O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 10 de 36

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O Senador

Capítulo 9 · Meu final de semana entraria para a…

 

Meu final de semana entraria para a lista dos meus momentos inesquecíveis. Ele se igualava com o de Paris, onde fui pedida em casamento, ou os que passamos na Ilha de Emma, ou...

Não. Todos os dias ao lado de Artur Sebastian se tornavam inigualáveis.

Na segunda-feira, como combinado, fui até a revista de Mark, mas não sem os protestos de Artur, é claro. Mesmo conversando mais de uma vez sobre o assunto, quando voltamos do Hilton naquele domingo à noite, ele não estava gostando nada da ideia de outra pessoa patrocinar meu projeto.

Não brigamos, com todo meu jeitinho e um sexo matinal maravilhoso consegui convencê-lo, momentaneamente, que eu estava feliz em ver meu projeto andando com suas próprias pernas, e não por ser a noiva do poderoso Senador Artur Scott.

Mas, o pior ainda estava por vir. Mark, animadíssimo com a matéria que havia citado para mim no bar na sexta-feira, não tirava da cabeça que eu era a pessoa ideal para fazê-la. Então, mais uma vez o convenci que nada me tiraria de perto de Artur e, principalmente, gostava da minha nova vida, tocando meus projetos paralelamente junto aos dele.

Durante nossa reunião, hipoteticamente, ele me pediu para escolher uma cidade para que pudesse ser feita essa matéria. Sorri, me lembrando do desejo que tinha de conhecer e explorar a cidade onde começou o Clã Scott. Então, hipoteticamente também, escolhi Sumas. Mark então resolveu que essa seria a cidade para ser explorada, mesmo que a jornalista não fosse eu. É claro que conhecendo meu companheiro de faculdade, esse seria mais um método para me persuadir, mas eu não cairia na conversa mole do Adams. E disse isso a ele às gargalhadas.

Resumo da ópera: contrato assinado.

Eu já tinha um patrocinador e incentivador para minhas pesquisas com meu projeto pessoal e com isso meu trabalho triplicou, pois ainda estava envolvida com as pesquisas do livro.

Mas aquele projeto me dava ânimo e vida, passando madrugadas inteiras em cima dele, enquanto Artur dormia tranquilamente ao meu lado.

Contudo, minha maior investigação, aquela pela qual tinha me doado muito estava quase encerrada. Raquel e Ryan Laurence, não eram mais um mistério para mim.

Depois que foram filmados pelo aparelho instalado por Jared no arquivo, vasculhei a prateleira onde eles guardavam os documentos e descobri que os dois eram mais que desonestos. Raquel e Ryan eram bandidos.

Com a ajuda de Mary e Jared, que era um hacker de primeira, descobrimos que as notas superfaturadas na Scott’s, eram frias, forjadas por empresas fantasmas para depois serem transformadas em caixa dois, e o dinheiro, enviado para contas no exterior em seus nomes.

Com acesso aos computadores de suas salas e escutas em seus celulares, identificamos também contatos diretos com os Parker, os maiores rivais dos Scott. Porém, ainda não havia descoberto o que eles estavam tramando, mas tinha certeza que seria alguma armação contra Artur, ou até mesmo George e isso me causava calafrios só de pensar.

Por tudo que descobrimos acessando seus departamentos, me convenci que minha intuição jamais falhou. Os dois eram bandidos da pior espécie, os mais falsos e sínicos. Roubavam a empresa onde trabalhavam e ainda faziam o serviço sujo para os Parker, tudo arquitetado pelas costas dos patrões.

Conversando com Jared, tentava chegar a alguma conclusão sobre o que eles poderiam fazer contra a carreira de Artur, ou até mesmo de seu pai, porém, não chegávamos a nenhuma plausível. Sentia que tinha que proteger meu noivo de todas as formas e precisava encontrar um modo de conversar com ele novamente sobre esse assunto que era proibido entre nós.

Também precisava descobrir que tipo de relação existia entre Raquel, Ryan e os Parker. Não podia deixar que nenhum escândalo afetasse a vida ou a carreira da minha família. Por isso, quando precisava me afastar de Nova York sempre deixava Jared ou Mary de prontidão como naquele momento, em que estávamos em Washington para um evento beneficente e para as sessões de Artur no Capitólio.

Balancei a cabeça, tentando me livrar de todos aqueles pensamentos enquanto terminava de me maquiar. Artur ainda não tinha chegado do Congresso e isso estava me preocupando. Não seria correto chegarmos atrasados ao evento, mas a porta de nosso quarto se abriu antes de concluir meu raciocínio.

— Magnífica, como sempre — Artur se aproximou por trás, beijando meu ombro e encontrando meu olhar pelo reflexo do espelho.

— Você está atrasado.

— Eu sei, princesa. Em dez minutos estarei pronto. Só o tempo de uma ducha — se virou indo para o banheiro.

— Sua roupa já está separada no closet.

— Já disse que a amo hoje? — ele gritou do banheiro fazendo-me rir.

— Hoje ainda não — gritei de volta.

— Mas eu amo! E não vivo sem você, princesa — meu coração se aqueceu.

— Tome seu banho.

— Ingrata — gargalhei, terminando de colocar o vestido preto de magas compridas, discretíssimo, mas ao mesmo tempo sensual, como Artur gostava.

 

— Preparada, Futura Senhora Scott?

— Eu amo quando me chama assim — disse aconchegando-me em seus braços ainda na limusine assim que chegamos ao local do evento, sentindo seu cheiro de banho recém-tomado.

— Precisamos marcar logo a data — ergui o rosto o encarando. — Sei que minha agenda está corrida, mas…

— Foi por isso que não marcamos ainda — Artur sorriu beijando a ponta do meu nariz.

— Eu quero você pra mim o mais rápido possível, Linda.

— Mas, eu já sou sua, amor.

— Preciso de mais. Do papel passado, com toda a pompa e circunstância que a ocasião pede.

— Vamos organizar sua agenda então — disse animada antes de nos beijarmos e sermos avisados que já estava tudo pronto para nossa entrada triunfal no evento.

Como sempre, fomos cercados de fotógrafos e jornalistas que nos bombardeavam com perguntas políticas, sobre o evento e principalmente sobre nossa vida pessoal, porém essas sempre eram bloqueadas por Jared, é claro.

— Senador, aqui — uma jornalista se aproximou de Artur, que nunca desenlaçava nossas mãos em qualquer lugar que estivéssemos. — Sobre seu nome estar sendo cotado para a Presidência do Senado, o senhor acha que isso o ajudará em uma futura campanha para a presidência do país?

— Boa tarde, senhorita?

— Brian, Vanessa Brian, Senador — não gostei do seu sorriso, mas mantive a pose, pois era a minha cintura que estava sendo rodeada pelos braços do homem mais cobiçado do país naquele momento.

— Minha única vontade agora é fazer um trabalho honesto e aprovado pela população, que depositou seu votou em mim, o resto será inteiramente consequência da competência do que eu estiver fazendo dentro do Congresso.

— Mas o senhor pensa em chegar ao topo?

— Se essa for a vontade do partido e eu estiver à altura do meu país, sim. Penso em chegar ao topo, principalmente por ter uma pessoa forte e determinada ao meu lado que me ajudará em tudo que eu precisar — Artur me abraçou ainda mais, puxando-me para ele e quando nossos olhos se encontraram percebi que ele me tinha ao seu lado como sua companheira. Então, vi ali mais uma oportunidade de falarmos sobre o assunto proibido.

— Obrigada, amor — acariciei seu rosto.

— Eu que agradeço por estar ao meu lado sempre. Você é meu pilar, Linda, meu esteio, sem você…

— Shiu! Não existe um sem o outro aqui. Eu amo você.

— Eu também te amo, princesa.

Ficamos mais alguns minutos dentro da nossa bolha particular antes de voltarmos nossa atenção ao evento.

 

— Esse evento marcou o ponto inicial da escolha do meu nome à Presidência do Senado e você como sempre, estava esplêndida ao meu lado — Artur sorriu e beijou meus cabelos, enquanto chegávamos ao nosso quarto no palácio.

— Não exagere, você tem um brilho próprio que nunca ninguém ofuscará — disse acariciando seu rosto que continha um lindo sorriso.

— Não teria metade desse brilho se você não estivesse comigo — ele pegou meu rosto entre suas enormes mãos fazendo com que nossos olhos se encontrassem. — Sem você eu não sou ninguém, princesa — capturou minha boca e nos beijamos apaixonadamente.

Tomei coragem e percebi que aquela era a hora de tentar conversar sobre o que havia descoberto entre Raquel e Ryan.

— Amor, eu preciso falar com você — Artur, percebendo minha seriedade, se afastou um pouco.

— O que aconteceu, Linda?

— Em primeiro lugar quero que você me escute antes de qualquer coisa.

— Linda, eu não quero escutar nada se o assunto estiver envolvido com Raquel e Ryan, entendeu? — esbravejou furioso. — Já não mandei você ficar longe da parte administrativa da Scott’s?

— Tarde demais — ironizei, perdendo a esperança de ser sua cúmplice e companheira de verdade. Com o todo poderoso não teria diálogo e isso estava me matando.

— Pelo amor de Deus! O que você fez, Linda Marilyn?

— A pergunta seria: o que você está fazendo. Por que essa agressividade? Esse não é o meu noivo. Mas, acho que não seja do seu interesse o que eu fiz… — tentei esconder minha decepção e raiva por ele não confiar em mim.

— Linda, eu mandei você ficar fora disso!

— Sem nenhuma explicação. Como se estivesse lidando com um funcionário seu — disse com lágrimas nos olhos. — Você se esqueceu quem eu sou. Esqueceu quem está ao seu lado — tentei controlar os soluços. — Eu sou uma jornalista inteligente e perspicaz, Artur Sebastian, não me contentaria apenas com um “fique longe disso, Linda Marilyn”. Você não confiou em mim! — balancei a cabeça. — Não! Pior, você me subestimou. Na verdade, homens como você precisam ter ao lado mulheres como Melissa, que encham os olhos apenas por serem lindas e totalmente compráveis com qualquer tipo de diamante que tenha mais de vinte quilates.

— Linda... — ele tentou me segurar.

— Não… Agora deixe-me terminar! — me desvencilhei do seu braço explodindo toda minha tristeza que sentia naquele momento. — Essa sua mania de me tratar como uma retardada me frustra — Artur olhou-me com os olhos arregalados. — Eu sou inteligente o suficiente para ver que há algo de errado, porém, você não se deu ao trabalho de conversar comigo, ou ao menos confiar em mim. Apenas me subestimou. Eu tentei conversar, eu tentei ajudar, mas você, mais uma vez me tratou como uma boneca e essa não sou eu, Artur.

— Linda, me escuta…

— Não! Agora não adianta mais. Como gostaria que fosse diferente. Queria que você me visse como uma companheira, sua melhor amiga com quem pudesse contar, não apenas para satisfazer seu desejo ou mostrar para o púbico.

— Você é essa pessoa, princesa… Você sabe que é — ele disse sofrido, passando as mãos por seus cabelos.

— Não sou, Artur. Você não confiou em mim — chorei ainda mais. — Não me ouviu.

— Eu só queria…

— O quê? — o cortei enquanto ele tentava se explicar. — Me proteger? — ri sem humor. — Isso não cola mais. Não sou uma criança de dez anos que você tem que vigiar — respirei fundo. — Como eu queria ter tido coragem de aceitar a proposta do Mark, seguir minha carreira e ir atrás de novas possibilidades. Mas não, eu quis insistir, não consigo viver sem você, não me vejo longe de você e esse é o meu maior defeito — vi suas narinas inflarem.

— Você sempre pôde ter tudo, eu posso te dar tudo — mais uma vez sorri sem humor. — O que aquele filho da puta lhe ofereceu que eu não posso lhe dar?

— Você nunca vai mudar — decepcionei-me novamente com minha própria constatação. — Vai ser sempre o mesmo prepotente e autoritário, guiando todos ao seu redor para um mundo onde tudo tem que girar em torno de seus desejos. A vida não funciona assim, Artur Sebastian. Eu não quero isso para mim, quero você ao meu lado, mas como parceiro, companheiro. Eu quero te ajudar… Eu queria apenas ter... — encostei-me à parede, com meu corpo involuntariamente descendo até o chão.

— Me desculpe, meu amor — ele se aproximou. — Eu odeio te fazer chorar.

— Não toque em mim… Saia daqui, eu quero ficar sozinha.

Artur não discutiu e saiu, deixando-me ali em prantos, tentando pensar no que fazer dali para frente. Eu não poderia voltar atrás novamente. Não poderia abrir aquela porta e perdoá-lo como das outras vezes. Não baixaria a cabeça mostrando algo que não era apenas para ficar ao seu lado. Mas perto dele não iria conseguir. E se fugir era o ideal para aquele momento, era isso que ia fazer. Ele precisava aprender que meu lugar era ao seu lado e não à sua sombra.

Levantei-me com dificuldades alcançando meu celular de dentro da bolsa e liguei para minha melhor amiga.

— Mary! — solucei.

— Linda, você está chorando? — ela pausou. — Você contou a ele, não foi?

— Não… Mais uma vez ele não quis me escutar! — chorei ainda mais. — Preciso de você e do Jared, por favor.

— Linda, onde você está? — era a voz de Jar, aflito.

— Voltando para Nova York. Estarei aí no máximo em duas horas e quero que me ajudem a montar um dossiê.

— O que você vai fazer?

— Acabar logo com essa história de uma vez — levantei decidida, enxugando o rosto. — Assim que chegar à Nova York eu vou direto para seu apartamento. Me esperem acordados, por favor. Esse é último favor que lhes peço.

— Linda, o que você pretende fazer com esse dossiê?

— Nós conversamos assim que chegar aí, não contem nada à Artur se ele ligar, beijos.

Desliguei o celular já trocando meu vestido por uma roupa mais confortável e, pegando minha bolsa, segui em direção à porta.

Quando cheguei à sala, Artur estava sentando em uma das poltronas com a cabeça baixa, puxando seus cabelos. Assim que sentiu minha presença ergueu-a e se levantou, vindo em minha direção.

— Não! — o parei.

— Aonde você vai a essa hora da noite, Linda? Nós precisamos conversar.

— Não temos mais nada para conversar, Artur. Não agora. Não se você não me enxergar como eu realmente sou — comecei a chorar novamente.

— Princesa, não faz assim, me perdoe — balancei a cabeça.

— Eu não posso mais perdoar, Artur. Será que você não consegue entender isso? Não sou a boneca de luxo que deseja! — tentei sair, mas ele me pegou em seus braços.

— Por favor, me deixe explicar.

— Não. Por favor, digo eu. Só me deixe ir — disse fracamente me desvencilhando dos seus braços e saindo correndo dali.

Não conseguiria resistir. Era fraca quando se tratava do amor que sentia por Artur Sebastian. Ele consumia todo meu ser, mas não o deixaria me transformar em alguém que não sentisse orgulho. Então, mesmo morrendo por dentro, eu fui embora.

Peguei um táxi indo direto para o aeroporto. Dando graças a Deus pelo próximo voo para Nova York sair em meia hora. Comprei a passagem e logo embarquei. Não queria nada que me fizesse depender de Artur naquele momento e o jatinho era uma dessas coisas.

Desembarquei tarde da noite em Nova York, não me dando ao trabalho de ligar meus celulares, indo direto para o apartamento de Mary. E chegando lá os dois me esperavam com o dossiê quase pronto.

 

— Está pronto, Linda, o que vai fazer agora?

— Eu preciso de duas cópias, Jar, e depois me viro — já havia passado das duas da manhã e ainda estávamos trabalhando em cima do dossiê sobre as falcatruas de Raquel e Ryan.

— Linda, me diz o que está planejando, eu conheço essa carinha.

— Mary, eu posso dormir aqui? — tentei me desvencilhar da sua pergunta.

— E desde quando precisa pedir, amiga. Mas, sabe que não poderá fugir de Artur para sempre, não é?

— Eu juro que é só por essa noite — desconversei mais uma vez e ela balançou a cabeça, reprovando-me. — E, por favor, ele não pode saber que eu estou aqui.

— Você pode ficar o tempo que precisar, meu amor — minha amiga me abraçou. — E, é claro que não contaremos nada para ele — ela e Jared se entreolharam. — Você é minha irmã, eu só quero te proteger, Linda. Por isso não quero que faça nada que possa se arrepender.

— Não vou fazer. Obrigada aos dois — sorri já com lágrimas nos olhos. — Não sei o que seria de minha vida sem vocês ao meu lado. Boa noite! — abracei-os e fui para o quarto de hóspedes, onde não dormi, apenas dei mais um passo rumo ao plano que havia começado a elaborar durante o voo entre Washington e Nova York.

De manhã, com os dois dossiês em mãos, saí do apartamento da minha melhor amiga já sentindo saudades. Deixei um bilhete para ela e Jared e desci até a garagem pegando com o porteiro as chaves do meu antigo carro. Fui até uma empresa de entregas e despachei os dois envelopes junto com o IPhone dourado, feito sob encomendada para mim na Apple, conectado diretamente com Artur. Na verdade, não poderia ser rastreada naquele momento e, para isso, descartaria meu outro aparelho também depois de falar com a única pessoa que poderia me ajudar a fugir.

— Mark?

— Linda! O que aconteceu? Artur me ligou ontem irritadíssimo e ameaçou fechar a revista — balancei a cabeça, decepcionada.

— Estou indo te encontrar na revista agora — desliguei o celular entrando no carro novamente.

 

— Mark, eu quero a matéria. Preciso ir para Sumas ainda hoje — disse sentada na sua frente.

— Você tem certeza disso?

— Sim, Mark, eu tenho certeza. Na verdade preciso sair de Nova York o quanto antes.

— Mas, Linda, nós já havíamos conversado e você foi categórica... — ele pausou, passando as mãos pelos cabelos. — Eu não quero comprar uma briga com Artur Scott. Ele ameaçou fechar a revista.

— E desde quando você tem medo, Mark? Nem parece mais aquele cara destemido da época da faculdade — dei de ombros.

— Desde quando a louca da minha ex-colega de faculdade, quase Primeira-dama dos Estados Unidos, aceitou a matéria que fui terminantemente proibido de tocar no assunto quando seu noivo ficou sabendo do convite.

— Com Artur eu me entendo depois, agora vai ou não vai me dar a matéria? — cruzei os braços, esperando sua resposta.

— Você sabe que é uma matéria sigilosa e que você vai ter que ficar dois meses fora.

— É exatamente disso que estou precisando.

— Linda, Sumas é do outro lado do país e Artur não vai poder ficar sabendo dessa material.

— Eu li todas as cláusulas do contrato, Mark, aceito todas elas. Onde eu assino?

— Vocês brigaram?

— Não acho que minha vida pessoal seja de sua conta, — tentei fazer graça — mas digamos que estamos momentaneamente separados por conta de divergência de opiniões.

— Tudo bem, mas e se ele vier novamente com aquela história de fechar a revista? Ontem ele estava furioso!

— Ele não virá, pode ficar tranquilo. Estou dentro?

— Sempre esteve e você sabe disso — ele sorriu. — Mas, por favor, não me arrume confusão. Essa matéria é muito importante para a revista.

— Para mim também, Mark, você nem imagina — sorri estendo minha mão que foi prontamente apertada pela dele.

— Você sabe também que não poderá chegar lá com essa carinha conhecida por todo mundo, não é?

— Não tinha pensado nisso.

— Sei que não, mas eu já — abriu uma gaveta tirando de dentro uma passagem e alguns documentos falsos. — Havia deixado tudo pronto para o caso da senhora Primeira-dama, mudar de ideia — ele disse jogando os papéis na minha direção. — Só precisa escolher um nome e tirar uma foto disfarçada para os documentos.

Sorri, tendo apenas um pensamento naquele momento.

— Mônica Lewis e preciso de uma peruca ruiva — Mark gargalhou.

— Você é rápida — disse já com o telefone em punho.

Saí da revista e passei rapidamente no meu antigo apartamento, onde fiz uma pequena mala com minhas roupas antigas, resgatando do fundo do armário a peruca ruiva usada quando eu e Mary fizemos um tour pelo Eve’s Garden, já que eu não tinha gostado da que Mark me arrumou.

Com tudo pronto, segui diretamente para o aeroporto. Não poderia correr o risco de me encontrar com Artur e perder todo o foco do meu propósito.

A partir daquele momento eu mostraria a ele que para continuarmos juntos eu teria que estar sempre ao seu lado e não apenas posando como sua “linda” Primeira-dama. Essa pela qual ele havia se apaixonado e descoberto a leveza da vida, como ele mesmo denominava nosso amor. Eu era mais que aquilo!

Queria ser sua companheira de verdade, estar ao seu lado, lutar com ele, mas para isso, Artur teria que aprender da pior maneira essa lição.

Mesmo que me custasse ficar longe do amor de minha vida, eu mostraria para ele que em um relacionamento a cumplicidade teria que ser mútua.

Para isso, deixaria Linda Stevens em Nova York, dando vida novamente a Mônica Lewis, aquela que havia enlouquecido o Senador Scott da primeira vez e tinha esperança de ensinar algo novo para ele a partir desse momento.