O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 35 de 36

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O Senador

Capítulo 34 · Acordei mais uma vez ouvindo o barulho…

 

Acordei mais uma vez ouvindo o barulho de um chorinho fino vindo da babá eletrônica e sentindo também, como em todas as manhãs, alguém se remexer ao meu lado com o colchão se erguendo.

Sem abrir os olhos, sabia do que se tratava aquele movimento.

— Não me apareça no quarto da nossa filha apenas de boxer — ouvi sua gargalhada. — E não ria.

— Não sei por que se preocupa, já que as duas enfermeiras e a babá que contratou são de meia idade.

— E você acha que correria o risco de ter que conviver com uma ninfeta suspirando por você, ainda por cima cuidando da nossa filha? — abri os olhos, levantando um pouco a cabeça o vendo sorrir lindamente no pé da cama.

— Você não era tão ciumenta — Artur colocou o roupão fazendo-me morder os lábios. Sim, eu estava pegando fogo.

— Mas você sempre foi muito gostoso — ele se aproximou da cama lentamente, como um leão da montanha pronto para dar o bote, porém, o choro da babá eletrônica se tornou estridente, nos fazendo rir a centímetros da boca do outro. — Traga nosso relógio britânico antes que ela acorde Manhattan inteiro.

— Sophie tem o seu gênio — Artur levantou se dirigindo à porta.

— Não tem, não — balancei a cabeça. — Ela é inteira você — imitando meu gesto saiu do quarto.

Nos últimos quarenta dias nossa vida havia criado uma rotina adorável. Na verdade, quando se tem uma criança em casa, a rotina tem que ser minuciosamente seguida, principalmente quando essa criança se chama Sophie Marie Stevens Scott e a cada três horas acorda aos prantos para mamar, não podendo esperar ao menos o pai sair do quarto para buscá-la, às vezes chegando até a perder o fôlego.

Tão pequena e já tão geniosa.

Inteira o pai, mesmo que ele diga ao contrário.

Voltamos para Nova York um mês após o parto, quando a pediatra autorizou o voo de nossa filha. Enquanto estivemos lá, tivemos a paz e a tranquilidade de uma vida no campo, mais precisamente de uma cidade pequena, pois nossa volta para casa estava cercada de especulações e expectativas para a campanha do meu marido à Presidência.

O mundo inteiro não falava em outra coisa e cada passo nosso, mesmo que fosse algo banal como levar Sophie ao pediatra, virava manchete de primeira página. Mas aquela seria nossa vida dali para frente e teríamos que nos adaptar.

Ainda em Sumas, recebemos a visita da doutora Charlotte e da pediatra de Sophie, doutora Ava. Com as duas devidamente examinadas, Artur pôde respirar aliviado, parabenizando o doutor Robert com sua equipe pelo excelente trabalho para a vinda da nossa filha ao mundo.

Meu marido também não só prometeu, como concedeu uma pomposa quantia particular para o hospital, ainda enviando um projeto ao Capitólio para melhorias em todos os setores da cidade, entrando em contato com o Prefeito e os secretários de Sumas.

Sim, Artur Scott não parou de trabalhar um minuto sequer. Ele tinha a política no sangue e esse sempre será seu combustível diário para chegar onde tanto almeja.

Não por ser meu homem de ferro, mas Artur seria o melhor e mais aplicado presidente de todos os tempos. Porém, nunca deixando de lado seu papel de marido perfeito e agora do pai mais presente de todos.

Ele participava de tudo relacionado à Sophie. Mesmo tendo contratado três pessoas para nos ajudar, éramos nós que realizávamos a maior parte das tarefas com nossa filha.

Em Sumas ainda contratamos uma enfermeira, que trouxemos com a gente. Liah nos ajudou muito nos primeiros dias, principalmente quando tive que me ausentar para o coquetel e noite de autógrafos, que havia sido adiada por conta do nascimento de Sophie.

Muitos nomes importantes voltaram, alguns mandaram cartões e lembranças pelo nascimento da nossa filha. E o primordial foi saber por Dibe que já havia alguns investidores querendo participar da revitalização turística e histórica da cidade. Obama também havia mandado um projeto especial para o Capitólio e com certeza seu Presidente o aprovaria sem pensar. Sorri lembrando como era apetitoso aquele Presidente do Senado.

No dia do evento, Artur também quis saber o que Átila fazia comigo na sacada do Museu quando comecei a passar mal. Contei todos os detalhes da nossa conversa, dizendo que ele apenas havia vindo me pedir desculpas e falar que naquele momento conseguia ver o amor que meu marido sentia por mim.

Artur revirou os olhos e não quis mais tocar nesse assunto, que para mim também já estava mais que encerrado, principalmente por acreditar que Átila era apenas mais um garoto querendo se encontrar na vida.

Voltando aos cuidados da nossa princesinha, as outras duas senhoras de meia idade, como Artur costumava falar, tinham muita experiência com bebês. Guadalupe e Abigail, que carinhosamente chamamos de Lupe e Bibi, foram muito bem indicadas e com a ajuda de Emma e Miranda fizemos a seleção certa.

Perdida em meus pensamentos vi Artur entrar em nosso quarto com o maior sorriso que já havia visto sair dos seus lábios, pois ele vinha diretamente do coração e a felicidade que ficava quando estava com nossa filha nos braços transparecia por todos os seus poros. Já Sophie, como acontecia todas as manhãs, estava suada de tanto chorar e morta de fome.

— Olhe quem veio dar bom dia para a mamãe mais linda e ciumenta do mundo — revirei os olhos, ajeitando-me melhor na cama e estiquei meus braços em direção a eles.

— Não sou ciumenta. Apenas precavida — recebi Sophie e meu sorriso se abriu involuntariamente também em ver aqueles olhos verdes escuros olhando para mim, com sua boquinha querendo esboçar um sorriso. — Bom dia, meu amor. Dormiu bem? — toquei sua testa molhada.

— Estava quase se jogando do colo da Liah, se não chegasse a tempo.

— Como eu disse — pausei olhando para ele que tirava o roupão, deixando aquele corpo tentador à mostra —, inteira sua.

— Não morda os lábios, Linda Marilyn — fui pega no flagra, enquanto minha filha, instintivamente, capturava meu seio.

— Você sabe há quantos dias estou sem seu corpo dentro do meu? — suspirei.

— Exatamente quarentas dias, contados no relógio — Artur se aproximou sentando ao nosso lado. Sophie continuou a mamar tranquilamente em meus braços, enquanto seu pai me olhava como se fosse, literalmente, me comer.

— Estou com tanta saudade — fiz manha, ganhando um selinho provocativo com sua língua sendo passada bem perto do meu lábio inferior. — Oh, meu Deus! Não faça isso, estou pegando fogo, amor — o desgraçado gargalhou. — Você ri porque pôde se aliviar durante esses dias, e eu?

— Você será completamente recompensada hoje depois da festa — fiz um muxoxo. — O quê? — tocou meus lábios com seus dedos longos para logo depois infiltrá-lo em meus cabelos.

— Pensei que tomaríamos nosso banho juntos, antes de Alex e sua equipe entrarem aqui e me levarem de você.

Naquela noite havíamos organizado a festa de lançamento da sua campanha à Presidência nos ostentosos salões do Hilton, onde tudo começou... E estava bem saudosa com tudo aquilo.

Repeti seu gesto, infiltrando meus dedos da mão livre em seus cabelos, o escutando gemer. Porém, muito antes do que esperava o clima mudou e vi tensão nos olhos de Artur.

— O que foi, amor?

— Linda, por que não me contou que já estava passando mal na manhã que Sophie nasceu?

— Alex! — disse certa, balançando a cabeça. — Porque achei que era uma indisposição normal.

— Linda Marilyn, nenhuma indisposição é normal quando se está com nove meses de gravidez — ele suspirou. — Poderia ter acontecido algo mais grave, princesa — ele tocou meu rosto com um semblante preocupado.

— Mas não aconteceu e nós estamos aqui – olhei para Sophie e novamente para ele.

— Me prometa que não me esconderá mais nada daqui para frente — sorri puxando-o para mais perto.

— Prometo se prometer me esperar para o banho — Artur gemeu insatisfeito.

— Estou falando sério, Linda.

— Eu também, amor. E não se preocupe. Não esconderei mais nada.

— Acho bom — ele sorriu, me beijando de novo. E quando nossas línguas se encontravam…

— Já deixei Sophie no quarto, alimentada e desmaiada de sono — sorri tirando a camisola fazendo-o gemer com a cena.

— Agora vamos deixá-la nas mãos cuidadosas da Liah, enquanto tomamos nosso banho, o que acha? — virei de frente para ele, que literalmente babava, olhando para meu corpo nu.

— Já disse que seu corpo ficou completamente mais gostoso depois da gravidez? — se aproximou nos juntando apenas com um puxão. — Gostosa demais — Artur capturou minha boca nos fazendo gemer novamente em sincronia. — Mas…

— O quê? — se afastou, deixando-me ali, na vontade. — Artur Sebastian! — ele gargalhou.

— Eu quero fazer amor com você, princesa — tocou meu rosto carinhosamente.

— E desde quando você se preocupa com isso? Quero que você me coma naquele chuveiro agora — exigi o fazendo me apertar novamente em seu corpo que continha apenas a boxer, pois o roupão já estava no chão. — E vamos logo que não temos muito tempo — me beijou selvagem.

— Você me enlouquece, Linda Marilyn — disse com nossas testas coladas.

— Vamos para o banho, Senador — o puxei e assim que chegamos ao banheiro andei sensualmente até o box, podendo sentir os olhos do meu marido queimando nas minhas costas.

— Linda Marilyn… — sorri do seu desespero. Era assim que o queria…Pronto para mim. Continuei meu trabalho em preparar a água na temperatura certa, quando o senti colar seu corpo ao meu por trás. — Você sabe que não me controlo nesse banheiro — sussurrou, já levando sua mão para minha intimidade molhada.

— É o que mais desejo, Senador, que o Senhor perca o controle — ele infiltrou dois dedos em mim nos fazendo gemer, pois instintivamente, empurrei o quadril na sua ereção pronta para mim.

Artur afastou os cabelos do meu pescoço, mordendo a pele exposta, enquanto sua mão livre se satisfazia com meus seios fartos. Esfregava-me ainda mais nos seus dedos sentindo sua ereção cada vez maior na minha bunda.

— Oh, meu Deus, amor! Eu preciso de você!

Virei de frente assim que terminei de ligar as torneiras, com ele me jogando contra os azulejos e tomando meus lábios novamente.

Nossas bocas brigavam por mais contato a cada mordida, chupão ou lambida. A saudade daquele contato mais íntimo já estava nos matando. E naquele momento, percebi como ele estava se controlando nos últimos quarenta dias para não me agarrar. Durante a noite, ou quando ficávamos sozinhos. Sem contar os banhos, que havia sido quase extinguido por conta do bendito resguardo.

Envolvi seu quadril com minhas pernas, assim que seus dedos saíram de mim, por nosso corpo exigir um contato mais forte. Artur apertou minha bunda, erguendo-me um pouco e quando desci já estava completamente encaixada nele.

Ficamos parados, apenas sentindo aquele contato tão íntimo que nos fez tanta falta, mas quando Artur começou a se mexer, ainda devagar, meu celular começou a tocar como um louco no quarto.

— Droga! Deixe tocar — Artur sorriu e continuou a estocar dentro de mim. Mas o aparelho não deu sossego.

— Vou jogar essa porcaria fora e deixá-la apenas com o nosso particular — gemeu enquanto me espremia ainda mais contra a parede fria.

— Faça isso, adorarei ser apenas sua — saiu e entrou com mais força, fazendo-me gemer alto.

— Você é só minha — esbravejou, mordendo meu ombro.

— Não me deixe marcas, meu vestido é aberto.

— Você me descontrola e depois pede clemência?

— Não estou pedindo. Nunca faria isso, meu amor. Mais forte… — o ajudei com um impulso o fazendo urrar de prazer.

E para não perder o costume, nos comemos naquele banheiro, perdendo completamente a noção do tempo, barulhos, ou preocupações do lado de fora.

Ali eram apenas nossos corpos unidos em busca de um contato proibido há quase dois meses. Por uma boa causa, não podemos negar, porém ter o corpo do meu marido dentro do meu novamente era a melhor sensação sentida na minha vida inteira.

— Gostaria de ter feito amor com você — Artur ensaboou minhas costas fazendo com que um sorriso involuntário saísse da minha boca.

— Não daria tempo. E se não fosse aqui — virei meu corpo novamente de frente para ele, piscando maliciosamente —, eu o atacaria no meio da festa. E não seria conveniente o candidato à Presidência ser pego no banheiro da sua própria recepção com sua linda primeira dama no meio das suas pernas — ele gargalhou beijando meu pescoço.

— Vamos colocar fogo na Casa Branca — o acompanhei com outra gargalhada.

— Já pensei em mais brigadas de incêndio para ela — beijei seus lábios molhados.

— Devassa — me apertou mais a ele.

— Sua devassa.

— Lindinha! Posso entrar? — escutei a voz de Alex na porta do nosso quarto, vendo Artur contorcer a boca em um bico mau humorado.

— Você e essas manias de dar intimidade aos serviçais — ele resmungou ganhando um selinho. — Sabe quando essa bicha entraria aqui comigo no comando?

— Espero que nunca — ataquei sua boca com vontade. — Agora deixe-me ir antes que ele nos pegue de novo no flagra — me desvencilhei dos seus braços já alcançando a toalha.

— Como assim de novo? — Artur cuspiu irado.

— Sumas, amor, no dia em que Sophie nasceu — disse simplesmente. — Mas depois conto os detalhes.

— Dependendo do que se trata não precisa nem se dar ao trabalho, Linda Marilyn — gargalhei, saindo do banheiro, não antes de lançar um beijo de longe para meu homem de ferro, que entrou novamente no jato de água.

— Já vou, Alex! — gritei, colocando meu roupão e abrindo a porta.

— Não vai me dizer que... — apenas confirmei, rindo. — Espero na suíte ao lado, minha rainha.

— Alex — gritei assim que ele se virou —, ainda corto sua língua fora seu fofoqueiro de uma figa — ele arregalou seus dois olhos azuis na minha direção.

— Me perdoe, rainha, mas o Senador estava tão nervoso — gargalhei, batendo na sua bunda.

— Conversaremos depois, encontro você lá em cinco minutos.

— Ok! — ele saiu saltitante, fazendo com que risse ainda mais.

 

— Oh, minha rainha, você está deslumbrante — Alex tinha até lágrimas nos olhos ao me ver pronta. Também tinha que admitir, havia superado todas as expectativas. Para o lançamento da campanha, escolhi um vestido completamente aberto na frente e justíssimo. Claro, além de ser vermelho, pois aquela era minha marca registrada. Sempre seria a mais linda dama de vermelho de Artur Scott. Só precisaríamos decidir sobre como administraríamos os cinco ou sete bailes de gala na sua posse à Presidência. Não poderei ir de vermelho em todos. Mas resolveríamos isso depois.

Naquele momento estava parada em frente ao espelho, apreciando minha produção.

Minha maquiagem havia sido focada inteiramente no vestido. Combinando um batom vermelho sangue, que realçava minha boca. Já o cabelo foi preso em um coque solto, por conta dos detalhes de renda das costas que tinham que aparecer. Tinha voltado praticamente ao meu corpo normal antes da gravidez, porém com algumas curvas a mais, acentuando meu quadril já volumoso e aquilo estava deixando meu Senador cada vez mais alucinado. Para completar a produção não poderiam faltar as jóias, que foram escolhidas a dedo por mim dessa vez. Um conjunto de brinco, anel e pulseira de rubi, sem o colar. Pois deixaria meu colo estrategicamente exposto, por conta do decote.

Sim, Alex tinha razão. Eu estava deslumbrante.

— Vamos descer — disse decidida virando para meu maquiador. — E pelo trabalho magnífico está perdoado — ele saltou no meu pescoço.

— Obrigada, minha rainha.

— Vem, vamos descer que ainda quero dar uma olhada em Sophie.

— Vamos — me puxou pela mão. — Você está esplêndida — sorri orgulhosa.

Passamos no quarto da minha filha e fui informada por Liah, que arrumava uma gaveta da cômoda, que ela estava com o pai na sala. Agradeci vendo seu sorriso se abrir diante do meu visual e fui em direção a escada, descendo-a vagarosamente, chamando a atenção de todos os presentes ali.

— Maravilhosa! — Artur ficou anestesiado quando me viu. Mas também estava perfeito com um smoking de tirar o fôlego, junto de seu famoso copo de uísque escocês em mãos, companheiro de todas as festas.

— Deslumbrante... — escutei Ethan falar, mas apenas um olhar do meu marido fez com que ele engolisse o restante da frase. Sorri, terminando de descer as escadas, vendo Sophie nos braços da minha mãe.

— Estou pronta, vamos — fui em direção a minha mãe e Emma, que brincavam com minha filha, mas antes cumprimentei Sal e George com um beijo no rosto. Artur ainda se mantinha inerte perto da janela, com os olhos vidrados em mim. — Oi, meu bebê, está se divertindo com a vovó? — brinquei com Sophie que se sacudiu no colo de Ruth.

— Você está linda, meu amor.

— Obrigada, mãe — sorri olhando novamente para meu marido que vinha em minha direção como se fosse me comer. Sorri por causar esse tipo de sentimento intenso em meu Senador.

— Você quer me matar, não é? — sussurrou próximo ao meu ouvido para que apenas eu o escutasse.

— Por quê? Não gostou? — pisquei inocente olhando de nossa filha para ele.

— Você sabe que sim — agarrou minha cintura, colocando nossos corpos para que eu sentisse do que estava falando e sorri da sua animação aparente na calça do smoking. — Agora eu entendo o ataque no banheiro. Tudo premeditado — sorri olhando para nossa filha um pouco mais afastada brincando com as avós. — Não daria tempo mesmo — gargalhei o puxando pela mão, indo me despedir de Sophie.

— Meu amorzinho, a mamãe e o papai têm uma festa para ir agora. Se comporte com Liah e Bibi — beijei suas mãozinhas pequenas, dando espaço para Artur falar com ela também e quando o viu, abriu seu maior sorriso, surpreendendo a todos por seus apenas quarenta dias de idade. Não tinha como não se encantar com Sophie, ela era mesmo uma princesinha.

— Meu amor, nós já estamos indo, se comporte com as titias e quando mamãe e eu voltarmos — piscou para mim — nós vamos dormir os três juntos — fiz uma careta o vendo sorrir malicioso. Artur estava me provocando, já havia amamentado um pouco antes de colocar o vestido e deixado leite suficiente para uma noite inteira. Nada estaria fora do controle naquela noite. E ele sabia disso. — Vamos, princesa? — ele me tirou dos meus devaneios tocando minha cintura.

— Vamos! Bibi, qualquer coisa estaremos com os celulares, entendeu? Por favor, não hesite em nos ligar — disse firme, ainda sentindo o cheirinho da nossa filha já no colo da babá.

— Vá tranquila, Senhora Scott, que essa menininha agora vai mamar mais um pouco e dormir — ela sorriu sacudindo um pouco Sophie no colo. — Boa festa.

— Obrigada — olhei para Artur e o restante da nossa família, saindo em direção ao elevador e assim que chegamos à garagem nosso motorista já nos esperava com a porta da limousine aberta. — Boa noite, Jonathan — ele sorriu discretamente.

— Boa noite, Senhora Scott… Senador — cumprimentou Artur que vinha logo atrás sem tirar as mãos da minha cintura.

— Boa noite! Para o Hilton.

— Ok, Chefe! — assim que entramos no carro ele me aconchegou em seu peito, ouvindo-me suspirar. — Algum problema, princesa? — levantei um pouco o rosto, sorrindo para ele.

— Não sei se um dia me acostumarei a deixar Sophie em casa sozinha — Artur sorriu, beijando meu rosto.

— Tenho a mesma impressão — confessou fazendo-me rir.

— Somos três dependentes agora, então?

— Exatamente — selamos nossos lábios e sentimos o carro começar a andar. — Você está magnífica, Linda Marilyn, nunca pensei que ainda me surpreenderia com sua beleza.

— Eu sou mãe agora, estou um pouco diferente, a intenção é surpreender — disse travessa sentindo-o me apertar.

— Seu corpo está cada dia mais gostoso, já disse isso hoje — sussurrou no meu ouvido.

— Não me faça perder a compostura e agarrar você antes de chegarmos à festa, por favor — o desgraçado gargalhou.

— Não faria isso, quero que esteja esplêndida nessa festa — Artur ainda me deslumbrava mesmo que fosse com palavras. — Quero que todos vejam a fortaleza da mulher que tenho ao meu lado, a primeira-dama ideal e também a mais bonita de todos os tempos — sorriu orgulhosa fazendo com que minha mente vagasse por toda uma vida, chegando onde estava naquele momento.

Ao lado de uma das pessoas mais importantes do mundo, sendo a pessoa mais importante do seu mundo. E constatando mais uma vez que em meu mundo ele sempre esteve presente, mesmo que inconscientemente.

 

— Uma linda menina — Ruth chorou ainda na sala de parto.

— Vinda ao mundo no dia em que nosso Presidente Scott toma posse pela primeira vez — Sal completou emocionado.

— Nossa filha já é abençoada, querido, ela vai ser uma mulher muito importante ainda — beijou o rostinho ainda sujo da única filha que havia acabado de nascer.

 

— Mamãe, quem é aquele garoto? — apontei para sacada onde o nosso novo Governador já fazia seu discurso de posse, tendo toda a família ao seu lado, inclusive um garoto de, mais ou menos, dezessete, dezoito anos.

Ele tinha a beleza mais perfeita que eu já havia visto, porém com o semblante sério e incógnito.

Era perceptível até para uma menina de doze anos, como eu.

— Aquele é Artur Sebastian Scott, meu amor — mamãe como toda americana fascinada por política, e ainda morando na capital disse suspirando e aplaudindo sem parar.

— O maior e único sucessor para o trono político dos Scotts. Um garoto de apenas dezoito anos, mas com o futuro brilhantemente traçado e promissor à sua frente — Sal completou como sempre muito orgulhoso da Família Scott.

— Você escolheu jornalismo com ênfase em política por ele?

— Não... Quer dizer, também — levantei–me indo até uma gaveta e tirando dali meu maior tesouro. — Olhe — mostrei a pasta para minha melhor amiga. — Sou fascinada por política desde cedo, por influência dos meus pais e por morar na capital do país, na verdade, acho que herdei esse fascínio de Sal — dei de ombros sentando-me novamente. — Porém...

— Porém? — Mary não tirava os olhos da minha pasta que continha fotos de Artur Sebastian Scott desde sempre, principalmente um apanhado geral da sua família contido ali.

— Eles me fascinam, Mary. Quer dizer. A política Scott me fascina, e Artur... — suspirei mais uma vez.

— Ele será a chave principal desse quebra cabeça montado em sua mente e em seu coração — balancei a cabeça. — Não discuta comigo, você sabe do que eu sou capaz — sorri lembrando-me de quando nos conhecemos. Ela tinha certeza, mesmo antes de colocar os olhos em cima de mim, que seríamos melhores amigas para sempre.

— Mary, sou apenas Linda Marilyn Stevens...

 

— ... E ele seu lindo marido gostoso, sem tantos segredos hoje, mas principalmente, loucamente apaixonado por você — percebi que já estava fora do carro ainda com Artur me puxando pela cintura, quando Mary completou meus pensamentos mais distantes. — Seja bem-vinda, Primeira-dama — ela me abraçou forte. — Você mais que ninguém merece estar aqui — sorri emocionada.

— Eu estava tão longe — suspirei.

— E eu não sei? Te conheço faz um bom tempo, amada. Somos amigas desde sempre, lembra?

— Sim — as lágrimas teimosas apareceram e agradeci mentalmente por Artur estar cumprimentando algumas pessoas.

— Agora vá e tome o que é seu por direito. O lugar ao lado do seu marido. Entre deslumbrante naquele salão, Linda Marilyn Scott, você merece isso. Em toda minha vida nunca ouvi falar de um amor mais bonito.

— Obrigada, amiga — a abracei de novo, porém dessa vez não passei despercebida por meu marido.

— Princesa, aconteceu alguma coisa? — Artur se aproximou preocupado.

— Não, amor, apenas boas recordações e uma emoção única de estar aqui ao seu lado — ele tocou meu rosto carinhosamente e, como sempre, beijou todas as lágrimas que teimavam em cair.

— Você merece.

— Foi o que eu disse — sorri para Mary, respirando fundo, e senti as mãos de ferros do meu homem apertando minha cintura.

— Vamos? — assenti e adentramos os salões do Hilton sendo ovacionados e aplaudidos de pé por todos.

— Eu amo você — sussurrei no seu ouvido enquanto acenava para todos.

— Eu também amo você, princesa, mais que um dia pudesse imaginar — sorri feliz agradecendo o que o destino havia me reservado, escrevendo página por página dessa linda história de amor.