O Senador
Capítulo 6 · Não poderia estar mais feliz.
Eu estava noiva do homem da minha vida.
Paris definitivamente era a cidade do amor, a cidade do meu amor mais lindo, mais completo, mais perfeito.
Estávamos irradiando felicidade por onde passávamos e o noivado já havia sido oficializado para nossa família em uma recepção em Washington, na casa dos meus pais – Sal fez questão.
A sincronia das duas famílias era uma coisa incrível de se ver. Emma e Ruth se falavam praticamente todos os dias, criando assim uma linda amizade, já Sal e George, com todos aqueles trejeitos duros se entendiam muito bem.
Não tínhamos conversado sobre datas ainda, pois desde que voltamos de viagem o nome de Artur estava sendo cotado para a Presidência do Senado e isso exigiu muito sua presença no Congresso, nos fazendo ficar em Washington praticamente a semana inteira.
Eu não estava reclamando nem um pouco, muito pelo contrário, lá minha pesquisa para o livro partia para o lado pessoal da Família Scott e era tão, senão mais, interessante que a política.
Foi no palácio que me aprofundei mais na história pessoal, principalmente do avô de Artur, o Presidente Sebastian Scott. Através de fotos, certidões e cartas que foram liberadas por George a mim, pude perceber a riqueza dos detalhes de uma história que me encantava apenas vista de fora.
O avô de Artur nasceu em Sumas, uma cidadezinha do interior do Estado de Washington, e foi lá que começou sua jornada política de sucesso que o levou ao topo, onde seu neto também almejava e ia chegar. Eu sentia isso.
Sebastian perdeu a esposa muito cedo quando George, também filho único, ainda era uma criança. Segundo Emma, minha querida sogra, como ele não teve na época uma mulher com pulso firme ao seu lado, como os nossos homens, o Presidente Scott foi e sempre será, o membro mais insuportável da família. Ríamos muito quando sentávamos para conversar sobre a família, com Emma sempre ressaltando o amor e respeito que ele sentia por ela, principalmente por ser uma Primeira-dama exemplar para seu filho e por ter lhe dado seu único neto e maior orgulho, Artur.
Perdia horas dentro daquela imensa biblioteca do palácio, que ele mesmo construiu quando se tornou Senador pela primeira vez, envolta em papéis, anotações e o mais importante: inspiração para concluir com êxito o maior trabalho da minha vida. Aquele lugar emanava a aura dos Scott.
Porém, depois de quase quinze dias em Washington estávamos de volta à Nova York, pois Artur precisava dar andamento a alguns contratos importantes na Scott’s também, por isso aproveitei para dar continuidade a minha pesquisa profissional, já que a parte pessoal já estava quase pronta.
Na verdade, para ela ficar completa, gostaria muito de conhecer Sumas e fazer uma pesquisa minuciosa de campo para concluir a história da vida particular do Presidente Scott. Foi lá que tudo começou, onde conheceu sua esposa, Sophie, ainda muito jovem e também governou pela primeira vez, como prefeito.
Conversaria com Artur sobre isso durante nosso jantar.
— Linda, posso entrar?
— Oi, Natalie, claro!
Eu havia pedido documentos e senhas para entrar em alguns departamentos específicos da rede da Scott’s e pelo peso de papéis que carregava em suas mãos, era isso que ela estava me trazendo. — Deixe eu te ajudar — levantei indo ao seu encontro, tirando algumas pilhas das suas mãos e os colocando em cima da mesa.
— E as senhas — ela me estendeu mais um papel.
— Obrigada, Natalie.
— Mais alguma coisa, Linda?
— Não, por enquanto é isso. Já tenho diversão para muitas horas de trabalho — ela riu. — Pode ir. Obrigada.
— Ok — ela se retirou e me lembrei, rindo, de Ethan e Jared contando que depois que entrei na vida de Artur, seus funcionários me beatificaram. Existindo o Poderoso Scott antes e depois de Linda Marilyn. Passado um ano, ele já cumprimenta a todos e em alguns momentos até diz obrigado. Claro que comigo a situação era bem diferente, mesmo autoritário e mandão, ao meu lado só enxergava o meu homem carinhoso e amoroso, mas também conhecia o lado difícil de Artur Sebastian que sabia conduzir muito bem até então.
Depois de instalar as senhas no meu note particular, vi que já estava perto da hora do almoço, então decidi que era o momento de parar de trabalhar um pouco e chamar meu amor. Tínhamos combinado de almoçar com Jared e Mary, já que ficamos em Washington por mais de quinze dias.
Porém, quando estava já na porta do arquivo, escutei as vozes de Ryan e Raquel conversando com Soraia, a recepcionista daquele departamento.
— Soraia, mas ela fica praticamente o dia todo ali? — Raquel perguntou, deixando-me ainda mais desconfiada.
— Sim, senhora, quando ela e o Senador estão em Nova York a Senhorita Stevens fica praticamente o dia inteiro no arquivo.
— Mas que droga! — Ryan resmungou, com a esposa tentando controlá-lo.
— Nós vamos dar um jeito, mesmo que seja durante à noite, ou quando os dois estiverem em Washington. Essa ninfeta fantasiada de jornalista não vai atrapalhar nossos planos — ela sussurrou para o marido, mas com meu ouvido apurado, pude ouvir. Então eles tinham um plano e eu, a “ninfeta” estava incomodando, usando seu local de... Eu iria descobrir para que servia o arquivo da empresa para esses dois. Minha intuição não havia me enganado.
Esperei um pouco para que eles fossem embora e saí me despedindo de Soraia, indo direto para a sala de Artur, tentando no meio do caminho formular como abordaria essa questão com ele.
— Posso entrar? — bati na porta da sua sala, o vendo abrir seu sorriso mais lindo, que sempre iluminava meu dia.
— Você tem livre acesso à minha sala, princesa — Artur veio ao meu encontro, beijando-me carinhosamente.
— Pronto para o nosso almoço?
— Não terei como me ausentar daqui hoje, nossa estadia em Washington atrasou todos os projetos por aqui — ele disse cansado.
— Tudo bem, amor, eu vou e nos encontramos em casa, depois do almoço vou sair com Mary.
— Compras? — revirei os olhos o fazendo rir.
— Sim. Estou com saudades da minha amiga. Estamos morando mais em DC do que aqui — aconcheguei-me em seu peito. — Sentimos falta uma da outra.
— Eu sei. Então aproveite a tarde curtindo sua amiga e compre uma lingerie nova para hoje à noite — balancei a cabeça, olhando para ele.
— Você é muito mandão, sabia? — ele sorriu, me beijando novamente.
— Sabia — respirei fundo, tomando coragem antes de tocar no assunto proibido.
— Amor, eu preciso te falar uma coisa.
— O que foi, Linda? — Artur arqueou uma das sobrancelhas, preocupado com o tom da minha voz.
— É sobre Ryan e Raquel — observei lentamente seu rosto enrijecer.
— Eu já não disse para você ficar longe da parte administrativa da Scott’s? — ele se desvencilhou dos meus braços, começando a andar de um lado para o outro.
— Artur, há algo errado com eles, hoje no arquivo... — ele me interrompeu, gritando.
— Isso não é de sua conta, Linda Marilyn. Será que vou ter que proibir sua entrada no arquivo?
— O quê? — estava pasma, começando a ficar preocupada por onde meus pensamentos estavam me levando. — Você está me proibindo de entrar no arquivo, Artur? — senti uma mágoa crescendo entre nós como uma parede grossa de concreto.
— Não foi isso que eu quis dizer — ele tentou me tocar, mas recuei.
— Tire suas mãos de mim! — senti as lágrimas já querendo escorrer por meu rosto. — É claro que isso não é da minha conta! Não chego aos pés dos Scott, não é? — solucei. — Sou apenas uma simples plebeia que você teima em chamar de princesa. Mas não vou mais atrapalhar seu precioso tempo, Senador — me virei e quando já estava com a mão na maçaneta senti sua mão no meu braço. — Já pedi para tirar as mãos de mim — cuspi e saí da sua sala sem olhar para trás, entrando direto no elevador.
Eu estava com muita raiva de Artur naquele momento. Contudo, em minha mente eu só conseguia visualizar uma pergunta: qual motivo de tanto mistério?
Será que poderia descobrir que meus ídolos por sua capacidade de governar honestamente, na verdade não eram tão perfeitos assim?
Minha cabeça começou a latejar diante de tantas coisas, mas de uma coisa não abriria mão, mesmo que para isso tivesse uma das piores decepções da minha vida. Eu iria até o fim com essa investigação. Iria descobrir o que tanto Artur tinha medo que eu desvendasse e esfregaria na sua cara que não sou apenas uma boneca de luxo para ser exibida. O Senador Scott me conheceu como uma jornalista inteligente e perspicaz e havia chegado a hora de mostrá-lo que ainda era a mesma pessoa, não uma dondoca que poderia ser facilmente manipulada.
Dentro do elevador, enquanto descia para a garagem, pensei em falar com Susanne, quem sabe ela poderia me ajudar com aquele mistério, mas logo balancei a cabeça, descartando essa possibilidade, pois tanto ela como o marido eram muito fiéis aos patrões. Precisaria encontrar outro meio para prosseguir com minhas investigações.
Chegando a garagem privativa dei graças à Deus por Artur ter vindo mais cedo, fazendo com que eu viesse com meu próprio carro e antes mesmo que Jonathan pensasse em me seguir, eu o proibi de dar um passo em minha direção.
Dirigindo pelas ruas movimentadas da hora de pico em Manhattan, respirei aliviada pelo almoço ser no apartamento de Mary. Minha amiga estava de folga do jornal e queria cozinhar para nós, como nos velhos tempos.
Não sei como consegui chegar em seu lar, já que eu estava nervosa e chorava muito. Por isso, aproveitei a regalia de ter um apartamento naquele prédio, entrando pela garagem e subi ainda em prantos sendo recebida com um abraço desesperado quando ela abriu a porta.
— O que aconteceu, amiga? — Mary me abraçava, tentando me consolar. — Fala comigo, Linda.
— O que aconteceu? — nesse momento Jared apareceu logo atrás de Mary. — Vou pegar um copo de água com açúcar.
— Vem ,vamos entrar — ela me puxou para dentro do apartamento, sentando-me no sofá, enquanto o namorado vinha com um copo em sua mão. — Onde está Artur?
— Não me fale dele... Não agora — espumei, com raiva.
— Linda, vocês brigaram?
— Não, Jared — solucei —, o problema é que com Artur não existe diálogo quando ele pensa que está com a razão.
— Sim, amor, eles brigaram — Mary disse confirmando. — Agora tome essa água e me conte o que aconteceu — me entregou o copo, fazendo-me beber na marra.
— Vocês brigaram por causa de Ryan e Raquel, não foi, Linda?
— Como você sabe, Jar? — funguei mais uma vez, recebendo um lenço de Mary.
— Linda, eu já não te disse que não vale a pena bater de frente com Artur por causa disso?
— Mas, Jared, hoje eu os vi do lado de fora do arquivo com algumas atitudes muito suspeitas — falei um pouco mais calma.
— E foi tentar falar com ele — Mary completou.
— Por que vocês querem que eu conte se já sabem de tudo? — revirei os olhos.
— Amiga, fique fora disso. Se Artur não te quer envolvida com esses dois, ele deve saber o que está fazendo.
— Me desculpe, Mary, mas agora eu vou até o final com isso. Preciso descobrir o que tem por trás desse casal e o que tanto Artur esconde naquele...
— Você não está pensando que os Scott estejam envolvidos... — ela também não completou sua frase, porém me conhecia apenas pelo olhar.
— Não sei.
— Linda, os Scott podem ter inúmeros defeitos, mas não são desonestos — suspirei cansada, sabendo que ele estava certo.
— Ela mais do que ninguém sabe disso, Jared, só está colocando coisas na cabeça.
— Eu preciso descobrir o que está acontecendo.
— Mesmo que isso atrapalhe seu relacionamento? — ela me questionou.
— Eu nunca fui uma bonequinha de luxo, Mary. Artur está ciente disso e agora vai aprender que quando eu quero uma coisa, vou até o fim — estava decidida.
— Linda, isso não vai dar certo, ninguém bate de frente com Artur.
— Ninguém batia, Jared! Eu vou precisar de sua ajuda.
— Linda, eu...
— Não vou te prejudicar, nunca faria isso. Eu só preciso que você me arrume um aparelho de escuta e vídeo para o arquivo — já que Artur me expulsou de lá, seria uma ótima desculpa para me manter afastada, ou não.
— Linda, isso é ilegal.
— Eu não vou denunciá-los, vou apenas comprovar o que estou desconfiada — dei de ombros —, o resto eu deixo nas mãos de Artur, Susanne e Newton.
— Eu não sei.
— Jared, eu só posso contar com vocês e ninguém vai ficar sabendo, por favor.
— Tudo bem, Linda, eu arrumo a escuta e instalo pra você no arquivo.
— Jura?! — pulei eu seu pescoço. — Desculpa, amiga — me virei para Mary. — Agora sim eu vou descobrir o que tem de tão especial naquele lugar e de quebra o que tem de ilegal com aqueles dois.
— Isso não vai dar certo — Mary estava preocupada.
— Isso vai dar certo sim. Agora vamos almoçar que temos uma escuta para instalar ainda hoje — disse animada.
— Ele não vem?
— Não, ele não vem, Mariani — disse simplesmente.
Jared e Mary estavam receosos, mas não se negaram a me ajudar. Logo depois do almoço ele conseguiu o aparelho com um conhecido e fomos direto para a Scott’s instalá-lo. Entramos pelos fundos e quando chegamos ao andar, agradeci por Soraia não estar em sua mesa. A instalação não durou mais que meia hora. E tudo ficou interligado em meu notebook, celular pessoal e no celular de Jared, que decidiu que eu não poderia investigar aquilo sozinha.
— Obrigada, Jar, você não sabe como está me ajudando — disse enquanto olhávamos para a tela do meu note.
— Linda, eu espero que você saiba o que vai fazer com essas informações.
— Confie em mim!
— Com licença, atrapalho? — senti minha espinha gelar ao escutar sua voz calma e educada atrás de nós na porta e quando virei meu pescoço vi Artur parado feito uma estátua grega, com aquele rosto cansado que eu conhecia bem de brigas anteriores.
— Não faça cerimônia, Senador, o prédio é seu — disse fechando o notebook.
— Linda, eu já vou indo, se precisar de mais alguma coisa... — Jared, mesmo tenso, sabia disfarçar seus sentimentos como ninguém. — Artur — ele o cumprimentou e saiu.
— Pensei que passaria o dia fora com Mary.
— Vim buscar minhas coisas — baixei os olhos.
— Linda — ele disse sofrido. E nem de longe parecia aquela pessoa autoritária de algumas horas atrás. — Por favor, princesa — Artur aproximou-se de onde eu estava. — Me perdoe, eu perdi a cabeça. Só queria você afastada deles.
— E por isso precisa me ver longe daqui?
— Não, claro que não! — tentou me tocar, receoso. — Eu disse aquilo sem pensar, me perdoe, esse lugar é seu. O seu local de trabalho.
— Então por que...
— Linda — ele passou as mãos pelo cabelo, tenso —, eu só quero te proteger, princesa.
— Me magoando.
— Nunca. Não foi essa minha intenção. Olhe para mim! — Artur se aproximou, tocando meu queixo e fazendo com que toda a raiva que sentia dele há minutos atrás sumisse. — Nunca mais diga que não significa nada para mim. Linda — ele tocou meu anel de noivado —, você é uma Scott, tudo isso é seu, eu só peço que se mantenha afastada de Raquel e Ryan — o sentia tenso sempre que pronunciava aqueles dois nomes.
Percebi ali que não adiantaria bater de frente com Artur, não naquele momento, então comecei a ceder, pois como havia aprendido com Emma, um Scott precisava ser comido pelas beiradas. Resolvi então dar uma trégua e fingir aceitar sua opinião. Até porque, acima de tudo não tinha provas concretas de nada ainda, então enquanto dava andamento a minhas investigações, levaria Artur em banho Maria, como dizia vovó Stevens.
— Eu também me excedi, me desculpa? — toquei seu rosto sofrido e ali percebi que Artur não estava fazendo por mal, apenas tentava me proteger de uma maneira torta, me escondendo algo que teria que descobrir sozinha.
— Posso te beijar? — sorri, enlaçando seu pescoço.
— E desde quando você pede permissão, Senador? — ele sorriu fraco e tomou minha boca. Entretanto, nosso beijo foi diferente. Ele foi calmo e terno, ali Artur me mostrou o amor e não a sede que sentia por mim.
— Eu te amo, Linda, não consigo imaginar minha vida sem você — disse com nossas bocas ainda coladas.
— E quem disse que você vai me perder, amor? Eu amo você mais que tudo — o beijei novamente.
— Você ainda vai sair com Mary?
— Vou — disse deitada no seu colo enquanto sentíamos o calor um do outro, jogados no sofá da sua sala. — Eu combinei com ela daqui a meia hora — ele beijou o topo de minha cabeça.
— Jantamos juntos?
— Com certeza! Espero você em casa, agora deixe-me ir que Mary impaciente é a pior coisa que conheço — ele sorriu fracamente e ali observei um Artur diferente... Humano, mostrando seu ponto fraco: o medo de me perder.
— Nos vemos à noite então.
— Sim — nos despedimos com mais um beijo casto e saí para me encontrar com minha amiga na Quinta Avenida.
Contei a ela qual tática seguiria dali pra frente e mais uma vez Mary pediu que tomasse cuidado. Mas, eu estava decidida e seguiria até o fim com meus planos para desmascarar Raquel e Ryan.
Quando cheguei em casa, Artur ainda não estava, o que me rendeu uma curiosidade imensa para abrir o computador e ver se acontecia algo de interessante naquele momento no arquivo, porém nada de especial ocorreu lá naquela noite.
Artur chegou logo depois de mim e muito cansado, então pedi que Miranda nos servisse antes mesmo do banho e depois do jantar subimos direto para nossa suíte, onde conversamos mais um pouco e logo depois do banho dormimos juntos, sem nenhuma conotação sexual. Apenas carinhos e muito amor.
Na manhã seguinte, preguiçosamente, abri os olhos ainda em seu peito, o que achei estranho, pois Artur era o primeiro a sair da cama todos os dias.
— Bom dia — acariciei seu rosto, mesmo sem olhá-lo.
— Bom dia, princesa — sua voz soou estranha em meu ouvido e isso me fez procurá-lo com o olhar.
— Tudo bem?
— Sim — limitou-se.
— Está com alguma dor? — ergui o corpo, apoiando meu queixo no seu peito.
— Não — Artur estava pensativo, olhando para o teto, com um dos braços embaixo da cabeça. — Apenas preguiça — sorriu ainda sem olhar para mim.
— Hum — enrosquei-me ainda mais no seu corpo.
— Sei que preciso ir para a Scott’s, mas como saio dessa cama, sentindo seu corpo pedindo o meu mesmo inconsciente, pode me explicar? — ele disse, maliciosamente, fazendo-me derreter ainda mais nos seus braços.
— Foi assim, mesmo antes de estar na sua cama — fui sincera.
— Prometo a você que farei da minha vida a sua felicidade, Linda Marilyn — Artur estava sério. — Magoá-la me mata — apertou-me ainda mais ao seu corpo, beijando o topo da minha cabeça. — Me perdoe por ontem, princesa, apenas quis protegê-la.
— Não vamos mais tocar nesse assunto, por favor — me sentei melhor na cama. — A última coisa que não quero agora é brigar com você.
— Linda, só quero deixar claro que tudo que é meu, hoje também é seu e a Scott’s faz parte disso — ele tocou meu queixo, carinhosamente.
— A única coisa que me interessa é você, nada mais — também acariciei seu rosto.
— Raquel e Ryan são assuntos...
— Já passou, amor — via desde o dia interior que Artur estava incomodado por ter explodido comigo daquela maneira, o que me deixava ainda mais intrigada a respeito do que poderia estar por trás daquele casal, porém tentei agir normalmente. — Mas a ideia de não sair da cama se torna bem interessante. Vamos fingir que hoje é um lindo domingo chuvoso e que teremos que ficar na cama o dia inteiro — ele riu.
— Não posso. Você vem comigo? — tinha receio em sua voz.
— Não.
— Linda — Artur puxou-me para cima do seu corpo. — Eu...
— Hoje vou ficar em casa, tenho algumas coisas para resolver com Miranda e prefiro ficar aqui — eu disse. Sim, era mentira. Ainda estava magoada e acima de tudo, queria deixar o arquivo livre para ver se Raquel e Ryan mordiam a isca.
— Não quero que fique chateada... — Artur suplicou.
— Não estou, preciso resolver algumas coisas em casa, apenas isso.
— Você tem certeza? — ele estava em dúvida.
— Absoluta. Mas, temos tempo para um banho, o que o Senador me diz? — pisquei para ele.
— Que um banho nunca será apenas um banho com você, Linda Marilyn — ele sorriu, beijando-me apaixonadamente. Com o término do beijo, o clima entre nós mudou completamente e isso fez com que Artur levantasse da cama, me pegando no colo, quer dizer, me jogando nas suas costas. — Artur, eu vou cair.
— Não confia em mim? — ele bateu na minha bunda.
— Filho da...
— Olhe a boca, Primeira-dama — já estávamos no box e Artur ligou a torneira nos colocando embaixo do jato quando a água estava na temperatura ideal.
— Me coloca no chão, eu vou morrer afogada aqui de cabeça pra baixo! — ele gargalhou gostoso.
— Escandalosa — Artur me colocou no chão dando-me um selinho. — Amo você
— Mas eu não — fiz charme, sendo agarrada pela cintura.
— Não minta — foi minha vez de gargalhar.
— Eu amo seu chato — enlacei meus braços em seu pescoço beijando-o apaixonadamente. — Amor, quero conhecer Sumas — ele sorriu beijando minha testa.
— A cidade natal do meu avô? — perguntou encantado.
— Sim — sorri. — Seria muito bom para as pesquisas do livro conhecer a cidade onde o Clã dos Scott foi iniciado.
— Seu desejo é uma ordem, princesa, nós vamos à Sumas — bati palmas como uma criança feliz, vendo-o gargalhar novamente.
— Obrigada, amor — nos beijamos mais uma vez.
Durante nosso banho e café da manhã, preparado como todos os dias com muito amor por Miranda, conversamos muito sobre nossa viagem e mais detalhes do livro. Artur logo saiu para o trabalho, o que me fez ir para biblioteca perdendo-me no meio das minhas digitações. No começo da tarde, observando a tela do meu notebook, onde se encontrava as imagens do arquivo, percebi que Raquel e Ryan ainda não tinham mordido a isca, mas morderiam logo. Os dois não poderiam ser mais espertos do que eu.
Almocei sozinha, pois Artur, mais uma vez, ficou trancado na Scott’s resolvendo os problemas da empresa e no meio da tarde Mary me ligou.
— Como você está, amiga?
— Estou bem, Mary. Nós estamos bem, sei que é isso que quer saber. — sorri — A nova tática está dando certo — ela bufou —, mas o arquivo está quieto ainda.
— Linda, você vai mesmo com isso até o fim?
— Vou, Mary, não posso mais voltar atrás — estava decidida.
— Como sei que não vai adiantar discutir com você, vamos direto ao assunto — ela pareceu animada. — Hoje vamos fazer um happy hour na Metro. Liguei para avisar vocês.
— Que maravilha — falei contente. — Será muito bom dar uma relaxada, não saímos há tanto tempo. Vou ligar para Artur e aviso você.
— Ok, amore. Eu vou voltar ao trabalho, me ligue assim que falar com seu homem de ferro — gargalhei de nosso apelido, não mais secreto.
— Te ligo sim, beijos.
Desliguei o telefone já discando para Artur, que atendeu sorrindo.
— Já com saudades, Linda Marilyn?
— Mas você é muito insolente, não é, Scott? — ouvi sua gargalhada que automaticamente me fez sorrir. — Amor, não quero roubar muito do seu tempo.
— Você nunca me atrapalha, princesa. E a única coisa que já roubou foi meu coração.
— Eu te amo — suspirei apaixonada.
— Eu também te amo, Linda, mas a que devo a honra da sua ligação? — ele perguntou e eu saí da nossa bolha particular.
— A Mary e o Jared nos convidaram para um happy hour na Metro, lembra desse bar?
— Sim, aquele onde eu a resgatei bêbada e ganhamos de brinde nossa primeira foto dos Paparazzi.
Não poderíamos citar aquele bar sem grandes recordações, pelas quais me fazia ainda revirar os olhos. Artur gargalhou no telefone.
— Nós já fomos em outras ocasiões, Scott.
— Mas não tão marcantes, princesa — ele continuou gargalhando.
— Nós vamos?
— Você quer ir? — Artur sempre deixava as decisões das nossas saídas noturnas em minhas mãos, pois era bem recluso e não gostava muito de baladas.
— Quero, vai ser divertido.
— Ok! Vá na frente com Mary e eu as encontro lá. Tenho algumas coisas para resolver por aqui ainda.
— Tudo bem, eu combino com ela. Mas não demora, amor, não quero ficar muito tempo sozinha lá.
— E nem eu quero que fique sozinha, então prometo não demorar. Jonathan acompanhará vocês.
— Tudo bem. Espero você lá, beijos e... Amo você.
— Também amo você, princesa — desligamos e fechei meu computador indo me arrumar.
Passei no prédio de Mary no final da tarde com nosso motorista e seguimos juntas para o bar.
Estava cheio, o que nos fez sorrir já indo até o balcão, pedindo dois Martinis, com Jonathan com os olhos pregados em nós, do outro lado do bar.
— Linda... Mary? — nos viramos juntas.
— Mark?