nuca, por baixo do cabelo.
— Para cim a, acho — ela disse, torcendo m eu cabelo com prido e prendendo-o com gram pos em um coque sim ples m as elegante, por trás da cabeça. — Faz um a sem ana. Ele m e ligou da loj a de um costureiro novo m uito chique e m e perguntou que núm ero você vestia. Parece que acertei.
Ela ficou olhando o vestido, com um a invej a óbvia. Tocou a cicatriz em m eu braço e foi para seu próprio quarto, voltando com um bolero fino com o teia de aranha.
— Dá para esconder com isso — ela disse, aprovando. — Caram ba, é um vestido m aravilhoso.
Ela passou o dedo pela seda, enquanto olhávam os m eu reflexo no espelho.
— Uau, vendo você assim , não posso crer que é a m esm a garota que nem duas sem anas atrás estava fazendo um a im itação tão convincente da Um a Thurm an em Kill Bill.
Abracei-a quando saím os do quarto.
Vincent esperava por m im no hall de entrada. O fogo em seus olhos quando m e viu revelava exatam ente com o eu lhe parecia.
— Ah, querida, você está deslum brante! — exclam ou Mam ie, sorrindo ao m e entregar um casaco longo com capuz. — Você vai precisar disto para ficar aquecida. Sem pre foi grande dem ais para m im , m as para você vai ficar perfeito.
— Você é linda, com o era sua m ãe — sussurrou Papy , em ocionado, beij ando m inhas faces e desej ando que nos divertíssem os.
Georgia nos levou até a porta e descem os as escadas.
Quando saím os para a rua e para o frio cortante, fiquei feliz pelo casaco de Mam ie, tão abrigado que eu podia deixá-lo aberto, exibindo o vestido. Na m etade do quarteirão, Vincent parou, virou-se para m im e sussurrou:
— Kate, sinto-m e tão... — ele se interrom peu, parecendo buscar as palavras — ... tão honrado em estar com você. Tão afortunado. Obrigado.
— O quê? — retruquei, incrédula. Ele se aproxim ou para m e beij ar, e ergui a boca para encontrar a dele.
Quando nossos lábios se tocaram , m eu corpo se colou ao dele. Senti seu coração bater j unto ao m eu, e um calor delicioso se espalhou dentro de m im , quando respondi a seu beij o. Vincent segurou m eu rosto com suavidade, enquanto seus lábios pressionavam os m eus com m ais insistência. O calor dentro de m im se transform ou em um a torrente de lava.
Finalm ente rom pendo nossa conexão, ele m e tom ou em seus braços.
— Mais. Depois — ele prom eteu. — Quando não estiverm os no m eio de um a rua da cidade.
Ele m e olhou com o se eu fosse seu próprio m ilagre pessoal e, envolvendo m eus om bros com o braço, m e apertou com força enquanto cam inhávam os rum o ao rio.
Um a vez lá, descem os o longo lance de degraus até o cais. Ri quando localizei um vulto fam iliar parado a alguns m etros.
— O que está fazendo aqui, Am brose, no m eio de m eu encontro rom ântico de aniversário?
— É só parte do plano, Katie-Lou. Só parte do plano. — Ele se curvou para m e beij ar o rosto. — Deixe-m e vê-la.
Ele deu um passo para trás e assobiou baixinho enquanto eu deixava o casaco cair até o m eio de m eus braços, para exibir o vestido.
— Vin, você é um cara de sorte — ele disse, dando no om bro de Vincent um soco de brincadeira, m as que parecia ter doído. Vincent esfregou o local, rindo.
— Valeu. Justo o que eu precisava, lesões corporais bem quando estou tentando im pressionar m inha nam orada.
— Ah, você vai ficar im pressionada — sorriu Am brose. — E com razão.
Com um m ovim ento da m ão, ele nos convidou a ir até a beira d’água.
— Vej am o que estou aqui paj eando para vocês faz um a hora e m eia.
Um barquinho a rem o, pintado com um verm elho brilhante, balançava suavem ente nas ondas do rio.
— O que é isso? — exclam ei.
Vincent apenas sorriu e disse:
— Em geral eu diria “Dam as prim eiro”, m as neste caso...
Ele desceu os degraus íngrem es de pedra na lateral do cais e em barcou no bote com agilidade. Am brose m e aj udou a descer m etade do cam inho e então Vincent segurou m inha m ão e desci com cuidado na em barcação que se m ovia.
Am brose nos saudou antes de ir em bora.
— Me m anda um torpedo quando precisar de m im , cara — falou por cim a do om bro, enquanto subia os degraus até o nível da rua.
Vincent desprendeu os rem os e rem ou para oeste, em direção às luzes cintilantes do Museu d’Orsay .
— Pegue um a m anta — ele apontou um a pilha de m antas e cobertas felpudas, no fundo do barco. Ele tinha pensado em tudo.
— Com o... com o você conseguiu este barco? Ele pelo m enos está dentro da lei? — balbuciei.
— Tão dentro da lei quanto qualquer negócio de Jean-Baptiste. Mas, para responder a sua questão, sim , o barco está registrado na prefeitura de Paris. Não serem os abordados pela polícia. — Ele riu disfarçadam ente e então disse. — E aí, quando vai querer seus presentes?
— Está brincando, Vincent? Não preciso de m ais nenhum presente. Este é o presente m ais incrível que alguém j á m e deu. Um passeio de barco pelo Sena? Usando um lindo vestido de seda? Deve ser um sonho!
Fiquei olhando as luzes dos Jardins das Tulherias enquanto passávam os diante de um edifício m onum ental com colunas gregas, que se erguia im ponente na m argem esquerda. Enorm es estátuas de deuses e deusas flanqueavam o edifício. Naquela noite, com Vincent a m eu lado, eu sentia com o se pudesse estar ali, bem no m eio deles.
— Abra seus presentes — ele pediu, com um sorriso sexy. — Estão em baixo das m antas.
Ele tirou seu casaco pesado e continuou rem ando. Procurei sob as m antas e encontrei dois pacotes em brulhados com papel prateado.
— Abra o m aior prim eiro — disse Vincent, com voz tranquila. Ele não estava nem ofegando por causa do exercício.
Com cuidado, eu o abri e vi, aninhado em papel fino, um a bolsa pequenina feita de um a seda com m otivos asiáticos que com binava com m eu vestido, tendo com o alça um a longa corrente que chegava à altura da cintura. O fecho eram duas flores esm altadas, em verm elho e prateado, com binando com as do tecido.
— Ah, m eu Deus, Vincent, é m aravilhoso — sussurrei, acariciando a bolsa com os dedos.
— Abra. — O brilho em seus olhos m e dizia que ele estava curtindo a situação tanto quanto eu. Talvez m ais.
Em purrei as flores com cuidado, separando-as para abrir a bolsa, e tirei de dentro um pequeno bloco de ingressos. Erguendo-os à luz dos postes de ilum inação da beira do rio, vi o logotipo da Opéra Garnier.
Olhei Vincent com curiosidade.
— Você m e disse que gostava de dança. São ingressos para a tem porada da Opéra Garnier, onde acontecem todos os balés e eventos de arte contem porânea. Reservei um cam arote particular que vai ser nosso por toda a tem porada. O vestido é para você usar lá, m as, com o ainda faltam algum as sem anas para a prim eira apresentação, não quis que você tivesse que esperar para estreá-lo.
Eu não sabia o que dizer. Meus olhos se encheram de lágrim as.
Vincent parou de rem ar.
— Que foi, Kate? Você está aborrecida? Você disse que queria sair para encontros norm ais hum anos, e eu achei que esta seria um a boa ideia.
Finalm ente achei m inha língua.
— Não tem nada norm al em ingressos para toda a tem porada e um cam arote particular na Opéra Garnier. Ou encom endar um vestido sob m edida para m im . Não, Vincent... — sacudi a cabeça. — “Norm al” não seria a palavra.
Sua expressão se suavizou quando ele percebeu que eu não estava chateada, apenas assom brada.
— Então qual seria a palavra? Anorm al?
— Excepcional. Extraordinário. O exato oposto de norm al.
— Bem , querida Kate, com o lhe expliquei um a vez, estou pedindo a você que troque um a vida norm al por algo extraordinário. Quero com pensar isso de um m odo extraordinário.
— Você está fazendo um ótim o trabalho.
— Tem m ais um para abrir — ele apontou a caixa restante.
Abri o papel e tirei um a caixinha de j oias, do tam anho que acom odaria um a pulseira ou gargantilha. Ergui os olhos para ele, alarm ada.
— Vincent, é cedo dem ais para esse tipo de coisa — disse eu, sem j eito.
— Acho que j á conheço você um pouquinho — ele disse, obviam ente se divertindo com m eu desconforto. — Você acha que eu iria assustá-la dando j oias assim tão cedo? Pode acreditar, não é o que você pensa.
Abri a caixa bem devagar. Dentro havia um cartão. Num a letra m iúda, de aparência antiga, estava escrito: Para Kate Beaumont Mercier, lições de esgrima dadas por mim, Gaspard Louis-Marie Tabard. Número de aulas especificado por V. Delacroix: tantas quantas você quiser.
— Ah, Vincent! — gritei, j ogando-m e para diante para abraçá-lo e quase virando o barco. — Isso é perfeito.
Voltei a m e sentar e sacudi a cabeça, atordoada, enquanto ele ria e endireitava o barco.
— Você é perfeito — suspirei, e ele m e deu um de seus sorrisos sonhadores, que quase m e derrubou pela borda do barco para dentro d’água.
— Esse presente é m ais um agradecim ento por m e salvar de ficar flutuando por aí com o um fantasm a sem corpo pelo resto da eternidade — ele explicou.
— Mas foi você quem fez todo o trabalho — protestei.
— Não teríam os conseguido fazer isso j untos se você não tivesse tanta força de vontade. Agora você vai ter tam bém a habilidade física. Tenho esperança de que você nunca precise usá-la num a situação da vida real, m as com o você concordou em com partilhar ao m enos um a partezinha de m inha vida... — ele m e deu um sorriso cauteloso — ... vou m e sentir m elhor se estiver capacitada a enfrentar o que aparecer.
As lágrim as que eu vinha segurando com eçaram a escorrer por m inhas faces.
— Kate, não era para você chorar — disse ele, prendendo os rem os em seus anéis. Ele deslizou de seu banco para frente e sentou no fundo do barco diante de m im .
Flutuam os sob a ponte de Alexandre III, a ponte m ais linda de Paris, com suas guirlandas de pedra enfeitando-lhe o arco e lâm padas de bronze e vidro brilhando por cim a. Mas m al pude ver sua beleza opulenta enquanto sua som bra nos envolvia e nos libertava do outro lado. Isso porque o rapaz à m inha frente concentrava toda m inha atenção. Fechei os olhos com m edo de ser arrebatada por m inhas em oções.
Ele queria estar com igo. A ponto de m udar sua vida por m im . A ponto de se lançar rum o a um futuro desconhecido. Por m im .
Eu o amo. Eu vinha m antendo essas três palavras guardadas bem fundo dentro de m im , para m inha própria proteção. Mas eu estava farta de autopreservação e m eu coração estava aberto. Eu tem era que o am or m e tornaria vulnerável. Em vez disso eu m e sentia poderosa.
— Kate, você está bem ? — Ele lim pou as lágrim as de m eu rosto.
Erguendo com cuidado o vestido até m eus j oelhos, tam bém m e sentei no fundo, diante dele. Ele segurou m eus tornozelos e envolveu m inhas pernas ao redor de seus quadris, até que eu estava sentada bem aconchegada entre suas pernas, nossas faces a centím etros um a da outra.
Quando ele m e pegou em seus braços, apoiei a cabeça em seu om bro e fechei os olhos. Deixei a constatação de que eu o am ava crescer até m e inundar com um calor que fez toda a superfície de m inha pele arder com o se estivesse em cham as.
Nosso barco virou um a esquina do cais, e quando abri os olhos vi a torre Eiffel, um a curta distância rio abaixo, coberta por um m ilhão de luzes pequeninas e brilhando com o um a árvore de Natal. Seu reflexo na superfície da água cintilava com o um universo de cristais m inúsculos.
— Ah, Vincent, olha! — exclam ei.
Ele sorriu e acenou com a cabeça, sem precisar se virar, pois podia ver o reflexo em m eus olhos.
— Seu últim o presente. Foi isso que viem os ver. Feliz aniversário, Kate. Mon ange.
E, em um suspiro tão suave que eu não sabia se era m inha im aginação, ele m urm urou:
— Meu am or.
Em bora eu estivesse sentada em um barco no Sena, flutuando em m eio a m il pontos lum inosos, abraçada a m eu prim eiro am or, eu não podia deixar de pensar sobre nossas chances.
Sorte, norm alidade, destino... nada disso parecia estar do nosso lado. Sim plesm ente estarm os j untos j á ia contra todas as probabilidades. Tudo o que eu sabia era que algo bom havia com eçado. Um a cham a se acendera. E todo o universo agora observava para ver se ela iria se apagar.
Tudo o que eu podia fazer era prender a respiração. E esperar.
Você terminou Morra por Mim
Amy Plum
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