Rogações de Eremita
O Sono do Trigal
II
Então, comovido e grato, reconhecendo a esmola que me alegrava o coração, quis dizer ao Senhor a minha prece, quis confessar-lhe a exaltação da minha alma pela serena luz que ele acendia no meu peito turvado de combates. Loucamente balbuciei palavras loucas, e todas se perdiam apagadas! Tão alto e tão profundo o meu sentir, não souberam dizê-lo esses murmúrios frouxos e mortais de lábios débeis que mortais nasceram.
Cessou minha oração nesse momento. Pressenti sombras de orgulho, desvairado, na tentação de ver e penetrar a omnipotência de harmonia e ordem que é a razão de ser de quanto existe. E humildemente apenas repeti:
—Senhor! Senhor! Senhor!...{30}{31}
O SONO DO TRIGAL