O Senador
Capítulo 19 · — Meu Deus! Seu vestido está ficando…
— Meu Deus! Seu vestido está ficando maravilhoso, amiga! — Mary disse animada assim que saímos da loja de uma das estilistas mais famosas do mundo, Carolina Herrera. Mas tinha que concordar, meu vestido era um único e exclusivo modelo feito sob medida. Uma fortuna, mas já havia parado de me preocupar com isso há algum tempo. Desde que meu casamento foi reservado para ser celebrado em uma das igrejas mais imponentes de Nova York, a St.Patrick’s Cathedral e a recepção nos amplos salões do Hilton. Nada mais apropriado para nós do que celebrarmos nossa união onde nos apaixonamos à primeira vista. O Hilton sempre faria parte da nossa história.
“E dinheiro não era problema”, dizia meu noivo, que estava com um sorriso de orelha a orelha querendo me ajudar em cada detalhe. Estava amando esse lado de Artur. Ele nunca teve paciência para essas coisas, deixando tudo nas mãos de Emma e depois em minhas mãos, mas com o nosso casamento estava sendo tudo diferente. Escolhemos tudo juntos, desde a decoração à comida.
— Ainda tenho a impressão que vou acordar e tudo isso não passou de um sonho — Mary riu e me abraçou.
— Você deveria acreditar mais em você e nas minhas premonições.
— Eu sei. Mas, Mary, se coloque no meu lugar. O Artur é...
— Seu sonho real — sorri e entramos em uma das lojas de decoração que continha nossa lista de casamento.
— Jonathan, nos espere aqui, tudo bem?
— Sim, Senhora — agradeci e entramos em mais uma loja da Quinta Avenida.
— Você sabe que até já me acostumei com seus seguranças — revirei os olhos.
— É um mal necessário, amiga. Na verdade, pelo Governador, até você e Jared teriam que andar com um.
— Eu sei, mas estamos bem, o Governador Scott tem que se preocupar com a segurança de vocês.
— Ele se preocupa até demais — apontei para os dois seguranças na porta da loja.
Agora era assim, a cada lugar que eu ia tinha que levar pelo menos Jonathan comigo, mas como naquela tarde estaria exposta no meio da rua, Artur reservou logo mais um. Eu entendia sua preocupação, apesar de achar exagerado.
— Boa tarde, Senhorita Stevens, vieram catalogar o restante dos produtos da sua lista? — a vendedora nos recepcionou.
— Boa tarde, Susie — já havíamos estado na loja algumas vezes, por isso a intimidade com a vendedora. — E sim, você pode nos dar os marcadores?
— Claro senhorita, aqui estão — ela nos estendeu os dois marcadores e saímos em direção aos cristais.
— Ai, como isso é gostoso de fazer — disse Mary, já com seu marcador em mãos.
— Eu quero ver quando for o seu — sorri e marquei o primeiro item. Um lindo jarro para flores.
— Eu vou enlouquecer — ela gritou me fazendo gargalhar.
— Eu não vou deixar.
Resolvi com a lista de presentes de casamento também mudar algumas coisas na decoração do tríplex, como cortinas, estofados, jogos de lençóis... E estava contando com a ajuda do nosso arquiteto para isso, o mesmo que cuidaria das obras na casa de Sumas, mas essa deixaria para depois do casamento, senão não daria conta.
— Falando desse assunto, temos uma reunião com a Jenny daqui uma hora no tríplex — Mary me informou com seu Ipad nas mãos.
— Não sei o que eu faria sem você, Mary — cataloguei um conjunto de taças.
— Amore, a cerimonialista é a Jenny.
— Mas você tem o dom para isso, acho que escolheu a profissão errada. Marque aquele lustre para mim — pedi indicando o produto.
—Eu amo o que eu faço, amiga, mas essa parte de organizar casamentos e fazer compras... — ela bateu palminha animada.
— Você está tão feliz trabalhando na Scott’s, não é, amiga? Eu vejo o brilho no seu olhar.
— É o sonho de qualquer pessoa, Linda — suspirou. — A Scott’s me deu uma autonomia que nunca teria em qualquer outro lugar.
— George confiou em você.
— Eu sei, quero mostrar a cada dia que sou digna dessa confiança. E outra, estou trabalhando com você novamente — me abraçou. — Isso para mim não tem preço.
— Com certeza. O trabalho que estou organizando lá é muito importante para mim e com você ao meu lado tudo se torna mais fácil — sorri lembrando de todos os meus projetos profissionais. O livro sobre a história da nossa família estava quase concluído, nossa proposta pessoal sobre o melhor modo de governar em fase de elaboração. E, por fim, o museu, minha revitalização em Sumas, que estava brilhantemente sendo dirigida por Dibe.
— Você ainda vai para Sumas antes do casamento? — Mary perguntou como se adivinhasse meus pensamentos.
— Não. Acho que consigo resolver as coisas com Dibe por e-mail ou telefone. Já fui uma vez para aquela reunião com os profissionais que revitalizarão o museu e acompanhei o andamento da reforma, se precisar de algo mais peço para ele vir. Estamos a um mês do casamento, Mary, temos tanta coisa ainda para fazer que às vezes tenho a impressão que não vai dar tempo — ela sorriu do meu desespero.
— Amiga, está quase tudo pronto, não precisa se preocupar. E outra, estamos trabalhando com os melhores profissionais do ramo — Mary tinha razão. Estávamos cercados pelos profissionais mais requisitados do mundo matrimonial e não tinha como nada dar errado. Tirando uma tontura que havia me pego desprevenida fazendo com que Mary me segurasse antes que meu corpo chegasse ao chão e gritasse por meu segurança.
— Jonathan... Linda, fala comigo! Linda, amiga…
E tudo ficou escuro…
— Quem foram os incompetentes que não viram que minha mulher estava passando mal? Eu quero vê-la agora — estava tudo muito embaralhado ainda na minha cabeça, porém não poderia deixar de escutar a voz de Artur Sebastian esbravejando com alguém. — Onde está o médico? Preciso saber o que aconteceu com ela!
— Calma, Artur, eles já estão a caminho, na verdade, já a examinaram e só estão esperando alguns exames ficarem prontos.
— Eu não quero saber, Mariani! Feche o hospital, não quero nada atrapalhando a recuperação dela — bufou e sua voz se aproximou de onde eu estava. Tinha certeza que naquele momento ele estava passando as mãos pelos cabelos.
Tentei abrir meus olhos, mas minha cabeça ainda girava bastante, então resolvi chamá-lo.
— Artur.
— Oh, graças a Deus! Você acordou, princesa — ele se aproximou beijando minha testa, carinhosamente. — Eu quase enlouqueci, você está bem? Fale comigo, Linda!
— Em primeiro lugar — disse tentando respirar sem abrir os olhos, pois estava tudo rodando —, só tive uma indisposição. E você deve um pedido de desculpas para cada uma das pessoas que tiveram o desprazer de escutar seus gritos. Eles me socorreram e está tudo bem, ok? — olhei para Mary um pouco atrás do meu noivo, que ria disfarçadamente da bronca que eu estava dando e não reconheci aquele lugar. — Onde eu estou? — tentei me levantar, mas tudo voltou a girar, então, cautelosamente, Artur me deitou de novo.
— Você está em um hospital, meu amor. Passou mal em uma loja com a Mary e eles a trouxeram para cá — ele olhou para minha amiga. — Mary, você poderia falar com a assessoria de imprensa do hospital? Não quero que nada vaze antes de sabermos o que aconteceu. Obrigado — sorri ainda com os olhos fechados, ganhando um selinho.
— Pode deixar, Artur, Jared já cuidou disso assim que ficou sabendo, mas vou pessoalmente conversar com a assessora do hospital e espero a ordem de vocês, a imprensa já está toda lá embaixo — ela veio para perto da minha cama. — Amiga, eu volto já, se cuide — beijou minha testa, saindo do quarto.
— Como assim, eu tive apenas um desmaio e a imprensa do país inteiro já está na porta do hospital? — Artur revirou os olhos.
— Nós somos conhecidos no mundo inteiro, baby — disse cansado e eu acariciei seu rosto. — Me perdoe, eu fiquei maluco.
— Shiu! Está tudo bem, foi apenas uma indisposição por causa da correria do casamento. Eu vou melhorar — lhe dei um selinho. — Só fique aqui comigo.
— Não sairia do seu lado nem que você me expulsasse, princesa — Artur deitou na cama ao meu lado, aconchegando-me em seu peito.
— Eu amo você — disse abrindo os olhos com dificuldade.
— Eu também, mas estou muito preocupado — ele me apertou ainda mais e percebi que seu coração estava acelerado.
— Com licença — vi um senhor de branco entrando no meu quarto e supus ser o médico que me atendeu. — Boa tarde, sou o Doutor Willians e fiz os primeiros socorros da Senhorita Stevens — abaixou os olhos olhando para a prancheta. Como se ele não soubesse quem nós éramos.
— Sim, doutor, como ela está? É grave? Podemos providenciar sua ida para um hospital especializado — o médico sorriu do meu noivo desesperado, já em pé ao seu lado, enquanto eu não tinha força para nada.
— Bom, creio que o mal estar da Senhorita Stevens não seja nada de tão grave, Senador — ele sorriu novamente, dessa vez olhando para mim. — Na verdade, é um sintoma normal para seu estado.
— Estado? — perguntamos juntos.
— Sim! A senhorita está grávida — minha tontura até passou, mas havia esquecido de respirar.
— Princesa, respira — Artur beijava meu rosto emocionado.
— Grávida! Eu estou grávida! — senti que seus beijos começaram a ficar molhados e foi então que percebi que estava chorando. — Eu estou grávida, amor — sorri em meio às lágrimas.
— Um filho, princesa! — ele se abaixou beijando meu ventre ainda liso. — O nosso filho, complemento do nosso amor — Artur acariciava minha barriga e subiu seu rosto fazendo com que nossos olhos se encontrassem. — Obrigado.
— Eu que agradeço por você me fazer a mulher mais feliz desse mundo — toquei seu rosto, tão molhado quanto o meu.
— Mas, doutor... — era engraçado Artur tentar retrair seus sentimentos na frente dos outros. — Essa tontura é normal?
— Sim, Senador, no estado que Linda Marilyn se encontra, as tonturas, os enjôos, até dores de cabeça podem ser normais. E entrando na décima semana esses sintomas só tendem a se acentuar.
— O senhor quer dizer que já estou grávida de mais de dois meses? — perguntei confusa, não sabendo quando tinha sido minha última menstruação por conta da confusão que tinha se instalado em nossas vidas desde que fui para Sumas. Meu Deus, a clareira! — Sumas, amor.
— Sim, princesa, a nossa clareira — Artur disse ainda mais emocionado.
— Ele foi concebido na nossa clareira.
— Vou deixá-los à vontade — saímos da nossa bolha percebendo que o médico ainda estava no quarto. — Deixarei sua alta assinada para o começo da noite, Senhorita Stevens, junto com a prescrição de alguns medicamentos para enjôos e tonturas, porém aconselho que procure seu ginecologista de confiança.
— Faremos isso amanhã mesmo, Doutor Willians. Muito obrigado! — Artur estendeu a mão para o médico.
— E sobre o comunicado à imprensa, estarei na minha sala para o que precisarem — foi ali que lembrei que a imprensa em peso estava na porta do hospital esperando algum comunicado.
— Obrigado, doutor, vamos conversar com nossos assessores e entraremos em contato.
— Ok! Uma boa tarde — ele saiu da sala e Artur voltou para meu lado, aconchegando-me em seus braços.
— Acho que você precisa descansar agora, princesa — beijou minha testa, fazendo com que fechasse os olhos.
— Estou tão feliz, amor — aspirei seu perfume.
— Eu também, na verdade não saberia dizer se existe pessoa mais feliz que eu nesse mundo hoje — sorri, beijando seu peito.
— Amor, o que falaremos para imprensa? — antes dele pensar em algo para me responder, fomos interrompidos novamente por uma batida na porta.
— Com licença, amiga — abri os olhos e vi Mary entrar no quarto com um semblante preocupado. — Acabei de ver o médico sair daqui. Ele disse o que você tem? — eu e Artur sorrimos juntos olhando para minha melhor amiga.
— Disse, amiga, pode desmanchar esse semblante preocupado, você apenas será tia.
— Oh, meu Deus! Você está grávida? — ela gritou, vindo me abraçar. Artur levantou nos dando espaço. — Parabéns, meu amor. Parabéns, Artur, vocês merecem essa felicidade. Nossa! — ela se abanou.
— Mary, respira — Artur repetiu a frase pela segunda vez nos fazendo rir. Nesse momento Mary se afastou, fazendo com que meu amor voltasse a me aconchegar em seu peito. — Estamos mesmo muito felizes, Mary, obrigado.
— Não gostaria de ser prática nesse momento, mas precisamos mandar o comunicado para a imprensa, antes que comecem a inventar coisas absurdas — Mary tinha razão. Olhei para Artur, que parecia pensar sobre o assunto.
— Não acho uma boa hora ainda para anunciarmos a gravidez, princesa — olhou para mim, receoso. — Tenho medo do que possam fazer com você... — percebi que ele falava de Raquel e Ryan. — Poderiam fazer algo para me afetar, principalmente agora. É claro, se esse for seu desejo também. Poderíamos esperar até depois do casamento, o que me diz? — sorri lhe dando um selinho.
— Eu não tinha pensado sobre isso, quer dizer... Meu Deus! Ainda estou tão tonta.
— Amor, não se exalte, não precisamos pensar nisso ainda, podemos esperar — Artur ficou tenso.
— Não. Vocês têm razão. Precisamos dizer alguma coisa para a imprensa antes que isso vire uma bola de neve — respirei fundo, fechando os olhos novamente. — Vamos dizer que tive uma indisposição por conta dos preparativos do casamento.
— Você tem certeza, meu amor? — ele acariciou meu rosto carinhosamente.
— Tenho — confirmei sorrindo. — Mary, procure o médico para redigir o comunicado, por favor. E a noite sairemos pela porta da frente. Quero mostrar que estou bem.
— Estou orgulhoso da mulher corajosa e destemida que tenho ao meu lado. Eu amo você.
— Também amo você, amor, na verdade… Amo vocês — ele tocou minha barriga, me beijando.
— Vou resolver isso agora mesmo e antes da alta veremos como organizar sua saída, ok?
— Sim, amiga — sorri para ela ganhando um beijo carinhoso no rosto.
— E você cuide dela — apontou para Artur ao meu lado.
— Pode deixar, Mary! Obrigado.
— Não tem nada que agradecer. Beijos e cuidem do meu sobrinho — ela também acariciou meu ventre.
— Pode deixar.
Mary saiu nos deixando sozinhos novamente e mais uma vez tentei relaxar nos braços do pai do meu filho. Sorri dos meus pensamentos.
— O que foi? — abri os olhos me deparando com o sorriso mais lindo da face da terra.
— Estava pensando no pai do meu filho — Artur abriu ainda mais seu sorriso torto, fazendo com que eu começasse a chorar novamente. — Você é tão lindo… Tão especial e conseguir retribuir esse amor é muito gratificante — toquei meu ventre envolvendo nossas mãos ali. — Você me pediu um filho e ele está aqui — apertei ainda mais nossas mãos entrelaçadas.
— Obrigado, meu amor. Eu amo você mais que minha própria vida, na verdade, amo vocês agora.
— Mais uma vez agradeço a você por ter me feito sua…
— Sempre foi você.
— Essa frase é minha — funguei sendo abraçada por ele.
— Nossa frase, meu amor — ele me beijou e quando nossas línguas se encontraram gememos por conta da corrente elétrica que aquele simples toque trazia. Mas cedo demais nos separamos, pois fomos interrompidos novamente por mais uma batida na porta.
— Oh, meu Deus, bebê! Podemos entrar? — eram meus pais.
— Mãe, pai? — perguntei confusa e Artur riu do nosso flagra.
— Minha querida, ficamos tão preocupados — meu pai beijou minha testa, enquanto Ruth me abraçava, afastando meu noivo. — Como você está?
— Estou melhor, pai. Como vocês ficaram sabendo?
— A imprensa, meu amor — Emma disse enquanto entrava correndo no quarto, trazendo um George não menos preocupado.
— Estão todos em polvorosa, publicando qualquer coisa.
— Nós já contatamos nossa assessoria e o boletim médico vai sair a qualquer momento, pai.
— Mas... Você está bem, não é, querida? — minha mãe estava tensa e me beijava sem parar.
— Só não posso ser muito balançada, mãe — ela se afastou me fazendo rir. — Mas estou bem. Quer dizer, nós estamos ótimos — estiquei minha mão que prontamente foi pega por Artur, fazendo com que nossas mães suspirassem. — Nós vamos ter um bebê! — disse de uma só vez.
— Oh, meu Deus! Que notícia maravilhosa — Ruth disse já com lágrimas nos olhos.
— E como vocês estão, minha querida? — Emma se aproximou tocando minha barriga.
— Nós estamos ótimos, Emma, foi apenas uma indisposição normal para meu estado.
— Sua mãe teve enjoos até o quinto mês.
— Sério, Governador? — fiz uma careta os fazendo rir.
— Sua mãe em compensação, me deu trabalho com seus desejos até o nono mês.
— Devo me preocupar, Sal?
— Com certeza sim, Artur — eles riram e fomos abraçados por todos.
Depois de um tempo ali em uma conversa animada, o remédio começou a fazer efeito e fui vencida pelo sono. Me aconcheguei novamente no peito de Artur, relaxando e não vi nossos pais saírem do quarto.