O Arqueiro e a Feiticeira: A Caverna de Cristais
4 - Pântano
CAPÍTULO 4
Pântano
M ark avançava com dificuldade pelo pântano. A cada passo, os pés afundavam com m ais força
na lam a m alcheirosa. Arbustos baixos e espinhosos tam bém dificultavam a travessia. “Estou
perdido”, pensou o cavaleiro, desorientado. Tinha a im pressão de andar em círculos. A escuridão naquele lugar insalubre era aterradora. Um a vegetação alta e espessa im pedia a entrada dos raios solares, o que tornava o ar sufocante.
Pégasus, seu cavalo negro, estava m orto, vencido pelo cansado. O cavaleiro perdera-o antes de fugir pelo pântano, havia dois dias. Lutava contra a fraqueza, contra o desânim o que lhe m inava o coração. Algo naquele lugar sugava-lhe a alm a. Precisava seguir adiante. Precisava. Teria êxito se alcançasse a Floresta Escura.
O pé escorregou e, perdendo o equilíbrio, Mark afundou ainda m ais na lam a. Os espinhos penetraram -lhe na m ão quando se prendeu aos arbustos para se erguer. Soltou um palavrão ao ser arrastado para baixo. Um tentáculo agarrara um a de suas pernas, queim ando o couro da bota. A m ão do hom em procurou instintivam ente a espada na bainha, m as não conseguiu alcançá-la. A criatura puxou-o com m ais fúria ainda para o fundo do lam açal.
Desesperado, Mark lutou para retornar à superfície. A lam a sufocava-o com rapidez. Então, desistiu da luta e procurou se acalm ar. Sentia agora apele arder sob a prisão do tentáculo que j á lhe atravessara a bota. A criatura arrastava-o para algum lugar, talvez um a toca subterrânea. Assim que alcançou o punho da arm a, dobrou-se, veloz, e atingiu parte do corpo da criatura. Esta soltou um grunhido e am oleceu a pressão. O m ais rápido que pôde, Mark em ergiu, em busca de ar.
Fugiu aos tropeços pela área m ais rasa do lam açal, com m edo de um novo ataque que acabou não vindo. Sobreviver no que parecia um golpe de sorte serviu para m elhorar seu ânim o. Suspeitava que seu verdadeiro perseguidor considerava-o m orto. O nom e era bem sugestivo: Pântano do Terror. Ninguém saía com vida daquele inferno.
No quarto dia de sua j ornada pelo local, Mark escutou ruídos estranhos. Pelos seus cálculos, anoitecia acim a da vegetação. A atm osfera ao redor estava opressiva, e o ar, m ais abafado do que o norm al. O cavaleiro agarrou-se a um a árvore retorcida, respirando com cuidado. Todo o corpo doía. Estava exausto, fam into, ferido. Além da perna queim ada pela criatura, sofrera um a séria contusão no om bro direito. Havia outros cortes e m achucados m enores.
Mark aguçou a audição, tentando descobrir de onde vinham os ruídos. Contornou a árvore, sem pressa, e estreitou os olhos para a escuridão. Alguns m etros adiante, um a criatura m edonha destroçou com a boca um tronco podre que boiava sobre a lam a. Fam inta, enfiava as garras entre os pedaços de m adeira, à procura de verm es para se alim entar.
Im óvel, o cavaleiro procurou não respirar. O m onstro devia ter o dobro do seu tam anho. A pele era grosseira, recoberta por escam as e pelos. Os braços e pernas eram curtos, m as o hom em suspeitava que não lhes faltava agilidade. Se o anim al assustador o descobrisse, seria difícil lutar nas condições precárias em que se encontrava. Os m inutos dem oraram a passar. De repente, algum a coisa obrigou a criatura a interrom per a refeição. Ela farej ou ao redor e, com um grito cortante, largou o tronco e fugiu para o outro extrem o do pântano.
O cavaleiro estrem eceu, sentindo que a força o deixava rapidam ente. Sua m ente, ainda ágil,
registrou que estava m orrendo.
Seu verdadeiro perseguidor encontrara-o.