O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 16 de 36

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O Senador

Capítulo 15 · Os três dias longe de Linda não estavam sendo fáceis.

 

Mesmo assim, não poderia deixar o trabalho que sempre almejei de lado. Isso não era o que eu queria e muito menos o que minha princesa desejava. Por isso, ao voltar para Washington, me empenhei ao máximo para que todos os planos do alavanque da minha carreira nas próximas semanas estivesse preparado.

Trabalhei duro no Capitólio nos últimos meses para conquistar essa nova marca na minha carreira, a de Presidente do Senado. Estava praticamente tudo acertado para minha posse. Em poucos dias subiria mais um degrau na minha jornada política, orgulhando a todos, desde meus familiares, meus eleitores e principalmente minha mulher.

Seria o Presidente do Senado mais novo de toda a história política dos Estados Unidos. Pois com apenas trinta anos, daria o passo que me deixaria a poucos metros do topo: a Presidência do meu país.

Como sempre, dei meu sangue para que a confiança depositada em mim fosse completamente satisfatória aos que me colocaram acima de todos para governar. E com os ensinamentos de Linda, me mostrando que nós, comandantes de uma nação, precisávamos ter em mente que o maior beneficiário teria que ser sempre o povo mais humilde, e assim chegaríamos juntos à Casa Branca.

Logo depois dos meus compromissos na Capital, ainda tive que passar em Nova York, para uma reunião importante com meu pai e a equipe que está tomando conta do caso de Ryan e Raquel. Mas aquela reunião não foi nada fácil.

— Não podemos mais esperar, Artur, o cerco já está fechado, temos tudo para pegá-los — George disse irritado.

— Não posso correr o risco com Linda do outro lado do país e sozinha, pai.

— Traga-a de volta, oras — sorri sem humor.

— Como se você não conhecesse sua nora.

— Artur, esperaremos até sua posse no Capitólio, logo depois entregaremos esse caso às mãos especializadas.

— Tudo bem, até lá darei um jeito. E como eles estão, normais?

— Não podemos brincar com bandidos, essa é uma operação muito séria que envolve toda a nossa vida política. Eles estão monitorados, mas qualquer deslize, você já sabe, por isso não podemos demorar muito.

— Vou resolver isso o quanto antes, pode deixar — falei preocupado.

Depois da operação feita, a segurança da nossa família teria que ser redobrada. Não saberíamos do que Ryan e Raquel seriam capazes, e meu maior medo era a ligação do nome de Linda às investigações.

Porém, deixaria para pensar nisso mais para frente, pois naquele momento só precisava voltar para Sumas e pegá-la nos braços. Eu não estava aguentando mais ficar um dia sem minha princesa.

Sim, eu era um dependente da porra.

Embarquei logo depois daquela reunião, tendo de suportar Ethan me infernizando até ao aeroporto, dizendo que Linda havia me pego de jeito. Eu só não o mandei embora, porque ele estava coberto de razão. Minha princesa me tinha em suas mãos e não via a hora de chegar para lhe mostrar sua surpresa.

Entretanto, chegando à cidade, já tarde da noite, foi avisado por Mai na recepção da pousada que Linda havia ido com sua mãe e Dibe para Pismo Beach. Meu sangue ferveu fazendo com que eu pegasse meu carro e voasse até a aldeia. Se ela tivesse me ouvido teríamos poupado esse aborrecimento. Aquele assunto me deixou ainda mais furioso quando cheguei ao local e vi o tal nativo tentando agarrar minha mulher. Mataria aquele moleque se não fosse por Linda ter entrado na frente e dito a ele algumas verdades, o que me fez sentir mais orgulho dela. Mesmo assim, naquele momento minha raiva não deixaria eu demonstrar esse sentimento. Confiava plenamente na minha mulher e acima de tudo sabia o significado nosso amor, principalmente para ela, porém colocaria Átila em seu lugar ainda aquela noite.

Deixei Linda sozinha na pousada e segui novamente para Pismo Beach sendo recebido por Dibe, assustado.

— Artur, o que veio fazer aqui?

— Chame o Átila agora, Dibe — disse raivoso no meio da chuva que havia começado a cair.

— Artur...

— Não vou matá-lo, Dibe, meu sangue é político e não assassino, porém... — sorri sarcasticamente.

— Porém? — deixei o menino apavorado.

— Ele precisa de uma lição.

— Tudo bem, mas ficarei por perto.

— Ok! — dei de ombros. — E, Dibe, por favor, não quero plateia.

Ele saiu e minutos depois Átila voltou ao seu lado, cambaleando e assustando-se com minha presença ali.

— O que é isso, um complô? Pensei que fosse meu amigo, Dibe.

— A conversa é comigo, seu moleque — o peguei pela gola da sua camisa. — Só vim reforçar alguns avisos — Átila tinha os olhos arregalados. — Fique longe da minha mulher. Você não sabe do que eu posso ser capaz se algo acontecer a ela — ele riu. Bêbado desgraçado.

— Você é muito cheio de si, não é, Senador? — Dibe se colocou atrás de mim.

— Sim, eu sou. Porque sei onde piso, conheço quem está ao meu lado. E você, moleque, nunca vai entender minha história com Linda, mesmo no auge da sua maturidade — fui sarcástico.

— Você não a merece — ele cuspiu.

— Não foi o que ela disse — sorri vitorioso. — E não vou perder mais meu tempo, pois minha mulher está me esperando. Esse foi apenas um aviso, não me deixe ter que tomar outras precauções.

Ele tentou praguejar, mas fui mais rápido metendo um soco em seu nariz.

— Eu avisei — virei para Dibe. — Você organizou as coisas que pedi? Quero levá-la para lá ainda hoje.

— Vou lhe dar as chaves, deixei tudo arrumado.

— O que o dinheiro não faz hein, Dibe? — aquele nativo estava brincando com fogo.

— O dinheiro não me comprou, Átila. Estou apenas do lado da razão. Você mereceu ouvir tudo isso. Nós aprendemos a ter índole e caráter e hoje você envergonhou a aldeia inteira — ele apontou para a fogueira um pouco mais a frente, que lutava para manter acesas suas últimas labaredas. Não tinha mais nada para fazer ali, seu rosto denunciando derrotada e arrependimento já era minha maior vitória. Estava na hora de buscar minha mulher.

— Obrigado, Dibe.

— A gente se vê na pousada, Artur, e... Peço desculpas em nome da aldeia por todo o acontecido — apenas assenti, dando as costas sem ao menos olhar para o nativo ainda caído no chão.

Chegando à pousada, Ana veio em minha direção preocupada.

— Senador, que bom que o senhor chegou.

— O que aconteceu, Ana?

— Linda ficou muito nervosa depois que o senhor a deixou aqui. Levei-a para o quarto, ajudando com o banho, porém ela tomou alguns comprimidos para dormir — fiquei desesperado e arrependido. Linda havia entendido tudo errado.

— Eu vou subir e... Obrigado, Ana — disse envergonhado por ter deixado minha menina naquele estado no meio da chuva.

Estava ensopado quando entrei em nosso quarto, mas tinha que ver como minha princesa estava. E mesmo sem acender a luz, pude ver o vislumbre do seu corpo encolhido na cama, como uma criança com medo da chuva. Me aproximei e a chamei carinhosamente.

— Princesa.

— Artur... — Linda tentou se levantar, mas por conta dos remédios não conseguiu. — Me perdoe, amor, eu não… — me aproximei agachando ao seu lado na cama.

— Shiu! Quietinha, está tudo bem, princesa. Nunca quis magoá-la, muito pelo contrário, apenas precisei arrumar algumas coisas — acariciei seu rosto vermelho e inchado de tanto chorar.

— Que coisas? — ela perguntou grogue.

— Vem comigo, vou te levar até lá — tentei levantá-la, mas estava todo molhado. — Não — ela me olhou confusa. — Fique aqui, porque preciso de um banho antes, volto já — a deitei novamente e fui em direção do banheiro.

Tomei um banho quente para tirar toda aquela tensão vivida nas últimas horas. Queria que minha chegada tivesse sido menos tumultuada, minha princesa precisaria estar inteiramente feliz para receber seu presente.

Havia comprado um rancho perto da cidade, que por muitos anos pertenceu a minha família e a partir daquele momento seria dela. Linda merecia tudo que pudesse lhe dar, ela era especial em todos os sentidos, fazia de mim um homem melhor e eu não conseguia mais imaginar minha vida sem ela ao meu lado.

Voltando para o quarto, observei que Linda dormia como um anjo. Resolvi então deixar a surpresa para o dia seguinte, quando o efeito dos remédios já tivesse passado. Vesti algo confortável e quente, deitando ao seu lado e aspirando o único cheiro que me acalmava.

— Você não disse que íamos sair? — perguntou sonolenta, virando de frente para mim.

— Íamos, mas você estava dormindo tão gostoso que não quis atrapalhar.

— Eu já acordei — Linda me fez rir, sentando na cama como se fosse ganhar seu presente de Natal. — Vamos! — levantou, começando a se arrumar.

— Mas, Linda... — tentei argumentar.

— Levanta, Artur. Quero ver o que você aprontou todos esses dias com o Dibe — levantei indo em sua direção, enlaçando sua cintura.

— Me perdoe — beijei seus cabelos.

— Eu que peço perdão. Tive tanto medo de você ficar com raiva de mim — disse chorosa.

— Nunca, princesa. Fiquei orgulhoso de tudo que vi e ouvi naquela aldeia, mas não vamos mais falar disso, não vale a pena.

— Não vale mesmo — ela enlaçou os braços no meu pescoço, beijando-me apaixonadamente. — Amo você mais que tudo.

— Eu sei e deixei tudo muito claro para aquele moleque — Linda me olhou interrogativa.

— Você voltou lá?

— Falaremos disso depois, agora vou levá-la até sua surpresa — sorriu ainda um pouco grogue e se apoiou nos meus braços, deixando-me guiá-la enquanto trocávamos de roupa.

Seguimos até a recepção, onde Dibe já me esperava com as chaves. Coloquei Linda no banco do passageiro e Ana a beijou delicadamente no rosto, já sabendo do que se tratava aquele passeio, e seguimos até o rancho.

— Onde estamos indo?

— Para um lugar encantador.

— Isso eu sei — ela sorriu lindamente —, tudo aqui me encanta.

— Disso eu também sei — ri também —, mas esse é especial e não foi a senhorita que o descobriu.

— Engraçadinho — bateu na minha perna assim que entramos na estrada de terra. — Fora da cidade?

— Sem muitas perguntas, Linda Marilyn, estamos quase lá — ela bufou, encostando-se ao banco, fazendo-me rir. Alguns minutos depois, quebrei o silêncio, anunciando: — Chegamos.

Linda saiu do carro, olhando tudo ao seu redor sem entender.

— Uma casa?

— Um rancho, para ser mais exato — tinha parado de chover, o que agradeci mentalmente, senão estaríamos naquele momento parecendo dois pintos molhados, como dizia as pessoas aqui de Sumas.

— Mas…

— Vem — a puxei pela mão levando-a para dentro da casa. — Essa casa foi por muitos anos propriedade da nossa família e agora é sua.

— Oi? — Linda perguntou assim que adentramos a casa.

— Linda, você é mais que merecedora desse rancho — sorri acariciando seu rosto. — Não existe no mundo, alguém mais fã dessa família, princesa. Você merece muito mais.

— Amor... Ela é linda — Linda tinha o sorriso mais iluminado nos lábios. — Não sei como agradecer, mas... Não posso.

— É claro que pode. E acho que já deveria ter se acostumado, os Scott nunca presenteiam com pouco.

— Não me diga que está pensando em me dar uma ilha! — gargalhei, fazendo-a me abraçar.

— Não tinha pensado nisso ainda, mas um rancho para começar está de bom tamanho, não acha?

— Para mim, está perfeito! Estou sem palavras, não sei o que fazer para agradecer — a abracei mais.

— Me ame… E me deixe amá-la… Esteja ao meu lado sempre e acima de tudo — olhei diretamente em seus olhos —, cuide pessoalmente da história da minha e, agora, nossa família — Linda se emocionou dando-me um selinho.

— Acho que eu posso fazer isso — se aconchegou no meu peito.

— Eu sei que pode — ergui seu queixo já a procura da sua boca, invadindo-a sem pedir permissão. E como sempre acontecia, quando nossas línguas se encontraram uma descarga elétrica disparou entre nossos corpos, deixando nossas mãos criarem vida própria. Linda embrenhada em meus cabelos e eu subindo sua blusa pesada, por conta do frio.

— Eu quero você, mas estou tão grogue que estou com medo de acordar pensando que isso foi apenas um sonho — gargalhei, mordendo o lóbulo da sua orelha.

— Vou fazer você se lembrar de todos os detalhes amanhã, eu juro — sussurrei.

— Me ame, Senador.

— Sempre — peguei-a no colo nos levando até nosso quarto e Linda se deslumbrou como da primeira vez em que esteve no tríplex. — Temos tempo para conhecer toda a sua propriedade amanhã, Senhorita Stevens, mas nesse momento vou amá-la pela primeira vez nessa cama — Linda gemeu e se entregou completamente a mim. Tirei suas roupas devagar, fazendo o mesmo com as minhas e me deitei em cima de seu corpo maravilhoso, acariciando cada parte dele. — Eu amo você — ela sorriu com lágrimas nos olhos.

— Eu também, meu amor.

Naquela noite nós fizemos amor, aproveitando cada sensação do corpo um do outro, nos entregando completamente a um orgasmo alucinante.

Dormindo felizes e satisfeitos. Mesmo depois de um dia completamente conturbado, no final deu tudo certo. Eu havia apresentado a casa para sua dona e no dia seguinte levaria minha princesa a um dos lugares mais mágicos que poderia existir para os Scott, deixando Linda extasiada. E de lá faria o pedido, que mudaria nossas vidas, para sempre.

 

Acordei sentindo a maciez de uma cama nova e estranhei, mas não queria abrir os olhos. A noite anterior havia sido péssima, e devido aos remédios que tomei para dormir, acho que capotei tirando até minha alma fora do corpo. Tive um sonho tão real. Artur chegava, não estava bravo, me levava a um lugar que dizia ser meu.

Mas... Como?

Ele estava dormindo ao meu lado naquele momento. Eu podia sentir suas mãos possessivas em meu corpo e sua respiração leve no meu pescoço, consequência de um sono profundo. Menos mal, pelo menos ele voltou para o quarto. Mas e essa cama?

Abri os olhos devagar e me deparei com um quarto imenso, decorado em estilo colonial. Havia uma brisa gostosa da manhã, como se estivéssemos fora da cidade.

— Eu não sonhei — sentei na cama percebendo que ainda estava nua, devido a nossa noite. Lembrei de cada detalhe e sorri. Eu não havia sonhado, Artur tinha mesmo me dado o rancho que foi da sua família. — Meu Deus... Isso é... — disse admirando o lugar.

Tentei me levantar, mas mãos fortes travaram meu corpo no lugar.

— Onde você pensa que vai, Linda Marilyn — ouvi aquela voz rouca que me arrepiava dos pés à cabeça.

— Eu ia... — Artur sentou, apertando ainda mais minha cintura, enquanto sussurrava no meu ouvido.

— Ia o quê?

— Conhecer a casa — disse desconexa e completamente entregue aos seus braços.

— Sem mim?

— Você estava dormindo tão gostoso, amor, que fiquei com pena — deitei no seu corpo.

— Até parece que você não sabe, quando seu corpo sai de perto do meu, acordo instantaneamente.

— Eu sei, só estou curiosa — ele sorriu beijando meu ombro.

— Vamos começar pelo banheiro, então? — senti uma pontada de malícia no seu convite.

— Ótima ideia, Senador — Artur me pegou no colo, nos levando até o banheiro que tinha o mesmo estilo do quarto colonial. E lá o estreamos em grande estilo, com meu amor me dando um dos banhos mais deliciosos que já havia tomado ao seu lado e eu retribuindo, claro, depois de dois orgasmos dentro da banheira nova.

Logo depois fomos para cozinha, que já estava devidamente abastecida e tomamos um belo café da manhã, preparado por nós dois.

— Vamos ter que providenciar funcionários para cá — Artur disse terminando seu café e vindo em minha direção, dando-me um selinho.

— Pensaremos nisso depois, vou conversar com a Ana, ela pode nos ajudar — sorri para ele. — Mas falando sério, você e o Dibe fizeram tudo isso, sozinhos? — apontei ao nosso redor.

— A maior parte eu devo a ele — Artur sorriu lindamente. — Tive que viajar, então... — deu de ombros. — Mas também contamos com a ajuda de um arquiteto, que veio especialmente para cuidar dos detalhes. Ele ainda está esperando seu contato para terminar o restante dos cômodos e se quiser mudar alguma coisa ele estará à sua disposição.

— Está tudo perfeito, depois eu penso sobre isso — nos beijamos novamente. — Amor, eu sei que esse é um assunto chato, mas...

— Eu voltei à aldeia ontem, Linda — respondeu como se completasse meus pensamentos. — Precisava colocar aquele moleque em seu devido lugar, mas não foi preciso muito — ele riu e pedi que continuasse. — Dibe acabou com sua moral diante de seu povo — abri a boca em espanto. — Ele não vai mais nos importunar.

— Ele é apenas um garoto que não sabe nada da vida... Da nossa vida — acariciei seu rosto.

— Eu sei, princesa, mas não poderia deixar quieto.

— Já passou e estou orgulhosa de Dibe — sorrimos juntos.

— Quero esse menino com a gente, Linda, ele tem futuro.

— Falaremos com ele e acho que já sei onde ele pode se encaixar perfeitamente.

— Minha Primeira-dama, pensa em tudo — Artur me puxou pela cintura.

— Penso, mas agora eu quero conhecer meu rancho e suas histórias, Senador Scott.

— Vamos nos arrumar, então. Temos muito que fazer hoje, Senhora Primeira-dama.

— Ok! — pulei da banqueta e fomos direto para nosso quarto nos arrumar. No caminho, Artur foi me apresentando a casa, que modéstia à parte era linda.

Saímos dali um pouco depois. No caminho, ele foi me contando que ali seu avô Sebastian nasceu, cresceu, se casou e... Digamos, providenciou o único herdeiro.

— Esse lugar é lindo, amor — tínhamos acabado de chegar em uma clareira, que pela época do ano estava inteiramente florida.

— Sim, esse é um lugar muito especial para a família, Linda — ele sorriu, nos sentando no meio dela.

— Me conta — pedi carinhosa.

— Era aqui o lugar predileto de meus avós — ele beijou minha mão. — Aqui meu avô Sebastian trazia minha avó Sophie para relaxarem, conversarem, namorarem, já que moravam muitas pessoas na casa com eles... Os pais de meu avô, mais funcionários.

— Meu Deus! Um lugar lindo, para uma história linda — lhe dei um selinho.

— Sim. E aqui nesse lugar tão especial… Meu pai foi concebido — abri minha boca em admiração e Artur riu. — Meu avô me contava essas histórias quando era pequeno.

— Eles se amavam muito, não é? — meu Senador também estava emocionado.

— Linda, quando um Scott se apaixona é para sempre — acariciou meu rosto. — Foi assim com meu pai, comigo — sorri abertamente — e com meu avô, porém vovó morreu cedo demais, quando meu pai ainda era uma criança.

— Eu estudei um pouco sobre isso e sua mãe também me contou algumas coisas.

— Ele adoraria você.

— Jura? — disse animada.

— Meu avô era admirador das mulheres fortes. O Presidente Sebastian idolatrava minha mãe, mas depois da perda da minha avó Sophie ele se fechou amargurado na política, o que leva o mundo todo a pensar que era o mais temido dos Scott.

— Então um Scott se torna mais humano quando encontra o amor de sua vida? — disse orgulhosa.

— Exatamente — Artur me beijou apaixonadamente, pegando minhas mãos. — Linda, nesse lugar mágico, gostaria de pedir novamente que se case comigo — sorri, beijando meu anel de noivado entre nossos dedos misturados.

— Mas eu já sou noiva, Senador, foi um dos dias mais lindos da minha vida em Paris — suspirei, fazendo-o rir novamente.

— Eu quero marcar a data, princesa.

— Nós ainda não fizemos isso por conta da sua agenda, meu amor.

— Você é tão linda, compreensiva, mas chegou a hora, vamos organizá-lo.

— Não é questão de ser compreensiva, Artur Sebastian. Você já é meu, então... — eu estava emocionada.

— Linda, eu quero fazer de você a minha Senhora Scott — sua emoção também era nítida. — Quero formar uma família com você, princesa... Quero ter filhos com você — naquele momento meus olhos se encheram de lágrimas. — Um menino forte e duro, sem medo de enfrentar tudo e todos! — acariciei seu rosto enquanto ele falava. — Ou uma menina, linda e determinada, inteligente e que tenha seu dom... — Artur fez um gesto que me emocionou ainda mais, beijou minha barriga plana. — De tornar meu mundo mais feliz.

— Eu amo você, meu amor.

— Eu também te amo muito, princesa, mas que um dia poderia imaginar. Obrigado por me fazer conhecer de perto minha história.

— Eu que te agradecerei para sempre por ter me deixado entrar na sua vida — nos beijamos apaixonadamente.

— Então marcaremos a data em breve?

— Assim que pisarmos em Nova York — disse animada, ainda perto da sua boca. — Já vou ligar para nossas mães e Mary, elas vão enlouquecer.

— Eu sei que vão — nossos olhares se encontraram e ali vi todo nosso amor contido dentro de nossos corações.

— E eu quero ter filhos com você — beijei seu nariz —, quero ser a mãe mais dedicada — beijei seu rosto — e quero que você me ame agora! — ele sorriu, pegando-me no colo.

— E eu peço a Deus neste momento que nos conceda a graça de podermos concebê-lo aqui — olhamos ao nosso redor —, nesse lugar tão mágico.

— Ele vai conceder. Me ame, Artur.

Nunca tínhamos falado de filhos, porém aquele pedido mexeu com toda a minha estrutura. Ali eu descobri que Artur tinha as mesmas vontades que eu. De um menino forte e sem medos, ou uma menininha determinada e inteligente, que o faria se dobrar inteiramente.

Não poderia estar mais feliz.

Eu nunca entenderia porque pessoas como Mark Adams e Átila não enxergavam que aquele homem era a minha vida. Que apenas Artur Sebastian me faria sentir o que eu estava sentindo naquele momento. A mulher mais feliz, desejada e realizada do mundo.

Eu havia chegado ao topo do amor mais lindo que alguém poderia sentir.

Artur tirou nossas roupas vagarosamente, deitando-me sobre uma colcha que havia trazido. E com a mesma calma, distribuiu beijos por todo meu corpo, deixando meu ventre para o final, em sinal de oração. Não consegui conter minhas lágrimas.

— Me ame, amor.

— Eu amarei para sempre, princesa — Artur encaixou-se no meio das minhas pernas introduzindo seu membro devagar. — Eu vou te amar com calma, princesa, quero que sinta hoje, nesse lugar, todo o amor que entrego a você.

— Eu o amo muito.

— Eu também — nos beijamos profundamente e enquanto nossas línguas se massageavam, suas estocadas aumentavam, fazendo com que chegássemos ao orgasmo juntos.

Ficamos ali, recuperando nossas respirações e sentindo apenas os carinhos um do outro, deitados ainda no meio da clareira, comigo em seu peito.

— Você vai ser a mãe mais linda de todas — sorri levantando a cabeça e olhando diretamente nos seus olhos.

— Eu já sou a mais amada e isso me basta — Artur beijou o topo da minha cabeça e ali eu estava completa. Rezando para que Deus tivesse concebido nosso pedido tão lindo e já tão amado.

O nosso filho.