O Senador

Fernanda Terra · Capítulo 12 de 36

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O Senador

Capítulo 11 · Mais um dia de trabalho concluído. Voltei…

 

Mais um dia de trabalho concluído. Voltei sozinha para a pousada onde estava hospedada, me deitei na pequena cama e novamente me acabei, chorando de saudades.

Estava há uma semana em Sumas e, olhando pelo lado profissional, não poderia estar melhor, era uma experiência única. A receptividade da população facilitava muito meu trabalho enquanto elaborava a matéria para a revista de Mark e trabalhava montando meu projeto pessoal. Sem contar que conhecer Sumas mais profundamente, para uma historiadora da vida dos Scott como eu, era um sonho. Foi incrível conhecer a cidade onde tudo começou... Era uma volta ao passado, literalmente. Principalmente durante uma visita à casa onde o Presidente Sebastian nasceu e cresceu. Ela tinha sido transformada em um museu que contava a história da família e da política da época e era mantido pela Scott’s. Também visitei vários outros pontos da cidade que minha pesquisa indicava.

Eu estava revivendo todo o começo da vida política dos Scott, o que era uma experiência fantástica. Sumas também me proporcionou novas amizades de presente. Assim que cheguei, me hospedei em uma das únicas pousadas do local, muito charmosa e limpa, apesar de simples. Sua proprietária, Ana, junto com seus filhos Dibe e Mai, me cativaram desde o começo, com uma receptividade sem igual, tomando conta daquele lugar maravilhoso com muito amor. Através deles, também conheci um grande e bom amigo da família que se tornou meu guia diário nas visitas pela cidade. Átila era um garoto de vinte anos que tinha a mesma alegria e simplicidade de toda população local.

Aquilo tudo era tão diferente da minha vida em Nova York ao lado dele... Mesmo sendo a cidade de seu avô, Artur já havia nascido em Washington, como eu, e herdando a sofisticação do poder dos Scott em DC. Aqui em Sumas, a essência da família e especialmente da cidade, eram completamente opostas.

A simplicidade era o ponto alto e por esse mesmo motivo fui tão bem acolhida e recepcionada aqui, dando sorte e passando despercebida até então. Ninguém havia me reconhecido e, para todos os efeitos, ali eu era Monica Lewis, uma jornalista ruiva fazendo pesquisas sobre política para uma matéria especial da revista que trabalhava em Nova York.

Claro que ninguém sabia que o motivo real para estar ali era porque eu estava fugindo. Mesmo assim, ainda tinha esperança que ele aparecesse dizendo que me entendia e, principalmente, ficasse ao meu lado desvendando aquela linda história do seu passado, como eu havia deixado subentendido na minha carta de despedida. Esperava por Artur todas as noites, mas no fundo sabia que sonhava alto demais. O máximo que o Senador Scott podia fazer era mandar seu jatinho com Jonathan para me resgatar. E é claro que eu não iria, pois tinha um contrato com Mark e não decepcionaria meu amigo, que me deu essa matéria em sinal de extrema confiança.

Sentia tanta falta do seu corpo ao junto ao meu, seu sorriso, o beijo de boa noite antes de dormir, de me aconchegar em seu peito, da sua voz, que chegava até a doer. Entretanto, não poderia dar o braço a torcer, não depois de ter conseguido me afastar. Artur teria que vir atrás de mim, me mostrando que me queria ao seu lado, mesmo com tantas dúvidas pairando em minha mente. E se ele não me quisesse mais? Se os quase dois anos que passamos juntos tivessem sido apenas um passatempo? Eu era apenas uma menina inexperiente que não sabia nada da vida quando começamos. Meu maior medo era que ele enjoasse de mim e partisse para algo novo e envolvente, principalmente mais bonitas e manipuláveis que eu…

Argh!

Tentei sem sucesso ler mais um trecho de 4 Função CEO – A Descoberta do Amor, o

segundo livro de uma trilogia que havia me encantado desde o começo, porém não consegui.

Dormi mais uma vez chorando de saudades, medo, tristeza e sentindo-me completamente vazia.

Na manhã seguinte acordei disposta a colocar meu próximo plano em prática.

Tinha enviado um celular para Mary, para que pudesse me comunicar com ela sem que a S.W.A.T. 5 fosse colocada atrás de mim.

Disquei do meu celular novo e também protegido de rastreamento e esperei que ela me atendesse.

— Mary?

— Linda! Graças a Deus, amiga. Estamos todos loucos sem notícias suas. Onde você está?

— Calma, Mary, respira — sorri, me lembrando do desespero nato da minha melhor amiga. — Eu estou bem, por favor, diga isso aos meus pais — suspirei pensando nos dois —, Sal e Ruth devem estar loucos.

— Eles estavam. Mas, nesse momento, estão furiosos por você ter feito isso sem ao menos se despedir deles.

— Mary, eu não tinha tempo para isso, apenas avise que está tudo bem. Faça isso por mim, amiga.

— Eu aviso, Linda, para todo mundo, entendeu? Você não imagina a situação que ele está… — não deixei que ela terminasse, seria muito duro para mim ouvir que Artur estivesse sofrendo ou… Não gostaria nem de pensar.

— Mary, eu estou bem mesmo, apenas com saudades — falei sentindo um nó se formando na garganta.

— Estão todos loucos aqui. Você está fazendo aquela matéria do Mark, não está?

— Eu não posso falar, amiga.

— E não precisa. Já me respondeu, mas o que pretende com isso? — ela perguntou séria.

— A única pessoa que precisa saber, já sabe o porquê disso tudo, Mary…

— Amiga ele está…

Assim que Mary começou a falar, vi Átila entrando na pousada para mais um dia de expedição e resolvi dar aquela conversa por encerrada, pelo menos por enquanto.

— Mary, eu preciso desligar, cuide do Sal e Ruth por mim, e…

— Eu já entendi. Mas, por favor, não faça nenhuma besteira.

— Eu não vou fazer. Só quero que ele venha me buscar, apenas isso — senti lágrimas escorrendo no meu rosto e tentei disfarçá-las, porém Átila as viu, olhando-me preocupado. — Eu amo você, amiga, se cuida.

— Você também. Me ligue, vou deixar esse aparelho longe das garras dos Scott, se é isso que você quer.

— Você sabe o que eu quero.

— Eu sei. E tenho certeza que essa está sendo uma lição e tanto para ele.

— Eu espero!

— Beijos, amiga.

Desliguei o telefone suspirando e deixando que meus pensamentos voassem para bem longe dali, mais precisamente em Nova York num certo tríplex, o mais famoso da cidade. E sorrindo, disse para mim mesma:

— Ele me ama.

— Oi, está tudo bem? Por que está chorando? — perguntou meu novo amigo se aproximando. Sorri ainda mais, tentando secar minhas lágrimas.

— Está tudo bem sim, Átila, só estava conversando com uma amiga, quer dizer, minha melhor amiga.

— Desculpe me intrometer, mas por que está se escondendo? — ele sentou-se à minha frente.

— Não entendi — meus dedos começaram a gelar, pois senti que estava sendo descoberta.

— Linda Stevens. Não é esse seu nome? Quase a Primeira-dama dos Estados Unidos.

— Átila... — tentei argumentar.

— É por causa dele que está aqui, foragida?

— Seria burrice vir me esconder dele justo na cidade natal de sua família, não acha? — me entreguei. E levantando segui para a porta, despedindo-me de Dibe na portaria, tentando arrumar a peruca que tinha impressão de estar torta.

— Então por quê? — ele segurou meu braço na porta.

— Átila, estou aqui a trabalho e não conseguiria realizar minhas pesquisas sendo a pessoa mais famosa da cidade — dei de ombros, colocando meus óculos de sol, enquanto começávamos a andar.

— O Senador a faz feliz, Linda? Acho que posso chamá-la assim, certo? — olhei para ele sentindo sua voz chateada. — Desculpe, mas estou vendo que está triste desde que chegou aqui e ele tem uma cara... — Átila fez uma careta, fazendo-me sorrir.

— Respondendo sua primeira pergunta, sim, você pode me chamar de Linda. Nada mudou por ter descoberto meu disfarce — apontei para a peruca ruiva. — E sobre Artur — suspirei —, ele é uma pessoa muito especial, dura e implacável sim, mas muito carinhosa e me faz completamente feliz.

— E o que você está fazendo aqui sozinha?

— Estou no meio de uma pesquisa, lembra? — tentei amenizar a situação. — Você foi contratado para me ajudar. E ele… — respirei fundo — Está trabalhando.

— Me desculpe, mas é difícil imaginar que aquela mulher tão linda e chique ao lado do Senador Scott e você são as mesmas pessoas — sorri.

— Essa sou eu, Átila.

— Mas tenho certeza que o Senador não se adaptaria tão bem a essa realidade. Ele nunca vem aqui.

— É, devo concordar que Artur demoraria para se acostumar em Sumas, mas nem por isso deixa de ser uma pessoa incrível — sorri ainda mais ao me lembrar do meu noivo.

— Mas ele é muito bravo e até um pouco prepotente.

— Um pouco não! — ele me olhou confuso. — Artur é muito prepotente! — gargalhamos.

— Será que ele ficaria muito irritado por eu achar sua noiva linda? — ele disse tocando em meu anel de noivado. Tratei logo de tirar minha mão do seu alcance. — Desculpe, mas você é — dessa vez ele tentou tocar meu rosto, em vão, já que prontamente desviei de seu toque.

— Sim, além de prepotente, o Senador é a pessoa mais ciumenta que já conheci — falei, deixando as coisas mais claras possíveis.

— É melhor nós irmos, então, Primeira-dama — Átila começou a andar, mas segurei seu braço.

— Acho que você sabe que minha identidade precisa permanecer em sigilo, não é?

— Segredo de estado, Primeira-dama — ele riu.

— Átila, estou falando sério! Não vou conseguir terminar minhas pesquisas se for descoberta. Mas, espere aí... — parei em sua frente me sentindo uma anã por conta de seus quase dois metros. — Tem mais alguém sabendo?

— Não, Linda, fique tranquila. Ninguém percebeu nada. Só eu. Acho que deveria ser detetive ao invés de guia.

— Vamos então, Sherlock Holmes — sorri, batendo em seu ombro e voltamos a caminhar.

Eu continuaria minhas pesquisas, assim como a minha espera… E nada mudaria isso, muito menos o amor que sentia por Artur, que às vezes me dava a impressão de ter vindo antes mesmo do meu nascimento, de tão forte que era.

Eu nunca deixaria de esperá-lo, principalmente depois da minha conversa com Mary. Eu não queria ouvi-la falar sobre ele, mas tive a certeza de que minha fuga mexeu com Artur, comprovando que ele ainda me amava.

Peguei-me sorrindo, apoiado na bancada da cozinha do tríplex, lembrando da minha princesa dançando Kesha enquanto cozinhava para nós.

Linda tinha o dom! Ao mesmo tempo em que me surpreendia com suas atitudes, demonstrando sua maturidade, me deixava ainda mais apaixonado quando seu lado menina aflorava.

Eu estava longe dela há quase vinte dias e isso era enlouquecedor para mim. Não sabia mais onde procurar. Já havíamos estado em praticamente todos os lugares onde costumávamos ir e nada.

Todas as equipes de confiança da Scott’s estavam a postos. Sal também havia entrado em ação, separando seus melhores soldados do Pentágono para a missão e nem isso não foi o suficiente. Linda queria que eu a achasse, mas não havia me deixado nenhuma pista, o que para mim era demais.

No dia seguinte à sua partida, Sal e Ruth vieram para Nova York. E é claro que corri um sério risco de ser morto pelo Chefe da mais protegida instituição do mundo, mesmo vendo o estado deplorável em que eu me encontrava – o que não havia mudado muito com o passar dos dias.

Mesmo assim, nós conversamos civilizadamente e quando contei para meus sogros o real motivo da minha briga com Linda eles se acalmaram, visto que o Chefe Stevens cuidava pessoalmente da sua equipe na busca à filha. Mas, era eu que tinha de achá-la!

Linda havia sido bem clara em sua carta, essa que eu relia pela milésima vez não conseguindo encontrar nada que me levasse até ela, apenas os absurdos que pensava sobre mim.

Eu tinha certeza que quando a encontrasse, a pegaria de um jeito tão forte que nenhum de nós iria se esquecer de que pertencíamos um ao outro. Não havia nada mais importante que fazia meu mundo girar. Não havia mais nenhuma mulher interessante, depois de tê-la inteira nos meus braços.

Minha vida havia parado de fazer sentido, literalmente, quando ela saiu por aquela porta em Washington. A política, que antes era a prioridade, tinha se tornado mero coadjuvante. Aparecia no Capitólio apenas quando minha presença era indispensável e na Scott’s não pisava há mais de vinte dias. No mais, passei meus dias trancado na biblioteca, tendo como companhia apenas minhas inseparáveis garrafas de Whisky, me mantendo sempre ligado nas buscas da minha mulher.

Minha mãe e Miranda não sabiam mais o que fazer. Elas tentavam, sem sucesso, me tirar desse estado, porém, sem Linda eu não tinha forças para nada. A culpa me corroía por não tê-la ouvido quando ela mais pediu.

— Artur, você precisa se alimentar, meu filho.

— Eu estou comendo, mãe. Você e Miranda estão me tratando como um bebê — recostei meu corpo na bancada.

— Você está agindo como um... — Emma disse chateada e ali percebi como estava fazendo mal a minha família. — Você precisa reagir, meu amor. Linda não vai gostar de encontrá-lo nesse estado.

— Eu só preciso achá-la, mãe.

— Nós vamos, meu amor. E é por isso que você precisa estar bem, não vai ser bebendo dia e noite que vai conseguir trazer sua mulher de volta.

— Sua mãe tem razão, cara, você não é assim.

Definitivamente, eu estava mal. Ethan também se via no direito de falar comigo como se eu fosse uma criança e o pior era que não tinha forças para retrucar, por isso a cada dia ele se tornava mais atirado.

— Precisamos conversar.

— O que foi agora? — bufei levantando-me e caminhei até a sala.

— O Congresso vai lançar seu nome para a Presidência do Senado. Você precisa estar lá — rosnei, jogando-me no sofá com o copo de whisky nas mãos.

— Quando precisarem de mim eu estarei lá.

— Nada disso. Você está passando dos limites. Sempre foi um político responsável e por isso chegou onde está. Se é Linda Marilyn que lhe aflige, pare de beber e use essa mente para funcionar, indo buscar sua mulher — falou meu pai, entrando furioso na sala e tirando o copo da minha mão.

— Eu não sei mais onde procurá-la — disse cansado, abaixando minha cabeça entre as mãos.

— Você sabe. E Linda está te esperando.

Fechei meus olhos mais uma vez, tentando encontrar algo que pudesse me fazer lembrar, alguma pista ou rastro na memória. E um de nossos banhos me veio à cabeça.

 

— O lhe a boca, Prim eira-dam a.

— M e coloca no chão, eu vou m orrer afogada aqui de cabeça pra baixo — gargalhei gostoso.

— Escandalosa — dei-lhe um selinho. — A m o você.

— M as eu não — L inda fez charm e, sendo agarrada pela cintura.

— N ão m inta — foi sua vez de gargalhar.

— Eu am o, seu chato! — enlaçou seus braços em m eu pescoço, beijando-m e apaixonadam ente. — A m or, quero conhecer Sum as — sorri beijando sua testa.

— Q uer conhecer a cidade natal do m eu avô?

— Sim . Seria m uito bom para as pesquisas do livro conhecer a cidade onde o C lã dos Scott foi iniciado.

— Seu desejo é um a ordem , princesa, nós vam os à Sum as.

— O brigada, am or — nos beijam os m ais um a vez.

— É claro! — sorri orgulhoso da minha descoberta. — Linda está em Sumas.

— Como assim, Sumas? — meu pai e Ethan se entreolharam, confusos.

— Ela me pediu para conhecer a cidade natal do meu avô para complementar sua pesquisa — sorri, levantando-me. — Ela só pode estar lá.

— Sumas… Interessante! — Ethan sorriu.

— Está esperando o quê para ir atrás da sua mulher e trazê-la de volta?

— Nada, pai, já estou indo! — saí em direção à porta. — Ethan, acione o jato e avise Jonathan e Tim — disse empolgado.

— Onde você pensa que vai nesse estado, posso saber? — rosnou minha mãe, voltando da cozinha.

— Mãe, estou indo atrás da minha mulher — a peguei no colo, rodopiando-a pela sala, fazendo com que ela alargasse seu sorriso por me ver feliz novamente.

— Você precisa de um banho antes. Se Linda encontrar você nesse estado não vai reconhecê-lo — Emma disse carinhosamente, enquanto me levava para o segundo andar, mas ainda tive tempo de ouvir Ethan levar uma bronca do meu pai.

— É isso aí, Chefe. Só o senhor para colocar o meninão na linha — George o fuzilou e devolveu:

— Acho que seu patrão mandou você organizar uma viagem, McCartney — sorriu secamente. — O que está esperando?

— É para já, Governador — respondeu indo direto conversar com Jonathan, que pelo jeito já esperava na sala.

Com tudo devidamente arrumado, pedi que meu Chefe de Segurança fizesse contato com as pousadas de Sumas para saber onde eu poderia encontrar minha princesa. Depois de alguns telefonemas, já dentro do jato, a caminho da cidade do meu avô, não encontramos nenhum registro com o nome de Linda nesses locais. O que me fez bater forte na mesa improvisada à minha frente.

— Não pode ser. Ela está lá, eu tenho certeza! — urrei, levantando-me.

— Senador, não poderia a Senhorita Stevens estar usando um nome falso para não ser reconhecida? — voltei meu olhar para Jonathan tentando entender o que ele dizia. — O senhor não teria nenhum nome para procurarmos?

Não tinha pensado naquela possibilidade, afinal que nome que ela escolheria para não ser reconhecida, mesmo querendo que eu a encontrasse?

 

— M ônica L ewis? — perguntei enquanto ela nos levava de volta para a enorm e suíte, já conhecida por nós dois.

— N ão quero m e preocupar com quem vai nos ver saindo daqui am anhã. A penas m e concentrar em lhe proporcionar o m áxim o de todos os prazeres — L inda em purrou m eu corpo para um a poltrona, se dirigindo a um aparador próxim o à porta, apertando um controle rem oto e ligando o som am biente do quarto, onde Beyoncé explodiu nas caixas de som .

 

— Linda, Linda... Que quebra-cabeça, princesa! — sorri voltando para a mesa. — Procure por Mônica Lewis.

— Ok, senhor.

Descobrimos que Linda, quer dizer, Mônica, estava hospedada em uma pousada simples no centro da cidade, intitulada Pousada da Ana.

Desembarquei indo direto para o local indicado por Jonathan, que também havia alugado um carro, já à nossa espera. Apesar do pequeno trajeto, ainda tive tempo de repensar em tudo o que Linda me disse na carta. Ela estava usando um nome falso, porém o que havia dado no Hilton em um dos mais intensos finais de semana das nossas vidas. Assim como também havia escrito, Linda me esperava, e as respostas estavam dentro de mim o tempo todo. Nem os melhores agentes ou soldados do Pentágono a achariam, somente eu podia fazê-lo.

Cheguei à pousada indicada pelo endereço e entrei, sendo recepcionado por uma senhora aparentando ter seus cinquenta anos.

— Boa tarde!

— Boa... Boa tarde! Senador Scott? — sorri do deslumbramento que Linda dizia que eu causava às pessoas.

— Sim, sou eu. E a senhora é a?

— Ana, a dona da pousada — disse envergonhada. Mais um dos meus efeitos.

— Ana, estou procurando a Senhorita Lewis, ela está hospedada aqui — resolvi manter a farsa.

— Claro, Mônica é uma garota encantadora, todos nós a adoramos, Senador — sorri conhecendo muito bem os encantos da minha mulher, principalmente com as pessoas ao seu redor. — Mas ela não está no momento, quer dizer…

Ana apontou para a porta de entrada e pude ver Linda, disfarçada com uma peruca ruiva, vindo em nossa direção toda sorridente com um moleque ao seu lado.

Quem era aquele moleque para fazer minha mulher gargalhar daquele jeito?

Porra! Ela é minha e só eu podia fazer com que ela gargalhasse daquele jeito.

Estava começando a enxergar tudo vermelho quando nossos olhos se encontraram. Percebi o vislumbre de um sorriso aparecer no canto da minha boca, vindo daquela conexão que apenas nós dois tínhamos e sabíamos explicar. A nossa bolha.

— Artur?

— Vejo que você está muito bem, não é, Linda Marilyn?

O ódio daquela cena ainda pairava sobre minha mente.

Função C EO - A Descoberta do Amor 4 - Livro de Tatiane Amaral. S.W .A.T.5 - É um acrônimo em inglês para Special Waepons And Tactics, ou seja Armas Táticas e Especiais.