O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 22 de 36

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O Senador

Capítulo 21 · Acordei sentindo algumas sensações completamente opostas uma da outra.

 

Eu estava feliz, descansado, satisfeito, mas muito ansioso, pois tinha chegado o grande dia em que oficializaria meu casamento com Linda. E a despedida de solteiro que organizei na noite anterior daria inveja a muita gente por aí.

Flashback

— Ethan, quero que feche o último andar do Hilton para a véspera do meu casamento.

— O hotel já vai estar inteiro reservado para o casamento, Artur.

— Você não entendeu, MacCartney — sorri sacana. — Eu quero que você evacue o último andar para minha despedida de solteiro — ele engasgou enquanto bebia seu café, o que foi engraçado de ver. Meu amigo, pela primeira vez, sem ação.

— Você não está pensando em organizar uma festinha de despedida de solteiro privada, está?

— E por que não? — estava me divertindo da sua cara. — Eu tenho todo o direito. E digo mais. Peça sigilosamente para preparar a suíte presidencial para uma festa para apenas duas pessoas. Quero champanhe, entradas e não se esqueça do mastro de pole dance.

— Jesus Cristo, a Linda vai te matar!

— Eu pedi sua opinião, Ethan? — gargalhei dando de ombros.

— Meu Deus, Artur, sua mulher está grávida, vocês vão se casar! — ele tomou fôlego. — Se ela descobrir vai embora e você nunca mais a ver, e pior, nem chega a conhecer seu filho. A Linda quando quer uma coisa... Você se lembra de Sumas?

— Não vou fazer nada que estrague meus planos para me casar com a mulher da minha vida.

— É claro, até ela descobrir que você vai dar uma festinha particular na suíte de vocês — sentei apenas apreciando o show do meu amigo.

— Faça o que eu te pedi, apenas isso.

— Se ela for embora e você ficar naquele estado novamente, eu juro que dessa vez me demito — disse saindo com o telefone já no ouvido.

— E... Ethan — ele se virou —, sigilo absoluto! — saiu balançando a cabeça.

Seria uma noite inesquecível.

Um dia antes do meu casamento, eu andava de um lado para o outro a espera da minha última encomenda de solteiro. Essa que eu desfrutaria até o fim.

A porta foi batida e quando me virei, tirando os olhos da noite de Nova York, tive a melhor visão de todos os tempos. Uma linda e apetitosa mulher vestida apenas com um sobretudo vermelho, saltos altíssimos, que a cada passo naquele piso me instigava ainda mais, completando o visual com uma linda peruca ruiva.

— Boa noite, Senador — ela sorriu sedutoramente, vindo em minha direção.

— Boa noite! — a puxei pela cintura — Como exigi — passei o nariz por seu pescoço —, cada detalhe.

— Fui muito bem instruída. Hoje o senhor terá uma das melhores noites da sua vida.

— Eu tenho certeza que sim — rosnei ainda sentindo seu perfume que me enlouquecia. — Uma taça de champanhe? — desvencilhei-me de seus braços indo até o balde de gelo.

— Eu não bebo enquanto trabalho.

— Mesmo que o trabalho seja uma diversão? — ela sorriu diminuindo novamente o espaço entre nossos corpos e me jogando na cama.

— Mesmo que meu trabalho seja uma diversão — colocou um de seus pés em minha barriga e pude ter um vislumbre de sua calcinha, também vermelha. — Hoje vou realizar todos os seus sonhos mais intensos, Senador Scott. Nova York será pequena para seus gemidos.

Urrei vendo a “ruiva” sair de cima de mim e seguir com aqueles saltos que me matariam até o fim da noite para perto o balde de gelo, onde estava a garrafa de champanhe.

— Com pouca espuma — colocou o líquido na minha taça de costas para mim. — É assim, não é?

— Você sabe que sim — fiz menção para me levantar, porém ela foi mais rápida.

— Não! Não! Não! — balançou aquele dedinho entregando-me a taça, já de volta a cama. — Vai ficar quietinho aí!

— Você vai me matar — ela gargalhou pegando o controle remoto. Baixou a luz e ligou alguns efeitos especiais junto com o som, que tocava, propositalmente, Royals de Lorde.

— Nunca poderia fazer isso, Senador. O senhor, a partir de amanhã, vai ser um marido exemplar e já é um pai de família, não é? — falou se encostando ao mastro devidamente colocado em frente à cama. — Hoje eu quero apenas que esqueça o mundo lá fora e se concentre em mim. No meu corpo — ela começou a abrir o sobretudo de costas para mim —, no meu show feito especialmente para o senhor — se virou de frente e me deparei com um lindo espartilho vermelho.

— Gostosa demais — levei a mão até meu pau, e mais uma vez ela foi mais rápida.

— Não vai querer que eu me toque também, não é? — disse levando sua mão até sua calcinha. Eu podia que estava encharcada.

— Você sabe que não — gemi revirando os olhos quando ela subiu suas mãos por aquele corpo que me faria perder os sentidos e, rebolando, começou a tirar o casaco.

Seu corpo escultural começou a aparecer sem o tecido grosso e eu me deliciei com suas curvas perfeitas. De costas para mim começou a rebolar sensualmente enrolada no mastro, subindo e descendo. Erguendo e baixando suas pernas torneadas.

Comecei a abrir minha camisa, já que mesmo com o ar condicionado no último não parava de suar.

— Eu mesmo faço isso — parecendo adivinhar o que eu estava fazendo, devassamente ela veio em minha direção colocando cada perna, uma de cada lado do meu corpo, nos fazendo gemer pelo contato mais íntimo. Meu pau já estava explodindo dentro daquela calça e, aproveitando nossa proximidade, infiltrei dois dedos dentro da sua calcinha fazendo-a gemer e jogar a cabeça para trás. — Artur!

— Isso geme meu nome, princesa. Quero ver você se derreter para mim, Linda Marilyn — minha mulher travou as pernas em meus dedos e resmungou sensualmente.

— Você estragou tudo! — gargalhei beijando seus lábios, também com um tom vermelho.

— Não, princesa, eu apenas quero você pronta para que eu possa te comer até você perder os sentidos — Linda gemeu dentro de minha boca, mordendo meu lábio inferior.

— Eu sempre estive pronta, Senador.

Fim flashback

Não precisava dizer que nossa noite foi quente como o inferno e como em todas às vezes, me esqueci até do meu nome, quanto mais de tomar cuidado com nosso bebê, que estava se comportando direitinho dentro do seu ventre. Linda sofria apenas com enjoos e tonturas, o que segundo a doutora Charlotte era normal. Tudo corria muito bem e minha mulher estava cada dia mais perfeita, entrando no quarto mês de gestação.

Decidi levantar depois de uma noite sensacional ao lado da minha princesa, beijando suas costas nuas devagar para que ela não acordasse, porém Linda era bem mais perspicaz que eu podia imaginar.

— Onde você pensa que vai? — virou me dando uma chave de perna.

— Estava pensando em um banho — provoquei, beijando sua testa.

— Sem mim, Senador?

— Você estava dormindo lindamente e não quis te acordar.

— Você sabe que não consigo dormir sem você — disse manhosa.

— Nem eu — sorrimos nos beijamos. — Dois dependentes.

— Com certeza — Linda se espreguiçou ronronando como uma gata manhosa. — E aí, como foi sua última noite de solteiro? — vi malícia naquela pergunta.

— Não poderia ter sido melhor — acariciei seu rosto corado. — Você me faz perder os sentidos, Linda Marilyn, não consigo nem me lembrar de que tenho que maneirar por conta do bebê — ela sorriu e imitou meu gesto, acariciando meu rosto.

— Você nunca me machucaria, amor, e nossas noites… — ela suspirou — estão cada vez melhores.

— Você está cada vez mais fogosa, princesa. E isso é…

— Sensacional! — gargalhamos. — E aceito o banho — se esticou toda para que eu a pegasse no colo.

— Só se for agora — peguei-a no mesmo instante em que seu celular começou a tocar.

— Droga! — bufou e alcançou o telefone no criado mudo. — Alô? Oi, Mary, bom dia para você também. O quê? Não! Eu quero tomar pelo menos um banho com ele… Não me venha com lição de moral, ele vai ser meu marido daqui a pouco — ela gargalhou, o que me fez sorrir, beijando seu pescoço. — Tudo bem, estarei aí em dez minutos — voltei com ela para a cama observando sua careta fenomenal. — Ela me quer na suíte ao lado em dez minutos — bufou. — Disse que nem poderia ter dormido aqui e que você não deveria estar me vendo agora. Mas o que ela queria? Uma striper acordando ao seu lado? — gargalhei.

— Mulheres — Linda levantou e vestiu seu roupão.

— Meu banho está me esperando… Lá — ela apontou para o quarto ao lado. — A gente se vê no altar.

— Estarei à sua espera — beijei seus lábios antes dela ir para o banheiro fazer sua higiene matinal.

— Eu serei a de branco, não me perca, por favor, vai ter muita gente lá.

— Mil pessoas contando com os fotógrafos e jornalistas — a abracei por trás, acariciando nosso filho, quando nossos olhos se cruzaram no espelho. — Eu amo você — ela sorriu e cuspiu a pasta. — Você não teve seus famosos enjoos matinais hoje.

— Nosso filho é muito compreensivo, amor. Ele sabe que hoje é um dia especial para todos nós. Meu Deus! Deixe-me ir antes que o celular comece a tocar novamente — nem terminou a frase e seu celular voltou a tocar. — E também amo muito você — atendeu o telefone, fazendo-me gargalhar. — Já estou na porta! Dá para abrir? — ganhei um selinho e a vi sair da nossa suíte como se levasse um pedaço de mim com ela.

O que me restou foi me arrumar para a noite mais especial de minha vida.

 

Olhava para o espelho ainda sem acreditar que em poucas horas estaria realizando meu maior sonho. Eu ia me casar com o homem da minha vida, me tornando a Senhora Scott.

— Você está ficando linda, amiga — Mary não conseguia controlar a emoção de me ver tão perto daquela realização, que suspirava ao seu lado diariamente enquanto o amava platonicamente.

— Parece um sonho, não é? — sorrimos em meio às lágrimas enquanto Alex e o maquiador terminavam de me arrumar.

— Sim, amiga, seu sonho sendo realizado — ela me abraçou.

— Amadas, vocês não vão querer estragar minha obra prima, certo? — Alex sorria me abanando.

— Nunca! — falamos juntas.

— Agora falta pouco, daqui a alguns minutos já estará pronta para o vestido — meu coração acelerou vendo a estilista entrar com o cabide em mãos.

— Estou muito ansiosa — disse tentando respirar.

— Amada, respire e olhe o bebê. O Senador me mata se acontecer algo com vocês — sorri tentando segurar minha emoção.

— Filha… — olhei para a porta e vi meus pais exuberantes e não menos emocionados que eu, vindo em minha direção.

— Mãe, pai! — levantei indo até eles e os abraçando, segurando para não cair no choro.

— Você está linda, meu amor — Sal beijou carinhosamente minha testa.

— Obrigada, pai — corei envergonhada

— Meu bebê, você vai ser a noiva mais linda de todos os tempos.

— Ai, mãe — o choro veio com tudo fazendo todos me abanarem. — O quê? Eu sou uma mulher grávida com os nervos à flor da pele!

— Oh, minha querida, você é a grávida mais linda também. Olhe essa barriga, Sal! — Ruth tocou meu ventre já com uma leve protuberância.

— Não conseguirão esconder por muito tempo, amiga — Mary veio até mim e tocou minha barriga também.

— Eu sei disso, esse bebê já quer aparecer para o mundo — sorrimos todos juntos.

— Meu amor, eu vou com Mary… Está quase na hora.

— Eu sei — suspirei nervosa.

— Amiga, nos vemos no altar. Você está linda! — Mary me abraçou forte. — Cuide dela, tio.

— Pode deixar, Mary.

— Beijo, querida.

— Beijo, mãe. Obrigada por tudo, amiga... — ela me soprou um beijo e saiu de braços dados com minha mãe.

— Agora somos nós — Sal tentou fazer graça, porém seu nervosismo não deixou.

— Vamos nos vestir — Carolina me chamou para a outra sala.

— Sim — olhei para meu pai. — Me espere aqui, Chefe.

— Não sairia daqui por nada, meu amor — sorrimos e segui com a estilista.

 

— Você está pronta?

— Acho que nasci pra esse momento, pai — sorri nervosa para ele.

— Parece que sim.

Estávamos em frente à Saint Patrick’s Cathedral e em apenas alguns minutos me tornaria Linda Marilyn Scott.

— Tudo pronto para sua entrada. Vamos? — Jenny disse do lado de fora da limousine.

— Vamos.

Sal me ajudou a sair do carro e pude observar que meu casamento era o evento do ano.

Milhares de repórteres, fotógrafos e curiosos se espremiam diante do cordão de isolamento colocado por nossos seguranças, uma equipe contratada e apoio policial. Às vezes perdia um pouco a noção de como éramos famosos e queridos para a maioria da população, entretanto era nítido esse sentimento ali. Acenei para todos e adentrei ao saguão da igreja sendo amparada por meu pai.

As portas se abriram e a marcha nupcial começou a tocar pelos quatro cantos da catedral.

Em minha mente havia apenas um rosto…

Assisti a um filme, uma comédia romântica na verdade, onde a mulher dizia que quando as portas da igreja se abriam todos olhavam curiosos para a noiva, porém, perdiam o melhor que era o olhar surpreso e apaixonado do noivo.

Esse olhar que estava vendo naquele exato momento sendo dado por meu homem de ferro.

Artur andava de um lado para o outro no altar, tentando sem sucesso, arrumar a manga da sua camisa. Quando o som da marcha nupcial ecoou pela catedral, ele automaticamente olhou em minha direção, abrindo seu sorriso mais lindo.

O mais sincero.

Ele estava feliz…

Eu estava feliz…

Estávamos ali consagrando nossa união de mais de dois anos de puro amor e aprendizado, com nosso filho concebido e guardado no meu ventre.

Eu o amava mais que tudo e minha vontade naquele momento era pular todas as etapas protocoladas e correr até ele, jogando-me em seus braços. Mas me controlei. Sal me segurou e pude sair do meu transe e olhar para os lados sorrindo sem parar diante de muitas lágrimas.

Era uma emoção única! Ser entregue por meu pai aos braços do amor da minha vida inteira e agora, pai do nosso filho.

— Cuide bem dela — Artur sorriu assim que Sal, em um gesto singelo, entregou minha mão a ele.

— Cuidarei mais que minha própria vida, Chefe — eles se cumprimentaram e nossos olhares novamente se cruzaram, disparando aquela conhecida corrente elétrica, fazendo nossos corações acelerarem.

— Eu amo você — ele beijou minha testa, emocionado.

— Eu também amo você, princesa — Artur me deu o braço e começamos a caminhar para o altar, juntos. Para sempre juntos. Com nossos braços entrelaçados e nosso filho nos abençoando. — Você está magnífica.

— Você também — ele tentou em vão secar minhas lágrimas.

Chegamos até o altar e fomos recepcionados pelo padre.

Nada poderia ser mais perfeito.

— Estamos todos reunidos nessa maravilhosa cerimônia, para o casamento de Artur Sebastian e Linda Marilyn. Essas duas almas que Deus uniu para formar uma linda e abençoada família. E hoje, pedindo humildemente sua bênção, eles estão oficializando essa que já é uma linda união — o padre começou falar, mas a única coisa que conseguia enxergar diante de minhas lágrimas era o perfeito rosto de Artur, que não estava menos emocionado que eu, sempre contido em frente aos outros. — Linda Marilyn... Vamos aos seus votos — percebi que novamente fiquei perdida em meio a tantas emoções e quando dei por mim estava na hora dos meus votos. Respirei fundo e comecei a falar ao som de Endless Love.

— Falar de você, meu amor, sempre foi muito complicado — conectei nossos olhos —, como bem sabe, sempre foi meu sonho mais lindo. Eu sempre o amei, mesmo quando achava que esse amor seria impossível. Porém, Deus — olhei para o altar — me concedeu o presente mais lindo — voltei meu olhar para o dele —, fazer parte da sua vida e amá-lo abertamente, sem me sentir ridícula por isso — sorri olhando para Mary. — Ser amada incondicionalmente pelo homem mais lindo e completo do universo. Ontem você era meu sonho mais lindo, Artur Sebastian. Hoje você é minha realidade mais plena, mais linda e mais feliz — toquei seu rosto perfeito. — Diante de todos aqui presentes, prometo lhe ser fiel, amiga, companheira, amante e estar ao seu lado para sempre. Você transformou meu lindo sonho em realidade e hoje quero amá-lo mais e mais, retribuindo apenas seu imenso amor. Obrigada por ser meu. Eu amo você — terminei soluçando e fui acalentada por meu lindo marido, que acariciou delicadamente meu rosto. Agora tinha chegado sua vez.

— Falar de você, princesa, nunca foi complicado — sorri em meio às lágrimas. — Sempre fui um ser humano egoísta demais para imaginar um dia me curvar a um sentimento. Sempre fui racional demais para um dia pensar em usar o coração. Porém, eu a conheci e me curvei já no primeiro dia. Você trouxe para minha vida o melhor de mim. Hoje eu posso dizer que sou um ser humano melhor. Eu governo melhor, graças ao seu amor. Hoje eu sou o homem mais feliz e completo graças a você, Linda Marilyn. — Oh, meu Deus! Artur se ajoelhou de frente para mim beijando meu ventre já aparente. — Você me deu todos os motivos para ser um ser humano melhor — ele sorriu levantando seu rosto, fazendo com que nossos olhos se encontrassem. — Me amou por quem sou, nunca querendo me modificar. Mas eu quis melhorar por você, para que você pudesse sentir orgulho do homem que estava ao seu lado. Você me mostrou que é forte suficiente para estar ao meu lado e não em uma redoma de vidro onde eu teimava colocá-la. Você me modificou para receber nosso maior presente — beijou minha barriga novamente e naquele momento não conseguia entender como poderia estar em pé ainda diante de tanta emoção, tinha a impressão que explodiria a qualquer momento. — O complemento do nosso amor… O nosso filho — sorrimos orgulhosos diante das lágrimas que caíam também de seus olhos. — Hoje eu apenas prometo continuar melhorando a cada dia, para que sinta apenas orgulho do seu homem, seu marido, seu companheiro, seu amigo… — Artur engasgou — Mas principalmente do pai do seu filho. Eu lhe prometo ser fiel, amá-la, respeitá-la… Para sempre. Obrigado por ter entrado na minha vida, meu amor. Eu amo você.

O padre também, sem palavras, diante de tantas emoções, respirou fundo e continuou a cerimônia.

Trocamos nossas alianças devidamente abençoadas por Deus e, no final, as palavras do sacerdote conseguiram me emocionar ainda mais, se é que isso ainda fosse possível.

— Acabamos de celebrar a união de uma família. Uma sagrada família como a de Jesus Cristo — ele apontou para cruz. — Onde por tudo que ele sofreu e lutou nunca abandonou o que para ele, sempre foi seu bem mais precioso. Seguiremos esse exemplo em nossas vidas. Não deixemos que coisas corriqueiras da vida os abalem. Sempre pensem primeiramente nesse amor que observamos de longe ser único e que conseguiu emocionar uma igreja inteira. Sempre pensem nesse filho que já está sendo gerado em seu ventre, filha — tocamos minha barriga sorrindo entre lágrimas. — Sejam fortes. Sejam felizes. E com isso eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva, filho.

E Artur me beijou.

Quando nossas línguas se encontraram nada mais precisaria fazer sentido em minha vida, eu o tinha ao meu lado. Juntos para enfrentarmos tudo e todos, mas principalmente para sermos felizes.

— Eu amo vocês — ele disse ainda com nossas testas coladas e nos virou para a plateia de convidados que nos aplaudiam sem parar.

— Nós também amamos você — acariciei seu rosto.

Uma nova música com toques imponentes, ao mesmo tempo delicados, começou sobre o violino e percebi ser aquela que invadia meus sonhos, quando Artur apenas fazia parte dos meus desejos. Era Only When I Sleep, The Corrs.

Sorri para ele que percebeu de que música se tratava, pois eu já havia a apresentado, e descemos do altar, novamente com nossos braços entrelaçados, andando em direção à saída.

Com as portas abertas fomos ovacionados com muitas palmas, flashes e gritaria. A maioria querendo saber sobre minha gravidez. Que na verdade já era óbvia, principalmente diante do meu exuberante vestido de mangas compridas que destacava melhor meus seios e minha barriga, que estavam bem maiores.

Sorri apertando ainda mais nossas mãos e seguimos em frente, para mais perto do cordão de isolamento.

— Parabéns aos noivos.

— Obrigado — respondemos uníssono.

— A gravidez procede, Linda Marilyn e Senador Scott?

— Sim — tocamos junto meu ventre e confirmamos ao mundo nossa gravidez.

— Linda Marilyn está esperando nosso primeiro filho e estamos radiantes com a novidade. Obrigado a todos os presentes, mas nos deem licença, temos uma festa nos esperando.

— Obrigada a todos pela presença.

Entramos na limousine e foi puxada para seu colo assim que Jonathan colocou o carro em movimento.

— Meu Deus, princesa, como você está linda — Artur acariciou meu rosto. — Nunca imaginei que ficaria tão nervoso em uma cerimônia.

— Não era apenas uma cerimônia, amor, era o nosso casamento.

— Você tem razão — ele parou perto o suficiente da minha boca. — Eu amo muito você.

— Eu também amo você e sou a pessoa mais feliz desse mundo.

— Vamos ter que dividir esse título, Linda Marilyn — ele fez graça me beijando apaixonadamente. Logo tivemos que nos afastar, pois o Hilton nunca esteve tão perto. — À nossa festa? — esticou a mão para que eu a pegasse.

— À nossa festa, meu amor — Artur enlaçou minha cintura e adentramos mais uma vez o luxuoso saguão dos salões do hotel. Novamente fomos fotografados e ovacionados do lado de fora, já que nossa festa seria privativa, apenas para alguns poucos convidados. Depois, mandaríamos as fotos para as revistas. Protocolos a serem seguidos sempre.

As portas do salão principal se abriram e fomos aplaudidos de pé diante de mais de quinhentos convidados ao som de Your Song, cantada esplendidamente pela orquestra contratada.

Sorrimos um para o outro e fomos atropelados por uma Ruth em prantos.

— Meu bebê! Como vocês estavam lindos!

— Oi, mãe — a abracei e ela tocou minha barriga.

— Artur, o que foi aquilo?! Meu Deus, que declaração linda, meu filho.

— Ruth, sua filha merece tudo que puder lhe proporcionar — ele me abraçou por trás e vimos toda nossa família se aproximar.

— Filho, a cerimônia foi esplêndida.

— Devemos muito a você, Emma. Obrigada, sogrinha — a abracei também, muito feliz. — Olhe essa festa, amor? — olhei em volta do salão todo decorado em vermelho, preto e branco.

— Você merece, Senhora Scott — beijou meu pescoço.

— Meus parabéns, amigos! — Ethan chegou animado, já com uma taça de champanhe nas mãos.

— Ethan... Ethan... — Artur brincou e seu amigo nos abraçou. Depois, parou nos olhando, como se estivesse julgando.

— Vocês dois me deixaram em pânico! Sabiam? — ele estava bravo, o que fez com que Artur e eu caíssemos na gargalhada.

— Como você pôde acreditar que eu levaria uma stripper para nossa suíte, McCartney? — meu marido me abraçou ainda mais. — Você mereceu o susto!

— Quer dizer, o surto, não é? — rimos ainda mais.

— Vocês se merecem, isso não se faz com um amigo.

— Eu te disse que levaria uma stripper para lá?

— Tudo bem... — ele balançou a cabeça. — Vamos mudar de assunto — sorriu erguendo a taça de champanhe. — Parabéns, a cerimônia estava linda e essa festa — ele pausou —, Lindinha... Lindinha… Você sabe dar uma festa também.

— Obrigada, Ethan, isso vindo do nosso padrinho me deixa muito lisonjeada.

— Não tem que agradecer, Primeira-dama — Artur sorriu orgulhoso. — Agora, Art, você viu quem está aqui? — ele apontou para uma morena com a pele jambo, esfuziante com um lindo vestido azul, fazendo-me fechar a cara e cruzar os braços.

— Lizzy Campbell — o safado do meu marido sorriu animado com Ethan.

— O que é isso? Você está mostrando uma mulher para meu marido, na minha festa de casamento — respirei — e ainda na minha frente, McCartney? Não tem mesmo medo de perder o emprego, não é? — meu Senador gargalhou, beijando meu pescoço. — Posso saber qual é a graça, Senhor Scott?

— Apenas repare, princesa — ele apontou para Ethan babando na morena. — Ela foi seu grande amor — suspirei aliviada. Porque mais uma ex-namorada eu não aguentaria.

— Ela está ainda mais linda — Ethan ainda suspirava, observando-a de longe. — Mas… — parou confuso. — O que Lizzy está fazendo aqui?

— Ela se tornou uma das mais competentes e requisitadas analista política dos Estados Unidos, caro amigo.

— E a Scott’s…

— Oi? Vocês estão querendo me dizer que também fazem negócios em casamentos?

— Não, princesa! Quer dizer... — arregalei os olhos, abismada.

— É o nosso casamento, Artur — disse fazendo um bico enorme.

— Business, Lindinha — quis matar Ethan que sorriu saindo em direção à morena.

— Você não se chateou, não é? — meu marido enlaçou os braços em minha cintura enquanto voltávamos a andar pelo salão, sendo cumprimentados e fotografados.

— Não! Quer dizer… Só não estou acostumada — sorri lhe dando um selinho para a foto.

— Princesa, Lizzy vai nos ajudar nas próximas campanhas, ela é perfeita no que faz.

— Tudo bem. Conversaremos sobre isso depois. Mas só por hoje, podemos curtir nosso casamento? — me abraçou virando-me de frente para ele.

— Com toda certeza — nossos olhos se cruzaram e vi tanto amor ali que me emocionei. — Ei! Nada de choro! — secou uma lágrima que teimava em cair. — Nossa festa, lembra? — nos rodopiou pelo salão.

— Lembro — me abanei e sorri o beijando. Um beijo carinhoso, gostoso e de muita felicidade. Mas cedo demais fomos interrompidos por Jenny que nos chamava para os discursos. Deus! Não era muito boa nisso, deixava minha parte para Artur e George que nasceram para estar com um microfone em mãos comandando um país. E por falar em meu sogro, ele e Emma foram os primeiros a subirem ao palco.

— Falar desse casamento para nós é algo muito especial e emocionante — Emma disse entrelaçando suas mãos as de George. — Sempre desejei a meu, quer dizer nosso – seus olhos se cruzaram em uma linda cumplicidade — único filho, um lindo e grande amor como o nosso, para que o pudesse seguir por toda a vida. E nossos sonhos se concretizaram. Artur encontrou Linda Marilyn. Essa menina encantadora, mas também uma mulher forte e determinada, que hoje nos abençoa com a alegria de um neto. Obrigada a todos os presentes e principalmente a você minha querida nora. Seja bem-vinda mais uma vez a nossa família. Deixo as palavras agora para meu querido marido, George — não precisaria dizer que já estava aos prantos, sendo acalentada por meu lindo marido que beijava e secava cada lágrima caída. Emma sempre me surpreende com suas palavras e agradeceria a Deus diariamente por essa linda família que me acolheu com tanto amor. Era a vez do meu sogro e vi meus pais também se aproximando.

— Será que aguento tanta emoção hoje, filho — pensei, acariciando minha barriga.

— A mamãe aguenta, não é, filhão — Artur colocou sua mão em cima da minha. — Você merece, princesa.

— Pensei alto, não foi? — ele gargalhou e olhou para o pai que começava a falar.

— Amo quando pensa alto — beijou meu ombro.

— Eu sei que ama — sorrimos e voltamos a nossa atenção para as palavras de George.

— Boa noite a todos. Muito obrigado pela presença de cada um aqui hoje dividindo conosco essa alegria plena. Emma, como sempre falou melhor do que ninguém sobre o amor. Porém hoje eu agradeço também a Deus e a Linda Marilyn por ter entrado na vida de Artur e o transformado em um homem melhor. Um governante melhor. Um filho melhor. Hoje nossa família celebra o amor entre essas duas pessoas que nos darão o presente mais lindo — Artur apertou sua mão ainda em minha barriga. — Obrigado e deixo as palavras para o amigo sincero que fiz, Sal — a emoção de ver nossas família ali, unidas, era indescritível. E poderia, com toda certeza, me considerar a mulher mais feliz desse mundo, ao lado do meu amor, nossa família e nosso lindo bebê.

— Não sou muito bom em palavras, mas hoje gostaria de parabenizar minha querida e única filha pela mulher que se transformou. Desde menina Linda sempre nos deu muita alegria — vi a mesma cumplicidade nos olhos dos meus pais e não aguentei começando a chorar novamente —, se tornando uma mulher excepcionalmente forte e destemida, não tendo medo de enfrentar o mundo por conta desse amor. E nós sempre a apoiamos, sabendo que seguindo seu coração chegaria onde queria. Artur cuidará bem da minha menina, e do nosso neto. Ele sabe com quem conversou quando pediu sua mão, ainda em namoro — sorrimos juntos. — Obrigado a todos os presentes e boa festa. Ruth — ele passou o microfone para minha mãe, completamente emocionado.

— Meu bebê — ela começou a chorar —, meus bebês. Obrigada a Deus por fazer minha filha tão feliz. Obrigada por conceder a ela o seu presente mais lindo — Artur beijou o topo da minha cabeça. — Obrigada por nosso netinho. E sei que Artur fará, quer dizer, continuará fazendo dela a mulher mais feliz desse mundo. Obrigada a todos.

Eu chorava sem parar sendo abraçada por nossos pais assim que eles desceram do palco, e não percebi meu marido se afastar.

— Boa noite a todos. Seria repetitivo demais falar novamente dos meus sentimentos por Linda. O amor de minha vida. A mãe do meu filho. A minha mais linda primeira-dama — sorri do trocadinho feito desde o primeiro momento. — Obrigado, meu amor, eu a amo muito. E prometo diante de todos aqui presentes a fazer mais feliz ainda — andei em sua direção, subindo ao palco com a ajuda de Sal.

— Eu apenas agradeço a Deus por essa família que me recebeu de braços abertos — falei assim que peguei o microfone de suas mãos, olhando para meus sogros carinhosamente. — Por essa família que me deu o maior exemplo de dignidade por ser quem sou hoje. E, principalmente, ao meu amor mais lindo. O mais iluminado que agora terá seu complemento perfeito — toquei meu ventre. — O nosso filho. Obrigada, amor, apenas por me amar — Artur se aproximou, beijando-me apaixonadamente. — Amo você.

— Também amo você, princesa.

— A pista está aberta — disse um integrante da orquestra. Artur me ajudou a descer e juntos abrimos a pista de dança com uma de nossas músicas prediletas: The Look Of Love, Diana Krall.

O O lhar do A m or

O olhar do amor está nos seus olhos

O olhar que seu sorriso não consegue disfarçar

O olhar do amor está dizendo muito mais coisas que qualquer palavra poderia dizer

E o que o meu coração ouviu, bem, tira o meu fôlego

Mal posso esperar pra te abraçar, sentir meus braços ao seu redor

Quanto tempo esperei

Esperei só pra te amar, agora que te encontrei

Você tem o olhar do amor

Está na sua cara

Um olhar que o tempo não pode apagar

Seja meu essa noite, deixe isso ser apenas o começo de muitas noites como essa

Vamos fazer um juramento de amantes e então selar com um beijo

Mal posso esperar pra te abraçar, sentir meus braços ao seu redor

Quanto tempo esperei

Esperei só pra te amar, agora que te encontrei

Nunca vá embora

Nunca vá embora

Eu te amo tanto

Mal posso esperar pra te abraçar, sentir meus braços ao seu redor

Quanto tempo esperei

Esperei só pra te amar, agora que te encontrei

Nunca vá embora

Nunca vá embora

Nunca vá embora

— Eu enxergo o amor em seus olhos.

— Sim, eu enxergo o amor em seus olhos — sorrimos apaixonados.

— Perfeitamente escolhida.

— Exatamente — rodopiamos pela pista sem nos preocupar com mais nada. Apenas com o nosso amor.

— Parece que vou explodir de tanta felicidade — encostei a cabeça em seu peito.

— Então somos dois.

Dançamos muito.

Divertimo-nos conversando com todos nossos amigos. Fui apresentada a Lizzy, que já estava se entendendo novamente com Ethan e ela aparentou ser muito simpática e competente. Acho que a campanha precisaria mesmo de alguém como ela, encabeçando a equipe. Balancei a cabeça, sorrindo e tirando o trabalho dali, pois já estava parecendo Artur, viciada em política. Cumprimentamos também Susanne e Newton que estavam se esbaldando na pista de dança e, por fim, voltei minha atenção à Ana e Dibe, que também tinham vindo de Sumas especialmente para nosso casamento e ela ficou encantada com minha gravidez, chorando quando, fazendo as contas, descobriu que ele havia sido concebido em Sumas, durante nossa estadia lá.

Logo depois das duas da manhã, subi com minha mãe, Mary e Emma para me arrumar, pois a lua de mel nos esperava.

— Nada mais romântico que a lua de mel na Ilha de Emma, onde tudo começou — Mary suspirou me ajudando a tirar o vestido.

— Eu também achei, por isso a escolhemos. Não estou com muita disposição para viagens longas e passeios intermináveis — suspirei cansada.

— Você tem razão, querida. Na verdade, hoje esse bebê lindo lhe deu um descanso, não é? — assenti, sentindo o carinho da minha mãe em minha barriga.

— Artur me disse a mesma coisa assim que acordamos hoje pela manhã.

— Vocês farão mesmo a viagem de iate?

— Sim, Emma — sorri lembrando a promessa do meu marido, dizendo que me levaria para ilha com ele um dia. Por isso a escolha propícia da nossa lua de mel, onde teríamos tempo para nos amar e nos curtir à vontade.

— Não vai enjoar, amiga?

— Não, Mary. O iate é rápido e eu quero muito — pisquei para ela, que entendeu, sorrindo maliciosa. — Se acontecer alguma coisa atracamos no primeiro porto, não se preocupem — abracei uma por uma, despedindo-me daquelas que eram, sem dúvida nenhuma, minhas melhores amigas, e segui de volta aos salões do Hilton, onde meu amor já me esperava impecável em um traje esporte chique. Artur ainda me mataria com tanta perfeição.

Nossos olhares se cruzaram enquanto nos despedíamos de nossos pais e amigos próximos. Quando estava tudo pronto para nossa partida, ele entrelaçou nossas mãos.

— Pronta, Linda Marilyn Scott? — aquele nome saído de sua boca tão intensamente me fez estremecer.

— Eu sempre estive, meu Senador — ele me beijou e com uma chuva de arroz nos despedimos da noite mais especial de nossas vidas.

A noite do nosso casamento.