O Senador
Capítulo 18 · Abri os olhos e vi que a…
Abri os olhos e vi que a iluminação ainda não vinha da janela do nosso quarto em Washington, sinal que ainda deveria ser muito cedo, mas já estava sozinha na cama.
Artur não dormiu nada naquela noite e eu também não, com ele se mexendo praticamente o tempo todo na cama. Estava só esperando ele ir extravasar na esteira, porém tomou outro rumo. No meio da madrugada meu amor se levantou e foi para a janela.
Aquele seria um dia decisivo para a Família Scott, eles iam demitir as pessoas que por mais de uma década foram infiéis. Depois de tantas falcatruas descobertas, não sabíamos o que esperar de Raquel e Ryan, mas tínhamos que enfrentá-los.
Resolvi levantar antes que ele me deixasse aqui. Combinamos com meu sogro que embarcaríamos na primeira hora da manhã, então seria melhor eu começar a me arrumar, pois mesmo com Artur não gostando nada da ideia, eu queria estar junto deles.
No caminho até o banheiro, trombei com ele que estava uma tentação apenas de boxer, enxugando seus cabelos.
— Não queria ter te acordado — Artur estava sério.
— Não acordou, apenas tivemos uma noite agitada. Bom dia! — lhe dei um selinho.
— Não consegui pregar o olho — sorri acariciando seu rosto.
— Eu percebi. Vou tomar um banho, não demoro — disse lhe beijando novamente.
— Linda, você tem certeza?
— Amor, eu quero estar ao seu lado — me puxou para seus braços.
— Eu tenho medo do que eles possam fazer.
— Estamos correndo os mesmo riscos, mas os dois estão bem amarrados, nada vai acontecer, fique tranquilo.
— Ok! Vou terminar de me arrumar e te espero para descermos juntos.
— Está bem, não demoro.
Tomei um banho rápido, me arrumando logo em seguida e em menos de quinze minutos estava pronta.
— Estou pronta, podemos descer — estendi minha mão para ele, que me esperava impecável em uma dos seus ternos Armani.
— Vamos — Artur beijou minha testa e descemos com nossas mãos entrelaçadas.
— Bom dia, meus queridos, dormiram bem? — Emma nos recepcionou carinhosamente.
— Não tão bem. Bom dia, Emma — sorri fracamente. — Bom dia, Governador — cumprimentei meu sogro que já estava terminando seu café.
— Então fomos todos — disse passando o guardanapo na boca. — Bom dia! O jato já está a nossa espera, o quanto antes chegarmos melhor.
— A reunião já está marcada e por meus cálculos eles já devem estar indo para a empresa nesse exato momento — Artur disse sério.
— Então sentem e tomem o café da manhã pelo menos.
— Estou sem fome, mãe — Emma e eu o repreendemos com o olhar.
— Se com uma mãe já era complicado de se driblar, imagine uma mãe e uma esposa — George riu. — Espero vocês na sala, preciso acertar os últimos detalhes com Susanne.
— Coma alguma coisa, princesa — ele disse enquanto nos sentávamos à mesa.
— Você também, Senador – Artur me deu o primeiro sorriso do dia e beijou minha mão.
Tomamos nosso café em silêncio, já que Emma havia acompanhado o marido até a sala. Ela não iria conosco, ficaria para começar junto com Ruth, a organização do nosso casamento, que decidimos realizar em Nova York. As duas já estavam contatando todos os serviços necessários e eu as agradeci por isso, só teria cabeça para ajuda-las depois que o problema na Scott’s estivesse resolvido. Depois que tudo isso passasse, aí sim eu seria uma noiva empenhada em organizar meu casamento. O que não era qualquer coisa, estávamos falando da união com o homem da minha vida, o meu homem de ferro. Esse que já estava de pé a minha espera.
— Terminei. Vamos? — me levantei também.
Nos despedimos de Emma e pedi que me ligasse contando tudo que organizassem. Seguimos os três em silêncio até o aeroporto e paramos diretamente na pista, embarcando de imediato.
— Você deveria ter ficado com nossas mães — Artur disse enquanto arrumava seu cinto.
— Linda tem os mesmos direitos que você de estar lá, Artur — George o repreendeu. — Ela os investigou tanto quanto você, o que faltou foi um pouco mais de diálogo — Artur bufou.
— Eu quero protegê-la — será que eles poderiam parar de falar como se eu não estivesse ali.
— Você já deveria ter aprendido a lição. Linda tem que estar ao seu lado e não debaixo da sua asa — sorri para meu sogro.
— Obrigada, George, mas Artur só está apreensivo, ele não me deixaria fora dessa reunião — beijei a mão do meu noivo.
— Claro que não, princesa — beijou minha testa. — Apenas quero que nada lhe aconteça.
— Como eu disse agora a pouco, estamos todos juntos nessa situação.
— Linda tem razão.
— Eu sei que tem, pai.
O silêncio se apoderou do avião. Durante o trajeto até Nova York fechei os olhos e orei, pedindo que Deus nos protegesse, deixando as coisas acontecerem conforme o planejado.
Em menos de uma hora estávamos em Nova York, já entrando na limusine que nos esperava junto com Jonathan, que havia vindo na noite anterior.
— Bom dia, Jonathan.
— Bom dia, Senador. Governador Scott — cumprimentou George assim que esse passou por ele entrando no carro. — Bem-vinda de volta, Senhorita Stevens.
— Quase Scott, Jonathan — tentei descontrair mostrando meu anel de noivado e recebi um lindo sorriso do meu amor, que acabava de entrar no carro também.
— Para a Scott’s — Artur ordenou sem muita paciência em ser simpático e eu não o repreendia por isso, não naquele dia.
Mais uma vez seguimos em silêncio até o prédio mais conhecido de Manhattan, e assim que chegamos fomos recepcionados por Natalie e Ethan, que havia vindo mais cedo.
— Tudo organizado para reunião, Senhorita Jones? — George perguntou.
— Sim, Governador. Raquel e Ryan já estão à espera dos senhores na sala de reuniões, e Susanne e Newton já foram avisados da chegada de vocês — pai e filho se entreolharam e Artur apertou ainda mais minha mão.
— Bom dia, Natalie.
— Bem-vinda de volta, Linda — sorri para ela.
— Obrigada.
— McCartney, e a apresentação?
— No ponto, Governador — corremos por aqueles corredores e agradeci mentalmente por ter escolhido um salto mais baixo, junto de uma calça social combinando com uma camisa rosa de cetim.
— Ótimo — adentramos a sala de reuniões como um furacão, assustando quem já nos esperava.
— Bom dia, senhores, teremos uma reunião familiar hoje? — Raquel sempre sarcástica. — Bom dia, Linda Marilyn.
— Bom dia! — a encarei sem medo. Com a coragem que tive para enfrentar até o amor de minha vida.
Sim, eu era corajosa quando o assunto era defender minha família.
— Então a que devemos esta reunião logo depois da estrondosa declaração do anúncio do casamento do ano, seria para comunicar a assessoria de imprensa da empresa?
— Com licença, desculpem a demora — Susanne e o marido entraram na sala, deixando o casal Laurence apreensivo.
— Como já deveria saber, Raquel, tenho minha própria equipe e vocês nunca fizeram parte disso — meu noivo respondeu sem ao menos perceber a presença dos seus advogados na sala.
— Vamos parar com esse assunto, pois não estamos aqui para isso. Susanne, tudo pronto? — George o repreendeu pela segunda vez no dia e percebi que Artur estava a ponto de explodir, então era melhor irem direto ao assunto. A advogada da empresa assentiu e naquele momento estava tudo pronto para a exibição dos slides que os desmarcariam.
— Qual o motivo dessa reunião, Governador? — Ryan já demonstrava um nervosismo amador.
— Vocês já irão saber — Artur sorriu sarcasticamente.
— Contas na Suíça, notas fiscais fraudadas, empresas fantasmas... Contato direto com os Parker — George dizia enquanto eram mostradas as imagens de todos os documentos em uma tela na parede. — Quanto tempo mais vocês achariam que nos passariam para trás?
A cor sumiu do rosto de Ryan, que definitivamente se entregou naquele momento, mas não Raquel.
— Do que você está falando, Governador? Não sei o que significa isso — ela negaria até o fim, eu sentia isso.
— Apenas fiz uma pergunta, Raquel — meu sogro continuou com a frieza única dos Scott, aquela que eu precisava adquirir. — Quanto tempo ainda acharia que nos enganaria?
— Isso é uma armação, nós nunca faríamos isso, George. Estamos com vocês há mais de uma década — ela tentava se justificar com uma calma de advogado do diabo e isso me dava medo. Artur, que permanecia quieto e com os braços cruzados ao meu lado, gritou.
— Não me venha com chantagens emocionais, Raquel, essa investigação está sendo feita há muito tempo, vocês não tem para onde fugir!
— Foi ela! — Oi? Ela estava apontando para mim mesmo? — É claro, essa jornalistazinha chegou de mansinho e montou um esquema nos colocando como bode expiatório — não precisei nem me mexer. Artur voou para cima de Raquel e se Ethan e Newton não o segurasse, não sei o que teria acontecido. Então, meu noivo respirou fundo e, trazendo uma calma de dentro do seu pulmão, ele falou:
— Você não está acusando minha noiva, não é, Raquel? Eu não estou ouvindo isso.
— Artur, eu só vejo essa explicação — a cínica teve a empáfia de dizer. — Nós fomos confiados por vocês e nunca demos motivos para esse tipo de acusação.
— Até agora! — George se interpôs. — Mantenha-se calada como seu marido, não existem explicações para isso — ele apontou para a tela. — Estamos nessa investigação há mais de um ano. Vocês achariam o que, que passariam a perna fácil nos Scott e sairiam ilesos?
— Mas... George…
— Não tem mais nem menos... Todas as explicações necessárias já estão em minhas mãos — ele olhou para Artur que ainda estava a um passo de voar no pescoço da cobra. — Vocês não estão lidando com idiotas e deveriam já saber disso. Os dois estão demitidos e serão denunciados ainda hoje por Susanne pela fraude e roubo a patrimônio privado e público, já que não sabemos ainda o rombo feito enquanto tomavam conta das nossas contas de campanha.
— Isso é um absurdo, eu posso processar vocês por calúnia e difamação.
— Tentem! Seria bem interessante — Artur deu de ombros. — Vocês são mesmo dois idiotas em pensar que poderiam nos enganar.
— Vocês vão cair e vai ser ela a derrubar todo o império Scott — mais uma vez ela apontou para mim que me mantive calada.
— Nós não chegamos ao topo à toa sua... — toquei o braço do meu noivo antes dele continuar. — Vocês são burros demais ao acharem que chegariam aos nossos pés.
— Não compensa, Artur, eles estão desesperados e qualquer pessoa pode se tornar alvo — voltei meu olhar para os dois calhordas. — Mas vocês esqueceram pequenos detalhes que lhe entregaram completamente. A inteligência e a perspicácia para serem bons bandidos e não serem pegos.
— Vocês vão se arrepender — ela esbravejou.
— Já chega! — George gritou perdendo a paciência — quero os dois fora daqui agora. McCartney, os acompanhem até a saída. Seus pertences serão mandados direto para a casa de vocês — ele apontou para o crachá que os dois usavam. — Vocês não precisam mais disso.
Ryan levantou jogando seu crachá em cima da mesa e seu olhar direcionado a mim, Artur e George me arrepiaram. Já Raquel, antes de sair, parou na minha frente e disse:
— Tem todos os seus dedos no meio disso, não é, Primeira-dama? Você vai se arrepender amargamente.
— Mais uma ameaça e sairá daqui algemada — Artur esbravejou furioso, a jogando para fora da sala e fechando a porta atrás de Ethan, que os acompanhava.
— Governador, já vou preparar a documentação para que as denúncias sejam feitas ainda hoje.
— E enquanto Susanne organiza essa papelada, eu cuidarei pessoalmente da demissão deles — Newton disse levantando com a mulher, já que fazia parte do jurídico da empresa e ela era uma das criminalistas mais famosas do mundo.
— Quero isso pronto o mais rápido possível.
— Pode deixar, George — Susanne assentiu, se despedindo apenas com um aceno de cabeça, percebendo o clima tenso na sala e saiu ao lado do marido.
Voltei a respirar em um único suspiro e percebi que estava chorando quando Artur me envolveu em seus braços.
— Shiu! Pronto, já passou.
— Foi horrível, amor, como podem existir pessoas assim.
— Já vi piores, Linda Marilyn — meu sogro se aproximou. — Tome, vai te fazer bem — ele me estendeu um copo com água.
— Obrigada — tomei a água. Depois, respirando fundo, fui voltando ao normal. — Como as pessoas podem ser tão sujas jogando suas falcatruas nas costas das outras?
— Princesa, o que você viu aqui foi pouco — Artur riu sem humor.
— Ele tem razão, Linda. No mundo em que vivemos, principalmente no político, as pessoas são falsas e dissimuladas, como esses dois — George disse sério. — Como pude me enganar tanto?
— Você não poderia saber, pai, na verdade se não fosse por minha implicância com os dois e pela perspicácia de Linda no arquivo, nunca ficaríamos sabendo.
— Isso não vai ficar assim, eles vão nos devolver tudo.
—Nem que para isso eles tenham de ser presos e ficarem na miséria — Artur completou.
— Linda Marilyn, agora que já resolvemos essa questão, precisamos conversar — olhei para Artur que já estava ao meu lado, encorajando-me.
Sentamos-nos ao redor da mesa, coisa que não tínhamos feito desde que entramos nessa sala e George continuou.
— Precisamos saber quem te ajudou com a investigação — gelei. Havia prometido à Mary e principalmente a Jared que nunca revelaria o nome deles.
— Princesa, nós precisamos saber para que possamos protegê-los também, já sabemos que Raquel e Ryan não estão aqui para brincadeira.
— Eu prometi que não falaria — disse fracamente.
— Linda, não faremos nada contra essas pessoas, muito pelo contrário. Hoje, depois desse rombo que a empresa teve, preciso de pessoas da minha extrema confiança e pelo que percebi essas pessoas...
— Jared e Mary — disse de uma só vez.
— Eu desconfiei.
— Amor, eu precisava contar com alguém — vi dentro dos seus olhos que ele ainda se culpava por não ter me escutado na época.
— Me perdoe, princesa, eu nunca quis te afastar.
— Você só quis me proteger, eu sei — acariciei seu rosto.
— Bom, precisamos falar com eles. Artur ligue para Jared — meu sogro nos tirou de nossa bolha.
— Vou chamá-lo agora. Linda, ligue para Mary.
— Esperem — alcancei o telefone que já estava próximo ao seu ouvido e implorei. — Por favor, vocês não vão fazer nada contra eles, não é? O Jared não queria se meter, eu o forcei, por favor, não quero prejudicar a pessoa que mais me ajudou.
— Linda, olha para mim — Artur tinha o mesmo olhar de antes. — A culpa disso tudo é minha, eu nunca faria nada que prejudicasse quem lhe ajudou, confie em mim, por favor — tirei minhas mãos da sua e respirei fundo.
— Eu confio.
— Ok! — ele me beijou levemente e apertou o ramal. — Jared, estou precisando de você na sala de reuniões agora. Ok! Estou te esperando.
— Vou ligar para Mary — tirei meu celular da bolsa e apertei seu número na discagem direta. — Amiga — ela prontamente atendeu no segundo toque.
— Oi, pensei que não fosse me ligar. Sabe há quanto tempo não nos falamos? Temos um casamento para organizar em menos de três meses — sorri do seu desespero nato.
— Eu sei, mas meus dias estão sendo tumultuados — suspirei.
—Linda, o que aconteceu? — Mary me conhecia como ninguém.
— Eu preciso que você venha para a Scott’s agora.
— Por quê? Linda, você está me preocupando.
— Não é nada, amiga, nós só precisamos conversar — tentei tranquilizá-la.
— Ok! Estarei aí em alguns minutos.
— Tudo bem. Obrigada, Mary.
— Não tem o que agradecer, amore. Beijos, até daqui a pouco.
Desliguei o telefone olhando diretamente para Artur.
— Obrigado, meu amor, você não vai se arrepender por ter confiado em nós — ele olhou para o pai.
— Eu sei que não — foi a minha vez de lhe dar um selinho.
Dez minutos depois, Jared chegou à sala de reunião e se assustou ao me ver ali.
— Não precisa se preocupar, Walker, essa conversa vai ser ótima para ambas as partes — Artur sorriu para seu assessor.
— Meu filho tem razão, rapaz! E digo mais, devemos a vida saudável dessa empresa também a você.
Naquele momento Mary foi anunciada e entrou na sala também, com seus olhos caindo sobre mim, suplicantes. Apenas sorri e a abracei, dizendo que estava tudo bem.
— Bom dia, Mary, Jared. Os chamei aqui porque hoje foi um dia decisivo para a nossa empresa e vocês fazem parte integrante dessa descoberta e principalmente da nova fase da Scott’s.
— Senhor Walker, Senhorita Evan, em nome dos Scott — Artur e George se olharam novamente e pela primeira vez em dois anos pude observar a cumplicidade profissional contida ali entre pai e filho, me emocionando. — Gostaria de agradecer aos dois pelo que fizeram ao lado de minha nora — ele sorriu para mim.
— Nós os agradecemos pelo que fizeram por Linda e pela empresa. Na verdade, o que eu não tive a capacidade de fazer por conta da minha superproteção — Artur prosseguiu, olhando nos meus olhos e ali, novamente, senti que me pedia perdão. — Eu quis protegê-la de qualquer maneira e por isso tentei deixar fora daquilo que estava investigando há mais de um ano com uma equipe especializada.
— Artur? — Jared e Mary abriram a boca em espanto.
— Sim, Jared, eu fui um idiota completo tentando proteger Linda sem conseguir enxergar que minha mulher era mais perspicaz que eu.
— Eu não queria ter traído a confiança de vocês, na verdade...
— Jared, você não nos traiu, muito pelo contrário, ajudou Linda Marilyn a desvendar um dos golpes mais bem armados dessa empresa e, hoje, venho até vocês para agradecer e dizer que os dois são de nossa extrema confiança.
— Obrigada, Governador. Não sei o que dizer de tudo isso. Na verdade, eu sempre disse a Linda que isso seria perigoso e ela nunca me escutou — Mary revirou os olhos, fazendo com que Artur sorrisse e me abraçasse por trás.
— Mary, mais uma vez eu digo — Artur olhou novamente para mim. — O errado fui eu de não lhe dar a chance de conversar comigo.
— Nós conversamos muito assim que ele chegou a Sumas, amiga — acariciei suas mãos. — Colocamos nos eixos todos os pontos fundamentais da nossa relação e o principal, conversamos abertamente sobre Raquel e Ryan. O que aconteceu hoje foi apenas o desfecho desse caso.
— Eu fico feliz que vocês tenham se acertado.
— Nós também, Mary, você não imagina o quanto — Artur sorriu sincero.
— E para completar essa reunião gostaria de convidá-la, Mariani, para integrar o corpo de funcionários da nossa empresa — olhei para George surpresa. Na verdade todos nós, pois Mary ficou completamente sem fala e isso no seu caso, era uma missão quase impossível.
— Integrar o corpo de funcionários da Scott’s? — ela sorriu nervosa.
— Sim, com a saída de Raquel vamos precisar de uma assessora de imprensa confiável daqui para frente. Gostaria que você entrasse para esse time e mudasse todo o cronograma do setor. Quero uma repaginada, funcionários novos. Não podemos correr o risco de manter ao nosso redor quem trabalhava diretamente com aqueles dois. Eu mesmo vou modificar o setor da tesouraria também. E aí, o que me diz?
— É um prazer poder fazer parte dessa equipe, Governador. Na verdade, um sonho! E é claro que eu aceito! — eu estava muito feliz pela ascensão da carreira da minha amiga e também por tê-la mais perto de mim novamente.
— Ok! Newton entrará em contato com o jurídico e fará toda a parte burocrática, quero você aqui o quanto antes.
— Pode deixar, quer dizer... Tenho que sair do jornal primeiro — vi meu noivo sorrir abertamente.
— Faça isso o quanto antes, Mary, sem aviso prévio e discussões. Esta vingança eu estarei comendo fria e saborosamente. Quero ver como nosso querido Parker vai se comportar tendo que cobrir sozinho a sessão de política do New York Times. E faça mais — Artur Sebastian quando se tornava vingativo me dava medo —, diga que está vindo trabalhar na Scott’s para assumir todo o setor de assessoria pública da nossa empresa — ele estava satisfeito. — Isso vai ser maravilhoso de se ver.
— Pode deixar, Artur, todos nós devemos isso à Linda.
— Exatamente, Mary — ele me abraçou ainda mais.
— E a você, Jared, só nos resta agradecer pelo que fez por minha mulher e pela empresa. Só posso dizer que você subiu muito no meu conceito e quero recompensá-lo por isso.
— Não fiz nada além da minha obrigação, Artur, mas fico muito grato por entenderem nossa situação e oferecerem esse, que sempre foi o emprego dos sonhos de Mary — sorri e fui até minha irmã de alma, abraçando-a forte.
— Não nos agradeça, apenas trabalhem para que isso nunca seja quebrado — George se levantou. — Reunião encerrada. Obrigado a todos e espero você, Mariani, para nossa primeira reunião.
— Pode deixar, Governador, o quanto antes. Mais uma vez obrigada.
— É assim que eu gosto de ver. Bom dia — ele direcionou seu olhar para mim. — E a você, Linda Marilyn, obrigado mais uma vez por sua teimosia — ele sorriu olhando para o filho. — Até mais.
— Até — respondemos juntos.
— Aí eu não acredito que vou trabalhar com vocês — Mary quicava de um lado para o outro com um lindo sorriso.
— Você merece, amiga! — a abracei ainda mais. — Me perdoem por ter traído a confiança de vocês — Jared se aproximou tocando meu ombro.
— Nós que agradecemos pela coragem de lutar por seus ideais nos deixando chegar até aqui.
— Oh, meu Deus! Ainda temos que organizar um casamento — Artur sorriu do desespero de Mary.
— E para daqui três meses, Mariani, não se esqueça — ele conectou nossos olhares fazendo-me tremer. — Vai ser o casamento do ano, quiçá do século.
— Vai ser perfeito — lhe dei um selinho. — Vamos para casa, nosso dia hoje já foi estressante demais.
— Vamos sim — ele acariciou meu rosto.
— E a nossa organização, Lindinha?
— Organize sua vida primeiro, amiga. Peça demissão do jornal e não se esqueça de me ligar contando sobre a cara de pau do Victor. Amanhã começamos cedo a organizar tudo. Que tal um almoço?
— Ótima ideia! — ela me abraçou. — Não vejo a hora de me ver livre daquele... Deixa pra lá. Obrigada, amiga.
— Você não tem que me agradecer.
— Vamos então, Mary?
— Vamos, amor — eles entrelaçaram suas mãos assim como nós e saímos os quatro da sala de reuniões.
— Nos falamos mais tarde, amiga — nos despedimos e fomos direto para a garagem, onde Jonathan já nos esperava.
Tínhamos cumprido uma das etapas mais importantes dessa história. O que viria daqui para frente, só Deus sabe, estaríamos protegidos contra tudo e todos. Juntos para enfrentar todos os obstáculos.
Saindo da Scott’s não pensaria mais em Raquel e Ryan. Concentraria toda minha atenção em nosso casamento. Faria dele o evento do ano, quiçá do século, como Artur havia dito.
Eu estava inteira novamente e mesmo preocupada, não deixaria nada afetar a harmonia da consagração do nosso amor.
Ele seria perfeito.
Eu havia prometido isso para meu amor, que naquele momento estava me despindo e nos levando para o banheiro. Nada melhor que um banho relaxante em nossa banheira para afastar todas as coisas ruins. Deixamos para trás nosso dia estressante, descansando bastante à tarde para no dia seguinte acordar revigorada e começar a organizar meu maior sonho: O meu casamento com meu homem de ferro.