O Arqueiro e a Feiticeira: A Caverna de Cristais

13 - Bárbaros

CAPÍTULO 13

Bárbaros

T hom as tranquilizou-se apenas no m om ento em que viu Erin entrar na caverna e correr feliz até

ele. A j ovem abraçou-o e depois o beij ou sem se im portar com as várias pessoas ao seu redor.

— Estás bem ? — perguntou, prendendo com firm eza os om bros do rapaz, com m edo de

perdê-lo de novo.

— Eu... — Thom as desistiu de responder ao descobrir, encium ado, que ela trouxera

com panhia. — O que ele...?

— Toby as De Roths m e encontrou e fui levada contra vontade para sua fortaleza. O sr. De

Angelis inventou um a história m irabolante para m e tirar de lá.

Vince, intragável com o sem pre, sorriu. Thom as ignorou-o. — Pedi para que os bárbaros te encontrassem , Erin. Tinha certeza de que deixarias o

esconderij o para m e procurar. Achei que poderias estar perdida.

— Perdida? — ironizou Vince. — Lady Erin conhece a Floresta Escura com o a palm a da

m ão.

Sem que Thom as esperasse, Erin tirou a bolsa de água presa ao cinto e arrem essou-a contra o

cavaleiro. Pego de surpresa e tão próxim o, ele não teve com o se proteger. A bolsa bateu com violência em seu rosto, despencando em seguida para o chão. Por m ilagre, não estourou.

— Da próxim a vez, corto tua língua com a espada! — am eaçou ela, verm elha de raiva. — Tal pai, tal filha — resm ungou Vince, baixinho, m assageando o rosto. Era m elhor parar de

provocá-la. Pelo m enos, por enquanto.

— E, então, Thom as, o que dizias? — retom ou Erin, tranquilam ente. O rapaz adm irou sua atitude em relação ao sobrinho do arcebispo. Era m uito bom saber que

ela deixara de considerá-lo um rapaz indefeso, m ais um a vítim a de Rouen De Larc.

Os bárbaros assistiam à cena, sem entender direito o que m otivara a reação da m oça. Não

passavam de um grupo m altrapilho de pessoas, ainda m ais m iseráveis do que o povo de Britany a. Eles não dom inavam direito o idiom a briton, pois falavam um a língua gutural, baseada m ais em gestos do que em palavras.

Quando os bárbaros fizeram de Thom as um prisioneiro, quase dois dias antes, não o trataram

com violência. Ao contrário do que poderia se esperar da aparência selvagem do grupo, ele foi recebido respeitosam ente com o um convidado. Sem se sentir am eaçado, o rapaz concordou em acom panhá-los até um a das cavernas existentes ao sul da Floresta Escura, onde se escondiam de seus perseguidores.

— E o que eles querem contigo, afinal? — perguntou Erin. Os bárbaros não se m exiam , atentos a cada gesto dos três britons. Além dos hom ens e

m ulheres que tinham trazido Erin e Vince, ainda havia outros adultos e algum as crianças. Entre elas, a m enina que fora salva por Thom as.

— Eles precisavam de alguém que os aj udasse com Krisha — j ustificou o rapaz. Ao escutar seu nom e, um a m ulher, encolhida num a ponta da caverna, levantou a cabeça.

Thom as indicou o recém -nascido que ela am am entava com cuidado.

— Eu a aj udei a ter o bebê. O parto foi bem com plicado. Ela m orreria se eu não viesse a tem po. A m enina que nós resgatam os naquele dia contou ao grupo o que fiz para curar suas pernas.

— E foi por isso que os bárbaros resolveram te procurar — com pletou Erin. — E desde quando sabes realizar um parto?

— Tive de im provisar — disse Thom as, nada à vontade com o assunto.

Vince tirou do bolso da capa algum a coisa envolta em um guardanapo. Colocou no chão, j unto às crianças, m ostrando a elas um gigantesco pedaço de bolo. Depois se afastou, convidando-as com um sorriso a com er. Elas hesitaram . Só um garotinho teve coragem de retirar um pedacinho, que m astigou com gosto. Ele sorriu e ia pegar m ais quando as outras crianças avançaram para o bolo. Em segundos, até as m igalhas desapareceram .

— Um presente de Lady Mona? — deduziu Erin, resolvendo tratar m elhor o cavaleiro.

— Ela sabe que adoro doces — respondeu ele antes de se dirigir, sério, para Thom as: — E de onde são estes bárbaros, arqueiro? Da cordilheira? Eles m al tiveram contato com os britons.

— Sim , vieram de lá. Num a das incursões dos guardas àquela região, o irm ão de Gronz foi aprisionado. Por essa razão, o grupo entrou na Floresta Escura. Querem recuperá-lo.

Gronz, um dos hom ens que capturaram Erin e Vince, deu um passo à frente.

— Eu querer irm ão. Não voltar sem ele.

— Onde aprendeste nossa língua? — quis saber o cavaleiro.

— Pai m eu fugir daqui. De Sands. Muito tem po atrás.

— Ele não te avisou do perigo que tu e teus am igos correm neste lugar?

— Sim . Ele falar. Gronz m edo não ter.

— Podes não tem er as espadas dos guardas... Teu pai não te falou do pó am arelo? Este é o verdadeiro perigo.

— Pai falar. Ele tem er, eu não.

— Não conheces o poder desta droga. Ela transform a hom ens coraj osos em escravos sem vontade. E m ata-os em dez, quinze anos.

— Eu m edo não ter.

— Não tens escolha, Gronz. Os britons escondem o pó em tua com ida e te viciam sem que percebas. E fazem isso com todos, não im porta se são velhos, m ulheres, crianças...

— Não entender.

Vince, então, tirou do bolso um a pequena bolsa e, de dentro dela, pegou um punhado de pó am arelado, que j ogou sobre a fogueira próxim a a eles. Segundos depois, o am biente úm ido e m alcheiroso da caverna transform ou-se. Um sentim ento m ais forte do que a felicidade envolveu a todos que respiravam o cheiro agradável que vinha do fogo. Thom as sentiu-se com o se estivesse em Durham , no prim eiro e único Natal que passara com Lady Jane.

— O pó te enfeitiça. Não da prim eira, nem da segunda vez que o consom es — contou Vince, que cobria o nariz com a m anga da capa de viagem . — Isso acontece depois, sem que percebas. Acreditas que a droga não te dom ina, que podes te livrar dela quando bem entenderes. De repente, entendes que é im possível viver sem a sensação de felicidade que ela te traz. E passas a fazer de tudo para conseguir um novo m om ento feliz. Já viste com o um a pessoa fica quando passa m ais de quatro dias sem o pó?

Gronz negou com um m ovim ento de cabeça. A intensidade do cheiro dim inuiu e Thom as teve consciência outra vez do m au cheiro e da um idade do lugar.

— A pessoa tem alucinações e sente a vida partir aos poucos — disse o cavaleiro, retirando a

proteção da m anga. Seu rosto estava transtornado. — A dor que percorre seu corpo a consom e com o fogo. E se não voltar a consum ir o pó, ela m orre.

Os bárbaros ficaram assustados com a explicação. Com o Gronz, alguns deles deviam

entender algum as palavras da língua britã.

— Deves partir com tua fam ília o m ais rápido possível para a cordilheira — aconselhou o

cavaleiro após recuperar sua habitual frieza.

— E irm ão? — perguntou Gronz.

— Se teu irm ão estiver vivo, j á está viciado no pó. Sinto m uito. Não podes fazer m ais nada por

ele.

O bárbaro, indeciso, procurou o apoio dos outros. Nesse instante, o adolescente m agricela, que

não os acom panhara ao interior da caverna, entrou apavorado, falando rapidam ente num a língua que Thom as não entendeu. Os outros bárbaros levantaram -se com pressa.

— Britons achar nós! — explicou Gronz. — Fugir! Vince tirou sua espada da bainha, presa às costas, esperando Erin e Thom as. — Devem ser os hom ens de Francis De Roths — disse. “Talvez eu tenha m e enganado sobre o sobrinho do arcebispo”, pensou Thom as, espantado

com a atitude do irm ão. Erin sacudiu-o e puxou-o para fora. Os bárbaros estavam fugindo.

...

— Vince De Angelis?! Pareces que estás em todo lugar ultim am ente! — gritou Toby as ao vê-

lo protegendo a retirada desesperada dos bárbaros.

Erin e Thom as estavam ao seu lado, cada um com o arco pronto para atirar. Toby as,

acom panhado por m ais de vinte guardas, fez sinal a seus hom ens para que esperassem . A noite caía, sem pressa, sobre as Terras Erm as.

— E Lady Erin sem pre o acom panha... Que curioso! — disse ele, brincando perigosam ente

com a espada que equilibrava entre os dedos. — E este aí, quem é? Claro, com o pude esquecer? O arqueiro preferido do rei Arnon. Com o te cham as, garoto?

— O nom e dele é Thom as De Sutter — respondeu Vince, j á saboreando a reação que

pretendia provocar no adversário.

— Sutter? — repetiu o outro, quase deixando a espada cair. — Filho de Alix De Brusk e Erec De Sutter. Tua cabeça de vento conseguiu entender? — Queres dizer...

— Ele é o herdeiro de Arnon. Parabéns, Toby as! Teu raciocínio continua rápido com o de

costum e. Pena que tu te esqueceste de um detalhe. Ele tam bém é herdeiro da lendária feiticeira Hannah. Já ouviste falar nela, não? Talvez te lem bres de algum a história da tua infância, quando te obrigavam a ir cedo para a cam a...

Toby as talvez não se lem brasse, m as seus hom ens pareciam conhecer m uitas histórias sobre a

terrível feiticeira. Alguns deles retrocederam passos.

— São apenas histórias, sr. De Angelis — disse Toby as, inseguro. — Eu, se fosse um de vós, não deixaria o arqueiro aqui nervoso... Vince reparou em um pesado galho de árvore, caído próxim o aos pés de Thom as. Atrás do irm ão, a m ulher que tivera o bebê estava fugindo, acom panhada por Gronz. Era preciso ganhar ainda m ais tem po. O cavaleiro concentrou-se no galho para fazê-lo flutuar. Os hom ens do sr. De Roths recuaram ainda m ais. Com a força da m ente, Vince guiou o galho até Toby as, a essa altura branco com o papel. Quando o liberou, o cavaleiro loiro foi obrigado a pular para trás para não ser atingido. Foi o suficiente para provocar a fuga dos guardas.

— Teu am igo é poderoso — m urm urou Toby as, ainda pálido.

Vince aproxim ou-se dele e atirou em seu rosto a bolsa com o pó am arelo.

— Obrigado pelo presente — disse, sorrindo. — Não preciso m ais dele.

O rapaz olhou para o pó, agora espalhado sobre a terra.

— Que desperdício! — com entou, voltando a recuperar a cor no rosto. — Vej o que o pó te deixou com a cabeça m ole, Vince. Que m aluquice é essa agora de defender bárbaros? Nosso rei j á sabe disso?

— Isso não é da tua conta.

— Podes apostar que é!

Traiçoeiram ente, Toby as atacou-o com a espada. Vince não se deixou abater. Com sua espada, investiu em golpes violentos, um atrás do outro, até deixar o rival de j oelhos. A ponta da lâm ina tocou sua nuca. A derrota no torneio estava engasgada na garganta do sobrinho do arcebispo.

— Vais m e m atar com o m ataste Rouen De Larc?

— Rouen está m orto? — surpreendeu-se Vince.

— Não m e digas que desconhecias o fato? Pois eu m esm o vi o corte que fizeste naquele infeliz. Só um bom cavaleiro provocaria aquele estrago! Se querias vingança, isso não faz diferença para m im . Aquele hom em era o pior lixo de toda a Britany a.

Vince não viu a expressão perturbada de Erin.

— Mas era um cliente que sem pre pagava suas dívidas — zom bou.

— Isso é verdade.

— E ainda m ais um cliente que te ajuda a ganhar o Torneio da Prim avera...

— Se soubesses que teu adversário tinha um ponto vulnerável, tam bém não usarias a inform ação a teu favor? Já m e enganaste no passado, sr. De Angelis. Hoj e sei o que realm ente és: um covarde m im ado que pensa que é o centro do universo.

Vince sufocara por tem po dem ais a revolta e a indignação por tudo. Estava cansado de viver naquele m undo ilusório, obrigado a ser um personagem criado exclusivam ente para ele: o cavaleiro perfeito, odiado e invej ado pelos hom ens, adorado pelas m ulheres. Sentia-se tão preso quanto um escravo nas Terras Erm as. Por instinto, ergueu a espada, pronto para tirar a vida de Toby as. Já não se im portava com m ais nada.

— Vince! — gritou Thom as, atrás dele. A voz deteve-o. Segundos depois, sentiu a m ão do arqueiro sobre seu om bro. — Não vale a pena.

O cavaleiro girou a espada e atingiu a cabeça do rival com o punho da arm a. Toby as, inconsciente, desm oronou no chão.

...

Thom as achou que era m elhor deixar que Vince os acom panhasse até os lim ites do pântano, onde deveria ter ocorrido o encontro com Dines no dia anterior. Se o cavaleiro j á vinha em seu encalço desde a Grande Ilha, não seria agora que os deixaria em paz.

Os três acom odaram -se perto da gruta j unto à colina. Ninguém tinha vontade de conversar. A

noite escurecia ainda m ais tudo ao redor. Thom as avaliou o rapaz diante dele, alguém que parecia estar com pletam ente desligado do m undo. Devia ser difícil para ele ser Vince De Angelis, o cam peão do rei Arnon. Possivelm ente, fora este o m otivo que o levara a usar o pó am arelo.

— Melhor acender um a fogueira — disse Erin. — Estou com frio! Com o nenhum dos irm ãos se ofereceu para aj udá-la, a j ovem j untou alguns galhos à sua volta

e m ontou-os para se tornarem um a fogueira.

— Não sei se agiste certo ao contar para aqueles hom ens quem sou — disse Thom as, após um

longo silêncio interrom pido apenas pelos sons sinistros da floresta.

— Ora, irm ãozinho, foi divertido, não foi? Viste a cara que eles fizeram ? O cavaleiro voltava a usar a m áscara de antipatia. — Existe um antídoto para o pó?

— Pergunta ao m eu tio. Ah, que pena! Esqueci que tu o m ataste. — Não fiz de propósito. Quer dizer, ele ia m atar Sabina... — Quem ?

— Minha m ãe.

— Mãe?!

— A andarilha que m e criou.

— Sei. Hugues sem pre fazia isso. Livrar-se do que não lhe era m ais útil. — E o que pensas disso?

— Não consigo fazer fogo com m inhas pedras — queixou-se Erin. — Tens algum as pedras

para m e em prestar, Vince?

— Pareces um santo falando, irm ãozinho — disse ele, com sarcasm o, atirando para a j ovem

as pedras que tinha no bolso. — Por que não perguntas a Moriarty quantas pessoas inocentes ele m atou? E quantas foram m ortas por nosso querido pai? Esses guardiões não são m elhores do que ninguém .

Thom as não tinha ânim o para debater o assunto. — Estam os no m eio de um a luta sem sentido, não é? E nenhum de nós dois pediu para entrar

nisso — disse ele, sem retirar seus olhos do olhar desafiador do cavaleiro. Para sua surpresa, o rapaz apenas sorriu, o prim eiro sorriso sincero que dirigia ao irm ão.

— Tuas pedras tam bém não funcionam , Vince. Pelo j eito vou m orrer de frio — reclam ou

Erin, com voz de choro.

Thom as estalou os dedos e fez surgir dos gravetos um fogo reconfortante. — Por que tu não fizeste isso antes? — reclam ou a garota. — Ela sem pre fica assim quando está com fom e — com entou o rapaz para Vince. — Acho que fica pior quando não adm ite que está errada — disse o cavaleiro. — E quando não consegue cham ar a atenção? — Posso im aginar.

Erin foi ficando verm elha, sem acreditar no que escutava. — Ela tam bém costum a atirar coisas em ti quando está com raiva? — perguntou Vince, esforçando-se para m anter a seriedade.

— Não. Em m im ela faz cócegas...

A cara furiosa de Erin estava hilária. Thom as não aguentou m ais e com eçou a rir, acom panhado pelo irm ão. Erin estava se preparando para j ogar nos dois o que havia pela frente no m om ento exato em que Dines apareceu. De im ediato os rapazes seguraram o riso e levantaram -se para recebê-lo.

— O que ele faz aqui? — perguntou Dines ao descobrir Vince.

— O sr. De Angelis vive nos seguindo — resum iu Thom as.

O guardião deu um passo que o desequilibrou. Estava ferido. Thom as correu para am pará-lo e, com cuidado, aj udou-o a se sentar no chão.

— Fui atacado por um a criatura no pântano. Por isso dem orei — explicou Dines, com dor.

Thom as descobriu cortes profundos em várias partes de seu corpo, com o se o abade tivesse sido rasgado por garras. Lutara contra algo bem m ais forte do que ele.

— Do que precisas, Tom ? — perguntou Erin.

— Ei, por favor! Deixa m inha espada fora disso desta vez — adiantou Vince. — Aquela que usaste na m inha tenda foi um presente especial de um a bela nobre da Ilha Média. Valia um a fortuna!

— Tens nam oradas em todos os cantos de Britany a, sr. De Angelis? — disse Erin, com ironia.

— Podes dizer que sim — respondeu ele, dando de om bros. — Não consigo evitar.

Sem prestar atenção ao que os dois falavam , Thom as concentrou-se nos ferim entos de Dines. Por não ser hum ano, sua energia em anava um a frequência diferente, o que atordoou o rapaz. Apesar disso, a transferência foi um sucesso. Um a pedra, ao seu lado, transform ou-se em cinzas. E Dines recuperou a saúde.

Subitam ente, um a onda de enj oo subiu e desceu pela garganta de Thom as, obrigando-o a se encolher. “Deus, o que virá agora?”, pensou, batendo os dentes de frio. Mesm o com a trem edeira, a voz do garoto saiu em um tom alto e claro.

— O cavaleiro negro falhou, Moriarty. Agora é preciso que o cavaleiro branco acom panhe Gotihan até m inha irm ã Menethrrah.

— Não confio inteiram ente nesse rapaz — disse o abade.

— Savac fez bem em m antê-lo. O cavaleiro branco com pleta a profecia.

A sensação desagradável abandonou Thom as com a m esm a rapidez com que viera. Ele fora usado novam ente por Mithrrah.

— Odeio quando isso acontece...

Neste instante, a esfera surgiu brilhante diante do rapaz. Graciosa, flutuou até Vince, parando diante de seu rosto. Ele a encarou por alguns instantes, sem saber com o reagir.

De repente, fechou os olhos, pálido, e abaixou a cabeça.

Duas lágrim as escorreram por sua face enquanto a esfera desaparecia m ais um a vez.