O Senador
Capítulo 27 · — Oi, amor... Vai ficar tudo bem,…
— Oi, amor... Vai ficar tudo bem, ok? Você já foi operado e agora está dormindo para se recuperar... Estou bem também, vou para casa com Jonathan, mas deixarei Tim na porta do seu quarto. O bebê também está quietinho. No momento estamos centrados apenas em você, na sua saúde. Não se preocupe, vamos pegar quem fez isso. Agora preciso ir... Prometi ao doutor Collins que minha visita seria rápida, mas vou estar aqui, relaxe para se recuperar logo. Nós vamos ficar bem, nós três.
Inconsciência…
— Meu filho... Estamos aqui com você, meu amor. Nada de mal mais vai nos acontecer. Eu prometo sim, cuidar de Linda e do bebê. Fique tranquilo… A mamãe ama muito você.
Inconsciência…
— Artur, meu filho, nós vamos pegar quem fez isso com você. Eu prometo… Ninguém mexe com os Scott e sai impune. Estaremos aqui por você. E Linda Marilyn… Está mais forte que uma rocha, nos dando uma linda lição de união e luta. Ela é uma Scott, filho. Se recupere, garoto. Ainda preciso muito de você… Todos nós precisamos.
Inconsciência…
— Bom dia, meu amor. Como você está? Nós estamos bem. Fui para casa descansar, tomei um banho e Miranda me paparicou com chás e comidinhas gostosas. Se prepare, quando for para casa, vamos paparicá-lo muito também. Estou indo para a coletiva de imprensa que organizamos, preciso mostrar a todos que você vai ficar bem e, principalmente, que nada manchará a reputação da nossa família. Mas esse é um assunto que conversaremos quando acordar. Agora descanse, volto assim que tudo acabar lá embaixo. Amamos você.
Ah, Linda, como eu preciso de você, princesa… Me ajude a acordar…
Mas espere...
Coletiva?
Você…
Não, Linda Marilyn, você não pode...
Inconsciência…
— Oi, meu amor. Como senti sua falta. Fiquei tão preocupada. Art, eu o amo tanto… Por favor, reconheça seus sentimentos e volte para mim. Ela não te ama… Nunca te amou… Eu sim! Há alguns dias me pego pensando em nossas viagens e festas, lembra disso? Nós nos divertíamos um bocado, não é? Ainda amo você.
Melissa?
O que diabos está acontecendo?
Alguém pode tirar essa mulher daqui e chamar minha mulher.
Onde está Linda?
E por que não acordo?
DROGA!
Inconsciência…
— Oi, meu amor, voltei. Trombei com sua visitinha, não muito bem quista por mim, mais cedo... Sim, eu estou revirando os olhos e mordendo os lábios. Por conta do estresse com sua admiradora, fui parar na enfermaria, mas não se preocupe… Nós duas estamos bem. No meio de toda essa confusão nossa filha resolveu abrir suas perninhas e se mostrou para nós. Podemos ir para Paris fazer o enxoval, mas para isso você precisa levantar dessa cama, amor. Sophie está impaciente querendo o pai ao seu lado. O médico pediu para irmos para casa, hoje preciso de um repouso maior. E não... Eu não me engalfinhei com sua ex-namorada, é claro, porque seus pais chegaram na hora. Mudando de assunto, a coletiva de imprensa correu muito bem, todos me respeitaram, porém... Falaremos disso mais tarde. Eu quero você bem. Descanse que vou fazer isso com Sophie em casa, na nossa cama, mas espero que não demore muito para você estar conosco. Eu sinto muito sua falta, Senador. Você me prometeu um banho relaxante e ainda vou cobrá-lo. Eu amo muito você. Quer dizer... Nós duas amamos muito você. Fique bem, ok!
Droga, Linda, isso é hora de me deixar duro, princesa?!
Mas...
Linda! — meu inconsciente berrou mais uma vez, mas não consegui reagir.
Que PORRA era aquela?
Linda… Sophie…
— Linda! Sophie! — abri os olhos devagar, percebendo a luz atrapalhar minha visão. — Linda... Linda...
— Senador… Calma… Chame o doutor Collins, ele está acordando — porra! Quem era essa agora?
— Artur? Você pode me escutar? — percebi alguém ao meu lado e reconheci sua voz.
— Peter? — perguntei com a garganta arranhando e muito confuso. Recebi seu sorriso em resposta.
— Meu rapaz, você é muito forte sabia! Como se sente? — começou a me examinar e foi então que percebi que Peter, amigo da família há anos estava cuidando do meu quadro. Com certeza por ordem de George.
— Um pouco tonto ainda — fechei e abri os olhos devagar.
— Completamente normal para seu estado, Artur. Você acabou de voltar de um coma induzido por conta da cirurgia. Nós extraímos a bala e graças à Deus não precisamos ao menos entubá-lo. Correu tudo bem.
— Linda, onde ela está? — ele sorriu mais uma vez chamando a enfermeira.
— Chame alguém da família que esteja aqui no hospital, por favor.
— Pode deixar, doutor, farei isso agora.
— Obrigado — voltou a me examinar. — Você é um homem de muita sorte, Artur. Linda é magnífica, além de ser muito forte. Enfrentou tudo com uma dignidade única — senti uma pontada de ciúme por ter deixado minha mulher sozinha e recebendo elogios por todos os cantos. Não gostei, mesmo vindos de Peter, um amigo da família. Ninguém precisava enumerar as qualidades da minha mulher, eu sabia todas de cor e salteado, pois Linda era minha... Só minha!
— Ela é extraordinária, Peter — disse seco, o fazendo rir ao mesmo tempo em que Ethan entrava em meu quarto, aturdido.
— Graças à Deus, irmão! — ele veio em minha direção e pude sentir a dor do seu abraço, mesmo sem tê-lo ganhado.
— Ethan, é melhor você se controlar — Peter o advertiu. — Ele ainda está em recuperação.
— Ok! Desculpe-me — parou onde estava e sorriu. — Na verdade fiquei emocionado. Como você está, amigo? Que susto!
— Eu estou bem, Ethan, um pouco tonto ainda. Preciso de Linda e Sophie agora aqui comigo, vá buscá-las, por favor — disse mais calmo.
— Amigo, Linda foi para casa descansar, mas estou indo agora mesmo buscá-la, ela vai enlouquecer, espera… — ele parou em dúvida. — Sophie?
— Ethan, traga-as até mim, agora — fui firme.
— Ok! Eu vou — ele saiu do quarto e era uma questão de tempo para que eu pudesse rever minha mulher, a minha companheira, amiga, amante.
Linda e Sophie eram meu mundo, sem elas nada mais faria sentido.
Peter ainda me fez passar por alguns exames e pude perceber que ainda sentia muita dor.
Mas, torturante mesmo foi a espera por minha princesa. Só quando senti seu perfume, ainda de olhos fechados, tive a certeza te ter feito a coisa certa, me jogando na sua frente colocando meu corpo entre ela e a bala. Não poderia correr o risco de Linda estar no meu lugar e muito menos imaginar os riscos de perdermos nossa filha. Uma menina… Sophie… Meiga, e ao mesmo tempo determinada e forte, como a mãe.
— Doutor Collins! Posso entrar? — ela disse da porta. — Ele está bem? – percebi por sua voz que estava chorando. Minha menina.
— Estou acordado, princesa — virei meu rosto devagar para deslumbrar-me com seu sorriso com a mão na boca, misturado com suas lágrimas. Linda estava linda com um vestido azul marinho feito especialmente para gestantes com os detalhes em rosa. — Você está linda — estiquei minha mão para que ela chegasse mais perto. — Como senti sua falta!
— Oh, meu Deus! Eu amo você! — ela correu até mim, porém mais cuidadosa que Ethan, Linda parou a centímetros da minha cama como se estivesse com receio de me tocar. — Doutor, eu posso? — perguntou sem graça.
— Devagar, os ferimentos ainda estão muito sensíveis — ele sorriu. — Vou deixá-los a sós e preparar sua transferência para a Terapia Semi Intensiva, pelo menos até amanhã à noite.
— Obrigado, Peter — disse sincero. — Devo minha vida a você.
— Apenas fiz o meu trabalho, Artur.
— Não, Doutor Collins, Artur tem razão — Linda se aproximou entrelaçando nossas mãos. O que descarregou em mim uma adrenalina como se voltasse a viver exatamente naquele momento. E sentindo isso, ela se virou sorrindo para mim.
— Vou deixar vocês a sós. Com licença.
— Toda, Peter — Linda virou seu corpo totalmente para minha cama e nossos olhos se conectaram pela primeira vez, profundamente. — Eu amo vocês! — ela sorriu tocando meu rosto, fazendo com que meus olhos se fechassem pelo aconchego daquelas mãos. — Senti tanta falta das suas mãos — começou a chorar de olhos fechados, como se estivesse em oração.
— Só das mãos? — ri fracamente por conta do ferimento. — Pensei que gostasse de outras partes do meu corpo, Senador — ela fez graça.
— Não vamos discutir isso agora, não é, Linda Marilyn? — ela se abaixou um pouco, tocando nossos lábios.
— Claro que não — sorriu travessa. — Estava com tanta saudade — continuou acariciando meu rosto.
— Você não sabe como me fez falta quando não estava aqui — ela sorriu como se lembrasse de algo.
— Você nos escutava… — ela confirmou. — Ethan está surtado procurando por Sophie — ela gargalhou entre lágrimas, fazendo-me rir também.
— Sim, eu escutei tudo, quer dizer... Tudo muito nebuloso, entrando e saindo da consciência, porém, suas visitas... — toquei seu rosto pela primeira vez a vendo deitar em minha mão — eu a escutei todas às vezes.
— Então você já sabe — ela tocou seu ventre com minha mão.
— Sophie — disse emocionado. — Nosso maior presente.
— O complemento do nosso amor — Linda estava muito emocionada.
— Ela será toda você — sorrimos sem desconectar nossos olhares.
— Então temos um impasse, amor, eu quero que ela seja inteira você — pausou pensando — Um pouco menos teimosa, talvez.
— Então estamos em um impasse novamente, princesa — sorrimos juntos. — Sua teimosia também é bem complicada. Que história é essa de coletiva?
— Senador? Com licença — a enfermeira entrou no quarto fazendo com que Linda se afastasse. — Precisamos sedá-lo para transferi-lo para o quarto.
— Posso ir acordado — falei com tom autoritário.
— Não pode não — minha mulher conseguia ser mais mandona que eu. — Você tem que obedecer o que o médico disser — bufei recebendo uma injeção no soro.
— Não saia do meu lado — alcancei sua mão, apertando-a.
— Nunca faria isso — beijou meus lábios de leve, acariciando meu rosto. — Eu amo você. Quando acordar já estará no quarto e nós ao seu lado.
— Posso confiar? — disse grogue.
— Você sabe que sim — nos beijamos novamente, porém, mais profundamente, tocando pela primeira vez nossas línguas, e a junção delas, como sempre, nos fez gemer. Nos afastamos sorrindo, percebendo que a enfermeira havia nos deixado a sós.
— Eu amo você.
— Eu também, amor, estou muito feliz — fechei os olhos com a imagem do sorriso mais lindo que um dia poderia imaginar ter e ele era apenas meu.
— Isso, Jared, pode liberar o outro boletim e dizer que ele já está no quarto — ouvia tudo muito baixo e confuso. Mas sabia que era Linda dando alguma ordem para meu assessor.
— Linda? — a chamei.
— Oi, meu amor! Que bom que acordou — ela veio em minha direção enquanto tentava abrir os olhos. — Jared nos falamos depois.
— Ok! Linda. Artur, seja bem-vindo de volta.
— Obrigado, Jared — disse com a voz rouca.
— Volto depois.
— Ok! — Linda voltou à atenção para mim novamente. — Você se sente melhor? — deu-me um selinho.
— Quando vão parar de me dopar? — perguntei bravo.
— Bem melhor… — ela revirou os olhos sorrindo e sentando-se ao meu lado.
— Linda, por que está tomando conta pessoalmente da assessoria? Aconteceu alguma coisa que não estou sabendo?
— Não, amor — gaguejou, sem me olhar nos olhos.
— Linda — toquei seu rosto com dificuldades para me mexer —, você não consegue mentir para mim, princesa.
— Vamos descansar, amanhã teremos um dia cheio de visitas e você precisa se recuperar — me deu mais um selinho.
— O que aconteceu, Linda?
— Amanhã prometo que conto tudo, mas olhe a hora — ela apontou para o relógio em seu pulso com diamantes cravejados, uns dos presentes de aniversário daquele ano, dias antes do lançamento do livro. — Estamos no meio da madrugada... Vamos esperar amanhecer assim poderemos conversar melhor.
— Não vai adiantar discutir, vai?
— Não — ela sorriu aproximando nossos rostos. — Eu amo você.
— Também amo você, princesa — enquadrei seu rosto entre as mãos e a beijei apaixonadamente, precisando separar nossos lábios quando o ar nos faltou.
— Como senti falta disso também — ela mordeu os lábios.
— Não faça isso, Linda Marilyn, estamos há mais de um mês sem sexo e não queremos ser pegos em uma cena explícita dentro de um hospital, não é?
— Com certeza não, amor — se ajeitou na cama, enquanto eu deitava a cabeça em seu colo e começou a fazer um cafuné que me levaria à inconsciência em poucos minutos.
— Então, precisamos montar um enxoval em Paris? — ela sorriu, beijando minha testa.
— Sim — disse animada. — Amor, Paris tem tudo que precisamos para o enxoval de Sophie, vai ser perfeito. E também precisamos começar a pensar na decoração dos quartos…
Eu sabia que Linda estava fazendo de propósito. Em pouco tempo eu estaria dormindo profundamente em seus braços, apenas sentindo suas mãos em meu cabelo.
— Oh, meu querido que bom que está acordando — minha mãe estava ao meu lado, beijando minha testa.
— Mãe.
— Oi, como se sente? — disse carinhosamente, mas no momento, só queria saber onde Linda havia se metido.
— Eu estou bem, onde está... — não precisei completar a pergunta, pois minha mãe sorriu apontando para a porta do quarto, onde Linda conversava com meu pai, porém, assim que me viu, abriu seu maior sorriso e veio ao meu encontro.
— Oi, amor, que bom que acordou. Seus pais querem vê-lo, conversar... — ela me deu um selinho.
— Filho, como está se sentindo? — George se aproximou da cama também.
— Bem melhor, pai, obrigado — Linda sentou ao meu lado.
— Filha, você precisa descansar também — mamãe disse carinhosamente.
— Eu estou bem, Emma — minha princesa sorriu, acariciando meu rosto.
— Linda, minha mãe tem razão, eu vou ficar bem e tirei você e Sophie da cama no meio da madrugada.
— Sophie? — meus pais disseram surpresos e vi Linda corar, envergonhada.
— O quê? Você não contou a eles, princesa?
— Não. Quer dizer, gostaria de contar com você ao meu lado.
— Então vocês estão querendo nos dizer que nossa menininha…
— Sim, Emma — minha mãe tocou o ventre de Linda, emocionada. Já meu pai ainda estava estático.
— Pai! — o tirei do transe.
— Meus filhos, isso é muito emocionante para mim — George se aproximou também tocando o ventre da minha esposa. — O nome da minha mãe.
— Sim, pai — olhei para Linda que novamente tinha lágrimas nos olhos —, escolha inteiramente da minha princesa.
— Eu apenas quis homenagear quem foi de extrema importância na nossa família — ela disse soluçando.
— Oh, meu amor, não chore, você é muito especial — Emma a abraçou.
— Não quero que pensem que sou uma aproveitadora, nunca, por favor. Eu apenas os amo — ela me olhou intensamente e naquela hora me veio uma vontade absurda de matar Melissa Clark. Isso era culpa dela, eu tinha certeza.
— Filha, como eu disse ontem depois da coletiva, você é uma Scott, por sua determinação, sua força, seu dom para governar. Você é parte imprescindível para essa família e apenas veio para complementá-la, como nossa pequena Sophie — George disse emocionado. — Obrigado por essa linda homenagem à minha mãe. Ela ficaria muito emocionada.
— Eu que agradeço — Linda sorriu beijando os dois docemente e depois veio para meu lado novamente. — Vocês me fizeram chorar de novo — a puxei e beijei cada lágrima, como costumava fazer.
— Eu amo você por tudo — ela se aninhou em meus braços com cuidado.
— Também amo você, meu amor mais lindo.
— Até que enfim achei você, Senhora Linda Marilyn Scott, você precisa descansar — Ruth invadiu o quarto fazendo todos rirem. — Oh, meu querido, como você está se sentindo?
Será que essa seria a pergunta corriqueira durante os próximos dias?
— Estou bem, Ruth, obrigado. E leve-a para casa, sim — Linda revirou os olhos. — Princesa, você precisa descansar, pense em você e em Sophie.
— Sophie? — sorrimos todos novamente e contamos mais uma vez a história do nome da nossa filha.
Em seguida, Linda foi para casa descansar, acompanhada de Ruth, prometendo sair com três seguranças. Jonathan com elas no carro e mais dois em um carro atrás. Meus pais ficaram ao meu lado e precisei prometer a ela também que descansaria, não falando de política e negócios.
Quando promessas foram feitas de ambas as partes ela me beijou e se foi.
Mas precisava entender o que estava acontecendo ao meu redor e por que tantos mistérios. Linda não assumiria a assessoria de imprensa e nem daria uma coletiva apenas por meu atentado. Me comuniquei com meu pai através dos olhos e, entendendo meu recado, se levantou indo até minha mãe.
— Emma, você buscaria um café forte para mim, por favor, querida? — ela ergueu os olhos, ressabiada, olhando de mim para ele e se levantou.
— Vocês não estão me expulsando do quarto para poderem falar de política à vontade, estão? — tão esperta minha mãe. — George, nosso filho está se recuperando! — disse zangada.
— Claro que não, querida. Apenas estou precisando de um café, por favor — ele tocou seu rosto. Meu pai estava usando as táticas da sedução Scott e tive que segurar o riso.
— Se puder trazer um para mim também, mãe — ela me olhou, brava.
— Você já está se recuperando muito bem, não é, Artur Sebastian?! Eu vou, mas se chegar e pegar os dois trabalhando ou falando de política ligo para Linda no mesmo instante. E o senhor — ela apontou para mim —, não vai querer sua esposa de volta aqui sem pelo menos ter descansado algumas horas, certo, Senador?
— Prometo que me comportarei, mãe. Por favor, deixe Linda descansar, ela não deveria estar passando por isso.
— Eu sei, querido, mas ela se mostrou muito forte, o que surpreendeu a todos.
— Não a mim — sorrimos orgulhosos da minha princesa.
— Volto logo — se virou em direção à porta. — Comportem-se.
— Agora somos nós dois, Governador. O que está acontecendo? — fui o mais claro possível, não tínhamos tempo para por menores.
— Você tem que me prometer manter a calma, senão serei crucificado pelas duas Senhoras Scott — ele sorriu, porém, no instante seguinte já mantinha a postura séria dos homens da nossa família. — Estamos envolvidos em um escândalo de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro.
— Como? — perguntei em choque.
— Fomos envolvidos em um escândalo através de uma matéria de jornal, juntando nossos nomes a empresas fantasmas, contas no exterior, corrupção, jogos de interesses...
— Ryan e Raquel Laurence — cuspi.
— Com certeza!
— Mas se eles usaram as próprias falcatruas para nos incriminar… — parei pensativo. — Nós temos essas provas contra eles — confirmei.
— Exato. Mas eles ainda não sabem e nem vão saber, apenas quando forem presos por seu atentado, todos os crimes já denunciados e falsidade ideológica.
— Quem foi?
— Victor Parker.
— Canalha, tinha que ser um Parker — explodi com ódio e meu peito reagiu com uma fisgada. — Eu mato esses desgraçados. Ai! — meu pai correu até a cama.
— Eu disse que não poderia se exaltar, Artur — ele tocou meu ombro, encostando-me no travesseiro.
— A coletiva… — gemi com dor.
— Ideia de Linda para mostrar a todos que não estamos fugindo e, principalmente, dar uma atenção especial à população que está se revezando em vigília, desde o dia do seu atentado.
— Ela enfrentou tudo sozinha à frente das câmeras — disse orgulhoso, mas pausei. — Porra, pai, ela está grávida!
— Eu avisei sobre isso e que você não gostaria nada da ideia, mas quem tira algo da cabeça de um Scott, me diga?
— Ninguém — balancei a cabeça. — E como estão as junções das provas?
— Você e Linda nasceram um para o outro, não existe outra explicação — meu pai sorriu. — Sobre o processo, estamos montando a documentação para quando formos intimados a depor. Preferimos manter sigilo absoluto, pois será um golpe único.
— Tomaram a decisão certa. E o que Linda disse para acalmar os ânimos da imprensa?
— Na verdade, optamos pelo silêncio, como já lhe disse, mas sua mulher deixou muitas coisas no ar.
— Como assim?
— Com uma única frase sobre esse assunto quando perguntada, ela disse: “A inteligência é algo a ser aplaudido, já o amadorismo algo para se sentir pena”. — sorri orgulhoso do amor da minha vida.
— Ela é uma fortaleza.
— Linda nos deu uma lição de vida, filho. Defendeu nossa família com unhas de leoa.
— Uma leoa grávida — sorrimos assim que mamãe entrou no quarto.
— Comportados?
— Como a senhora mandou — papai disse pegando o café das suas mãos.
— Eu preciso fazer uma pergunta a vocês dois e quero que sejam honestos comigo — eles se entreolharam. — O que Melissa aprontou? — minha mãe esfregou as mãos e George começou a andar de um lado para o outro.
— Filho, na verdade…
— Mãe, eu sei que aconteceu algo entre ela e Linda. E por esse motivo minha mulher foi parar na enfermaria.
— Melissa esteve no seu quarto sem ordens da família. Ela aproveitou que eu estava em casa, Linda e seu pai na coletiva, e entrou.
— Mas os seguranças não estavam avisados?
— Eles conhecem Melissa, Artur, ela deve ter dito que estava autorizada.
— E aí? — estava explodindo de raiva.
— Elas se encontraram no corredor no momento que Linda voltava da coletiva e Melissa…
— O que ela fez? — perguntei irritado.
— Ela a ofendeu, Artur. Chamou-a de aproveitadora, acusando Linda de estar enganando nossa família com a desculpa de amar a história dos Scott — meu pai continuou.
— Eu mato essa desgraçada — tentei me levantar.
— Sua lista está grande, filho, mas para isso é preciso se recuperar.
— Linda está bem, querido, você mesmo viu isso. Foi apenas um susto devido o estresse causado durante esses dias.
— Ela sempre teve tanto medo de ser comparada a uma oportunista... — disse sofrido.
— Se depender de nós isso nunca vai acontecer, filho. Nós a amamos como uma filha.
— Obrigado, mãe, ela fica muito feliz com isso.
— Nada vai acontecer, filho. Já falei com Jordan pedindo para manter sua filha afastada de nós, com muito tato, é claro, pois eles são nossos amigos de anos.
— Tato é uma porra, ela ofendeu minha mulher e vai se ver comigo.
— Vamos ficar calmos agora, está quase na hora da sua mulher voltar e não quero que Linda o veja assim. Tente descansar um pouco — minha mãe acariciou meus cabelos, como fazia quando eu era criança.
— Tudo bem, mas assim que me recuperar, eles que se preparem, pois não conhecem a fúria de um Scott.
— Melissa está mais que avisada, meu filho. Seu pai fez um bom trabalho a ameaçando.
— Ninguém mexe com quem eu amo e saí ileso — naquele momento uma enfermeira entrou me aplicando mais um sedativo. E pela primeira vez não o recusei. Estava mesmo precisando me acalmar.
Acordei meio grogue novamente, olhando ao redor e encontrando Jared e Ethan ao lado da minha cama.
— Estão me velando?
— Claro que não, amigo, bate na madeira. Apenas esperando você acordar — Ethan brincou, como sempre.
— Rebaixaram seus cargos para minhas babás? — disse sarcástico.
— Nada disso — Jared se pronunciou. — Estamos aqui de livre e espontânea vontade. Seus pais foram almoçar.
— Como eu disse, babás — sorri fracamente.
— Como está, amigo?
— Bem, na medida do possível. Mas, aproveitando que estamos apenas os três aqui, quero algumas informações e também assistir a coletiva de Linda.
— Artur…
— Sem mais, Jared. Meu pai já me colocou a par de tudo. Apenas façam o que eu pedi — estiquei a mão para o tablet de Ethan.
— A Linda vai me demitir — sorri do poder da minha Primeira-dama.
— Eu o contrato novamente, não se preocupe. Agora me dê logo essa droga para que eu possa assistir.
— Tudo bem — peguei o aparelho de suas mãos e comecei a ver a desenvoltura de minha Primeira-dama em frente às câmeras. Na coletiva, mesmo sofrendo, Linda passou muito bem o recado da família Scott.
— Posso saber o que significa isso? — abaixei o tablet vendo Linda em minha frente, com uma camisa branca e uma saia estampada de verde. Ela estava iluminada, mas muito brava. — Eu fiz uma pergunta, Artur Sebastian! Não bastou levar uma bala no peito? — ela tirou o aparelho das minhas mãos. — E vocês — entregou–o para Ethan —, estão dispensados. Saiam da minha frente antes que eu os demita por justa causa — eles sorriram assim que ela se virou para mim e saíram de fininho, me deixando enfrentar a fera, sozinho. — Pedi tanto para você se cuidar — disse mais mansa, aproximando-se.
— Me perdoe, princesa — toquei seu rosto vendo-a se entregar aos meus toques.
— Você me deixa maluca, sabia? — beijou a palma da minha mão, vindo se deitar comigo. — Sentiu minha falta?
— Como se faltasse um pedaço do meu coração — ela sorriu me beijando castamente.
— Tão clichê — gargalhei tocando seu rosto.
— Loucamente apaixonado, eu diria — ataquei sua boca sem pedir permissão nos fazendo gemer com o encontro das nossas línguas. — Sinto tanto sua falta que chega a doer, Linda Marilyn.
— Eu também, Senador, mas temos que nos controlar — ela parou com nossas testas coladas. — Ainda estamos no hospital.
— Não vejo à hora de irmos para casa.
— Nem eu — aconchegou-me em seus braços.
— Linda, meu pai me contou tudo — ela endureceu embaixo do meu corpo.
— E você se exaltou e sentiu dor — sorri, erguendo o rosto e encontrando seus olhos.
— Também, mas senti um orgulho imenso da minha mulher — ela abaixou a cabeça.
— Não foi o que acharam.
— Linda, — toquei seu queixo fazendo-a olhar para mim — você teve a coragem de uma Scott de verdade, estou muito orgulhoso de você — ela sorriu. — O que vi naquela coletiva foi uma guerreira, comandando nossa vida com mãos de ferro. Mas também distribuindo amor com uma doçura única. Eu amo você, Linda Marilyn, nunca se deixe rebaixar, entendeu. Nunca.
— Eu sei. Na verdade não deixei. Apenas me envergonhei por seus pais.
— Eles sentem muito orgulho da filha que Deus colocou em suas vidas — ela sorriu com lágrimas nos olhos.
— Também sinto muito orgulho de vocês e por isso não admito ninguém falando mal da nossa família. Vocês não merecem isso.
— Vou acabar com um por um, principalmente com quem cogitou a ideia de te machucar — toquei seu ventre, arrepiando-me só de pensar.
— Nós vamos, meu amor. Mas agora descanse. Quero você em casa o quanto antes.
— Eu também — aconcheguei-me em seu ventre, sentindo nossa filha se mexer novamente. Sorrimos e continuamos ali, conversando com Sophie em uma sintonia única.
Ficaria bom logo, afinal eu precisava ir para casa e lutar pelo nome da minha família, acabando com os amadores que pensaram chegar aos nossos pés. Mas como disse sabiamente minha linda esposa: “a inteligência é para ser aplaudida, porém o amadorismo é para se sentir pena”. Eu diria mais…
O amadorismo existia para ser massacrado…
E era isso que ia fazer com quem imaginou atravessar o caminho da minha família.
Dormi aconchegado nos braços de Linda e era assim que gostaria de ficar até ser liberado de uma vez. Depois, começaria uma guerra com minhas próprias armas.