O Direito à Natureza na Cidade
VII - Um bosque para chamar de meu. A apropriação das ideias de natureza pelos empreendimentos imobiliários
VII - Um bosque para chamar de meu.
A apropriação das ideias de natureza
pelos empreendimentos imobiliários
A relação cotidiana com a natureza na cidade, como foi demonstrada nos capítulos anteriores, passa a ser povoada por pensamentos, imagens, fantasias e desejos de uma natureza "glamourizada" e reificada como um desenho infantil. Chega-se a um momento onde a economia, ou melhor, o estilo de vida capitalista irá pautar a superexploração da natureza na cidade.
Nesta relação, os homens não enxergam os fenômenos sociais, políticos ou econômicos que penetram na ideia de natureza. Preferem continuar a ver apenas uma imagem romântica da natureza, que é captada e apropriada pelos empreendimentos imobiliários nas grandes cidades.
Neste mundo da fantasia e da exploração capitalista, muitos empreendimentos imobiliários reforçam um processo de associação com uma das várias ideias possíveis de natureza na atualidade. Em comum, todos eles utilizam a natureza como uma das principais armas para sua valorização. Destacam-se, neste capítulo, alguns destes empreendimentos localizados nas cidades de São Paulo/SP e Florianópolis/SC e Salvador/BA, analisados a partir de materiais de propaganda, impressos e digitais, em cadernos e sítios da Internet especializados em imóveis das áreas estudadas. Salienta-se que não se buscou fazer um estudo quantitativo destes empreendimentos, mas sim apresentar de maneira qualitativa, a profusão desta apropriação ideológica da natureza na cidade.
De maneira geral, na apropriação ideologizada da natureza no mercado de imóveis inserem-se os seguintes elementos:
- Material de propaganda com uma super valorização da
natureza, com predominância dos tons de verde;
- Os símbolos preferenciais para confecção dos logotipos são:
as folhas, o sol, as árvores, as borboletas, as flores e as
conchas;
- Erros de localização e falta de escala nos croquis de
localização;
- Abundância de praças e áreas verdes dentro dos
empreendimentos;
- Privatização da natureza na cidade, materializada nos parques
e praças públicos;
- Relação com uma natureza padronizada globalmente, sempre
verde;
- Consumo da natureza como um objeto raro, privativo,
requintado e exclusivo para as classes de alto poder
econômico;
- Segregação urbana e a venda da ideia de natureza verde,
mas associada ao conforto da vida citadina e suas
possibilidades de consumo nos shopping centers.
Em relação aos slogans nas propagandas dos empreendimentos imobiliários, destacam-se:
- Praça exclusiva e privativa, garantido acesso total a natureza;
- O privilégio de possuir a natureza dentro do condomínio;
- Uma vida saudável na cidade em meio à natureza;
- Diferenciais únicos: natureza, ar puro e elegância; tudo isto
pertinho de Shoppings e dos mais modernos serviços;