O Senador
Capítulo 25 · — Artur! — gritei assim que tocamos…
— Artur! — gritei assim que tocamos o chão. — Amor... — senti algo molhando toda minha roupa e percebi ser sangue.
— Linda, olhe para mim — fiquei desesperada quando vi que o sangue vinha dele, mais precisamente do seu peito.
— Amor, vai ficar tudo bem — disse, tentando, desesperadamente, estancar o sangue — Uma ambulância! — gritei vendo Jonathan e os outros seguranças se aproximarem. Então perdi a paciência. — Que porra de profissionais são vocês? Como deixaram isso acontecer?
— Senhora Scott, foi tudo muito rápido — nosso segurança tentou dizer.
— Rápido! — gritei novamente. — Uma ambulância, agora! — esbravejei. — Vocês não estão vendo que meu marido está sangrando?!
Naquele momento vi nossa família se aproximar e Emma se jogar ao meu lado.
— Meu filho! O que fizeram com você? — ela chorava desesperada e percebi minhas próprias lágrimas grossas caindo também.
— Mãe — Artur falou com dificuldade —, cuide deles por mim — escutá-lo dizer aquilo me feriu mais do que uma bala. Peguei seu rosto, fazendo com que nossos olhos se encontrassem.
— Nem pense em uma coisa dessas, Artur Scott, e muito menos pronuncie essa ideia absurda! — ele sorriu fracamente. — Fique comigo! — toquei meu ventre com nossas mãos ensanguentadas. — Você é um pai de família agora. Não vai me deixar sozinha. Não, com nosso filho vindo ao mundo.
— Respira, princesa — ele tossiu —, me escuta…
— Eu não quero escutar nada — ele sorriu e pegou na minha mão.
— Princesa, eu amo vocês e por isso peço que não saia de perto dos seguranças, por nada. Faça isso por mim?
— Eu vou fazer apenas se você ficar comigo — beijou minha mão, fracamente.
— Eu sempre vou estar com vocês — disse fechando os olhos.
— Não feche os olhos, amor. Fique comigo — o desespero tomou conta do meu corpo quando vi meu marido se desfalecendo em meus braços.
— Uma ambulância — disse fracamente beijando os lábios dele, que foi rapidamente tirado dos meus braços. — Não, deixe-me com ele! — chorei desesperada e fui amparada por dois braços diferentes.
— Filha, a ambulância — George apontou enquanto tentava, em vão, me acalmar.
— Não me tirem de perto dele! — tentei me desvencilhar dos braços do meu sogro.
— Linda, minha filha, calma. Os médicos já estão tomando conta dele — minha mãe tocou meu braço para que eu a enxergasse.
— Eu vou ficar com ele — disse decidida.
— Filha, pense no bebê.
— Nesse momento a única coisa que tenho que pensar é no pai do meu filho, pai — saí correndo vendo George gritar com os paramédicos.
— Leve-o para o Presbyterian e contatem o doutor Peter Collins.
— Eu vou junto — entrei na ambulância com Artur.
— Vou também — George entrou e ficamos acomodados em um canto, enquanto Artur recebia os primeiros socorros. — Linda, você precisa manter a calma — sorri sem humor.
— Como manter a calma, George? Atiraram no meu marido — chorei, tocando a cabeça de Artur em oração.
— Nós vamos pegar quem fez isso, filha.
— Nós sabemos quem foi, George — eu tinha certeza. Não precisaria de nenhuma investigação para saber que aquela foi a vingança planejada por Ryan e Raquel.
— Vamos pegá-los — ele apertou minha mão e voltamos a prestar atenção nos médicos em cima de Artur.
— Ele entrou em choque — um paramédico gritou.
— Como em choque? — gritei. — Salvem meu marido! Não o deixem morrer! — caí nos braços do meu sogro novamente e senti a ambulância parar.
— Doutor Collins, choque por conta de tiro na região do peito.
— Artur — ele disse pesaroso. — George — o médico que aparentava seus cinquenta anos, apenas olhou para meu sogro já com as mãos em Artur. Eu já havia o visto em alguma reunião de família, política ou até no nosso casamento, mas naquele momento não conseguiria lembrar.
— Salve meu filho, Peter.
— Nós vamos fazer o impossível, amigo — dizendo isso, ele entrou correndo junto com a maca que levava meu amor para longe de mim. E como se minhas forças tivessem sido levadas com ele, desmoronei, sendo amparada por meu pai que vinha logo atrás com Emma e Ruth.
— Ele não pode morrer, pai — chorei nos seus braços. — Ele é a minha vida.
— Ele não vai, Linda, fique calma, pense no bebê — toquei minha barriga ensanguentada e tirei forças dali, colocando-me de pé novamente.
— Vamos entrar — George disse depois de falar com alguém, que parecia ser da administração do hospital.
Fui amparada por Sal e Ruth, enquanto George abraçava Emma, que também chorava sem parar.
Fomos colocados em uma sala de espera e sentia que a maior angústia seria a espera por notícias. Sentaram-me em uma poltrona ao lado de mamãe e Emma.
— Filha, vamos ter fé, ele vai ficar bem — minha sogra apertou minha mão.
— Ele é forte, Emma — respirei fundo tentando controlar o choro. — Artur não vai ser abalado tão facilmente — sorri fracamente, acariciando seu rosto tão sofrido quanto o meu.
— A porta do hospital já está tomada pela imprensa do mundo inteiro — Mary disse chegando ao lado de Jared, Ethan e Lizzy.—– E parece que a cada minuto a população se alastra em vigília também.
— Fechem o hospital! — levantei. — Não quero ninguém circulando aqui dentro, principalmente no andar onde Artur estiver — todos pararam me olhando. — Vá, Ethan, o que está esperando? Quero esse hospital fechado agora.
— A polícia também já está falando com os seguranças, Governador — Susanne entrou na sala ao mesmo tempo em que Ethan e Lizzy saíam.
— Vamos pegá-lo, Susanne. Me mantenha informado.
— Você terá que depor também, Linda — se virou para mim.
— Enquanto meu marido não estiver fora de perigo, eu não falarei com ninguém — ela assentiu saindo da sala. — Mary, Jared, controlem a imprensa, mas não soltem nada por enquanto, apenas quando tivermos certeza do estado de saúde de Artur nos pronunciaremos.
— Pode deixar, Linda. O problema é que o atentado foi televisionado e ninguém no mundo fala em outra coisa — repensei todos nossos passos, desde a saída da biblioteca, me lembrando que estávamos sendo fotografados e filmados por centenas de jornalistas na hora em que…
— Oh, meu Deus! O tiro era para mim — parei anestesiada. — Artur se colocou na minha frente, George. Eles queriam me atingir, assim o afetariam diretamente, mas ele…
— Artur protegeu você e o bebê, criando com seu corpo um escudo para salvá-los, como ele sempre disse e um dia me prometeu — Sal aproximou-se. — Nós vamos pegá-los, filha, vou tomar frente disso agora.
— Ele não poderia ter feito isso, pai — gritei sendo abraçada por ele. — Eu quero que façam contato com todos os jornalistas, Jared, alguém pode ter filmado alguma coisa, esse atirador não pode ter passado despercebido diante de todas aquelas pessoas.
— Vou falar para Susanne avisar aos policiais.
— Faça isso, pai, por favor — disse fracamente, mas assim que o doutor Collins entrou na sala quase voei no pescoço dele. — Doutor, como ele está?
— Eu peço que mantenham a calma — fui amparada por meu pai quando senti minhas pernas perderam as forças.
— Doutor...
— Linda, o quadro de Artur é considerado muito delicado. A bala atingiu uma região entre o pulmão e o coração, e estamos levando-o para a sala de cirurgia.
— O quê? — me sentaram. — Doutor, salve meu marido!
— Nós vamos fazer o possível e mantenho vocês informados.
— Obrigado, amigo. A vida do meu filho está em suas mãos.
— George, vou fazer tudo que estiver ao meu alcance — ele tocou o braço do meu sogro e saiu, dando instruções para uma enfermeira.
Ali me senti fraquejar novamente.
Artur tinha toda minha força com ele.
Deitei no ombro da minha mãe, vendo a movimentação ao nosso redor. Eu estava completamente sem forças, como se minha bateria tivesse esgotado.
Não conseguia raciocinar direito, precisava de Artur ao meu lado. Meu Deus, ele não poderia ter se colocado entre a bala e eu!
Algumas horas se passaram, não sei quantas para ser sincera, e permaneci ali, deitada no colo dos meus pais como uma criança indefesa, até que vi o doutor Collins entrar na sala novamente.
— Doutor, como ele está? — em um pulo eu estava na sua frente, desesperada para o que ele tinha a nos falar.
— A cirurgia foi muito bem sucedida, Linda Marilyn — voltei a respirar fazendo com que meus pulmões doessem pela volta do oxigênio. — Porém, vamos mantê-lo em coma induzido para ver como seu organismo reage. E as próximas setenta e duas horas serão decisivas para sua recuperação.
— Mas, Peter, ele está fora de perigo? — George perguntou cansado.
— Como eu disse, amigo, a cirurgia foi bem sucedida, a bala foi retirada com sucesso, porém, precisamos esperar para ver como seu organismo vai reagir.
— Ele é forte, George, vai conseguir — sorri sendo abraçada por meu sogro, emocionado.
— Ele é, filha — retribui seu abraço, virando para o médico novamente.
— Eu posso vê-lo, doutor? — o médico sorriu, complacente.
— Ele tem que repousar, mas alguns minutos pode fazer bem para vocês — olhei para Emma.
— Posso ir primeiro, Emma? — ela abriu um sorriso emocionado.
— Meu amor, é claro que você vai primeiro! — ela se aproximou. — Você é a mulher dele, querida — tocou meu ventre —, a mãe do filho dele.
— Obrigada — beijei seu rosto acompanhando o médico até a UTI.
— Apenas alguns minutos, ok, Linda?
— Sim, doutor, obrigada.
Fui levada por uma enfermeira até uma sala ao lado da UTI para me trocar. Depois de colocar a roupa esterilizada, entrei naquela sala fria, rodeada de vidros e aparelhos, deparando-me apenas com o corpo do meu marido ali.
Artur sempre foi muito ativo, na maioria das vezes acordando antes de mim com a desculpa que perdíamos muito tempo dormindo. E vê-lo ali, cercado de fios e aparelhos, fazia meu coração sangrar. Sorri fracamente, tomando coragem para me aproximar da sua cama.
— Oi, amor — beijei seus lábios levemente. — Vai ficar tudo bem, ok? Você já foi operado e agora está dormindo para se recuperar — sussurrei perto do seu ouvido. — Estou bem também, vou para casa com Jonathan, mas deixarei Tim na porta do seu quarto. O bebê também está quietinho — peguei sua mão para tocar meu ventre. — No momento estamos concentrados apenas em você, na sua saúde. Não se preocupe e vamos pegar quem fez isso. Agora preciso ir — vi o doutor Collins pelo vidro —, prometi ao doutor Collins que minha visita seria rápida, mas vou estar aqui, relaxe para se recuperar logo — beijei seus lábios novamente e senti minhas lágrimas escorrerem novamente. — Nós vamos ficar bem, nós três — saí do quarto, já tirando aquela roupa e chorando pela falta que Artur me fazia.
Ele era minha força, meu amor, meu tudo…
No corredor, depois de agradecer novamente ao doutor Collins, vi George e Susanne vindo em minha direção.
— O que aconteceu? — perguntei nervosa.
— Veja você mesma, Linda.
Meu Deus, até que ponto essa perseguição chegaria? Perguntei-me catatônica com que estava vendo através do tablet.
— Como isso pôde acontecer? — andava de um lado para o outro dentro de uma sala reservada para reuniões no hospital, sendo observada por Ethan, Jared, Lizzy, Susanne e meu sogro, depois de ler a matéria denunciando os Scott por fraude e corrupção.
— Nós já dissemos a você como funciona, Linda. Esse meio é extremamente sujo.
— Mas, George? — parei em dúvida. — Nós temos essas provas contra Ryan e Raquel — lembrei-me da nossa investigação e vi o vislumbre de sorriso no rosto dele.
— Era isso que eles não esperavam, filha. São burros demais em acreditar que cairíamos em um golpe desses — ele sorriu. — Não mostramos tudo que descobrimos exatamente para isso.
— Eles armaram tudo muito esquematizado — disse horrorizada. — O atentado direcionado a mim... — tremi em pensar em Artur naquela UTI — E agora o escândalo.
— Para eles, não teríamos cabeça para pensar em mais nada e com esse golpe acabariam com nossa reputação política — George disse frio.
— Não pensaram que as provas poderiam ainda estar em nossas mãos — completei.
— Exatamente. Por esse motivo vamos cercá-los de todas as maneiras e pegá-los completamente desprevenidos. Foi uma ótima ideia não abrir todo o jogo.
— Mas, isso ainda pode acabar com a reputação dos Scott — falei aturdida.
— A imprensa e a população estão em polvorosa lá fora — Jared me faz lembrar algo.
— Quem publicou a matéria?
— Veja com seus próprios olhos — Lizzy passou-me o tablet novamente e quando li de onde vinham aquelas denúncias sentei em uma poltrona, chocada.
— Victor Parker — cuspi de raiva. — Calhorda. Eu deveria ter deixado Artur acabar com ele — levantei e comecei a andar de um lado para o outro novamente, recebendo um copo de água com açúcar de Ethan.
— Tome, Linda, vai te fazer bem — tomei em um gole só.
— Você precisa manter a calma. Agora acabaremos com todos de uma vez só.
— Eu sei, George — disse cansada, sentando na sua frente —, mas para isso precisamos controlar as pessoas lá fora. Eu não admitirei que pensem em vocês como desonestos e corruptos. Isso nunca.
— E você sugere alguma coisa, Linda?
— Uma coletiva, Jared — disse firme.
— Uma coletiva?
— Se você permitir, George, é claro — respirei fundo. — Dada por mim.
— Você está grávida, não quero que se exponha para imprensa do mundo inteiro.
— Você não pode aparecer agora. E Artur… — suspirei lembrando meu marido. — Eu vou, George, acalmo a imprensa e o povo que está em vigília desde ontem, pela recuperação de Artur. Mostrarei que estamos cientes e completamente tranquilos em relação à denúncia, sem apresentar nada do que vamos fazer e, principalmente, que temos cartas na manga.
— Pode ser uma boa estratégia, Governador.
— Não sei, Jared.
— Vai ser interessante. A mídia já está criando uma bola de neve em torno desse assunto e com Linda Marilyn se mostrando, será a mesma coisa que estampar a verdade sobre a mesa, quem não teme não se esconde — Susanne complementou.
Olhei para meu sogro que parecia pensativo.
— Artur não gostaria de nada disso, na verdade eu também não gosto.
— Não temos outra saída. Se colocarmos um de nossos assessores estaremos ainda nos escondendo. Eu vou, estou preparada para isso.
— Você está grávida, Linda Marilyn. Se algo acontecer com meu neto ou minha nora serei um homem morto quando seu marido acordar — sorri tocando sua mão.
— Eu vou estar protegida. Sei o que estou fazendo, George. Precisamos proteger nossa família.
— Tudo bem — sorri e beijei seu rosto, levantando-me.
— Obrigada.
— Jared, chame a Mary e vamos marcar a coletiva para amanhã na primeira hora.
— Pode deixar, Linda — ele saiu já com o celular no ouvido, mas na mesma hora vi minha mãe entrar com Emma, meu pai e um enfermeiro.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei assustada.
— Aconteceu — minha mãe veio em minha direção junto de um enfermeiro. — Minha filha está grávida e não está se cuidando — revirei os olhos assim que o enfermeiro pegou meu braço, começando a aferir minha pressão.
— Eu estou bem.
— Filha, você vai para casa comigo agora. Já viu seu estado? — ela apontou para meu vestido de um ombro só de seda lilás, todo ensanguentado.
— Tudo bem — disse cansada. — E aí, tudo em ordem? — olhei para o enfermeiro que assentiu. Pelo menos minha pressão estava em ordem. Levantei indo até a porta para falar com nossos seguranças. — Jonathan, você vem comigo para casa e você, Tim, vai para a porta da UTI — ordenei voltando para a sala.
— Vamos? — meu pai me amparou. — Susanne, vou apenas acompanhá-las e volto para ver o restante dos vídeos — virei para meu pai, interessada.
— Já temos os vídeos, papai?
— Estão sendo enviados para a assessoria do hospital e dos Scott.
— Eu quero ver.
— Nem pense nisso. Não vai ver nada agora, senhorita. Nós vamos para casa, você vai tomar um banho e descansar, pelo menos por algumas horas.
— Tudo bem! Mas, pai, deixe-os separados, quero analisá-los junto com vocês.
— Vou deixar, querida, agora vamos — me puxou.
— Obrigada novamente, George — ele sorriu fracamente.
— Nós temos muito orgulho da sua fortaleza, filha — Emma veio até mim e me abraçou, chorando. — Nós que agradecemos.
— Ele vai ficar bem, Emma, vamos confiar — tentei dar forças para minha sogra.
Porém, conforme fui saindo daquele hospital, deixando meu marido lá, senti todo o peso do mundo nas minhas costas.
Comecei a chorar ainda dentro da limousine, sendo consolada por meus pais.
— Meu bebê, ele vai ficar bem, Artur é forte — Ruth acariciava meu rosto.
— Vai ser tão difícil chegar em casa — solucei.
— Eu sei, meu amor, mas você precisa descansar um pouco, pelo bebê.
— É só por isso que estou indo.
— Filha, eu vou ficar lá e nada vai acontecer. Ele já está se recuperando.
— Eu sei — disse cansada.
Chegamos ao tríplex com Jonathan nos guiando até o apartamento e fomos recebidos por Miranda, vindo me abraçar, chorando.
— Oh, minha filha, como vocês estão? — ela tocou meu ventre, me fazendo chorar ainda mais.
— Estamos bem, Miranda.
— E ele, como está? — ela olhou preocupada para Sal, que sorriu complacente, respondendo.
— Artur está se recuperando do pós-operatório, Miranda, ele vai ficar bem.
— Eu sei que vai — aconchegou-me em seus braços, carinhosamente.
— Miranda, me ajude a preparar um banho para nossa menina?
— Com certeza, Senhora Stevens. Vamos, minha menina — apenas assenti fracamente, sendo levada para o segundo andar.
— Estou voltando para o hospital, mas qualquer coisa me ligue, amanhã venho buscá-las — Sal beijou castamente os lábios de Ruth e depois veio até mim, deixando um em minha testa.
— Pode deixar, meu amor — mamãe sorriu.
Entrei em nossa suíte amparada pelas duas e já me derramando novamente em lágrimas.
Aquele era nosso lugar.
Toquei cada parte do quarto me lembrando de cada detalhe que passamos ali e ri de como havíamos saído dali mais cedo.
Nós estávamos felizes, pois o bebê havia mexido, nos deixando radiantes, e Artur nos prometeu que sempre amaria a mim e a ele incondicionalmente. Toquei meu ventre por reflexo.
— Linda — Ruth tirou-me dos meus devaneios —, vamos para o banho, filha, a banheira está pronta — concordei. Já não tinha forças para mais nada. Elas haviam ficado com meu marido naquela fria UTI.
Mamãe, junto de Miranda, tirou meu vestido, colocou-me na banheira e me ajudou no banho.
Limpa e relaxada, fui seca e colocada na cama, vestindo uma camisola branca.
— Fiz um chá de camomila para você, querida. Tome, vai fazer bem! — Miranda veio com uma bandeja. Sabia que não desceria nada, mas não tinha forças para discutir.
— Obrigada, Miranda — tomei todo o líquido e me deitei na cama do lado de Artur, cheirando seu travesseiro. — Ligue para lá, mamãe, preciso saber se está tudo bem — Ruth sorriu alcançando o celular.
— Tudo bem, minha querida — discou o número enquanto Miranda nos dava boa noite e saía do quarto. — Mary, meu amor, Linda está querendo saber como estão as coisas por aí — ela sorriu. — Sim, você a conhece tanto quanto eu — mais uma pausa. — Sim, minha querida, obrigada. Vá descansar também, tente revezar com Jared… Ok! Para você também. Eu mando — ela desligou o celular, sorrindo. — Mary ficou brava por você ainda estar acordada — sorri fracamente, me acomodando nos travesseiros do meu amor. — Está tudo sob controle, agora vamos dormir um pouco — me colocou em seu colo, cantando para que eu pudesse dormir e isso não demorou a acontecer.
— Vamos para casa?
— Nesse momento é tudo que eu mais quero — beijei seus lábios, levemente. — Acho que preciso de um banho e uma massagem. Você se lembra que dia é hoje, não é? — seu sorriso se abriu, malicioso.
— Como poderia esquecer?! Não vejo a hora de pegar você de jeito e dar tudo que minha escritora favorita anseia — sorri animada. — Eu amo você, Linda — enquadrou meu rosto em suas mãos. — Amo vocês, na verdade. Nunca se esqueça disso — comecei a chorar novamente. — Estaremos sempre juntos. Obrigado por fazer parte da minha vida.
— Obrigada por deixar fazer parte dessa vida tão maravilhosa — o beijei apaixonadamente e, como todas as vezes, quando nossas línguas se encontraram gememos juntos, sorrindo como duas crianças travessas.
— Artur! Amor!