O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 33 de 36

Páginas do PDF

O Senador

Capítulo 32 · — Com certeza — ele sorriu pelo…

 

— Com certeza — ele sorriu pelo canto da boca. — Eu… Na verdade aceitei o convite do Dibe porque queria me desculpar por tudo que causei a você na época que esteve aqui.

— Não precisa se desculpar, Átila — olhei para os lados rezando para que Artur não percebesse sua presença ali, pois uma briga naquele momento seria muito constrangedora em frente de todos que vieram nos prestigiar.

— Preciso sim, Linda — ele seguiu meu olhar que estava fixo no meu marido conversando animadamente com Obama. — Ele a ama de verdade.

— Eu sempre disse isso — confirmei.

— Eu sei, mas não escutei.

— Leve isso como uma grande lição — voltei meu olhar para ele. — Conheça antes de julgar. Não foi o que fez no nosso caso, se colocando em uma situação bem complicada. Pense antes de tomar atitudes que possam atrapalhar sua vida — sorri. — Você é novo ainda, tem muito que aprender.

— Você está feliz, não é?

— Eu sou a mulher mais feliz do mundo, Átila — senti mais uma pontada forte no pé da minha barriga, porém dessa vez não consegui segurar o grito — Ai!

— Linda? — Átila se aproximou assustado. — O quê...

— Linda… O que esse moleque está fazendo aqui? Chamem os seguranças, tirem-no daqui agora — Artur se aproximou esbravejando. — Princesa, o que ele fez?

— Amor, olha pra mim! — enquadrei seu rosto com minhas mãos. — O Átila — respirei fundo — não fez nada… Mas, Sophie… Ai! Artur, nossa filha quer nascer.

— Meu Deus! Um médico! — ele me pegou nos braços. — Liguem para a Doutora Charllote, ela tem que vir para cá imediatamente.

— Amor, não vai dar tempo, eu estou… Oh, meu Deus! — mais uma pontada e dessa vez senti que a bolsa havia estourado. — A bolsa...

— Um médico, agora — gritou desesperado no meio do museu.

— Senador, sou o Doutor Robert, ginecologista e obstetra, posso ajudar vocês — Artur olhou desconfiado, porém Ana se aproximou, nos acalmando.

— O Doutor Robert é o melhor da região, ele cuida de todas as mulheres aqui na cidade.

— Ok! Vamos para o hospital — Artur correu comigo até o carro, tomando ele mesmo a direção, sem perceber mais ninguém ao nosso redor. E em menos de cinco minutos estávamos na porta do único hospital de Sumas.

— Doutor Robert, estou colocando meus bens mais preciosos em suas mãos — o médico sorriu entrando conosco no hospital.

— Não se preocupe, Senador, nossa equipe fará um ótimo trabalho e sua filha virá ao mundo na cidade onde seu avô e seu pai, nasceram — toquei o rosto desesperado do meu marido.

— Nossa filha vai nascer em Sumas, amor — ele sorriu emocionado, beijando minha mão.

— Sim, princesa. E vai ficar tudo bem.

— Não saia do meu lado — apertei sua mão assim que adentramos uma sala muito clara.

— Nem que você mandasse — me deu um selinho e comecei a ser preparada para o parto.

Tínhamos optado pelo parto natural, seria mais saudável tanto para mim, quanto para Sophie, mas, acima de tudo, queria sentir tudo do começo ao fim do nascimento da minha filha.

Escutava tudo muito longe, pois me sentia completamente anestesiada pelo fato de que em alguns minutos teria nossa princesinha nos braços. Artur ainda pediu para alguém avisar nossa médica em Nova York e trazê-la para Sumas o mais rápido possível e alguém o levou para se vestir.

Sorri em meio às lágrimas que já teimavam em cair, imaginando como nossa filha seria terrível. Sophie não pôde esperar até o fim de um dos eventos mais importantes das nossas vidas, querendo participar inteiramente. Essa menina seria inteira o pai.

Já preparada e dentro do centro cirúrgico, senti um aperto na minha mão, o que me fez respirar aliviada, pois meu amor estava ao meu lado novamente e já com suas roupas esterilizadas.

— Eu amo você — sorri em meio a contrações e comecei a fazer força por ordens do Doutor Robert.

— Eu também amo você — Artur beijou minha testa e pude senti-lo completamente tenso.

— Hora de fazer força, Linda Marilyn. Vamos trazer essa princesinha ao mundo.

— AÍIIIIIIIIIIIIIIII! — mais uma contração surgiu, porém respirei fundo fazendo toda força que consegui, começando a sentir minha filha nascendo pelo meio das minhas pernas.

— Estou vendo a cabeça, Linda Marilyn, vamos precisar de mais força.

— AÍIIIIIIIIIIIIIIIII! — mais uma contração e mais força. — Está doendo — reclamei apertando a mão de um Artur transtornado ao meu lado.

— Doutor… Não podemos aplicar a anestesia? Eu li sobre…

— Não! Eu quero ir até o fim… Eu aguento, amor — fiz mais força, com ele beijando novamente minha testa suada.

— Linda Marilyn, se mudar de ideia a hora é essa, depois não podemos mais parar.

— Eu quero sentir… AÍIIIIIIIIIIIIIIIIII — empurrei, apertando ainda mais a mão do meu marido.

— Estou aqui, meu amor — Artur a acariciava enquanto eu praticamente quebrava a dele.

— Eu sei… AÍIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII — senti algo me rasgando inteira. Era uma dor insuportável que foi amenizada por um choro estridente.

Me joguei na maca exausta, mas sentindo-me a mulher mais realizada do mundo.

Eu era mãe!

E tudo a partir daquele momento começava a fazer sentido na minha vida.

— Você está bem? — Artur estava dividido entre se preocupar comigo ou com Sophie que chorava em algum lugar da sala. Sorri, constatando que sua vida a partir dali seria assim, entre os dois amores da sua vida.

— Estou ótima — disse fracamente. — Apenas cansada. Mas eu quero vê-la, amor — Artur lançou-me aquele sorriso que me desmontava, ainda mais quando vinha acompanhado de lágrimas.

— Eu vou buscá-la — ele saiu do meu lado ao mesmo tempo em que viraram meu corpo aplicando a anestesiada, para que pudessem fazer a limpeza e dar alguns pontos, se houvesse necessidade.

— Está tudo bem, Linda Marilyn? Sentindo alguma coisa? — sorri para o médico que se aproximou.

— Estou bem, só um pouco cansada — ele sorriu.

— Extremamente normal. Você foi anestesiada para darmos continuidade ao procedimento, mas logo irá para o quarto, onde poderá descansar um pouco.

— E minha filha? — o médico sorriu novamente, olhando em direção a Artur que voltava com um embrulhinho rosa nos braços. — Meu Deus! — comecei a soluçar. — Nossa filha, amor! — ele se aproximou mostrando pela primeira vez nosso bebezinho. Meu coração doía de tanta emoção e não consegui respirar direito. — Ela é linda, amor — toquei seu rostinho delicado.

— Ela é a sua cara, a mais linda de todas. Nossa princesinha — percebi que Artur também chorava, beijando nossas mãos unidas, dos três, pois Sophie, mesmo com alguns minutos de vida, já segurava meu dedinho, obstinada, como se aquilo dependesse sua vida.

— Eu amo vocês — sorri quase fechando os olhos.

— Nós também amamos você, mamãe — Artur abaixou selando nossos lábios e então pude dormir, suspirando satisfeita, deixando-o sentir o que já havia sentido durante nove meses.

O calor e o amor da nossa filha, agora em seus braços.