O Arqueiro e a Feiticeira: A Caverna de Cristais
Prefácio
Quando existem cristais de gelo na atm osfera e a luz do sol os atravessa, um fenôm eno natural e com um acontece. Halo é o nom e de tal fenôm eno.
Um halo é um anel de luz que rodeia um obj eto. Dependendo das condições, você pode encontrá-lo m esm o ao redor do sol ou da lua. Entretanto, se entrarm os no cam po das m etáforas, aquele que os escritores costum am cultivar em j ardins preciosos, esse conceito pode m uito bem ser expandido.
Porque, dependendo das condições, a literatura tam bém pode ter alguns halos.
Muitas vezes, das m aneiras m ais fantásticas.
A série A caverna de cristais surgiu em um m om ento em que cristais de gelo se form avam na atm osfera editorial. Era um a época em que o RPG nacional estava em alta, m as a literatura fantástica brasileira engatinhava em busca da geração de leitores que surgira com Harry Potter e O Senhor dos Anéis. E foi esse o prim eiro público a notar um início do rastro de luz que viria a m odificar um m ercado estagnado em sua própria lim itação. Mesm o eu, que hoj e escrevo este prefácio, m e lem bro bem de com o tive o prim eiro contato com a obra, através de um a m atéria na única revista especializada em RPG na época, que adaptou o cenário e os personagens de O arqueiro e a feiticeira para um sistem a de role play ing gam e.
Helena Gom es nos trouxe não apenas um a obra, m as um a saga inteira, repleta de um m undo apocalíptico em que a fantasia clássica dividia lugar com a ficção científica, nos m elhores m oldes da autora e m estra Anne McCaffrey, a prim eira a fazer essa m istura e ganhar um Hugo e um Nebula Award com isso. As aventuras de Thom as, o arqueiro nascido na Noite dos Mortos, trouxeram um frescor nacional para um público que ainda estava com eçando a acreditar que autores nacionais poderiam escrever livros de fantasia tão com petentes quanto os estrangeiros, independentem ente de serem m ulheres ou hom ens.
Hoj e, tantos anos depois, a obra continua sua saga. O cenário do m ercado editorial é outro. As editoras e a im prensa j á com preenderam o poder da literatura fantástica, e os leitores passaram a confiar em autores brasileiros devido ao surgim ento de escritores excelentes que cam inham pelas m esm as trilhas que autoras com o Helena Gom es desbravaram . Sua im portância, contudo, continua a m esm a. E, se algum a coisa se m odificou daqueles tem pos até aqui, provavelm ente seria apenas a escrita de Helena, que nunca parou de evoluir.
De fato, Anne McCaffrey estaria orgulhosa.
Assim com o nós.
Em algum lugar do nosso m ercado editorial ainda existem cristais de gelo na atm osfera. Eles ainda refletem as luzes de m il sóis. Se esses anéis lum inosos rodearem determ inados escritores, então encontrarem os Helena Gom es entre eles, sentada em sua própria caverna, cercada por luzes refletidas e atiradas com o flechas. Talvez, no fundo, sej a ela a feiticeira que o arqueiro busca.
Felizm ente, nós j á a encontram os prim eiro.
Raphael Draccon Raphael é roteirista profissional e autor de literatura fantástica contem porânea, ficção de horror e rom ances sobrenaturais. É o autor m ais j ovem a assinar com os braços nacionais de duas das m aiores holdings editoriais do m undo e roteirista prem iado pela Am erican Screenwriter Association. Entre suas obras estão Fios de prata – Reconstruindo Sandman e a série Dragões de
Éter. Mais inform ações em http://www.raphaeldraccon.com .