O Homem de Giz

C. J. Tudor · Capítulo 1 de 30

Páginas do PDF

O Homem de Giz

Prólogo

“Ler é aprimorar seus conhecimentos e compreender a vida ao seu redor”

Para baixar mais livros como esse, acesse: e-Livros.xyz

Para a Betty. As duas.

Prólogo

A cabeça da rapariga descansava sobre um pequeno monte de folhas castanhas e cor de laranja.

Os olhos cor de avelã fitavam o dossel frondoso dos sicómoros, das faias e dos carvalhos, mas sem verem os dedos hesitantes dos raios de Sol que se insinuavam por entre as ramadas, a polvilhar de ouro o solo da floresta. Não pestanejaram quando os escaravelhos negros de dorso brilhante fugiram apressadamente sobre as pupilas. Já nada viam, além das trevas.

A curta distância, uma mão branca esticava-se para fora do seu sudário de folhagem, como que em busca de auxílio, ou para se certificar de que não estava só. Nada havia para encontrar.

O resto do corpo estava fora de alcance, espalhado por outros lugares recônditos do bosque.

Perto dali, um ramo fino estalou com o som de um petardo na quietude da floresta e um bando de pássaros levantou voo, espavorido, de entre a vegetação baixa. Alguém que se aproximava.

Ajoelharam ao lado da rapariga de olhos sem vida e as suas mãos acariciaram-lhe com ternura o cabelo e afagaram-lhe o rosto frio, com dedos trémulos de excitação. Levantaram a cabeça, sacudiram algumas folhas que se agarravam aos bordos irregulares do pescoço, e colocaram-na com cuidado dentro de um saco, aninhada entre fragmentos de paus de giz.