O Direito à Natureza na Cidade

Wendel Henrique · Capítulo 31 de 39

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O Direito à Natureza na Cidade

VII - Um bosque para chamar de meu. A apropriação das ideias de natureza pelos empreendimentos imobiliários

VII - Um bosque para chamar de meu.

A apropriação das ideias de natureza

pelos empreendimentos imobiliários

 

A relação cotidiana com a natureza na cidade, como foi demonstrada nos capítulos anteriores, passa a ser povoada por pensamentos, imagens, fantasias e desejos de uma natureza "glamourizada" e reificada como um desenho infantil. Chega-se a um momento onde a economia, ou melhor, o estilo de vida capitalista irá pautar a superexploração da natureza na cidade.

Nesta relação, os homens não enxergam os fenômenos sociais, políticos ou econômicos que penetram na ideia de natureza. Preferem continuar a ver apenas uma imagem romântica da natureza, que é captada e apropriada pelos empreendimentos imobiliários nas grandes cidades.

Neste mundo da fantasia e da exploração capitalista, muitos empreendimentos imobiliários reforçam um processo de associação com uma das várias ideias possíveis de natureza na atualidade. Em comum, todos eles utilizam a natureza como uma das principais armas para sua valorização. Destacam-se, neste capítulo, alguns destes empreendimentos localizados nas cidades de São Paulo/SP e Florianópolis/SC e Salvador/BA, analisados a partir de materiais de propaganda, impressos e digitais, em cadernos e sítios da Internet especializados em imóveis das áreas estudadas. Salienta-se que não se buscou fazer um estudo quantitativo destes empreendimentos, mas sim apresentar de maneira qualitativa, a profusão desta apropriação ideológica da natureza na cidade.

De maneira geral, na apropriação ideologizada da natureza no mercado de imóveis inserem-se os seguintes elementos:

- Material de propaganda com uma super valorização da

natureza, com predominância dos tons de verde;

- Os símbolos preferenciais para confecção dos logotipos são:

as folhas, o sol, as árvores, as borboletas, as flores e as

conchas;

- Erros de localização e falta de escala nos croquis de

localização;

- Abundância de praças e áreas verdes dentro dos

empreendimentos;

- Privatização da natureza na cidade, materializada nos parques

e praças públicos;

- Relação com uma natureza padronizada globalmente, sempre

verde;

- Consumo da natureza como um objeto raro, privativo,

requintado e exclusivo para as classes de alto poder

econômico;

- Segregação urbana e a venda da ideia de natureza verde,

mas associada ao conforto da vida citadina e suas

possibilidades de consumo nos shopping centers.

Em relação aos slogans nas propagandas dos empreendimentos imobiliários, destacam-se:

- Praça exclusiva e privativa, garantido acesso total a natureza;

- O privilégio de possuir a natureza dentro do condomínio;

- Uma vida saudável na cidade em meio à natureza;

- Diferenciais únicos: natureza, ar puro e elegância; tudo isto

pertinho de Shoppings e dos mais modernos serviços;