O Senador
Capítulo 26 · Acordei gritando e assustei minha mãe que…
Acordei gritando e assustei minha mãe que dormia ao meu lado.
— Calma, meu amor, está tudo bem — ela acariciou meu rosto.
— Preciso voltar para o hospital! — levantei indo para o banheiro. Tomei uma ducha rápida fazendo minha higiene matinal e quando já estava no closet, Ruth veio até mim e me passou uma calça preta, combinando com uma camisa de babados branca.
— Vamos comer alguma coisa, ok! Já pedi para Miranda — revirei os olhos. — Não, bebê, você precisa se alimentar.
— Tudo bem — disse fracamente
Comi forçada por mamãe e Miranda que me vigiavam, amarrei meu cabelo em um coque frouxo, coloquei meus óculos de sol e saí acompanhada por Ruth e Sal, que havia voltado para nos buscar.
Chegando ao hospital, passamos pela frente, onde a concentração de pessoas se misturava, entre imprensa e a população, que a cada hora cresciam mais. Entramos pelo subsolo do prédio e subi diretamente para o andar onde Artur estava internado.
— Bom dia, Linda, conseguiu descansar? — Ethan veio ao meu encontro.
— Consegui sim, Ethan, obrigada — sorri fracamente. — Como estão as coisas por aqui?
— O médico está lá dentro agora — começamos a andar em direção à UTI. — George, Jared e Sal passaram a noite aqui comigo. Emma e as meninas foram para casa de madrugada.
— Obrigada — sorri para nosso amigo no momento que vimos o Doutor Collins sair do quarto de Artur.
— Bom dia, Linda Marilyn, conseguiu descansar? — perguntou calmo.
— Sim, doutor, obrigada. Como ele está?
— Passou a noite muito bem. Artur é forte e está reagindo muito bem à cirurgia. Começaremos a tirar a sedação — respirei aliviada.
— Obrigada, doutor — apertei sua mão emocionada. — Posso vê-lo?
— Claro que sim. Isso é essencial para sua recuperação. Estou indo dar início à coletiva, achamos melhor eu passar o boletim primeiro para depois você entrar.
— Ok! Estarei descendo em alguns minutos.
— Nos encontraremos lá.
Caminhei até a antessala para colocar a roupa especial e logo em seguida entrei na UTI, muito mais confiante. Até o semblante de Artur estava melhor, ele estava mais corado e sua respiração mais forte, o que me fez sorrir aproximando-me da cama.
— Bom dia, meu amor — beijei seus lábios —, como você está? — sentei ao seu lado. — Nós estamos bem. Fui para casa descansar, tomei um banho e Miranda me paparicou com chás e comidinhas gostosas. Se prepare quando for para casa, vamos paparicá-lo muito também. Estou indo para a coletiva de imprensa que organizamos, preciso mostrar a todos que você vai ficar bem e, principalmente, que nada manchará a reputação da nossa família. Mas esse é um assunto que conversaremos quando acordar. Agora descanse, volto assim que tudo acabar lá embaixo. Amamos você — beijei novamente seus lábios inertes, saindo mais animada do quarto. Ele ficaria bom logo, tinha certeza disso.
Já no corredor encontrei Mary, que havia ido para casa tomar um banho também.
— Bom dia, meus amores. Dormiram bem? — ela tocou minha barriga, carinhosamente.
— Sim. Mary, eu acabei de vê-lo. O Doutor Collins disse que vai ficar tudo bem, Artur está reagindo — ela me abraçou, sorrindo.
— Nós já sabíamos disso, não é? — piscou para mim. — O Senador sempre será nosso homem de ferro — gargalhei em meio às lágrimas. — Mas falando sério, você tem certeza que está preparada para enfrentar as feras? — apontou para fora do hospital, referindo-se aos jornalistas.
— Estou, amiga. Não posso deixar ninguém falar mal da minha família e não fazer nada para inverter essa situação. E vamos que já estão nos esperando — Mary revirou os olhos enquanto eu a puxava até a sala de imprensa do hospital.
Todos ainda escutavam atentamente o que o médico dizia sobre a saúde de Artur, recebendo o segundo boletim médico da manhã. Já tínhamos liberado um no meio da madrugada.
Quando Doutor Collins terminou olhou para mim e percebi que havia chegado minha hora. George e Jared se aproximaram.
— Como você está, minha querida? — ele beijou o topo da minha cabeça.
— Estamos bem. Acabei de vir da UTI e Artur está reagindo — disse animada.
— Sim, minha filha, Artur é forte e vai se recuperar muito rápido.
— Com certeza! — sorri para ele. — Tudo pronto? — perguntei à Jared.
— Tudo, Linda. Vamos que Mary já está anunciando você.
— Vamos — me despedi do meu sogro, não antes dele me instruir.
— Linda, não fale nada ainda.
— Eu saberei o que dizer, George, não se preocupe.
Subi ao pequeno palanque da sala de imprensa com a ajuda de Jared, colocando meus óculos de sol, aturdida por causa dos flashes e da gritaria. Porém Mary, com todo seu profissionalismo e jogo de cintura, colocou todos em ordem para darmos início à coletiva.
— Bom dia a todos. Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer todo o respeito e carinho por nossa família nesse momento tão difícil.
— Senhora Scott, como está o Senador? — começaram as perguntas.
— Como puderam ver nos boletins médicos com a declaração do Doutor Collins, Artur está se recuperando de uma cirurgia muito delicada, pois a bala se alojou entre o pulmão e coração. Porém — sorri, lembrando a fortaleza que era meu marido —, ele é forte e está tendo uma recuperação surpreendente, tendo as próximas setenta e duas horas como fundamentais.
— Vocês já têm ideia de quem pode ter cometido esse atentado? Pode ter sido alguma desavença política?
— No momento nossa família está preocupada apenas com a recuperação do meu marido, deixando nas mãos dos nossos advogados e principalmente da policia a solução do atentado, mas nós os pegaremos. Moveremos céus e terras para colocarmos essa pessoa atrás das grades.
— A senhora acha que pode ter sido político, como no caso do atentado do Senador Richard Walker? Os Scott têm muitas inimizades?
— Não gosto de pensar em represália política, pois isso nos levaria aos primórdios da humanidade, tornando essa pessoa mais suja do que ela já é — disse serena.
— A bala, era para a senhora? — um calafrio acometeu-me naquele momento.
— Foi tudo muito rápido, não temos como saber. Isso será devidamente investigado pela polícia e com a ajuda de vocês, por conta dos vídeos da noite de ontem, que estão sendo entregues à nossa assessoria e enviados diretamente para a polícia. Eles serão de grande valia e agradeço desde já a todos que puderem colaborar.
— Sobre o escândalo de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro publicado ontem pelo New York Times, o que a senhora tem a nos dizer? — me arrependi amargamente dos agradecimentos anteriores, porém, estava ali para aquela pergunta. Respirei fundo, olhando para nossa equipe ao lado do meu sogro e meus pais, que me acompanhavam atentamente e respondi a última pergunta.
— Apenas uma coisa eu posso dizer sobre esse assunto: “A inteligência é algo a ser aplaudido, já o amadorismo para se ter pena”… Tomem cuidado com o que recebem e publicam, vocês também podem cair em uma armadilha.
— Mas eles falam em provas?
— Você as tem? — indaguei direcionando-me ao jornalista. — As únicas provas que a imprensa tem em mãos hoje são os mais de quarenta anos do Governo Scott, onde em nenhum momento desapontaram um voto que fosse direcionado a eles. Essas são as maiores referências até agora. O resto, apenas blasfêmias. Nossos advogados já estão tomando conta desse caso também e esperamos resolvê-lo com a mesma rapidez que o atentado do meu marido — respirei fundo. — Mais uma vez agradeço a todos. Estarão sendo informados do estado de saúde de Artur conforme os boletins forem saindo. Um bom dia e fiquem à vontade — olhei por cima dos meus enormes óculos e vi Victor Parker ao fundo da sala, acuado. Sorri friamente. Meu recado havia sido dado.
Saí dali direto para os braços da minha família e amigos, que me esperavam no fundo da sala, em uma área reservada.
— Você esteve esplêndida, Linda Marilyn, parabéns — sorri sem graça do elogio de George. Nunca me acostumaria em ser elogiada por um Scott, mesmo ele sendo meu sogro.
— Não vai ter pra ninguém, você deixa qualquer um no chinelo, Linda.
— Apenas os coloquei em seus devidos lugares, Ethan.
— Parabéns, Linda. A partir de agora vão pensar duas vezes antes de publicarem algo contra os Scott.
— Eu espero, Jared. Só peço que os mantenham informados sobre o estado de saúde de Artur, mas sobre as investigações e as acusações silêncio total. O que tínhamos a dizer já foi dito.
— Ok, Linda! Cuidarei pessoalmente disso.
— Obrigada. Alguma novidade? — olhei para meu pai e nossa advogada.
— Vamos para a sala de reuniões, filha. Esse não é o local para discutirmos isso — assenti, agradecendo mais uma vez ao Doutor Collins e nos dirigimos para o primeiro andar do hospital, onde tínhamos uma sala reservada para nossa equipe e familiares.
— Estamos investigando os vídeos junto com a polícia, filha, observando qualquer atitude que nos possa parecer suspeita.
— Porém eles estão querendo ligar o caso de Artur com o do Senador Walker — revirei os olhos. — Seria uma das linhas de raciocínio lógica a seguir...
— Se não soubéssemos quem armou tudo isso, não é, Susanne?
— Eu sei, Linda, mas a polícia não quer deixar passar nenhuma possibilidade.
— Eles não conseguiram descobrir nenhuma pista de quem fez isso com o Richard ainda, vão querer o quê juntando os dois casos? — meu sogro disse alterado.
— Não podemos deixar passar nossas suspeitas em relação ao casal Laurence.
— Não vamos deixar, filha. Os vídeos vão nos mostrar alguma coisa.
— E a junção dos documentos, comprovando a ligação de Ryan e Raquel com as denúncias será o xeque-mate — a advogada disse com propriedade.
— Falando nisso, como está a organização das provas para desmascarar a matéria de ontem?
— Estive na Scott’s hoje logo cedo e comecei a preparar o relatório — Ethan disse sério. — Já temos todas as provas separadas para serem entregue à polícia, Linda. O Governador me passou todas as coordenadas — olhou para George ao meu lado, que tinha a aparência cansada.
— Quero Victor Parker na cadeia também, Susanne. Esteja avisada de antemão — usei a frieza dos Scott que não sabia ter adquirido. — E depois de tudo esclarecido, processaremos aquele jornal. Eles têm que pagar.
— Eles vão, Linda — ela tocou meu ombro, complacente.
— Ok! Mas antes vá descansar, você está aqui desde ontem à noite — olhei para seu vestido.
— Eu vou, assim que deixar tudo esquematizado por aqui — ela sorriu.
— Obrigada — disse sincera.
— Não estou fazendo mais que minha obrigação — disse voltando a ser a profissional dura. — Eu também odeio injustiças, principalmente com meus clientes.
— Nós vamos conseguir prender todos eles, filha.
— Eu tenho certeza que sim, Chefe — sorri fracamente para meu grande herói de uma vida inteira.
— A lei está do nosso lado.
— Obrigada, pai — ele veio até mim e depositou um beijo na minha testa.
— Estou fazendo isso pela nossa família — ele e George se entreolharam, cúmplices.
— Agora, vou levar esse homem para descansar e comer alguma coisa. Você quer algo filha? — Ruth falou pela primeira vez desde que entramos na sala de reunião.
— Não, mãe. Vou subir para ver Artur. Você deveria descansar um pouco também, George, venha com Emma mais tarde... Eu vou estar aqui.
— Obrigada, filha. Vou resolver mais algumas coisas por aqui e irei para casa, pode deixar. E, Linda... — olhei novamente para ele. — Sua determinação, força e coragem a tornam ainda mais uma Scott — me emocionei mais uma vez com as palavras do meu sogro.
— Eu que agradecerei a vocês, sempre — o abracei. — Mary, você sobe comigo? — virei para minha amiga, tentando conter as lágrimas.
— Claro — ela levantou, entrelaçando nossos braços, como na época da faculdade.
— Até mais. Qualquer coisa eu estarei lá em cima — me despedi de todos e saí da sala.
— Ok, querida. Tente não se exaltar muito.
— Pode deixar, mãe — beijei-a no rosto carinhosamente e saí com Mary.
— Mary, você desmarcou toda a minha divulgação, certo? — já estávamos perto do elevador.
— Tudo, amiga. E só remarcaremos quando Artur estiver bem.
— E isso vai acontecer em breve — sorri animada.
— Mary! — escutamos Jared gritar atrás de nós. — Me desculpem, mas precisamos redigir o comunicado que faremos à imprensa, querida.
— Não tem problema, eu subo sozinha — a abracei.
— Me perdoe, amiga.
— É seu trabalho. Agora me deixem ir que tenho um marido para cuidar — tentei fazer graça, mas estava exausta por dentro.
Segui até a UTI vendo Tim do lado de fora da área onde estava destinado a ficar.
— O que faz aqui, Tim? Não havia pedido para ficar lá dentro? — disse séria assim que cheguei mais perto do nosso segurança.
— O Senador está com visita, Senhora Scott.
— As visitas estão restritas à família e você sabe disso — disse nervosa. — Quem está com Artur?
— Sou eu, Linda Marilyn — virei me deparando com a última pessoa que esperava encontrar ali.
— Melissa?
— Algum problema pela visita? — ela disse com o ar superior e não gostei nada daquilo.
— Nenhum. Porém as visitas estão restritas por ordem médica, apenas a família está autorizada a entrar — disse à mesma altura. — Você deveria ter nos avisado que viria.
— Nunca precisei marcar minhas visitas aos Scott, Linda Marilyn.
— A partir do momento que um deles é meu marido e está hospitalizado com restrição de visitas, você precisa de uma ordem sim, Senhorita Clark.
— Você é muito prepotente, Senhora Scott — usou da mesma ironia. — Chegou onde queria e já arquitetou um modo para amarrá-los a você para sempre, literalmente.
O quê? Ela estava me acusando de ter dado o golpe da barriga?
— Não sei aonde você quer chegar com isso.
— Não se faça de sonsa, eu sei muito bem o que pretendia com essa historinha de amor platônico — senti uma pontada no pé da minha barriga. — Você enganou Artur da pior maneira possível. Meu Deus! Se diziam tão espertos e caíram no golpe da jornalista boazinha que sempre idolatrou a Família Scott. Tão conveniente, não é?
— Você não me conhece, Melissa. Não pode me julgar pelo que pensa ou faz da sua vida. E definitivamente — sorri sarcasticamente —, não conhece os Scott, mesmo depois de anos de convivência, julgando-os tão idiotas. Isso tudo é dor de cotovelo por Artur ter encontrado alguém mais inteligente e interessante que você? — disse com o mesmo ar superior, fazendo-a gargalhar ao mesmo tempo em que meu corpo se retraiu com mais uma pontada na barriga. Droga.
— Me diga se estou errada, Linda Marilyn. O que foi aquele show agora pouco para a imprensa? É claro que você teria que estar à frente de tudo.
— Teria sim, Melissa, por ter coragem para enfrentar tudo e todos de peito aberto — Emma apareceu fazendo com que respirasse aliviada, encostando-me à parede. — A coragem que você, com toda sua futilidade e egoísmo, nunca demonstraria.
— Minha filha, você está bem? — ela se pôs ao meu lado.
— Que lindo! Me diga, querida, como conseguiu enfeitiçar todos e deixá-los a seus pés? Artur está naquela UTI por sua causa, jornalistazinha medíocre! — tentou se aproximar, mas Emma se interpôs entre nós.
— Cale a boca, Melissa! Você não tem o direito de falar assim com minha nora. Saia daqui agora, você não é bem recebida.
— Emma, somos praticamente da mesma família — fuzilou-me mortalmente.
— Deveria ter pensado nisso antes de ofender, Linda Marilyn, Melissa. Vou precisar chamar os seguranças, ou vai sair de livre e espontânea vontade? — George disse firme chegando atrás de nós.
— Mas, George…
— Nem uma palavra a mais. Tim, acompanhe a Senhorita Clark até a saída.
— Não será necessário, eu sei o caminho — ela se recompôs me olhando raivosa. — Você vai cair, Linda Marilyn.
— Não vou, Melissa — estiquei-me indo a sua direção. — Porque tudo o que faço é por amor e não por recompensa ou exibicionismo. Você nunca entenderia isso, jamais daria seu lindo rosto para bater em meio a um escândalo desses. Você, como uma boneca de porcelana, gosta de ficar exposta na vitrine. Não sujaria sua imagem para os jornalistas. Essa é a nossa diferença, Senhorita Clark. AIIIII!
— Linda! Um médico agora! — Emma gritou.
— Tragam uma maca! — George se desesperou pelo corredor. — Seus pais ficarão sabendo disso e não vão gostar nem um pouco, Melissa — ele apertou seu braço, assustando-a. — Você nos desapontou muito! Reze para nada acontecer com esse bebê ou Artur vai caçar você até o fim do mundo — avistamos o enfermeiro. — Venha por aqui.
— Emma, estou com medo — chorei com as mãos na barriga. — Eu não queria brigar — ela acalentou meu rosto, ajudando-me a deitar na maca.
— Eu sei, meu amor, não se exalte. Pense apenas no bebê, vai ficar tudo bem, filha — ela segurou minha mão e correu junto com a maca até entrarmos em uma sala muito clara. — Eu vou com ela, George, vai ficar tudo bem — ela beijou o marido rapidamente e ali me senti desprotegida novamente. Eu precisava de Artur comigo. Entrei em desespero, sendo consolada por minha sogra.
— Eu o quero comigo, Emma, está doendo. Estou com medo — segurava suas mãos desesperada. — Nosso bebê… Eu não quero perdê-lo.
— Shiii — ela beijou minha testa. — Não vai, meu amor. Estamos passamos por uma pressão muito forte, o bebê também sente — o médico entrou naquele momento.
— Boa tarde, Linda Marilyn, Senhora Scott — ele nos cumprimentou. — Sou o Doutor Brandon, estou de plantão e vou dar uma olhada nesse bebê — ele sorriu em uma tentativa frustrada de me acalmar. Artur não gostaria nada disso. Sorri lembrando-se da possessão dele. Fui examinada sob os olhares atentos da minha sogra, que não soltou minha mão um minuto sequer, porém na hora do ultrassom o médico apontou para a tela, sorrindo. — Sua menininha está bem agitada hoje, Linda Marilyn, mas está maravilhosamente bem.
— Oi? — engoli o choro em choque. — O que o senhor disse?
— Não entendi — o médico olhou de Emma para mim, confuso.
— Nós ainda não sabíamos o sexo, doutor, essa é a melhor notícia do nosso dia — ela olhou novamente para mim, beijando minha mão. — Uma menina, querida. Artur e George vão enlouquecer — sorri em meio às lágrimas, muito emocionada.
— Sim vão… Nossa menininha!
Nossa Sophie. Pensei baixo por ser um segredo apenas nosso. Contaríamos juntos, quando Artur estivesse recuperado.
— Você está liberada, Linda Marilyn. Apenas vou aplicar-lhe um sedativo leve e peço que pelo menos hoje, devido ao estresse que passou, vá pra casa e descanse. Seu marido está se recuperando muito bem, vai estar bem amparado. Nesse momento pense em você e nessa linda menininha — olhei novamente para a tela do monitor, ainda sem acreditar.
— Obrigada, doutor — solucei.
— Não há o que agradecer. Apenas se cuide, por você e por ela — disse limpando minha barriga do gel.
— Vou me cuidar. Nós vamos, não é, Emma?
— Sim, meu amor — ela me ajudou a se levantar e me vestir, depois de uma enfermeira aplicar o sedativo na minha veia.
Já do lado de fora da sala, encontramos George desesperado, vindo ao nosso encontro.
— E aí, como vocês estão? Linda, você não pode andar, filha, vou pegar uma cadeira de rodas — Emma e eu sorrimos do desespero nato dos Scott.
— Não será necessário, George — apenas com os olhos ela me pediu autorização para lhe contar e essa lhe foi concedida em meio às lágrimas. — Nossas meninas estão muito bem, apenas estressadas.
— Oh, meu Deus! Uma menina! — meu sogro surpreendeu-me chorando. — Essa é a melhor notícia de todo o meu dia, querida — me abraçou emocionado. — Obrigado.
— Eu que agradeço o amor de vocês e... Perdoem-me, por favor — disse envergonhada. — Eu não queria, George.
— Eu sei que não, minha querida. E os pais dela já estão sabendo — ele disse olhando diretamente para Emma.
— Eu não queria isso — fui abraçada por minha sogra. — Me perdoem.
— Pare de pedir perdão, querida. Vá contar a novidade para seu marido, quem sabe ele acorda mais rápido já que terá que ter cuidado redobrado agora — sorrimos e me despedi deles com um beijo em cada um, saindo em direção à UTI novamente.
Entrei sem nenhum problema a ser resolvido dessa vez e, depois de vestir a roupa esterilizada, o encontrei dormindo serenamente e sem dor. Eu o conhecia muito bem para saber todas as suas caretas de dor, prazer, alegria, tristeza, raiva. Sorri aproximando-me da sua cama, ainda chorando.
— Oi, meu amor, voltei. Trombei com sua visitinha, não muito bem quista por mim, mais cedo — revirei os olhos, mordendo os lábios. — Sim, eu estou revirando os olhos e mordendo os lábios. Por conta do estresse com sua admiradora, fui parar na enfermaria, mas não se preocupe… — toquei sua mão em meu ventre. Nós duas estamos bem — disse emocionada. — No meio de toda essa confusão nossa filha resolveu abrir suas perninhas e se mostrou para nós. Podemos ir para Paris fazer o enxoval — sorri beijando seus lábios —, mas para isso você precisa levantar dessa cama, amor. Sophie está impaciente querendo o pai ao seu lado. O médico pediu para irmos para casa, hoje preciso de um repouso maior. E não... Eu não me engalfinhei com sua ex-namorada, é claro, porque seus pais chegaram na hora. Mudando de assunto, a coletiva de imprensa correu muito bem, todos me respeitaram, porém... Falaremos disso mais tarde. Eu quero você bem, descanse que vou fazer isso com Sophie em casa, na nossa cama, mas espero que não demore muito para você estar conosco. Eu sinto muito sua falta, Senador — sussurrei perto do seu ouvido. — Você me prometeu um banho relaxante e ainda vou cobrá-lo — sorri beijando seus lábios novamente e me preparei para sair do quarto, mas antes parei e da porta, dei uma olhada para ele novamente, ali inerte naquela cama. — Eu amo muito você. Quer dizer... — toquei minha barriga. — Nós duas amamos muito você. Fique bem, ok!
Saí de lá encontrando nossos pais juntos e emocionados na sala de espera.
— Meu bebê! Não podemos descuidar um só minuto, não é? — sorri e abracei Ruth.
— Vamos para casa, mamãe, as garotas do Senador precisam descansar, ordens médicas — olhei para Emma que sorria ao lado de George e Sal.
— Vamos, querida.
Despedi-me dos meus sogros com carinho, indo para casa. Naquele dia eu descansaria feliz. Meu marido estava se recuperando e seria apenas uma questão de tempo para ele sair daquela cama.
O Senador Scott depois daquele dia tinha duas garotas sob sua responsabilidade e essas tomariam um banho, comeriam alguma coisa e descansariam até voltarem para o lado do homem de ferro delas.
Melissa Clark ainda não tinha me passado pela garganta, mas não queria me exaltar, por causa de Sophie e Artur. Eles sim eram minha vida e precisavam de mim naquele momento.
Dormi tranquila pensando apenas na recuperação de Artur e no enxoval de nossa princesinha. O restante dos problemas deixaria para segundo plano.