O Homem de Giz

C. J. Tudor · Capítulo 2 de 30

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O Homem de Giz

Capítulo 2016

Ao fim de um momento de reflexão, fecharam-lhe os olhos. Depois, correram o fecho do saco, levantaram-se e levaram-na consigo.

A polícia e os especialistas forenses chegaram algumas horas mais tarde. Numeraram, fotografaram, examinaram e por fim transportaram o corpo da rapariga para a morgue, onde permaneceu durante várias semanas, a aguardar que o completassem.

O que nunca aconteceu. Realizaram-se buscas exaustivas, houve interrogatórios, fizeram-se apelos, mas apesar de todos os esforços dos detectives e dos voluntários da cidade, a cabeça nunca foi encontrada, e o corpo da rapariga encontrado no bosque nunca foi reconstituído.

2016

Comecemos pelo princípio.

O problema é que nunca estivemos de acordo quanto ao princípio. Foi quando o Gav Gordo recebeu o balde com paus de giz como presente de anos? Foi quando começámos a desenhar bonecos de giz ou quando eles começaram a aparecer por sua iniciativa? Foi quando se deu o terrível acidente? Ou quando encontraram o primeiro corpo?

São muitos princípios. Na minha opinião, qualquer um pode assinalar o começo. Mas creio que tudo teve início naquele dia, na feira. É desse dia que me recordo melhor. Por causa da rapariga do carrossel, evidentemente, mas também porque foi o dia em que tudo deixou de ser normal.

Se o nosso mundo fosse um globo de neve, seria o dia em que um deus qualquer o sacudiria com violência e o voltaria a pousar. Mesmo depois de os flocos e a espuma terem assentado, as coisas já não eram como antes. Não eram iguais. Podiam parecer iguais através do vidro, mas lá dentro era tudo diferente.