O Senador
Capítulo 10 · Eu estava simplesmente desesperado! Não sabia para…
Eu estava simplesmente desesperado! Não sabia para onde Linda teria ido à uma hora daquelas.
— Fale comigo, princesa! Atende esse telefone, Linda! — disse pela milésima vez para a caixa de mensagem do seu celular. — Droga! — esbravejei.
— Artur, o que aconteceu? — Ethan entrou na biblioteca desesperado.
— Eu preciso encontrar Linda — joguei-me no sofá, cansado.
— Vocês brigaram?
— Não! Não vê que estamos em lua de mel? O que parece? — ironizei, porém resolvi ir direto ao assunto. — Ethan, Linda descobriu... Não sei o que ela fez, mas já sabe sobre Ryan e Raquel.
— Eu disse para você conversar com ela.
— Não tenho tempo para lição de moral, Ethan, nós precisamos encontrá-la. Tenho medo que Linda tenha feito algo que atice a ira daqueles dois e eles a encontrem primeiro — puxei meus cabelos com força, tentando não pensar naquela hipótese.
— Já ligou para os pais dela?
— Não. Se eu ligar vai dar na cara que brigamos e não quero deixá-los preocupados, não ainda.
— Eu ligo — ele pegou seu celular discando o número da casa dos pais de Linda. — Senhora Stevens? — Ethan colocou no viva voz.
— Sim, quem fala?
— Boa noite, senhora, aqui é Ethan McCartney, assessor de Artur.
— Olá, querido, aconteceu alguma coisa? — Ruth pareceu preocupada.
— Não — fiz um gesto para que ele prosseguisse sem enrolar. — Na verdade estou tentando falar com o Senador e seu celular está dando fora de área, o de Linda também não atende, eles passaram por aí hoje?
— Não, querido, falei com Linda à tarde. Eles tinham um evento agora à noite, devem estar com os celulares desligados — ela respondeu. Droga, onde será que ela havia se metido?
— Ok! Muito obrigado, Senhora Stevens, vou tentar achá-los.
— De nada, querido, se eles aparecerem por aqui peço para entrarem em contato com você.
— Obrigado e uma boa noite.
— Na casa dos pais ela não está — concluiu.
— Mary. Vamos tentar sua amiga.
— Melhor Jared.
— Você tem razão — disquei o número dele que prontamente atendeu.
— Artur?
— Jared, preciso que você pergunte a Mary se ela e Linda se falaram hoje, por favor — disse cansado.
— Artur, elas se falaram a menos de uma hora, mas... — ele pausou, parecendo conversar com alguém, que supôs ser Mary. — Não disse nada. Aconteceu alguma coisa?
— Não, Jared, por enquanto não. Falamo-nos depois, obrigado — desliguei jogando o celular na parede.
— Ela embarcou para Nova York a menos de meia hora — Ethan disse com o celular no ouvido.
— O piloto avisou?
— Não, Artur, ela embarcou em um voo comercial — disse pesaroso.
— Droga! Eu preciso voltar para Nova York agora — escutei um trovão que estremeceu o palácio e foi então que percebi que o mundo estava caindo do lado de fora em forma de chuva.
— Você não vai conseguir embarcar com essa chuva.
— Eu sou Artur Scott e vou voar para Nova York, agora! — tentei sair da biblioteca, mas meu assessor me barrou.
— Nem que você fosse o papa, nada feito! O aeroporto está fechado até amanhã, acabei de confirmar com a torre.
— Ethan, eu preciso encontrá-la, conversar e dizer que só estava querendo protegê-la. Ela não pode enfrentar os dois sozinha.
— Cara, quantas vezes eu te disse para conversar com Linda e não deixar a situação chegar a esse nível?
— Já disse que não preciso de lição de moral — peguei uma garrafa de uísque virando-a direto na boca.
— E nem encher a cara — ele tentou pegar a garrafa de minhas mãos, mas não deixei.
— Me deixa! — comecei a andar de um lado para o outro enquanto Ethan me observava receoso. Ele nunca havia me visto perder o controle. Na verdade, eu nunca perdia o controle. — Não pensei que ela fosse até o fim com isso, nós havíamos conversado e eu já estava à frente disso há muito tempo.
— Deveria ter contado isso a ela, amigo.
— Eu tive medo dela querer se envolver mais.
— E o que ela te disse?
— Nada. Comecei a ficar nervoso e tivemos uma discussão feia, com ela saindo sem me dizer para onde ia.
— Amanhã vocês sentam e conversam, Artur.
— Eu tenho medo que Linda faça alguma besteira com as informações que conseguiu.
— Acho que não — disse certo. — Se Linda descobriu o que nós já sabemos, ela tomará o máximo de cuidado. Sua mulher é inteligente o suficiente para saber que não se deve enfrentar o inimigo de frente e você deveria saber disso — revirei os olhos sem forças para discutir, afinal, sabia que ele estava certo.
Já investigava Raquel e Ryan à cerca de um ano e, desde então, descobri toda a desonestidade dos dois com a Scott’s e, principalmente, sua parceira com os Parker. Eu tinha uma equipe especialmente tomando conta disso, comandados por Ethan, e em hipótese alguma queria Linda envolvida nisso. Porém, meu maior erro foi subestimá-la e naquele momento, pela primeira vez estava com medo de perder o bem mais precioso que já tinha ganhado: minha princesa.
— Aquele calhorda! — rosnei lembrando-me da briga com Linda. — Aquela paquita desgraçada! — Linda só podia ter ido encontrar aquele jornalista de merda.
— Do que você está falando?
— Eu quero o telefone de Mark Adams agora, Ethan — ele deveria saber onde minha mulher havia se metido. — O filho da puta está enchendo a cabeça de Linda com matérias interessantes para a revista dele — urrei. — Eu mato esse desgraçado. É PARA HOJE, ETHAN — o vi sair correndo e em menos de dez minutos voltou com o celular nas mãos.
— Já está na linha — peguei o aparelho apertando-o, querendo que aquilo fosse o pescoço daquele loiro desgraçado.
— Mark Adams.
— Eu sei muito bem quem você é, seu jornalista de merda.
— Quem está falando?
— Aqui é Artur Scott e exijo saber onde está minha mulher?
— Não sei do que está falando, Senador — sua voz transparecia medo, ótimo.
— Não se faça de besta comigo, Adams. Linda me contou das suas propostas e das matérias para sua revista e eu só tenho um recado para você.
— Mas, Artur...
— Se acontecer alguma coisa com Linda, ou se ela aceitar qualquer proposta que tenha vindo de você, sua revista está acabada, estamos entendidos?
— Mas... — desliguei. Não queria ouvir mais uma palavra daquele projeto de homem. Eu acabaria com ele com apenas um telefonema se fosse preciso.
— Não estou entendendo nada — Ethan estava com os olhos arregalados.
— Esse filho da puta é um ex-colega de faculdade da Linda. E hoje, no meio da nossa discussão, ela me disse algo relacionado a matérias que deveria ter aceitado fazer para a revista dele. Eu não posso deixar Linda se afastar, não vou aguentar ficar sem ela — disse completamente entregue. — Ela está correndo risco de vida, Ethan — abaixei a cabeça, apoiando-a em minhas mãos sem saber o que fazer.
— Nós vamos encontrá-la, mas agora você precisa dormir, cara — ele colocou as mãos em meu ombro, cansado. — Eu vou ficar por aqui de olho para que você não faça nenhuma besteira — revirei os olhos novamente, já completamente bêbado. Tinha acabado de virar o último gole da garrafa de uísque, não tendo condições para mais nada.
— Faça o que quiser, Ethan, eu vou ficar por aqui.
— Então vou ficar na sala de olho em você, Artur Scott. Eu o conheço não é de hoje — bufei ao vê-lo sair da biblioteca e me estirei no sofá tentando imaginar onde minha princesa estaria naquele momento. A sensação de impotência estava presa na minha garganta. Queria conversar, explicar o porquê de ter feito aquilo, mesmo que fosse tarde demais. Ela havia me dado tantas chances e eu as desperdicei, uma a uma. Fechei os olhos tentando sentir sua boca em meu peito, dizendo que me amava, ritual que fazíamos todas as noites antes de dormir e caí na inconsciência logo depois, com certeza, por conta da garrafa inteira de uísque que havia tomado.
Na manhã seguinte, embarcamos para Nova York com Ethan reclamando por eu não ter ao menos trocado de roupa. Na verdade, estava mesmo em um estado lastimável, mas pensaria em mim depois, naquele momento minha preocupação era Linda, que não estava no tríplex, o primeiro lugar onde a procurei assim que pisei na cidade. Desde a noite anterior, havia deixado Miranda de sobreaviso, caso ela aparecesse por lá. Em seu antigo apartamento ela também não estava... Linda estava fugindo de mim. Nosso telefone particular estava desligado, impedindo que eu a rastreasse. Ela também não tinha ido para um lugar onde eu a encontrasse com facilidade e o que me restava, era recorrer a sua melhor amiga, mas minhas esperanças eram míninas, já que se Linda tivesse aparecido no apartamento de Mary, Jared me avisaria.
Antes mesmo de pensar no próximo passo a seguir, Ethan veio até a janela do apartamento onde eu estava, falando com alguém pelo celular.
— O que foi? — virei encontrando seu semblante preocupado.
— É melhor irmos até a Scott’s — desesperei-me.
— O QUE ACONTECEU, ETHAN? — o peguei pelo colarinho da camisa.
— Parece que chegou uma encomenda para você lá, quer dizer, para você e para seu pai.
— Do que você está falando?
— Vamos, não temos tempo a perder — ele me empurrou porta a fora e mesmo com meus gritos, só disse que Natalie havia ligado dizendo que tinha uma encomenda esperando por mim na minha sala e que meu pai também estava a minha espera, cuspindo fogo.
Chegamos ao prédio da Scott’s em tempo recorde. Ethan praticamente voou. Com pressa de chegarmos à empresa, ele mesmo foi dirigindo um dos meus carros, dizendo que não poderíamos perder tempo chamando Jonathan.
— Bom dia, senhores. A encomenda está em cima da sua mesa, Senador — passei por minha secretária sem mesmo ver sua cor.
— Natalie, não avise o Governador Scott que chegamos ainda, ok!
— Pode deixar, Ethan.
— Eu avisarei à hora certa de chamá-lo.
— Ok.
— O que está acontecendo? — disse entrando direto em minha sala.
— Veja você mesmo — bati os olhos em minha mesa deparando-me com um pacote médio embrulhado em papel pardo, parecendo ser uma pasta.
Aproximei-me pegando o embrulho em minhas mãos e abri, me desesperando com que havia dentro dele. Junto com uma pasta encadernada estava o celular no qual eu e Linda nos falávamos diretamente e um envelope endereçado a mim, escrito com sua letra.
Abri antes de tudo e percebi que estava tremendo, com medo do que aquela carta poderia me dizer.
Sentei-me e comecei a ler...
Artur Sebastian,
Como eu gostaria que tudo fosse diferente. Que você tivesse me escutado e que pudéssemos ter conversado sobre tudo isso.
Mas, você não me deu chance para explicar. Você nem me deixou falar, apenas me tratou como uma boneca de porcelana qualquer que se encontra em qualquer boate, mas eu não sou assim e você, mais do que ninguém, deveria saber disso.
Eu queria tanto ter feito essa investigação com você!
Lutando juntos contra essas duas pessoas sujas e desonestas, que eu nunca deixaria prejudicar você e sua família.
Não poderia ficar de braços cruzados vendo Raquel e Ryan degradando o império que sua família construiu com tanto sacrifício. Eles são corruptos e desonestos, Artur. Além de roubarem descaradamente as empresas da família, ainda mantêm contatos direto com os Parker. Eu tive medo que algo lhe acontecesse, ou com alguém da nossa família.
Raquel e Ryan são perigosos, eles querem o poder a qualquer custo.
Em anexo deixo o dossiê completo sobre toda a minha investigação durante todos esses meses e peço que você e seu pai tentem solucionar esse problema da melhor maneira possível.
Eu só queria ajudar, proteger... Apenas por amá-lo demais.
E por amar demais, também vou me afastar.
Por mais que isso doa fisicamente, eu preciso ficar longe, para que você descubra quem realmente eu sou.
Amor, eu quero estar ao seu lado. Quero lutar com você contra essas pessoas imundas. Quero que você possa contar comigo sem medo e receios. Eu quero mais, Artur.
Não quero ser subestimada e protegida. Quero ser sua companheira e ajudar você a proteger, desde nossa família e empresa, até a população que nos ama tanto.
Eu não conseguiria resistir a você se continuasse aí, eu nunca consigo. Por isso precisei me afastar, mas espero do fundo do meu coração que quando estiver ciente do lugar onde estou, você me encontre.
Sim, você vai saber onde me encontrar, mas, por favor, eu preciso que você me entenda, eu preciso que você me escute. Eu quero que seja diferente.
Pense, amor...
Eu amo você mais que a mim mesma...
Eu quero estar com você o mais rápido possível, porém, só depende de você.
Não conseguirá me rastrear, todos os meus celulares, principalmente o nosso particular, que deve estar em suas mãos agora, deixei aí.
Porém, eu sei que conseguirá...
E espero ansiosamente por isso.
Posso estar jogando minha felicidade pelo ralo, estar jogando você nos braços da primeira boneca manipulável que encontrar, mas eu confio no nosso amor e esperarei, até o dia que me encontrar, para me ter para sempre, ou para terminar o ciclo mais bonito e importante de minha vida.
Eu o amo demais e por isso preciso que me tenha por completo e não pela metade, como estava acontecendo.
Até breve, eu espero.
Sua, Linda Marilyn.
Terminei de ler sua carta com os olhos embaçados, por conta das lágrimas que teimavam em cair. Como pude ter sido tão idiota? Deixar minha mulher escapar dessa maneira! Onde eu estava com a cabeça que não enxerguei a pessoa forte e determinada que tinha ao meu lado?
— Droga! — dei um murro na mesa me levantando e corri em direção à porta.
— Onde você pensa que vai?
— Pai! — droga! Eu não poderia ter essa conversa com ele naquele momento.
— Você pode me dizer o que significa isso? — ele ergueu o mesmo dossiê que eu havia recebido de Linda. — O que está acontecendo nessa empresa, Artur, o que Linda tem haver com isso?
— A verdade sobre seus assessores e braço direito — me joguei em uma das poltronas puxando meus cabelos.
— Eu vou deixar vocês a sós — Ethan disse se retirando da minha sala.
— E o que Linda Marilyn tem haver com isso, como vocês descobriram isso? –—não respondi. — Artur! — meu pai, que nunca levantava a voz, gritou comigo. — Que porra está acontecendo aqui?
— Raquel e Ryan são corruptos e desonestos, desviam dinheiro há anos da Scott’s, além de ter contato direto com os Parker, papai — fui irônico. — Eu sempre tentei alertá-lo com relação à esses dois, porém, você nunca me ouviu. Agora está aí, tudo em suas mãos, com as provas necessárias.
— Onde Linda entra nisso, vocês os investigaram juntos? — levantei sem forças, indo até meu cofre e retirando de lá meu próprio dossiê, jogando-o em cima da mesa.
— Não. Nós fizemos duas investigações separadas durante esse tempo todo — respirei fundo. — Eu subestimei minha mulher e a perdi — joguei-me novamente na poltrona, com a cabeça baixa.
— Como assim a perdeu?
— Linda tentou conversar comigo durante esse tempo todo, mas com medo dela se envolver demais nessa história suja e perigosa, eu não quis escutá-la. Mas, ela foi persistente, investigando os dois e, sozinha, montou esse dossiê. Ontem, quando novamente tentou conversar comigo, eu a tratei como uma mulher manipulável. Pai, eu só queria proteger minha mulher e agora ela foi embora não deixando pistas do seu paradeiro — indiquei a carta deixada por Linda em cima da mesa.
— Você deveria conhecer mais sua mulher e saber que não se deve subestimar a inteligência de uma — George sentou-se ao meu lado. — Para onde ela foi?
— Eu não sei. Não tenho a mínima ideia — disse fracamente, vendo todo o controle que sempre tive nas mãos se esvair.
— Precisamos tomar providências à respeito desses dois e faço questão de fazer isso pessoalmente.
— Não.
— Como não, Artur? Esses canalhas estão nos roubando há anos e como se não bastasse, podem prejudicar nossas carreiras políticas se aliando aos Parker.
— Eu sei, pai — levantei e comecei a andar de um lado para o outro. — Apenas temos que encontrar o momento certo. Não podemos enfrentá-los agora, precisamos usar das mesmas armas deles.
— E como pretende fazer isso?
— Primeiro, eu preciso achar minha mulher. Tenho uma equipe de olho em Raquel e Ryan durante vinte quatro horas, não se preocupe. Nós vamos pegá-los sem que tenham a chance de escapar e, principalmente, sem escândalos. Somos pessoas públicas e não podemos ver nossos nomes envolvidos com operações tão sujas — pausei olhando diretamente para meu pai. — É o nosso império e nome que estão em jogo. E além de tudo, Linda pode estar correndo algum risco, eu não sei qual foi sua linha de investigação — disse envergonhado.
— Você tem razão, mas eu quero ficar a par de tudo e acompanhar essa operação de perto.
— Ethan lhe passará tudo — levantei indo em direção a porta.
— Aonde você vai?
— Atrás da minha mulher.
— Você sabe pelo menos onde procurá-la, Artur?
— Não — ele fez um gesto para que eu voltasse minha atenção para ele novamente.
— Nós vamos encontrá-la, filho. Linda é muito especial, como uma filha para mim e sua mãe, nós vamos achá-la.
— A culpa foi minha — disse cansado.
— Nós, homens, precisamos aprender a não subestimar nossas mulheres. Linda é muito inteligente para se contentar com “não se meta nisso”, você deveria saber disso.
— Eu a quero ao meu lado, pai, lutando comigo. Eu não posso perdê-la — meus olhos se encheram de água novamente.
— Nós vamos achá-la. Já tentou sua melhor amiga? — Mary, não...
— Jared me avisaria — um estalo veio em minha cabeça e as lágrimas de culpa se transformaram em ódio. — Só pode ser coisa daquele desgraçado — me levantei novamente trombando com Jared e Ethan na porta.
— Segure-o! — meu pai ordenou. — Onde pensa que vai, transtornado desse jeito? Ficou maluco?
— Aquele jornalista de merda! Só pode ser ele, Mark Adams.
— Artur, você não pode sair desse jeito — Ethan segurava meu corpo.
— Eu vou acabar com ele!
— Pense em Linda. Ela pode ficar mais furiosa ainda — Jared abriu a boca pela primeira vez.
— Ela falou com Mary hoje? — perguntei mais calmo.
— Não, Artur, Mary também recebeu um bilhete hoje pela manhã, apenas isso.
— Ela deve saber para onde Linda foi.
— Ela não sabe, tenho certeza disso. Está tão desesperada quanto você.
— Seus pais — disse tirando o celular do bolso.
— Você não está em condições de conversar com Sal ou Ruth nesse estado. Walker, peça para sua mulher ligar.
— Pode deixar, Governador. Vou ligar agora para Mary — ele saiu para um canto, já com o celular no ouvido.
— E você, mantenha a calma. Não será desse jeito que irá trazer Linda de volta.
— Pai? Me solta, Ethan! — George fez um sinal para ele.
— Mas, sem gracinhas. Você é um Senador da República, haja como tal.
— Nada, Artur. Na casa dos pais ela não está.
— Droga, eu vou até a revista do Adams — tentei sair novamente.
— Vão com ele.
— Eu não preciso de babá, Senhor Scott.
— E levem os seguranças, mas qualquer coisa me liguem — saí de lá bufando ao lado dos meus dois assessores, como se estivesse escoltado.
— E não adianta bufar.
— Eu vou mandar você e Jared para o olho da rua! — urrei.
— Seu pai nos contrata novamente — balancei a cabeça seguindo para a revista da paquita.
Chegando lá, entrei sem ao menos ser anunciado.
— Mark, eu tentei impedir, mas... — a secretária disse assim que invadi sua sala com meus capangas tentando me segurar.
— Onde ela está? — rosnei, partindo para cima dele.
— Não sei do que está falando! — irado, o peguei pela camisa.
— Eu vou repetir, seu jornalista de merda, onde está minha mulher?
— Eu não sei onde Linda está e mesmo que soubesse não falaria, se você está nesse estado, fez algo muito ruim para ela — meti um soco bem no meio do seu nariz. —Seu desgraçado eu vou chamar a polícia!
— Isso é ridículo! Eu sou Artur Scott — ironizei.
— Calma, Artur — Ethan me segurou.
— Você se considera o dono do mundo, mas não teve capacidade para amar e entender a mulher maravilhosa que estava ao seu lado. Com certeza, Senador, hoje eu não queria estar na sua pele — ele tinha razão. Abaixei a cabeça e, dando meia volta, saí da sua sala sem dizer mais nenhuma palavra. — Eu vou processá-lo, ouviu bem? — foi tudo o que consegui ouvir antes de me fechar em copas.
Eu não soube amar Linda como ela merecia.
Não soube entender que era ao meu lado que ela merecia e queria estar, me ajudando em todos os aspectos da minha vida. Por isso a perdi.
Mas precisava encontrá-la para provar que ainda podia ser diferente. Que estava disposto a mudar. Queria Linda comigo para sempre, sozinho eu não ia conseguir nem respirar, quanto mais lutar contra o mundo lá fora.
Fui direto para nosso apartamento, onde me tranquei em nosso refúgio de todos os dias: a biblioteca. Ali eu ficaria até encontrá-la. Peguei uma das garrafas de uísque do meu bar particular, me joguei no sofá e virei a primeira delas de uma só vez, como se fosse água.
Precisava saber onde ela estava para me encontrar novamente. Nesse momento eu me odiava por fazê-la sofrer e, definitivamente, não sabia mais como viver sem minha princesa.
— Eu preciso encontrá-la! Me mostre onde você está e eu vou buscá-la.