O Senador
Capítulo 23 · Acordei mais uma vez com a sensação…
Acordei mais uma vez com a sensação de estar sonhando. Mas, diferente das outras vezes, eu tinha uma pequena protuberância em meu baixo ventre que mostrava o quanto meu sonho era real. Porque se dependesse de Artur para isso estaria perdida. Ele não me esperava mais na cama. Estava sempre preparando nosso café, correndo na praia ou dando seu mergulho matinal, dando-me uma visão que sempre me deixava com água na boca.
Já estávamos na ilha há uma semana, não poderíamos estar curtindo melhor nossa lua de mel.
Pelo jeito nosso herdeiro, como Artur se referia ao bebê, resolveu se comportar, pois não estava tendo mais enjoos ou tonturas. Mas a doutora Charllote nos explicou que esses efeitos iriam até o quarto mês e como já estava praticamente de quatro e meio, eles tinham amenizado bastante.
Nossos dias estavam divididos em noites de sexo ardentes, vendo o nascer do sol nus na praia, apenas sob a luz daquele dia que acabara de chegar, e em manhãs de sono profundo. Tínhamos trocado o dia pela noite.
Com isso desfrutava das minhas manhãs para dormir, acordando para aproveitar um pouco da praia e as belezas que a ilha nos proporcionava sem que o sol já estivesse a pino.
Já nossas tardes eram regadas a almoços sempre muito divertidos, com Artur tentando me ajudar e sempre me atrapalhando, filmes, namoro, sono e mais sono. Efeitos da gravidez. No final da tarde, mais um mergulho e à noite recomeçávamos tudo novamente.
Por mim, não voltávamos nunca mais para Nova York. Essa paz, sem preocupações com horários e compromissos estava nos fazendo muito bem e teria que me controlar quando estivéssemos em casa, pois Artur precisava se concentrar inteiramente no seu trabalho no Capitólio. Na verdade, teria que me conscientizar que as noites eram feitas para dormir e não para a entrega total da luxúria.
Sorri, tentando me levantar, porém uma forte dor na parte de baixo da minha barriga me acometeu.
— Droga! — curvei meu corpo voltando para a cama. — Ai, meu Deus, o que está acontecendo? — me desesperei, passando a mão por minha intimidade, que graças a Deus não sangrava. — Ai, que dor! — choraminguei. — Artur, onde você está? — tentei mais uma vez levantar e dessa vez, com sucesso, consegui chegar até a mesa posta por ele para nosso café da manhã e em cima continha um bilhete.
Princesa,
Fui dar uma corrida pela praia, a esteira está me fazendo falta
Sei que para você também e não morda os lábios.
Espero estar de volta antes que acordem.
Beijos
Amo vocês mais que tudo.
Se cuide
Seu,
Artur Sebastian
— Está atrasado, amor — me curvei indo para o banheiro. — Ai! — sentei na borda da banheira.
— Linda, o que está sentindo? — graças a Deus Artur apareceu ao meu lado, mas entrou em desespero ao me ver naquele estado. — Linda... Fala comigo, meu amor.
— Está… Doendo, amor — gritei. Artur me pegou no colo, levando-me de volta para cama. — Estou com muita dor... Não quero perder nosso filho. Não deixa, amor! — gritei desesperada.
— Calma, princesa, isso não vai fazer bem para ele — tocou meu ventre e percebi que estava tremendo. — Vou acionar um helicóptero médico e a doutora Charllote, logo eles estarão aqui — tirou o celular do bolso da bermuda e gritou com quem atendeu. Eu não escutava nada com muita clareza, estava muito nervosa para isso, mas percebi que Artur pediu o helicóptero e avisou nossa médica que viria junto com a equipe. — Eles estarão aqui em menos de uma hora. Vou trocar sua roupa com cuidado para esperarmos, ok? E enquanto isso a doutora pediu para não fazer nenhum tipo de esforço, permanecendo deitada. Eu vou cuidar de você, princesa, nada vai acontecer — Artur beijou minha testa e pegou o primeiro vestido que encontrou, colocando-o em meu corpo, delicadamente. Vestiu também uma camiseta se deitando ao meu lado e juntos, rezamos em silêncio para que nada acontecesse.
A espera nos pareceu dias, mas em menos de uma hora, como prometido, o helicóptero desceu na ilha e uma equipe me levou até ele, já recebendo os primeiros atendimentos.
— E então, doutora… — Artur estava tentando se controlar para não jogar o helicóptero no mar, eu conhecia meu marido. — O que está acontecendo?
— Senador, vou pedir para o senhor manter a calma, principalmente para não estressar ainda mais, Linda Marilyn — ele respirou fundo beijando minha testa. Eu chorava sem parar, não conseguindo raciocinar direito. Não poderia perder meu filho. Não nós não o perderíamos.
— Eu estou com tanto medo, amor — apertei sua mão que estava entrelaçada na minha.
— Vai ficar tudo bem, princesa — ele não parava de beijar minha testa.
— Aplique um Dactil-ob na sua veia com Buscopan composto, por favor.
— Doutora? — perguntei aflita depois do primeiro exame de toque.
— Linda Marilyn, você teve algumas contrações e ainda não sabemos o motivo, porém a falta de sangramento nos faz descartar, momentaneamente, a ameaça de aborto espontâneo. Mas precisamos de exames específicos, que serão feitos assim que chegarmos ao hospital.
— Então eu não estou perdendo meu bebê, doutora? — ela sorriu pegando a minha mão.
— Não, Linda. Pelos primeiros exames foram apenas contrações, mas precisamos descobrir o motivo delas terem aparecido tão cedo.
— Faremos o que for necessário, doutora.
— Eu sei que sim, Senador.
— Estamos pousando — o piloto anunciou. Depois disso foi uma correria, e como já estava grogue, por conta dos remédios, adormeci nos braços de Artur a caminho do ultrassom.
— Como você está se sentindo agora, Linda Marilyn? — fiquei confusa quando me deparei com a médica na minha frente.
— Artur — tentei levantar o rosto, mas ele foi mais rápido se colocando ao meu lado.
— Shiii… Estou aqui, meu amor — ele sorriu beijando minha testa.
— E os exames, doutora? E nosso bebê? — toquei meu ventre por reflexo.
— Está tudo bem com você e o bebê, Linda Marilyn — respirei aliviada. — O que você teve foram contrações por conta de uma pequena ruptura do endométrio, porém já está tudo estabilizado. Você tomará algumas medicações a partir de hoje, a base de estrogênio, e o mais importante — olhei para Artur que estava atento a todas as ordens médica —, repouso absoluto, principalmente nos primeiros quinze dias. Mas quero vê-la a cada três ou quatro dias para que possa acompanhar o resultado da medicação.
— Doutora, repouso de tudo?
— Sim, Senador — ela sorriu como se fosse a coisa mais normal, fazendo-me corar violentamente. — Repouso e abstinência, pelo menos por hora. Alguma dúvida?
— Não — dissemos juntos, nos entreolhando. — Nenhuma dúvida, doutora — ele completou.
— Ótimo! Sua alta já está assinada e nos veremos em dois dias no meu consultório, ok?
— Tudo bem, doutora. Obrigada.
— Não me agradeça, apenas se cuide — ela saiu nos deixando a sós.
— Foi apenas um susto — Artur me pegou nos braços e voltei a chorar. — Shiii, princesa, já está tudo bem — me ninou como um bebê.
— Fiquei com tanto medo!
— Não precisa ter medo, eu já disse… — tocou meu queixo fazendo com que nossos olhos se encontrassem. — Não vou deixar nada acontecer com minha família — o abracei ainda chorando baixinho, mas naquele momento de alívio. Não me perdoaria se alguma coisa acontecesse ao nosso bebê.
Nossos pais, que já estavam no hospital, entraram um pouco depois me deixando mais calma e logo depois fomos para casa.
Graças a Deus, a imprensa não ficou sabendo dessa vez. Não teria coragem e muito menos disposição para sair pela porta da frente. O dia havia disso completamente exaustivo e chegamos em casa muito cansados.
— Queria que nossa volta fosse diferente — sorri fracamente, assim que fui colocada na cama por meu marido.
— O importante é que estamos os três de volta, assim como saímos — sorri, percebendo que ele tinha razão.
Nada de mal tinha acontecido ao nosso bebê e faríamos de tudo para protegê-lo.
Relaxei nos seus braços, lembrando cada dia da nossa lua de mel e percebi que aquela havia sido uma das viagens mais lindas das nossas vidas.
A Ilha de Emma sempre nos traria isso… A sensação de paz, tranquilidade e muito amor.
Dormi nos braços do meu marido, sentindo aquele único cheiro que me acalmava…
O cheiro do meu homem, pai de meu filho, da minha casa…
O cheiro do nosso amor…