O Arqueiro e a Feiticeira: A Caverna de Cristais

16 - Esferas

CAPÍTULO 16

Esferas

Alguém tocou levem ente o rosto de Thom as para despertá-lo. Ainda sonolento, ele encontrou

um a estranha j ovem à sua frente. Era pequena e delicada, com traços harm oniosos no rosto

pálido, realçados por cabelos cor de prata.

— Vem , não há tem po! — sussurrou-lhe num tom de voz m elodioso e irresistível. — Sirry us j á te descobriu aqui!

Ela o aj udou a se levantar. Atônito, o rapaz descobriu que a dor sum ira. Olhou ao redor, m as não identificou nada que lhe parecesse fam iliar. Havia som bras estranhas, im agens que não faziam sentido algum . A j ovem conduziu-o pela m ão por entre as som bras. Ela atingia a altura de um a m enina de oito ou dez anos. Seus passos eram leves, com o se os pés m al tocassem o chão. Thom as, que se sentia im enso e desaj eitado, forçou-a a parar.

— Onde estam os?

— Em um m undo diferente do teu. Eu trouxe teu espírito aqui com o obj etivo de ganharm os tem po...

— Quem és tu?

— Sou Mithrrah... — sorriu ela, com doçura.

— Pareces um a fada!

— Porque tu m e im aginas assim .

— Esta não é tua aparência real?

— Não.

— Por que te vej o com o um a personagem de contos de fadas?

— Para ti, sou a fada que aj uda o coraj oso cavaleiro na luta contra o dragão.

— Mas essa personagem faz parte de um a das histórias do livro de capa azul!

— Outro dia, no Monastério, estavas com tanta raiva de m im que pensei que, quando eu aparecesse para ti pela prim eira vez, m e verias com o um m onstro de sete cabeças.

Thom as, envergonhado, lem brou que arrem essara a pedra opaca contra a parede.

— O que és, na verdade?

— Não há tem po para explicações, Gotihan.

— Por que ninguém acredita quando digo que não sou esse aí? Eu saberia se fosse ele, não?

Mithrrah sorriu um a segunda vez.

— Thom as, este não é o m om ento para dúvidas. Sirry us está se apossando de teu espírito...

— Não respondeste à m inha pergunta.

— Qual delas?

— A prim eira, na verdade.

— Vou te explicar, m esm o sabendo que perdes m inutos preciosos. Minhas irm ãs e eu som os de um m undo desconhecido. Os nergals são nossos inim igos. Vivíam os um a guerra quase eterna quando eles descobriram um a form a de sobreviver em teu universo. Prim eiro, através da m aterialização da energia, que enxergas com o pequenos pontos de luz. Mas isso não foi suficiente, eles queriam m ais. Então, passaram a utilizar hospedeiros.

— E onde Gotihan entra nesta história?

— Nós o reencontram os entre os m y rhans. Ele é um am igo querido, que seguiu seu próprio

cam inho de evolução pessoal. Nós o aj udam os a expulsar os nergals do seu m undo, m as o preço foi alto dem ais. As esferas foram separadas. Sozinhas, nosso poder é lim itado. E só podem os unir outra vez nossa força através de quem sej a capaz de entrar em contato conosco.

— O tal do Gotihan.

— Tu não foste usado por m im . Apenas não te lem bras de nenhum fato anterior ao teu novo

nascim ento, em Britany a. Tudo o que aconteceu foi opção tua, escolhas feitas em tuas vidas anteriores. Apenas seguim os o que foi com binado.

— E a pedra opaca?

— É um elo, um obj eto que m e aj udou a m anter o vínculo que existe entre nós, m esm o

durante o período em que m inha esfera esteve nas m ãos do arcebispo.

— Tu estás naquela esfera?

— Não é assim que funciona. A esfera é um portal... — ... que perm ite que eu entre em contato contigo? — Sim .

— Quando te encontrei, houve um tipo de integração, não foi? Algo com o ocorre entre os

nergals e os hospedeiros...

— Não, é diferente. Eu am plio teus poderes e te em presto o m eu. — Mas, para isso acontecer, precisei prim eiro encontrar a esfera... — Antes disso, eu m al podia m e com unicar contigo. — E fazias isto através da pedra opaca?

— De certa form a, sim . Ela m e aproxim ou de ti para que eu pudesse te aj udar em m om entos

diferentes de tua vida. Apesar de distante, nunca te abandonei.

Thom as coçou a cabeça. Pensou nas várias ocasiões em que as visões m ais atrapalharam sua

vida do que realm ente aj udaram , principalm ente durante sua infância com plicada. Quantos castigos recebera por dizer coisas estranhas? Desconfiou de que Mithrrah não tinha a m enor suspeita do quanto o fizera sofrer. Com o ela explicara, antes do prim eiro encontro em York sua ligação com ele era frágil dem ais.

— Onde está Menethrrah? — perguntou Thom as. — Estou aqui! — disse um a voz atrás dele.

O rapaz virou-se e, atordoado, encontrou a j ovem Alix De Brusk. Ela usava um deslum brante

vestido branco e pequenas pérolas presas em seus cabelos escuros. Thom as tinha diante de si a m esm a im agem de sua m ãe que vira no banquete em hom enagem à vitória de Erec sobre Rouen De Larc. Um pensam ento perdido em sua cabeça recordou-o de que Vince lhe dissera algum a coisa sobre Menethrrah estar relacionada à figura m aterna. Este era o m otivo de im aginá-la com o a adorável Alix em seus quinze anos.

De repente, um frio m ortal atravessou o corpo de Thom as. Ele olhou para o chão e sentiu-se

sugado em direção a um a aterrorizante lum inosidade. Sirry us encontrara-o.

As luzes em redor do rapaz intensificaram -se, o que causou opressão e angústia. As duas

irm ãs tinham desaparecido.

— Esperei por m uito tem po, Gotihan — disse a criatura alada que o esperava. Thom as achou estranho que, apesar do brilho intenso que vinha do nergal, conseguia enxergá-

lo sem que seus olhos ardessem . Entretanto, havia a m esm a sensação de perda de energia.

Sirry us absorvia-a lentam ente.

...

Um a m agnífica lua crescente brilhava no céu estrelado. Era irônico que tudo aquilo estivesse acontecendo sob um a noite tão bonita. Vince pensou em seu telescópio, esm agado pela vingança do arcebispo. Desej ou estar no castelo de York, de volta aos tem pos em que estudava, curioso, o universo através da j anela de seu quarto.

Ao seu lado, Erin m exeu-se antes de se sentar. O cavaleiro aj udou-a, satisfeito em ver que ela estava se recuperando. Hugues usara contra a j ovem o tovuk, um eficiente instrum ento de tortura nergal. O m esm o que utilizara para enfraquecer e m atar Erec durante o ataque a Sutter.

Thom as, deitado a alguns m etros dos j ovens, tam bém se m exeu. O m ovim ento atraiu os nergals, que o cercaram . Um ou dois m inutos depois, o rapaz ergueu-se, com tranquilidade. Olhou para Vince e depois para Erin.

Sirry us, triunfante, fitava-os através de seus olhos.

...

As luzes rodearam Thom as com m ais intensidade. Ele não conseguiu se m over. Olhou desesperado para o próprio corpo, que se desfazia no ar.

— Não pensei que seria tão fácil, Gotihan — com em orou Sirry us, exultante.

Qual era m esm o o poder de Gotihan? Transferência de energia, a técnica que Thom as aprendia a usar com habilidade cada vez m aior. “Espera o m om ento certo...”, orientou a voz de Mithrrah em sua m ente.

...

Vince abraçou Erin para protegê-la. Enfrentou o olhar frio que agora fazia parte do rosto de Thom as. Não havia m ais traços de hum anidade em seu espírito. Sirry us apontou as m ãos para Erin.

— Sai daí, Vince! — gritou o arcebispo.

O cavaleiro não obedeceu. Com o j á esperava, Sirry us revelou o resultado da integração com o hospedeiro: o ser alado. Seu corpo, transform ado, com eçou a brilhar de m odo ostensivo para sugar a energia dos inim igos até levá-los à m orte. “Ainda não quero m orrer”, desej ou Vince, esprem endo os olhos contra a claridade a cada segundo m ais insuportável. Nesse instante, os outros nergals, inclusive o arcebispo, tam bém assum iram as form as angelicais.

...

Thom as sorriu ao notar que as form as angelicais de Savac, Motik e Stuart surgiram no m undo estranho em que se encontrava.

— Quem vos cham ou aqui? — estranhou Sirry us.

— Eu vos cham ei — disse Thom as.

— Não entendo...

— O feitiço contra o feiticeiro! — exclam ou Stuart.

Os nergals tem eram a possibilidade da extinção total, provocada por um adolescente que provava pela prim eira vez a energia que agora extraía deles.

— Não vou perm itir que isso aconteça! — rugiu Sirry us, intensificando a própria luz. Thom as quase caiu, lutando para redim ensionar o poder que ainda aprendia a controlar. Isto

deu a vantagem que os nergals esperavam . Stuart e Motik cercaram -no.

— Não lute contra nós — disse o prim eiro.

— Terás poderes m uito m ais incríveis se te unires a nós — disse Savac ao constatar a

dificuldade que o j ovem bruxo enfrentava.

O rapaz pediu socorro a Mithrrah. O m edo inibia um poder que, no fundo, não desej ava.

“Deixa tua m ente vazia”, aconselhou a voz da am iga. Thom as obedeceu, guiado apenas por sua intuição. A nova dem anda de energia obrigou seu organism o a se reequilibrar para m antê-la sob controle.

Gotihan, enfim , descobria seu poder.

E ele o direcionou para Stuart e Motik. O brilho de cada um deles foi sendo sugado até

extingui-los por com pleto.

Estavam m ortos.

— Tu não poderás destruir a todos nós! — gritou Savac, ensandecido. — Som os m ais

poderosos do que im aginas.

Thom as escolheu Sirry us, dirigindo para ele um ódio ainda m ais intenso do que sentia em

relação a Savac. Sem conseguir explicar, sabia que o general lhe causara m uito sofrim ento em algum m om ento de sua existência. O nergal reagiu e, com o reforço de Savac, am pliou ainda m ais seu poder.

Instintivam ente, o rapaz retirou-lhe a m aior parte da energia e devolveu-a num a intensidade

m uito m aior. Com o im pacto, a form a brilhante de Sirry us arrebentou-se em m ilhares de partículas lum inosas.

Agora, só restava Savac.

— Não terás coragem de m e destruir — sorriu ele, confiante. — Tu não significas nada para m im .

— Estou unido a Kirian. Se m e m atar, ele tam bém desaparece. O hospedeiro não sobrevive

após a m orte do nergal.

Thom as hesitou, com um pensam ento no últim o confronto que ocorrera em York. Savac

parecia acom panhar suas lem branças.

— Queres saber com o escapei? Fácil! Com o tu, Kirian tam bém pode recuperar a saúde de

m aneira m ilagrosa. Apesar de m uito ferido, escapei da torre em cham as e fugi para um lugar seguro. Foi um a boa ideia m e passar por m orto, não é m esm o? Pude descobrir tantas coisas interessantes sobre ti... Tua consciência não dói ao pensar que quase m ataste teu próprio avô?

— Tu assassinaste m eu pai. E Hannah tam bém . — Foi necessário. Kirian sofre até hoj e por isso. “Ele quer alim entar tua vontade de ser feliz apenas para te dobrar”, avisou a voz de Mithrrah.

“Thom as, não perm itas que ele vença.”

— Tu és im portante para m im , filho, tanto quanto Vince. Nós três, j untos, serem os

indestrutíveis. E tu terás um a fam ília, com o sem pre sonhaste. Acom panha-m e! Aceita o poder que vem de Mudu-za, nosso líder...

Thom as evitou que as lágrim as atrapalhassem sua visão. A oportunidade de reunir sua fam ília trazia-lhe um a sensação reconfortante. Seria ótim o ter um irm ão de verdade, um avô para orientá-lo...

Foi quando a im agem de Hannah invadiu seus pensam entos. Ela fora assassinada, assim com o Erec. Não, aquele não era seu avô. Kirian m orrera no instante em que decidira se tornar um hospedeiro. “Nós precisam os de ti”, disse Mithrrah. “Não nos abandones!”

Thom as prendeu o olhar em Savac.

Precisava tom ar um a decisão dolorosa.

...

Vince abaixou o rosto, apertando Erin contra o peito. Não conseguia m ais olhar para o brilho cada vez m ais insuportável. A lum inosidade opressiva transform ara-se num a gigantesca bola de fogo transparente que engolia as terras de Sutter.

— Fecha os olhos, Erin — disse o rapaz. — Não im porta o que aconteça, não os abra!

Quando, enfim , a expansão atingiu seu ápice, explodiu para se espalhar em várias direções.

Ao se desfazer por inteiro, abandonou as terras m alditas para um a tranquila noite de lua crescente.

...

Thom as não se aguentou em pé por m ais tem po e tom bou de j oelhos. Tentou se m ovim entar para descobrir se ainda estava vivo, apesar de sentir o corpo pesado com o chum bo. Os rostos assustados de Vince e Erin estavam bem à sua frente. Os hospedeiros de Motik e Stuart não existiam m ais.

O arcebispo aproxim ou-se de Thom as, trem endo de ódio.

— O que fizeste? — disse ele. — Tu m ataste os nergals!

O rapaz quis falar, m as nenhum som saiu de sua garganta. Lutava contra a vontade esm agadora de desm aiar.

— Que ironia ter Gotihan indefeso em m inhas m ãos — com entou o arcebispo, tirando um a adaga de suas roupas.

Sem a influência do nergal, Hugues, ou m elhor, Kirian aparentava ser m uito m ais velho do que realm ente era. Os cabelos totalm ente brancos caíam m olhados de suor sobre sua testa m arcada por rugas. Os ossos do rosto m ostravam -se salientes, cobertos pela pele grosseira.

— Não m e im porta m ais se Mudu-za te quer vivo... — disse ao erguer a adaga para enterrá-la no pescoço de Thom as.

Vince deteve-o.

— Chega de m ortes em Sutter — disse.

— Não entendes? Ele destruiu a aliança que fiz com os nergals para proteger Britany a...

Com o se pressentisse a proxim idade da m orte, Kirian relaxou o corpo. Vince am parou-o para que não caísse. A adaga escorregou para o chão.

— Este garoto estúpido condenou a raça hum ana à m orte — sussurrou o velho. — Está tudo perdido...

Os olhos de Kirian fecharam -se para sem pre. No m esm o instante, o corpo do hospedeiro desm aterializou-se. Vince, sem saber com o agir, segurou apenas as roupas que a m orte deixava para trás.

— Tom ? — disse Erin.

O arqueiro fez o possível para localizar o rosto dela na escuridão que se form ava à sua volta.

Não conseguiu.

...

Quando despertou, a aurora j á apagara a noite. Estava estendido no chão, com a cabeça

apoiada no colo de Erin.

— Com o estás? — perguntou ela, acariciando-lhe os cabelos. — Morto de cansaço.

Duas gaivotas atravessaram o céu azul, um fato inusitado que despertou a atenção dos j ovens.

Havia um a paz quase im perceptível em Sutter. A m aldição finalm ente partira, perm itindo que a vida retornasse àquela região.

Thom as levantou-se devagar, aj udado por Erin. A j ovem colocou-se atrás dele e enlaçou-o

pela cintura, com o gostava de fazer. Talvez tem esse que o rapaz caísse outra vez.

Perto deles, Vince afundava sua espada na terra, à cabeceira de um túm ulo que m ontara com

pedras de tam anhos variados. O punho da espada, que lem brava um a cruz, refletiu a luz do sol. Vince apoiou-se sobre um dos j oelhos e curvou a cabeça em sinal de respeito. No túm ulo que cavara com as m ãos, depositara as roupas do arcebispo, a única coisa que sobrara de alguém que, um dia, fora o invencível Kirian De Sutter.

Entristecido, o rapaz colocou-se em pé.

— Com o é possível am ar e odiar ao m esm o tem po um a pessoa? — perguntou, com os olhos

cheios de lágrim as. — Kirian foi m eu pai, m eu avô e, de certa form a, um am igo. Ele cuidou de m im , protegeu-m e, salvou m inha vida...

Respirou fundo para im pedir a vontade de chorar. — Sabes o que Mithrrah m e m ostrou naquela noite, na Floresta Escura? — disse, fechando os

punhos. — Vi Savac tirando-m e ainda criança daqui e a luta desesperada de nossa m ãe para m e salvar. Vi Erec ser torturado e, depois, m orto pela própria espada. Vi teu nascim ento, Tom , na Noite dos Mortos...

Vince virou para o horizonte o rosto inchado pela surra. Ainda havia sangue ressecado sobre a

testa que sofrera um corte profundo. Tentou andar, m as estrem eceu de dor. Estava seriam ente ferido, um fato que preferia. Thom as concentrou-se e, em segundos, restaurou-lhe a saúde. Não precisava m ais de nenhum obj eto para transferir a energia que absorvia. Aprendera a transform á-la.

Atônito, o cavaleiro encarou-o.

— Podias pelo m enos m e avisar antes? — protestou. — Depois do que passam os nas últim as

horas, não m e agrada a ideia de alguém arrancar m inha energia.

— Estás livre, Vince — garantiu Thom as. — Destruí o localizador. O cavaleiro conferiu o pulso, com o se fosse m esm o capaz de encontrar algum localizador

escondido sob a pele, e depois, satisfeito, m udou de assunto.

— O que achas de ir com igo para Gaia? Não pretendo ficar aqui parado, esperando pela

Grande Guerra.

— Para falar a verdade, só consigo pensar em um banho quente, um a deliciosa refeição e um a cam a confortável.

Vince dirigiu-lhe um olhar com preensivo e protetor, algo que som ente um irm ão m ais velho sabe fazer.

— Podem os providenciar isso — com entou, irônico, ao retirar do bolso o teletran que pertencera ao arcebispo. O rapaz debochado voltara após esconder a tristeza em algum lugar do coração. — Para onde, agora?

— Por acaso sabes com o usar este equipam ento? — questionou Erin.

— Meu tio nunca m e deixou ter um — explicou o cavaleiro, divertindo-se com a cara preocupada da j ovem . — Mas tive a oportunidade de usá-lo algum as vezes em Gaia, sem Stuart saber.

Erin não pareceu m uito convencida.

— Não quero parar por engano no m eio do Pântano do Terror — resm ungou.

— Para onde queres ir, Tom ? — perguntou Vince, ignorando-a solenem ente.

— Para casa.

— E onde é tua casa?

— Em Durham .

Erin sorriu para Thom as com ternura antes de encostar a cabeça em seu om bro.

— Lá vam os nós! — disse Vince enquanto aj ustava o teletran.

As ruínas de Sutter sum iram em um estalar de dedos.