O Arqueiro e a Feiticeira: A Caverna de Cristais
6 - Cura
CAPÍTULO 6
Cura
Am anhã ocupou aos poucos o am biente escuro e úm ido da velha capela de m adeira. As j anelas
quebradas facilitavam a entrada da luz. Parte do teto estava podre tam bém , com vários
buracos entre as telhas. O local fora abandonado havia anos. A vegetação ao redor avançava sem qualquer cerim ônia.
Para Tenorius, era o esconderij o perfeito. Ficava a apenas alguns quilôm etros de York, oculto o suficiente por um a floresta densa e afastada. O m onge não pudera levar Thom as para m ais longe. Seu estado ainda inspirava m uitos cuidados. Não tinha esperanças de que os braços se recuperassem das queim aduras.
Foi quando o garoto com eçou a se m exer, com o se despertasse de um sono que durara tem po dem ais.
— Sê bem -vindo à vida, garoto! — sorriu Tenorius. O aluno espiava-o, confuso. Escapara por um triz da m orte.
— Onde estou?
Tentou se sentar, m as a dor nos braços devia ser intensa. Desistiu, apoiando outra vez a cabeça sobre a m ochila que exercia a função de travesseiro.
— Estam os num a capela abandonada.
— Ainda estam os em York?
— Sim . Quando estiveres m elhor, partirem os para o Monastério. O abade quer te ver.
— E o que fazes aqui?
— Vim atrás de ti, desde Durham . Minhas ordens são para te m anter longe de encrencas. Pena que não contei com tua ideia de desaparecer no m eio da noite.
— Ordens de quem ? De Moriarty ?
Tenorius espantou-se ao descobrir que o aluno conhecia aquele nom e.
— Quem te falou sobre ele?
— Por que Moriarty se preocupa com igo?
— Isto tu deves perguntar a ele. Meu trabalho é cuidar de ti.
— E com o m e achaste?
— Estava a duas horas de viagem atrás de ti. Poderia ter chegado antes e, com certeza, te im pedido de colocares a vida em risco, m as tua am iga Erin não quis revelar teu destino.
O rapaz sorriu.
— Não é engraçado, Thom as. Acabaste m etido num a enorm e confusão com o arcebispo.
— Tu estavas lá, no castelo? — duvidou ele.
— Sim , estava pensando em um m odo de te tirar do calabouço. Só que, m ais um a vez, antecipaste-m e.
— Aquele hom em queim ou m eus braços.
— Eu vi quando te tiraram do estábulo e te levaram até a fornalha. Só então pude te resgatar. A princípio, pensei que estivesses m orto. Depois, entendi o que acontecia contigo. Perm anecias em um tipo de com a, sem respirar, com o um a pessoa m orta.
— É, eu sei com o provocar isso.
— Sabes m uitas coisas.
— Por isso m e vigias?
— Por isso te protej o.
— Protegias-m e de Savac?
Tenorius, pensativo, avaliou o rapaz. Ele estava blefando para lhe arrancar m ais inform ações.
Seu conhecim ento sobre o assunto era lim itado.
— Deves conversar prim eiro com o abade — explicou o m onge. De um a m ochila de viagem ,
tirou pão e frutas. — Precisas com er e se recuperar. A viagem até o Monastério é longa e cansativa.
...
Após dois dias, com o as provisões estavam no fim , Tenorius aproveitou um a tarde para ir até
um vilarej o próxim o, com o obj etivo de com prar com ida. Deixara seus traj es de m onge na m ochila. Cham ava m enos atenção viaj ar com roupas com uns, bem surradas. Thom as ficara deitado no chão, im óvel, m irando o vazio. Preferia perm anecer calado a conversar. As queim aduras, sem dúvida, causavam -lhe m uita dor.
Já era m adrugada quando o m onge retornou silenciosam ente à capela. Thom as, porém , não
estava m ais lá. Era im possível que ele tivesse conseguido ficar em pé, quanto m ais deixado o esconderij o para trás! Tam bém não havia pegadas registrando a chegada de outra pessoa. Não, ele não fora capturado. Tenorius encontrou alguns rastros que denunciavam som ente a nova fuga de seu aluno. “Com o ele fez isso? Mal podia se m exer!”
A resposta encontrava-se num a pedra, j unto a um altar sem idestruído. Estava calcinada. — Ele se curou sozinho — deduziu Tenorius, perplexo. Já ouvira histórias sobre essa habilidade
incom um .
Era preciso avisar im ediatam ente seu m estre.