O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 17 de 36

Páginas do PDF

O Senador

Capítulo 16 · Estávamos há uma semana no rancho e…

 

Estávamos há uma semana no rancho e nossa vida não poderia estar melhor.

Linda estava radiante e, depois daquele nosso primeiro encontro na clareira, passávamos por lá todos os dias no pôr-do-sol, menos quando me ausentava por conta do Capitólio. Agradecia mentalmente meu avô por ter construído uma pista de pouso e decolagem na propriedade, assim nosso jato ficava praticamente em uma garagem, construída especialmente para isso.

Na minha ausência, Linda e Ana contrataram um casal para tomarem conta da propriedade, principalmente na nossa ausência, assim ficaríamos tranquilos. Eles nos ajudariam quando viéssemos a passeio ou a trabalho. Um casal bastaria para os trabalhos da casa, Linda me garantiu quando apresentou Elu e Ethete, que aparentavam ter seus cinquenta anos, eram casados e já moravam na região.

Nos dias que fiquei fora, não deixei Linda sozinha no rancho. Pedi que ficasse na pousada, onde tinha certeza que Ana e seus filhos cuidariam do meu bem mais precioso.

Em Washington estava tudo pronto para minha posse à Presidência do Senado. Minha Primeira-dama havia ficado radiante e não parava de falar em como isso seria importante para chegar à Casa Branca.

Decidimos também, ou melhor, ela decidiu com seu feeling político que anunciaríamos a data do nosso casamento no dia da posse. Isso passaria segurança e felicidade aos nossos eleitores, já que eles a amavam, assim como eu. Nunca em nenhum lugar, tinha visto uma primeira-dama tão bem quista, mesmo sendo apenas a noiva de um Senador, mas Linda Marilyn era. Ela tinha o dom de encantar a todos por onde passava e isso me deixava ainda mais fascinado.

Mas algo ainda precisava ser acertado e seria uma conversa difícil. O cerco para aniquilarmos Raquel e Ryan estava se fechando e não poderíamos mais esperar, porém não poderia deixar Linda sozinha em Sumas, depois que eles fossem demitidos e denunciados.

— Princesa, preciso falar com você — estávamos deitados no tapete em frente à lareira, depois do jantar, escutando Your body is a wonderland de John Mayer, cantor que Linda adorava.

— O que foi? — ela levantou a cabeça do meu peito, preocupada.

— O cerco em volta de Ryan e Raquel está se fechando e não podemos mais esperar, eles serão pegos no dia seguinte da minha posse.

— Isso nos dá uma semana, certo? — ela se sentou ao meu lado, olhando diretamente em meus olhos.

— Sim.

— Vamos arrumar tudo e voltar então, Senador. Acho que Sumas já me deu todos os ingredientes para o final do meu livro — eu estava de boca aberta. Minha mulher, sempre tão teimosa estava se oferecendo para ir embora comigo sem nenhuma objeção?

— Linda Marilyn? — sorri para ela.

— O que, amor? — ela perguntou sem entender.

— Pensei que você daria mais trabalho — ela bateu em meu braço. — Desculpe, princesa, mas você sempre é tão... — ela sorriu e me beijou.

— Amor, eu não posso ficar longe de você depois que esses dois forem pegos. E… — ela pegou minha mão. — Eu quero estar ao seu lado.

— Pensamos parecidos — sorrimos juntos.

— Sim — se levantou procurando alguma coisa. — Vou ligar para Mark.

— Que tal você pensar nisso amanhã pela manhã, agora poderíamos ir para cama, o que acha? — Linda mordeu os lábios devassamente e veio em minha direção.

— Ótima ideia, Senador. Amanhã resolveremos nossas pendências para a viagem.

— Você está tão boazinha hoje, merece até um prêmio.

— Um prêmio? — a devassa enlaçou minha cintura, se esfregando no meu pau, já duro por ela.

— Um prêmio.

Não era preciso dizer que nossa noite foi maravilhosa, com Linda brincando de pique-esconde comigo, fazendo com que a cada esconderijo eu a comesse gostoso. E no final da noite nosso saldo era de, mais ou menos, quatro orgasmos e a estreia de praticamente todos os cômodos da casa.

 

— Isso, Mark, estou indo embora de Sumas — escutava atentamente Linda estrilar com a paquita ao telefone, mas fiquei quieto, conhecendo minha mulher sei que poderia sobrar para mim. — Não... Eu já terminei o projeto da revista aqui, estou te mandando a última parte da matéria. Não, Mark, não estou quebrando o contrato, muito pelo contrário, estou concluindo meu trabalho duas semanas mais cedo! — ela revirou os olhos me fazendo rir. Eu avisei que aquela paquita daria problema. — Evitando assim gastos desnecessários com minha presença aqui... Oi? Vamos entrar na área pessoal da minha vida novamente, é isso mesmo? — meu corpo enrijeceu. Quem aquele filho da puta pensava que era para se intrometer na nossa vida? Um soco no nariz não havia sido o suficiente? Estava na hora de entrar na conversa. Já ia levantando para ir até Linda perto da janela, quando Dibe apareceu na porta chamando minha atenção.

— Artur?

— Oi, Dibe, entre — fiz um gesto com as mãos para que ele se aproximasse.

— Algum problema? — apontou em direção a Linda que bufava ainda ao telefone.

— Problemas profissionais, mas senta aí, nós te chamamos aqui porque queremos lhe fazer uma proposta.

— Proposta? — o sorriso do menino se abriu e fiquei feliz em poder dar aquela oportunidade para ele.

— Sim. — parei de falar quando vi minha princesa se aproximar séria, mas abriu seu sorriso mais lindo quando se sentou ao nosso lado. — Algum problema, princesa?

— Não, amor, nada que eu já não tenha resolvido — colocou a mão na minha coxa. — Oi, Dibe, desculpe a demora.

— Não se preocupe, Linda, está tudo bem.

— Continuando... Nós queremos você trabalhando conosco, Dibe — Linda e eu sorrimos cúmplices.

— Acompanhamos todo seu empenho em nos ajudar sempre nesse período em que estamos aqui, o carinho que tem por essa cidade e especialmente pelo museu — minha princesa completou —, então nós queremos você à frente dele, Dibe.

— Eu? — o garoto perguntou nervoso.

— Sim. Você, garoto. Nós sabemos que está cursando faculdade de relações públicas à distância e também fazendo alguns cursos complementares...

— E como vou assumir a parte administrativa do museu, quero você aqui, como meu braço direito — Linda disse sorrindo.

— Nossa! Gente, isso me pegou completamente de surpresa, mas me deixou muito feliz. É claro que eu aceito! Na verdade, sempre sonhei em trabalhar naquele museu, desde criança.

— Nós sabemos disso — nos olhamos mais uma vez.

— Estamos combinados, então? Viajamos amanhã cedo para Washington e gostaríamos de deixar isso certo com você.

— É claro, Artur. Nossa! Será um prazer fazer parte de uma equipe comandada por vocês! — ele nos olhou admirado. — Tenho muito orgulho de ter os dois como meus amigos e agora patrões.

— Nós que temos orgulho de poder contar com uma pessoa tão fiel e com gana de trabalho — Linda disse animada, levantando e indo a escrivaninha pegar alguns papéis. — Dibe, quero montar um projeto para revolucionar não só o museu, mas também a cidade. Quero transformar Sumas na capital turística dos Scott. A história dessa família precisa ser ampliada.

— Conte comigo, Linda. Vamos nos falamos, quero muito saber no que posso ajudar.

— Você vai me ajudar e muito. Estamos indo embora amanhã para começarmos a organizar nosso casamento, com isso ficarei praticamente sem tempo — sorri orgulhoso da minha mulher que tinha voltado para meu lado, mas continuava de pé — Depois quero tomar conta disso pessoalmente com você, mas enquanto isso...

— Enquanto isso... — Dibe também sorriu da sua animação.

— Quero que você monte os projetos e vá me mandando. Depois, juntos elaboraremos um esquema para revolucionar essa cidade. Posso contar com você? — ela esticou os papéis para o garoto.

— Claro que pode, Linda. Fico lisonjeado em fazer parte desse projeto — ele levantou pegando os papéis e apertando sua mão.

— Estamos acertados — levantei também. — Dibe, arrume toda sua documentação e mande para o email particular do meu assessor, que está anotado entre essa papelada. Ethan já está por dentro do assunto e cuidará pessoalmente da sua contratação.

— Obrigado, Artur. Vocês não sabem como me deixaram feliz — disse apertando minha mão para logo em seguida me abraçar. Assustei-me um pouco no começo, pois ninguém tinha a coragem de chegar tão perto. Foi ali que descobri que em Sumas fui apenas um ser humano normal, ao lado de pessoas especiais, como Dibe e sua família. Ali eu ainda era o imponente Senador Scott, mas Linda Marilyn conseguia extrair de dentro do meu ser a essência que nem eu sabia que existia. Por isso nunca me cansarei de dizer que essa mulher foi especialmente desenhada para estar ao meu lado, me ensinar a viver com os pés no chão e governar mais perto o povo que me colocaria no topo. Eu devia muito a ela e a recompensaria de todas as maneiras possíveis e inimagináveis.

Linda sorria emocionada ao nosso lado. Eu podia ver que seus sentimentos eram os mesmos que os meus naquele exato momento, nada nos tiraria a experiência da estadia em Sumas e aquilo eu deveria totalmente à minha Primeira-dama.

— Bom, eu vou indo. Providenciarei tudo agora e já mando para seu assessor, Artur. E, Linda — ele olhou para minha mulher e sorriu agradecido —, obrigado.

— Não me agradeça, apenas mostre seu talento, garoto — ele acenou e saiu.

Abracei Linda por de trás da sua cintura e beijei seu ombro.

— Estou muito orgulho de você, Primeira-dama — ela sorriu, virando-se de frente para mim e enlaçou os braços no meu pescoço.

— Também estou muito orgulhosa de você, Senador — nos beijamos apaixonadamente.

— Que tal fazermos nossa última visita dessa temporada à nossa clareira?

— Ótima ideia, amor. Quero ver nosso crepúsculo pela última vez antes de enfrentarmos os tubarões, isso vai nos dar força — sorri beijando sua testa.

— Eu sei que vai.

Arrumamos tudo e chegamos à clareira um pouco antes do pôr-do-sol. Estendi uma manta em cima da relva baixa, como fazemos todos às vezes e nos sentei, a puxando para meu peito, vendo-a suspirar.

— O que aconteceu, princesa? — perguntei beijando seus cabelos.

— Vou sentir falta dessa paz — ela disse olhando ao nosso redor. — As pessoas não querem saber de tranquilidade, estão sempre querendo arrumar algum motivo para atrapalhar nossas vidas — Linda divagou.

— O que aquela paquita fez, Linda Marilyn? — perguntei irritado.

— Nada, apenas o de sempre. Disse que você não era homem para mim, que era um grosso — sorri.

— Sou com quem merece minha grossura.

— Eu sei disso — ela suspirou novamente.

— Ele deve ter te contado que invadi a sala dele e o ameacei, não é? — ela se virou, fazendo que nossos olhos se cruzassem.

— Mark não perderia a oportunidade, mas sabe o que é interessante, Senador? — ela sorriu beijando a ponta do meu nariz. — Eles não têm ideia de como eu conheço todas as suas facetas — beijou meu rosto. — E amo cada uma delas. Eu sei que você é grosso — fiz uma careta —, autoritário — se aconchegou no meu colo —, e ainda assim é o melhor homem do mundo, tem dentro do peito o coração mais lindo que eu já conheci.

— O coração onde você reina completamente — a apertei ainda mais contra meu corpo. — No coração apenas não, na vida.

— Eles nunca entenderão isso, mas também não quero falar disso novamente, porque esse é nosso último crepúsculo e quero estar enrolada no seu corpo completamente, sentindo cada célula sua gritando pelas minhas — Linda segurou minha nuca. — Quero sentir o que nós temos de mais grandioso: o nosso amor.

— Me deixa amar você? — acariciei seus lábios com a ponta dos dedos.

— Sempre — invadi sua boca devagar, fazendo que nós dois gemêssemos quando nossas línguas se encontraram. Linda era só minha e quando a tinha inteiramente nos braços era como se nada no resto do mundo fizesse sentido. Toda a minha vida voltada à política perdia o sentido, todo o meu autoritarismo se dissipava junto com os problemas. Ali eram apenas dois corpos se amando. Na verdade, duas almas se entregando.

Um dia disse que faria do sonho de Linda Marilyn sua realidade mais bonita e plena, porém era ela que, diariamente, fazia da minha vida o sonho mais lindo, que sonhado e idealizado a dois se tornava mais real e perfeito.

Sem interromper nosso beijo, deitei-a sobre a manta começando a tirar sua roupa vagarosamente. Faria amor com ela, sentiríamos juntos todas nossas células ligadas por um elo inquebrável. Faria da minha princesa a mulher mais feliz do mundo para sempre. Isso era o mínimo que poderia fazer, amá-la com a mesma intensidade que era amado.

Beijei cada parte exposta do seu corpo, chegando a sua intimidade onde desci minha língua para dentro da sua entrada.

— Ai, como eu amo você! — ela gemia enquanto eu trabalhava dentro dela. Não usaria os dedos, por isso subi minhas mãos por sua cintura, segurando cada um de seus seios, os vendo endurecer ainda mais sobre minhas mãos. — Eu não vou aguentar muito tempo, amor.

— Eu não quero que aguente, quero que se derrame inteira para mim, princesa. Quero chupar cada gota do seu gozo... Vem, goza pra mim — dizendo isso passei a intercalar entre chupões e lambidas, para logo em seguida senti-la se derramar inteiramente para mim. — Isso vem, deixa eu te chupar todinha, Primeira-dama.

— Ah, você vai me matar.

— Só se for de amor — subi em seu corpo me apoiando pelos braços, para que não a machucasse e posicionei meu pau bem perto da sua entrada.

— Vem, quero você aqui — ela me envolveu com suas habilidosas mãos e o guiou diretamente para onde queria. — Isso... — disse devassamente quando comecei a penetrá-la. — Tão grande.

— Tão apertada — comecei a estocar devagar, ouvindo seus resmungos.

— Mais rápido, amor — sorri e comecei a estocar loucamente, mordendo seu pescoço e descendo minha língua até seus seios pequenos, duros e perfeitos para mim.

— Cabem perfeitamente na minha boca — os chupei fazendo com que ela urrasse.

— Mais, me chupe, Senador! — continuei meu trabalho com seus seios e pescoço, estocando sem parar, escutando como minha melhor música seus gemidos e pedidos por mais.

Chegamos juntos ao ápice e cai desfalecido ao seu lado, puxando-a para meu peito.

— Isso foi...

— Maravilhoso, como sempre — beijei seus cabelos.

— Quero que nosso filho tenha sido concebido aqui — sorri emocionado.

— Ele vai ser, princesa — nos aconchegamos novamente, sentindo as últimas sensações do nosso último dia em Sumas. A cidade havia mudado muitos dos meus conceitos já pré-estabelecidos e mais uma vez devia isso àquela que tinha resolvido brincar com fogo e estava me enlouquecendo com sua boca em meu membro.

Linda era a minha vida...

E ainda seria minha morte, com certeza.