Rogações de Eremita

Jaime de Magalhães Lima · Capítulo 63 de 76

Páginas do PDF

Rogações de Eremita

Capítulo II

 

Senhor! Tu que me consentiste a graça de escutar a voz bendita com que no outono as urzes roxas vem a libertar-nos das dores de embriaguez obcecada que pôs sua ambição em querer{105} muito, em vez de a consagrar à fortaleza de se sujeitar à lei que em teu mistério deste ao universo, não permitas, Senhor, que eu desfaleça! Enquanto a minha jornada não findar, que eu não deixe jamais de te escutar no canto benfazejo das urzes roxas, monjas do outono!

Possa eu beber com elas no seu cálice a suave resignação da sua pobreza, seu valoroso animo que afronta, cantando e derramando suavidade, pressentimentos que aos demais oprimem, esse cair da noite do inverno, seus flagelos, suas privações, o gelo, a morte, todo o seu cortejo de crueldades sem fim, inexoráveis!{106} {107}