O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 31 de 36

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O Senador

Capítulo 30 · Estava relendo novamente a exclusiva concedida para…

 

Estava relendo novamente a exclusiva concedida para Mark Adams e pensando em como tudo mudou desde então.

Passado um mês desde a entrevista no tríplex e depois dela ter sido publicada, o mundo parou totalmente a espera de mais pronunciamentos sobre o assunto.

Coisa que não fizemos.

Tirei esse tempo para dar atenção redobrada a minha princesa, que estava cada dia mais linda, completando sete meses de gestação.

Voltamos de Paris há uma semana e Linda se divertiu muito, montando o enxoval da nossa filha. É claro que eu a ajudei dando palpite em tudo, porém, a última palavra sempre era a dela e, modéstia parte, Sophie iria ter um dos enxovais mais lindos do mundo.

O quarto, quer dizer, os quartos, também estavam sendo decorados especialmente para ela. O de Nova York estava nas mãos de um dos maiores arquitetos do momento e, terminando aquele projeto, embarcaria para Washington para montar o do palácio.

Linda não poderia estar mais animada.

Naquele dia voltaria as nossas atividades normais, por isso desembarcamos direto de Paris para a Capital. O Senado me esperava e minha mulher teria uma entrevista para a divulgação do seu livro em uma emissora da cidade. Sempre com a cautela necessária, por conta do seu estado. Porém, ela mostrava a cada dia uma disposição invejada por muitos e um fogo…

Meu Deus!

Minha mulher estava insaciável, não podendo em hipótese nenhuma mencionar frases como… “Vamos com calma”. Ou... “Olhe o bebê”. Pois nesse momento nossa casa caía, com ela se transformando na mulher mais manhosa e dramática que a gravidez poderia me trazer, junto com Sophie, é claro.

Então, para não contrariá-la, eu a comia pelo menos duas vezes ao dia.

Sorri sem tirar os olhos do tablet, chamando sua atenção.

— Do que está rindo, amor, posso saber? — fez um bico apetitoso ao meu lado, enquanto tomávamos café da manhã e não resistindo a beijei. — Depois sou eu a insaciável — disse com nossas testas coladas, como se adivinhasse meus pensamentos. — Mas me conte, do que estava rindo?

— Estava pensando em nosso último mês, princesa, no enxoval da nossa princesinha — toquei seu ventre, vendo Linda abrir um sorriso.

— Ele está maravilhoso mesmo, mas algo ainda me preocupa — ela tocou uma ruga que se formou em meu rosto. — O sumiço de Ryan e Raquel. Tenho tanto medo que eles façam alguma coisa contra você.

Eu tinha o mesmo medo. Tentava transparecer calma para ela por conta da gravidez, mas perdia o sono quando meus pensamentos caíam sobre aqueles filhos da puta, imaginando o que poderiam fazer contra minha mulher e minha filha, principalmente naquele momento. Eles estavam acuados e foragidos pelos crimes os quais haviam sido indiciados no começo do mês.

— Nada vai acontecer, princesa, estamos cercados pelos melhores homens do Pentágono e nossos seguranças estão o tempo todo atentos. Só te peço, Linda — enquadrei seu pequeno rosto entre minhas mãos —, que em hipótese nenhuma saia sozinha.

— Nunca, meu amor, eu sei dos riscos que estamos correndo — ela copiou meu gesto fazendo com que nossos olhos se conectassem. — Eles vão ser pegos, eu confio nisso.

— Eu também confio — suspirei pesadamente.

Sal havia acionado todas as equipes de buscas do Pentágono, além de todo o Galpão 77, por isso tinha absoluta certeza que não demoraríamos a colocar as mãos naqueles calhordas, enquanto isso nós teríamos que esperar e nos proteger de todas as maneiras.

— Mudando de assunto — Linda se recompôs na cadeira, gemendo um pouco por conta do peso da barriga. — Mark está em alta no meio jornalístico por conta da exclusiva – ela sorriu apontando para o aparelho ao meu lado, esquecido momentaneamente.

— Tenho que me redimir e concordar que a paquita tem talento.

— Artur Sebastian! — repreendeu-me, revirando os olhos. — Falando nisso, você viu a troca de olhares entre ele e Natalie no dia da reunião na Scott`s, onde ele nos trouxe a matéria pronta? — gargalhei. — Acho que eles vão se dar bem — piscou maliciosa. — Se é que você me entende, Senador — a puxei para meu colo delicadamente, cheirando seu pescoço apetitoso.

— Entendo muito bem, Senhora Scott — infiltrei minhas mãos em seus cabelos soltos e a beijei intensamente. — Estamos muito atrasados?

— Nada que um beijo a mais não faça o mundo esperar seu pronunciamento de volta ao Senado — sorrimos e voltamos a nos beijar.

 

— Pronto para ser metralhado com perguntas? — Linda sorriu ao meu lado ainda dentro da limousine, em frente ao Capitólio. Não teria como minha princesa estar mais linda e angelical. Ela havia escolhido um vestido rosa bebê, florido, que detalhava sua barriga imponente contendo um laço na parte de cima. Para completar o look, como ela e sua personal style diziam, colocou um blazer do mesmo tom do vestido, acompanhando o sapato e a bolsa. Não era muito ligado nessas coisas de moda, porém Linda havia se rendido aos sofisticados vestidos das primeiras-damas, sem em nenhum momento deixar de lado sua sensualidade, que berrava por seus poros e olhares me seduzindo.

Do que mais precisaria, se já tinha uma linda dama ao meu lado e uma devassa na cama?

— Com você ao meu lado sempre estarei pronto para enfrentar tudo de cabeça erguida — ela sorriu dando-me o último selinho antes de sairmos do carro com as mãos entrelaçadas e sermos, como Linda havia dito, metralhados pelos jornalistas. Também fomos ovacionados por uma população que nos esperava do lado de fora do Capitólio apenas para nos reverenciar.

Cumprimentamos todos, com Linda sempre simpática, acenando e até pegando em algumas mãos.

— Bem-vindo de volta, Senador. Como está se sentindo depois de tudo esclarecido sobre o escândalo e ainda estar vendo seu nome como o favorito para as próximas eleições sucedendo Obama?

— Antes de qualquer coisa, obrigado. Sobre o que esclarecemos à mídia através de uma única exclusiva, o que achamos mais que necessária, nunca tivemos problemas com isso. Em contra partida, vimos muitos jornalistas perderem seus empregos, além de serem processados por publicarem algo sem uma investigação mais profunda. A verdade sempre esteve conosco, caro colega. E se meu nome está sendo cogitado para as próximas eleições é devido ao trabalho que dediquei durante toda a minha vida e principalmente a confiança à minha família, que presta serviços a esse país há mais de quarenta anos.

Respondendo aquela pergunta, lembrei como acabei de uma vez por todas com o crápula, Victor Parker. Esse não nos importunaria mais.

Mesmo que tenha brigado com Linda por ser um assunto que facilmente resolveria sozinho.

 

— Você não deveria estar aqui — sussurrei para Linda ao meu lado enquanto esperávamos na sala de reuniões do New York Time.

— Não passou por sua cabeça que eu perderia isso, não é, Artur Sebastian? — ela conseguia me tirar do sério quando se tornava uma Scott prepotente e autoritária.

— Você está grávida.

— Eu sei. Mas esse assunto é mais meu do que seu… Então… — ergueu a sobrancelha olhando para a porta, onde Victor Parker adentrava acompanhado pelo presidente do jornal.

— Ora, ora, vejo que viemos acompanhados — fui irônico vendo Parker estatelar ainda na porta. — Não precisa ter medo, seu calhorda medíocre — me aproximei pegando-o desprevenido pelo colarinho da camisa.

— Vamos agir como pessoas civilizadas, Senador Scott — o presidente do jornal disse fazendo-me gargalhar. Enquanto isso, minha querida esposa mantinha uma postura dura, dando medo a quem estivesse recebendo seu olhar, que no caso estava voltado para seu ex-chefe.

— Civilizados, senhores? Faça-me rir — joguei o calhorda em uma cadeira voltando para o lado de Linda. — Vocês não pensaram em serem civilizados quando publicaram todas aquelas mentiras sobre minha família.

— Mas, Senador… Tínhamos provas — o velhote tentou se justificar.

— Sim, provas que nem se deram ao trabalho de certificar a veracidade — minha excelentíssima esposa entrou em ação. — Esse jornal já foi mais cuidadoso, chefinho — ironizou, olhando diretamente para Victor. — Ou será que estão sendo comprados por qualquer um? — virou para o presidente daquela espelunca. — O que é uma pena, pois se aliaram as pessoas erradas, caindo junto com elas.

— Não pode falar conosco nesse tom, Linda Marilyn.

— Senhora Scott, caro colega. Para vocês eu sou Linda Marilyn Scott — ela bateu na mesa. — E vamos acabar logo com isso. Artur... — concedeu-me a vez que abracei honrado.

— Com muito prazer, querida — sorri para ela. — Viemos aqui pessoalmente apenas para avisar que esse jornalzinho está sendo processado e correndo sérios riscos de fechar as portas. Vocês mexeram com as pessoas erradas, caro jornalista. Já especialmente para você, Parker, a polícia está chegando a qualquer momento e espero do fundo do meu coração que eles lhe mantenham recluso por um bom tempo, assim não correrá o risco de me encontrar e se isso acontecer... — balancei a cabeça, sarcasticamente.

— Era isso então. E para o senhor — Linda dirigiu sua atenção novamente ao presidente do jornal —, tenha um pouco de decência e demita esse canalha amador antes que ele os leve inteiramente para o buraco. Vamos, Artur, não temos mais nada a fazer aqui. É uma pena levar em meu currículo o nome de um lixo chamado New York Times — virou as costas fazendo com que me orgulhasse da leoa que se transformava quando o assunto era defender nossa família.

Os dois ratos não tiveram a capacidade de abrir a boca para retrucar as palavras da minha esposa. E alguns minutos depois, Victor Parker foi preso, levando o jornal em que trabalhava totalmente para o buraco.

O New York Times perdeu totalmente sua credibilidade.

O restante da mídia pensaria duas vezes antes de baterem de frente com os Scott, principalmente envolvendo mentiras e armações no meio disso.

E mesmo tentando manter Linda Marilyn afastada de todo esse estresse, reconheci que minha mulher lutava como ninguém. Grávida ela se tornava muito mais furiosa. Sentia dentro do meu peito um orgulho imenso da minha princesa que aos poucos vinha se transformando em uma linda e poderosa rainha, que não saiu do meu lado um único instante dando-me a força que eu necessitava. E quando adentramos ao amplo salão do Capitólio, despediu-se assim que fui chamado para o Plenário, onde daria início a uma sessão depois de mais de um mês afastado.

Lá de cima observei Linda sair do local ao lado de Jonathan e Mary. Sorri tranquilo por estar bem acompanhada. Mary havia se tornado sua assessora particular, nos dando uma segurança maior, já que naquele momento Linda estava voltando com tudo a sua divulgação do livro sobre nossa família.

Ela havia vindo apenas para me acompanhar, pois teria uma entrevista em um Talk Show logo em seguida.

Dei continuidade à sessão, tranquilo por ela estar acompanhada além de dois seguranças particulares, mais dois carros de apoio com homens do Galpão 77. Não poderia correr nenhum tipo de riscos se tratando da segurança da minha família.

Depois de algumas horas, dando por encerrado os trabalhos daquela manhã no gabinete, tive uma ideia por estarmos perto do meio dia. Iria fazer uma surpresa para minha princesa durante seu programa de TV. Quem sabe Linda aceitaria um almoço em um dos restaurantes aconchegantes e sofisticados da Capital.

— Artur por hora terminou. Mas a semana será puxada por conta daquelas votações importantes adiadas pelo atentado.

— Ok, Ethan! Vou aproveitar esse intervalo para buscar minha mulher e almoçarmos juntos — vi o vislumbre do seu sorriso que logo foi engolido. — Uma gracinha fora de hora e vai ter que procurar emprego em outro gabinete — ele gargalhou me abraçando.

— Você não teria coragem.

— Experimente — sorri sarcasticamente. — Estou indo me encontrar com Linda. Jared, alguma pendência?

— Não, Artur, tudo em ordem.

— Nos vemos depois então. Tim, prepare o carro e os homens, nós vamos para CBS.

— Ok, Chefe!

Cheguei à emissora sendo avisado que Linda ainda estava dando sua entrevista. Pedi para ser levado até o estúdio, porém, não quis aparecer. Fiquei atrás das câmeras e pude vê-la radiante pela tela, iluminando tudo com seu sorriso. Mas quando perguntada sobre o motivo da exclusiva ter sido dada a uma revista de pequeno porte, minha esposa se arrumou em sua poltrona e categoricamente respondeu.

— Fizemos o que nosso coração mandou, Daves — disse simplesmente, chamando o apresentador pelo primeiro nome. Coisas de Linda. — Todos tinham nos massacrado, ninguém nos deu o beneficio da dúvida ou ao menos o da defesa antes de julgarem e condenarem. A mídia hoje só gera o lucro, não se dando o trabalho de investigar a notícia transmitida. Ela apenas visa à audiência. Essa, que hoje fará seu programa alavancar os índices por estar comigo e ainda citando esse assunto — suspirou fazendo-me sorrir involuntariamente da destreza da minha mulher. — A The Democratic não teve medo de perder uma notícia por não publicar calúnias, ela apenas foi inteligente esperando os fatos serem apurados e por isso foi escolhida, obtendo a melhor resposta, a da verdade.

O apresentador respirou fundo, tentando sair daquela saia justa da melhor forma possível e então sorriu, voltando seus olhos para Linda que não havia se alterado em nenhum momento, como uma perfeita diplomata.

— O que mais nos chamou atenção nessa história, Linda Marilyn, foi o apoio da população aos Scott. Eles sempre foram muito queridos por seu povo, podendo ver isso claramente nas vigílias diárias em frente ao hospital e em todo o mundo, enquanto seu marido esteve internado, mesmo depois da publicação da matéria.

Sorri me lembrando do carinho do meu povo durante toda minha internação, porém me concentrei na resposta de Linda.

— Essa é a questão, Daves, confiança… Ou você tem ou você não tem. E a população confiou, por conhecer o trabalho dos Scott há mais de quarenta anos. Eles estiveram ao nosso lado o tempo inteiro e isso me emociona muito até hoje.

— Para concluir nossa excelente e esclarecedora entrevista, você acha que esse carinho emanado por todo o mundo pode levar o Senador Scott para a Casa Branca, já que Obama já declarou sua preferência por seu nome?

— Artur sempre fez um excelente trabalho em toda sua carreira política e isso o levará ao topo. Fazendo junção com sua autenticidade e autoridade contra a corrupção, terá todos os argumentos para se chegar à Casa Branca.

— Obrigado, Linda Marilyn Scott, por essa esplendorosa entrevista. E desejo toda a felicidade à família, principalmente a esse lindo bebê que vem por aí — o apresentador olhou para o ventre da minha mulher, onde Sophie descansava sem nenhuma preocupação.

— Eu que agradeço o espaço para divulgação desse que será mais que um livro, se tornando uma enciclopédia da história de nosso país. Obrigada.

A entrevista foi encerrada e a observei ainda de longe, dando atenção a alguns fotógrafos e para a plateia, que a aplaudia em pé. E quando a vi indo para os bastidores ao lado de Mary, escoltadas por Jonathan, resolvi que era a hora de entrar em cena.

— Entrevista espetacular, Senhora Scott — Linda virou em minha direção, lançando-me o sorriso que iluminava meus dias a quase três anos.

— Amor! O que está fazendo aqui? — me aproximei enlaçando sua cintura. — E o Capitólio?

— Não se preocupe, todo bom trabalhador tem por direito uma hora de almoço — brinquei. — Então resolvi aproveitar esse momento de folga convidando minha adorável esposa para almoçar.

— Amei a surpresa e ainda mais o convite — lhe dei um selinho.

— E eu a entrevista — ela corou e olhei para Mary que também sorria orgulhosa.

— Você consegue com esse seu jeitinho meigo deixar todos em suas mãos, Linda Marilyn — sorrimos com palavras da sua assessora.

— Eles pedem por isso. Querem a audiência a qualquer preço — deu de ombros. — Então têm de saber lidar com as respostas verdadeiras e inteligentes.

— Já disse que a amo hoje?

— Já, mas é sempre bom reforçar — rimos, mas fomos interrompidos por Daves Muphis, o apresentador do Talk Show mais famoso da capital dos Estados Unidos.

— Senador Scott, que prazer! — sorriu esticando a mão em minha direção.

— Bom dia, Muphis! Como vai? — nos cumprimentamos.

— Muito bem, vejo que já está recuperado. Fico muito feliz.

— Obrigado. E sim, estou muito bem — retribui a gentileza.

— Temos que marcar uma entrevista para falar dos caminhos que sua carreira está tomando. Fiquei sabendo que já começaram a cogitar seu nome para a sucessão de Obama.

— São muitas especulações ainda, Muphis, mas quando tivermos algo mais concreto em mãos, com certeza voltaremos a nos falar. Hoje estou aqui apenas como o marido e expectador de Linda Marilyn Scott — ela sorriu, acariciando meu rosto.

— Que não é menos talentosa — o apresentador sacudiu o livro de Linda em suas mãos.

— Esse livro está mudando a visão dos Estados Unidos para o mundo.

— Foi essa a intenção, Daves — ela disse carinhosa. — Você nos dá licença? Esta barriga está cada vez mais pesada — Linda tocou carinhosamente seu ventre. — Preciso descansar um pouco.

— Claro, minha querida. Senador — ele voltou sua atenção para mim —, foi um prazer revê-lo.

— O prazer foi todo meu, Muphis — apertamos nossas mãos novamente e saímos em direção ao lado de fora dos estúdios.

— Ele é um bom profissional.

— Escolhemos a dedo, amor. Não falarei com qualquer um apenas para vendermos mais nosso livro — Linda disse firme.

— Você sempre fazendo as escolhas certas — lhe dei um selinho. — Vamos escolher o restaurante? Você vem conosco, Mary?

— Não, Artur. Vou aproveitar e preparar nossa agenda para a semana que vem em Nova York.

— Ok, amiga — Linda a abraçou. — Não sei o que seria de mim sem você.

— E eu sem você. Agora vão e se divirtam. Estão precisando — piscou para minha mulher.

— Pode deixar. Vamos? — ela estendeu a mão que tratei logo de pegar.

— Até logo, Mary.

— Até, Artur. Cuide bem dessas garotas — assenti, sorrindo.

Já dentro da limusine, Linda suspirou cansada e apertei seu pescoço tenso.

— Preciso de uma massagem mais tarde, amor — pediu dengosa.

— Farei quantas precisar.

— Já estou me sentindo pesada — ela riu.

— Quer ir para a casa?

— Não! — virou para mim. — Quero passear um pouco, faz tempo que não almoçamos fora.

— Então o que sugere, princesa? — aconcheguei-a no meu peito.

— Vamos ver… — fomos interrompidos por meu celular tocando. Olhei para o visor e vi que se tratava de Sal, atendi no segundo toque, pois meu sogro não me ligaria à toa.

— Sal.

— Meu pai? — Linda sussurrou ao meu lado, fazendo-me balançar a cabeça, assentindo.

— Achamos eles, Artur.

— Como? Onde? — perguntei nervoso.

— Ryan e Raquel estão em Washington — senti meu corpo tencionar e Linda percebeu.

— Eles vieram atrás de nós.

— Foi o que pensamos também. Viram que estão bem protegidos e resolveram fugir novamente. Os dois estão indo para o aeroporto.

— Estou indo para lá agora mesmo, vou apenas deixar Linda em casa — percebi que ela franziu as sobrancelhas. — Já avisaram meu pai?

— Ele está indo para lá também. Nos encontramos em breve. Artur… Não deixe, em hipótese nenhuma Linda ir.

— Não deixarei, Sal — desliguei o telefone. — Jonathan, para casa — apertei o botão do comunicador.

— O que está acontecendo, Artur? Eu não vou para casa sozinha — ela disse teimosa.

— Linda, Ryan e Raquel estão na cidade…

— Vieram atrás de nós, suponho.

— Sim, porém nos viram cercados de seguranças, principalmente do Galpão 77 e resolveram fugir novamente. Mas já estão todos em seu encalce.

— Para onde estão indo?

— Para o aeroporto.

— Eu vou com vocês — ela abriu o microfone novamente. — Jonathan, mudanças de planos. Nós vamos para o aeroporto.

— Você enlouqueceu! — tirei seu dedo do botão. — Quer perder nossa filha? Linda, você está grávida!

— Não… Eu não enlouqueci, mas não quero sair do seu lado. Não posso perder meu marido — ela começou a chorar. — Eu já passei por isso uma vez e posso dizer que estarei correndo um sério risco de perder nossa filha se ficar em casa — suspirei cansado, beijando sua testa.

— Ok, Linda Marilyn! Você venceu. Jonathan — apertei novamente o botão —, para o aeroporto.

Aconcheguei-me ainda mais a Linda e não dissemos nada durante o trajeto até o aeroporto.

— Em hipótese nenhuma saia do meu lado, entendeu, Linda Marilyn? E, por favor, não me desobedeça — falei assim que sentimos o carro parar.

— Pode deixar, amor. Isso é tudo que eu mais quero, ficar ao seu lado — apertou ainda mais nossas mãos entrelaçadas e corremos em direção ao saguão que dava para o embarque e desembarque de cargas.

Chegando lá, Sal veio ao nosso encontro, aturdido e assustado em ver a filha ali.

— Eu não pedi a você, Artur? — disse cansado.

— E você não conhece sua filha? — revirei os olhos. — Onde eles estão?

— Artur, você tem que manter a calma — gelei.

— O que aconteceu, Chefe?

— Artur…

— O que aconteceu? — gritei.

— Eles estão com seu pai.

— O quê? — corri em direção ao aglomerado de policiais e agentes especiais, me desesperando ao ver George nas mãos daqueles bandidos por uma janela de vidro, do lado de fora, precisamente na pista, perto de um dos aviões.

— Que porra ele está fazendo lá?

— Eles o pegaram como refém, Artur. Foi tudo muito rápido. George chegou antes de todos e sem seguranças.

— Droga! — esbravejei. — Eu vou até lá! — dei dois passos a frente, mas Linda foi mais rápida, segurando-me pelo braço.

— Você não vai, Artur, eu não posso correr o risco de quase perdê-lo de novo — ela tremia naquele momento.

— É o meu pai lá fora, Linda — disse, tentando permanecer centrado.

— E você é meu marido — tocou minha mão em seu ventre. — Eo pai da minha filha — ela soluçou. — Salve seu pai — conectou nossos olhos —, mas não deixe Sophie sem o dela, por favor.

Beijei seu rosto molhado e, assim que ela me soltou, saí em direção à porta de vidro, parando quando fui visto.

— Ora, ora que a festa está completa — Raquel disse aplaudindo, enquanto Ryan apontava uma arma para o pescoço do meu pai. — Vamos ver agora onde usará toda sua autoridade conosco no comando, Senador.

— Artur, por favor, filho — meu pai suplicava comigo ainda na porta, cercado de policiais.

— O que vocês querem? Já não conseguiram tudo que desejavam? Por que tudo isso? — perguntei mesmo já sabendo a resposta.

— O queremos rastejando, como fazem todos ao seu redor — ela cuspiu raivosa. — Vocês se achavam mesmo muito superiores, não é? Por que teve que se colocar na frente da bala enviada diretamente para o peito da sua querida esposa — espumei confirmando minhas suspeitas, mas também percebendo seu total descontrole. Raquel estava se entregando na frente de toda a polícia de Washington. — E agora, o que vai fazer, caro Senador? Oferecer seu peito novamente, como o super-homem? — balançou a cabeça, sarcasticamente. — Não sei se será possível dessa vez.

— Fujam, não sejam imbecis. Você acabou de confessar que atirou em mim. Aproveite, olhe quantos aviões! — apontei atrás deles. — Nos deixe em paz. Vocês não têm mais nada a perder. Prometo que não deixarei o avião ser rastreado, apenas soltem meu pai.

— Que garantias você me dá? Promessas de políticos nunca foram muito aceitas — ela sorriu.

— Raquel é a nossa única chance — Ryan disse e vi que ele estava tremendo.

— Nós nunca descumprimos um acordo, Raquel — meu pai disse calmo.

— Vamos desbloquear suas contas também.

— Vocês acham que me enganam com esse papinho de bons moços, mas que na verdade nunca foram — ela estava perdendo o controle.

— Não vão conseguir fugir por conta própria, vocês estão cercados — olhei para todos os lados, vendo minha mãe abraçada a Linda e as duas chorando desesperadas. Não poderia deixar minha família passar por isso novamente.

Percebi uma movimentação dos policiais atrás de Ryan e dei mais um passo para frente, chamando suas atenções.

— Parado! — o bandido foi jogado no chão fazendo com que meu pai corresse na minha direção. — Não se mexa, ou eu atiro! — Ryan tentou correr, mas foi atingido por uma bala no peito o fazendo dar dois passos para traz e cair no chão, completamente inerte.

— Ryan! — Raquel, que havia corrido para perto de um dos aviões, ao ver o marido ferido no chão, entrou em desespero, apontando sua arma e atirando sem rumo certo, fazendo com que todos se jogassem no chão. Mas foi atingida também por uma bala certeira no peito. — Ryan, meu amor — caiu praticamente em cima do marido. — Fale comigo — foi uma cena deprimente de se presenciar.

Duas pessoas que tinham tudo para dar certo na vida, mas que se perderem por uma ambição que os levou à morte, aos pés daqueles que sempre quiseram prejudicar.

Ryan e Raquel Laurence morreram sob nossos olhos.

Os olhos que não se enganaram por conta de palavras e gestos bonitos. E que acima de tudo foram inteligentes o suficiente para não se deixarem envolver por suas mentiras.

Ainda antes de morrer, a bandida teve força para pronunciar suas últimas palavras, já praticamente sem forças.

— Vocês um dia cairão.

— Um homem verdadeiro que cumpri suas tarefas honestamente, nunca caíra, Raquel. A verdade sempre aparecerá, mesmo que depois de muito tempo — tive força para responder, mesmo sabendo que não havia mais vida ali.

Respirei fundo, abraçando fortemente meu pai e percebendo os dois homens mais fortes do mundo chorando copiosamente diante dos corpos, de quem um dia havia sido seus colaboradores.

— Você está bem, filho? — ele tocou meu rosto nervoso.

— Precisamos nos preocupar com você, Governador. Vou chamar uma ambulância — ele sorriu e me abraçou ainda mais.

— Chame, filho. Eu não queria que minha nora, grávida de sete meses, tivesse presenciado tudo isso — fui tirado do transe e em segundos estava ao lado da minha mulher, sentada em choque.

— Princesa, fale comigo — beijei seu rosto parado.

— Artur, eu tive tanto medo— Linda me abraçou forte, fazendo com que eu respirasse aliviado.

— Vou chamar um médico.

— Não — ela agarrou meu pescoço como uma criança apavorada. — Não saia mais de perto de mim.

— Shiii! Acabou, princesa — beijei seus cabelos.

— Por que teve que acabar assim? — voltou a chorar compulsivamente.

— Eles escolheram seus destinos.

— Seu pai... — direcionamos nossos olhares para onde meus pais estavam, vendo Emma beijá-lo, desesperadamente. — Ela o ama mais que tudo.

— Eu sei disso, meu amor. Aprendi o que era o amor verdadeiro convivendo com eles — levantamos e fomos em direção aos dois, nos abraçando mutuamente.

— Você está bem, Linda Marilyn? — meu pai tocou sua barriga.

— Você deveria estar preocupado com sua saúde, não é, George? Que história é essa de enfrentar os bandidos, sozinho? Que mania que esses homens da família Scott têm de se acharem super-homens! — Linda fungou, fazendo com que eu e meu pai trocássemos um olhar cúmplice. Tanto eu quanto George faríamos de tudo para proteger nossas mulheres. Ele sorriu, beijando sua testa. — Pode ficar tranquilo, nós estamos bem — ela tocou delicadamente sua barriga. — Quero apenas ir para casa.

— Você precisa de um médico, Linda.

— Não, amor, eu só preciso da nossa casa.

— Sal, trabalho concluído, amigo — meu pai e meu sogro se abraçaram.

— Um trabalho árduo, que a senhora não deveria ter presenciado — disse severo, olhando diretamente para a filha.

— Estou bem, pai. Vocês não entendem que corremos mais riscos de termos um colapso em casa — ela piscou para minha mãe, que conseguiu sorrir pela primeira vez —, do que aqui com vocês — abraçou o pai, que beijou seus cabelos carinhosamente.

— Vamos todos para casa, a perícia agora cuidará de tudo.

— Vamos — disse levando Linda ainda completamente tensa para o carro.

Chegando ao Palácio, meus pais subiram para seu quarto e fiz o mesmo com minha mulher.

— Ainda acho que devemos procurar um médico, princesa — disse sentando-a na cama.

— Eu não preciso de médico, Artur — a intensidade do seu olhar me atordoava. — Preciso que você me mostre aqui — ela bateu no colchão — que pode existir amor de verdade nessa vida — Linda começou a chorar. — Nós vimos tanta sujeira hoje, por ganância, inveja, meu Deus! Por que existem pessoas assim, amor? Por que temos que estar cercados sempre desse tipo de gente? — a abracei sentindo seu corpo estremecer.

Mostraria a ela que o amor sempre valeria a pena, vencendo em qualquer circunstância.

— O amor vale a pena e você mais do que ninguém sabe disso — toquei seu ventre onde nossa filha se remexia. — Isso é amor — sentimos juntos os chutes de Sophie. — Um amor contemplado por um bebê crescendo cada dia mais lindo e forte — ela soluçou.

— Me ame, Artur, e me faz esquecer esse, que foi um dos piores dias da nossa vida.

— Sempre, princesa — deitei-a em nossa cama, começando vagarosamente a despi-la. E conforme as partes do seu corpo iam sendo descobertas a beijava com ternura, amor e muito carinho.

Mostraria a Linda que nada poderia afetar nosso amor.

O amor que sentíamos um pelo outro e que emanava por nossos poros, fazendo com que as pessoas do lado de fora nos admirassem, pelo simples fato de sermos cúmplices, em tudo…

Isso era amor!

O amor que vi em seus olhos cheio de lágrimas, quando a penetrei devagar apenas sentindo as sensações de nossos corpos, fazendo-me chorar também ao vê-la tão entregue e tão minha.

Tudo valeria à pena se estivesse ao lado de Linda.

Nosso calvário havia acabado da pior forma possível… Porém, juntos, iríamos reconstruir histórias bonitas, fazendo com que essa etapa das nossas vidas servisse como aprendizado e não como lamúria.

Esse foi o ensinamento deixado por Ryan e Raquel Laurence. A ganância e a inveja não nos levam a lugar algum. Mas o amor pode ultrapassar qualquer barreira… E isso Linda me mostrava diariamente, com sua doçura, amor e, acima de tudo, determinação e persistência.

Por isso me considerava o homem mais completo do mundo.

Estando naquele momento deitado com minha mulher no meu peito, vendo nossa filha se mexer depois de um orgasmo diferente, sentido apenas com o coração.

Era isso que queria mostrar para minha princesa e fiz um bom trabalho, pois percebi sua respiração ficar leve e seu corpo relaxar.

Linda e Sophie haviam dormido, então eu poderia dormir também.